"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 02.09.10 às 01:19link do post | favorito

Desde fricas épocas o homem precisou viver em sociedade, e neste sentido existiam ou foram criadas as normas. Porque o homem saiu do estado de natureza onde podia tudo e passou a conviver em sociedade, e assim sendo a própria historia alerta a todos nós que ao sair deste estado de natureza o homem vem viver em sociedade e é obrigado a se submeter às normas. Mas, nós temos o que chamamos de direito de fato, e um direito cuja base de sustentação está pautada justamente no clamor público. As sociedades não democráticas da Antiguidade como as civilizações Egípcias, a Mesotopotâmia, a Fenícia, a Pérsia, a Grécia, a própria Roma, tiveram um direito de fato, não sustentado pelo clamor público elegendo, inclusive, seus próprios dirigentes, era um direito onde o Faraó ou o Rei que representava aquela organização política podia tudo.

 

Os direitos naturais, direito à vida, a liberdade de expressão só vieram a ser consagrados posteriormente, com a consagração do próprio Estado.

 

Antes disso a única forma de dominação das classes sociais era a religiosa. No Egito não havia liberdade de expressão, lá tudo era controlado pelo Faraó. Era uma sociedade dividida em castas, porém, já existia algo de extrema relevância que era tolerância religiosa entre os povos.

 

Mesmo assim, esses princípios às vezes eram solapados por base para satisfazer a interesses maiores, dentro da própria da sociedade. Eles tinham uma religião politeísta. Na Antiguidade as mentalidades eram muito diferentes da atualidade, até porque as civilizações da Antiguidade se toleravam bem em certos aspectos, por exemplo, no Egito, na Fenícia, na Pérsia se cultuava os mesmo deuses sem nenhum problema.

Praticar a religião era um direito garantido e isso se perpetuou nas organizações políticas clássicas, como na Grécia e Roma. Era norma dos gregos - que eram politeístas, e dos romanos também, dentro daquelas organizações - respeitar a religião do seu próximo. Se houvesse esse consenso entre religiões diferenciadas na atualidade, não haveria distensões. Os antigos viviam harmonicamente entre si, convivendo com a diversidade e isso era levado à risca porque o homem na Antiguidade era muito religioso, e a religião estava muito vinculada ao poder político. Na Grécia eles eram politeístas, então os gregos e os romanos adotavam o principio da tolerância. Mas nem tudo era tão perfeito, houve civilização que se diferenciou na forma pensar de agir e de sentir e que foi fruto inclusive da abominação de outros povos. Esses povos foram os palestinos, o primeiro povo monoteísta da face da terra. Por conta deles, se propagaram dois ramos de religião; o cristianismo e o islamismo. Os romanos quando começaram a sua expansão, tomaram a palestina e a ocuparam, começaram a transformar os costumes.

 

A tolerância sofreu religiosa ingerência, e quando Jesus reencarna a coisa se tornou pior ainda, porque Jesus começou a solapar por base toda a idéia contrária as suas máximas, - o que não estava de acordo com seu pensamento, - as quais foram alicerçadas em cima das necessidades da humanidade, ele fazia uma critica dura a forma de viver dos fariseus, dos saduceus dos publicanos e dos políticos mesmo porque ele desconsidera tais postos, então a religião cristã - denominação criada por Lucas depois do desencarne do Cristo para denominar os seus seguidores -, passou a ser uma religião perseguida, os seus seguidores passaram a ser subjugáveis e maltratáveis levados inclusive ao crivo do martírio. Os cristãos eram perseguidos, já em relação às religiões politeístas, o cristianismo era uma religião que estava desagregando as ações políticas, que não eram ações positivas à época, então os cristãos foram de encontro ao Estado Romano, enfrentando a religião politeísta vista como superior a cristã e Cristo, seu maior representante.

 

Esse posicionamento de Cristo desagradou a César por isso que os cristãos foram perseguidos. Havia um dia no ano em Roma em todas as pessoas reverenciavam César tal qual um Deus. Jesus se manifestou dizendo; só existe um Deus, e os cristãos, quando tomaram consciência dos ensinamentos do mestre rejeitaram a adoração a César. Por isso foram perseguidos e massacrados, por conta da intolerância do Estado, então o tempo passa Roma se desenvolve, mas não pode manter as fronteiras simplesmente com religião, ela precisa manter as fronteiras com homens. Então entra em nocaute político econômico e social porque no próprio exército se imiscuem os chamados bárbaros (que não professavam a mesma religião e não falavam o latim) e por não praticarem a religião do Estado eram discriminados dentro daquela organização política. Os fariseus (grupos devotos da Torá, criadores das sinagogas) quando se dirigiam a outros grupos em que eles julgassem inferiores pronunciavam "Racca" e cuspiam. Aí estava implícito o preconceito e a base do que nós, os seres humanos sofremos na atualidade por não tolerarmos determinadas práticas. O preconceito é o tratamento desigual que alguém dá ao seu semelhante julgando-se mais apto que ele. Só que Jesus não olhava para o ter, para os seus caracteres os fenótipos, Jesus olhava para o ser e sabia com quem estava lidando, daí porque a sua mensagem criou a revolução que nós conhecemos na atualidade.

 

Com o esfacelamento de Roma surge um líder, Constantino. Ele implementou uma espécie de dominação psíquica e cívica, todavia, os cristãos não concordavam com a religião politeísta, e muito menos com a ingerência do Estado Romano, por isso foram subjugados. Quando Constantino percebeu que a intolerância por parte do Estado Romano, estava levando o próprio Estado a um declínio, publicou o Edito de Milão. Esse Edito foi uma das grandes cartas da época que deu liberdade religiosa, aos cristãos tais quais as demais religiões, mas não tornou o cristianismo a religião oficial de Roma.

 

Dentro da sociologia se estuda no fenômeno da adaptação, então houve um acordo. Constantino outorgou o Édito de Milão o qual deu liberdade de culto aos cristãos. Outrora eles se escondiam nas catacumbas, a partir daquele momento poderiam como os demais, fazer os seus cultos dentro de casa em praça publica da mesma forma que os fariseus e os saduceus, foi um avanço. Mas houve o declínio de Roma, o Império Romano do Ocidente se esfacela surge o Império Romano do Oriente de uma antiga colônia grega chamada Bizâncio, a qual se transformou em Constantinopla. Lá o cristianismo se desenvolveu dentro de outra perspectiva, a da intolerância. Tolerância ali só para com a religião oficial adotou-se o grego como base da interpretação das pregações, a livre interpretação a bíblia, a adoração de imagem que posteriormente houve ingerência do próprio Estado, - o movimento iconoclasta – que não tolera a idolatria, e enquanto isso no mundo ocidental Roma se esfacela, os antigos generais apelam para os senhores feudais, os antigos escravos passam a ser servos, agora com alguns pequenos direitos que lhe possibilitam uma convivência até certo ponto, pacífica.

 

Nesse novo sistema político/econômico vai haver uma inversão de papéis aquele que outrora era perseguido pela intolerância do Estado passa a ser agraciado pelo Édito de Tessalônica do Imperador Teodósio, o qual tornou o Cristianismo a religião oficial do Império Romano, e por isso ela se propagou nas duas vertentes. Enquanto isso a Igreja surge na pessoa dos apóstolos do Cristo. E com seus dirigentes disputando o poder diretamente com os reis, assim a Igreja vai multiplicar seus bens em nome de Jesus, vai começar a adquirir terras, multiplica o que tem de forma exacerbada. Ela vai começar a bater de frente com os lideres, das organizações, porque eles têm o poder. O mundo Ocidental criou a Igreja Apostólica Romana Católica, e com ela os cleros, Regular e Secular. (O clero secular eram aqueles que rezavam a missa e saíam pregando a mensagem; o clero regular era representado pelos monges os criadores de determinadas ordens tais quais os Beneditinos, os Capuchinos, os Franciscanos).

 

O Cesar o papismo surge como um entrave para o Papa no mundo ocidental, bem como para o chefe da Igreja Católica no mundo Oriental. Na capital do Império Romano, Constantinopla o Cesaropapismo foi a presença de Constantino ou de Justiniano posteriormente, na Igreja ditando normas, elegendo o Papa, os Cardeais, os Bispos, o Imperador tinha o controle, César era o representante de Deus, e dos homens na terra. Ele tinha o poder temporal e atemporal. A Igreja do mundo Ocidental adotou o latim como língua oficial que repercutiu adoração à imagem e os dogmas que nós conhecemos até hoje na atualidade. Tanto no Oriente como no Ocidente o Estado foi intolerante para com as demais religiões. Todos os povos subjugados foram convertidos ao catolicismo, isso se deu no mundo Ocidental, e no Reino dos Francos, principalmente com Carlos Magno. Toda povo subjugado por ele era obrigado a se converter ao cristianismo.

 

Em nível religioso houve um conflito, sociológico em se tratando do conceito de adaptação. Houve a subjugação, o povo teve que se converter tal qual cristão novo aqui no Brasil também. Por outro lado a religião no Brasil se desenvolveu e fez algo de espetacular, manteve a arte, e um padrão de arquitetura, conseguiu acolher no seu bojo as obras mais importantes para além da intolerância religiosa. Porque na Idade Média não se falava em direitos naturais ou humanos. A Igreja ditava as normas e a base era teocêntrica. No ano de 1053 o Papa no mundo Ocidental, (Leão III) querendo o controle de toda a Igreja, entra em conflito com o representante do mundo Oriental, (Miguel Perdulário) mas por motivo de intolerância recíproca não houve acordo entre ambos. A falta de acordo gerou uma Cisão por conta da intolerância, de cada representante religioso. A igreja com a sede do poder legitimou o processo seletivo marginalizador, com base na sua própria mensagem quando criou o determinismo de que: "uns nasceram para orar, outros para guerrear outros para trabalhar" aí estava a base de toda a sociedade.

 

Felizmente o homem acabou rompendo com esse tradicionalismo por conta da própria mensagem da Igreja que acabou levando os cristãos ao massacre quando participaram das Cruzadas. As Cruzadas foram mais uma demonstração da intolerância religiosa, e da sede pelo poder. Houve diversas Cruzadas entre o século XI e XIII, sendo as piores entre elas, a Popular e das Crianças. A Cruzada das Crianças de 07 anos foi dizimada pela fome, pela escravização das crianças, e pelo massacre dos muçulmanos. Toda guerra religiosa, o massacre dos muçulmanos e dos católicos foi realizado em nome de Deus. E tudo isso Porque não houve acordos; porque não houve adaptação; porque ninguém queria se subjugar a ninguém.

 

Quando o Estado se organiza na Idade Moderna o Renascimento traz consigo uma nova visão de mundo. O homem não é mais aquele que pensa de forma teocêntrica acreditando que Deus é o centro de tudo e que teria a resposta para tudo, ele começa a se valorar, a questionar. E tal questionamento começa justamente no meio das artes, vem a imprensa, os livros, a facilidade de comunicação. As dificuldades de outrora vão aos poucos, sendo abolidas. Com a utilização da imprensa a Bíblia foi produzida e mais divulgada, mas a intolerância continuava e a primeira manifestação contra esse pensamento foi tomada por um católico chamado Martin Lutero que não concordava com a postura da igreja que enriquecia cada vez mais explorando o seu semelhante e sem permitir que a Bíblia em si, pudesse ser interpretada por qualquer homem. Martin Lutero entra um conflito com outro monge chamado Peckstrel o qual vendia indulgências na Alemanha. - Vendiam-se lençóis que enxugou Jesus, a toalha que pegou no corpo de Jesus, o dedo de Jesus, os cravos que pregaram Jesus - . Então Lutero bateu de frente com o Papa e afixou na catedral de winttemberg a sua bula contendo seus 95 artigos, o Papa exigiu que Lutero se retratasse ou estaria excomungado, mas o monge não temeu as ameaças e encadeou um movimento rompendo com a supremacia da Igreja católica fato que foi um marco na Europa e ficou conhecido no mundo como Reforma Protestante.

 

O protestantismo é claro, não resolveu o problema da intolerância, pois dentro do luteranismo havia dissidências, os anabatistas que eram radicais aos extremos, eles entravam em conflitos e ia para a queda de braço, matavam quebravam imagem, a intolerância era zero entre eles, e respeito à dignidade humana, nem pensar. Mas isso não impediu que o luteranismo se propagasse na Europa. Naquele momento acontecia na Europa a formação dos Estados, burguesia veio à tona e os conflitos permearam esse crescimento. A Dinamarca adotou o princípio da tolerância em relação todas as religiões. Mas em outros locais da Europa essa intolerância se perpetuava e a igreja estava perdendo campo. Aí vem a contra-reforma e com ela nasce a Companhia de Jesus. E a Igreja deu mais uma prova de intolerância religiosa, os Jesuítas massacraram os não cristãos em nome do Cristo, a vida de muita gente foi ceifada. Enquanto isso a Europa, cria um substrato de Estado absolutista aonde ir de encontro a religião do príncipe era ir de encontro ao próprio príncipe, então os clérigos de forma geral se aproveitavam disso para fortalecer cada vez mais, a religião católica afastar o príncipe da Igreja e assumir definitivamente o comando dos fiéis.

 

Com o advento do iluminismo no século XVIII e a criação do Estado mínimo o absolutismo se enfraquece. E o Estado mínimo defende os direitos de primeira geração, que são os direitos de liberdade, onde o Estado tem um limite de interferência na vida dos cidadãos. E a partir das Revoluções dos Estados Unidos e da Francesa, vieram novas fontes de direitos para o homem assegurando o que eles não possuíam anteriormente enquanto isso no Brasil recém-descoberto, os jesuítas na adaptação, subjugam o índio bem e negro trazido da África, desconsidera suas tradições, a forma de pensar de agir sentir, deles. A intolerância religiosa para com os nossos irmãos de culto afro-descendentes e com o indígena por parte dos lusitanos promove a aculturação desses grupos.

 

A outorga da primeira constituição do Brasil de 1824 não deu liberdade de culto, a todas as religiões, as não católicas eram apenas toleradas. E o espiritismo foi introduzido no Brasil por "Olimpo Teles de Menezes" que fundou o primeiro centro espírita. Olimpo Teles de Meneses foi o marco na historia do espiritismo brasileiro. O espiritismo também foi perseguido por ser uma religião tolerada, Assim como o candomblé. Mas com a Maçonaria era diferente, o Estado a tolerava porque além de ser um direito de fato como todas as outras, estava calcado numa família tradicionalista. E ninguém podia contradizer o que o imperador queria, e nesse caso, ele era Maçon. A maçonaria, inclusive, teve um papel importante na política em todo mundo, mas aqui no Brasil foi apenas a mais tolerada, depois vinha o Espiritismo porque foi trazida pela elite. Quanto ao candomblé e a umbanda que são fenômenos tipicamente brasileiros, eram toleradas apenas dentro de casa. Mas a religião oficial do Brasil era o catolicismo. O individuo podia manifestar sua fé desde que não fosse de encontro ao disseminado pelo Estado. As pessoas não podiam mudar de religião nem professar outra religião. No entanto, houve os que desafiaram o poder constituído e defenderam a sua ideologia, como, Olimpo Teles de Menezes que criou o primeiro grupo espírita e manteve contato com Allan Kardec.

 

Apesar de Rui Barbosa, se manifestar contrário à intolerância estatal em relação as demais religiões, somente em 1891 é que O estado vai dar liberdade de culto, contudo. No Estado Novo de Vargas houve perseguição religiosa. Na época de Vargas o regime era ditador, a liberdade de expressão foi suprimida. E, ir de encontro ao Estado era criar para si próprio um grande problema, assim os conflitos religiosos permaneceram durante muito tempo.

 

Com as mudanças na Europa vieram as Declarações, os Documentos e aos poucos além dos direitos de primeira geração (liberdade). Veio o direito de segunda geração (igualdade) e os trabalhadores por meio das greves criticaram e modificaram as bases da Revolução Industrial, o Estado deixou de ser mínimo em contraposição ao Estado absolutista e passou a ser o Estado social de direito. Baseados em programas americanos, o Brasil adotou os direitos dos trabalhadores como hora extra, direito a férias, salário base e Vargas ganhava o nome de "Pai dos Pobres". Aí chega a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 1948. O seu art. 18 diz o seguinte: "Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados".

 

O Brasil adotou o lema da ONU, mas não se esqueceu de lutar por suas liberdades, assim documentos começaram a ser produzidos e os próprios grupos religiosos começaram a se manifestar, a pleitear os seus direitos porque o Estado democrático tem o papel de garantidor e a base dos direitos humanos também está na tolerância. A Declaração de Princípios da Tolerância", criada na França no período de 26/10 a 16/11/1995 define tolerância assim:

 

"1.1 A tolerância é o respeito, a aceitação e o apreço da riqueza e da diversidade das culturas de nosso mundo, de nossos modos de expressão e de nossas maneiras de exprimir nossa qualidade de seres humanos. É fomentada pelo conhecimento, a abertura de espírito, a comunicação e a liberdade de pensamento, de consciência e de crença. A tolerância é a harmonia na diferença. Não só é um dever de ordem ética; é igualmente uma necessidade política e jurídica. A tolerância é uma virtude que torna a paz possível e contribui para substituir uma cultura de guerra por uma cultura de paz."

 

No art. Seguinte diz:

1.2 A tolerância não é concessão, condescendência, indulgência. A tolerância é, antes de tudo, uma atitude ativa fundada no reconhecimento dos direitos universais da pessoa humana e das liberdades fundamentais do outro. […]

 

A constituição de Portugal em seu art. 1º diz o seguinte:

 

A liberdade de consciência de religião e de culto é inviolável.

 

Art. 2º ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isentos de obrigações ou deveres cívicos por causa de suas convicções ou pratica religiosa.

 

A Constituição brasileira faz uma inovação, ao contrario das outras, na constituição cidadã o legislador originário preocupou-se em trazer à tona em primeira mão os direitos e garantias fundamentais, para posteriormente tratar da organização do Estado. Porque o Estado, tem o dever de promover a segurança dos cidadãos por meio da organização que é dividida em administração publica direta e indireta. Art. 5º inciso VI -" é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias"

 

Cabe ao Estado também, impedir que liberdade se exerça com violação de direito à vida, por exemplo, para exercer a liberdade de culto precisa se tirar uma vida, o Estado interfere para proteger a vida, mas na questão religiosa pura e simples o próprio art. 19 da CF garante a liberdade porque o Estado é laico é um Estado não confessional. Religião de um lado, Estado do outro, não permitida pela Constituição nenhuma ingerência em relação aos grupos religiosos.

 

Na questão da diversidade religiosa é dever de todos nós, respeitar as diferenças, por que o Estado democrático de direito foi uma conquista em relação a arbitrariedade, e estes direitos devem ser assegurados, apesar da intolerância ainda vigorar na sociedade atual. Porque intolerância religiosa hoje é crime, com pena de 01 a 03 anos. A lei Caô nº 7437/85 – (contravenções penais) inclui entre as contravenções penais: "Art. 1º. Constitui contravenção, punida nos termos desta lei, a prática de atos resultantes de preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil"

No Brasil já existe uma cartilha em relação ao princípio da tolerância com base no contido na Declaração Universal em 1948, mas nós temos como espelho mais profundo um livro escrito em 1857, "O Livro dos Espíritos" que não é um livro nosso, é dos espíritos, e no se terceiro capitulo o Livros dos Espíritos trata das leis morais. Kardec em 1857, na lei de justiça de amor e de caridade, questiona os espíritos sobre o que seria justiça. Porque a época de Kardec houve as perseguições, a intolerância do próprio Estado em relação aos livros da doutrina espírita que foram queimados em praça pública. Intolerância para com os princípios básicos da doutrina, dentro da própria França Kardec sofreu muito, então ele perguntou aos espíritos na questão 875 - Como se pode definir a justiça? E os espíritos responderam imediatamente: "a justiça consiste no respeito aos direitos de cada um". Então todo ser humano tem o direito de professar a sua religião porque está condizente com a sua forma de agir, de pensar de sentir, com as suas tradições faz parte de uma cultura.

 

Então Kardec continuou perguntando: O que é que determina esses direitos? Os espíritos responderam: "são determinados pela lei humana, pela lei natura"l. Só que a lei humana é transitória, o que certo hoje é errado amanhã, o que é correto aqui é errado lá no Oriente mas a lei natural não. Fazendo os homens leis apropriadas aos seus costumes e ao seu caráter, estabelecem direitos que podem variar como o progresso dos conhecimentos.

 

Vejam que as leis de hoje sem serem perfeitas consagram os mesmos direitos que as da Idade Média. No Brasil Colônia era normal você subjugar o negro. Negro não tinha alma, a escravidão era legitimada, hoje não é mais. Hoje é crime, escravizar alguém, manter em cárcere privado, submeter a trabalhos forçados. Só que os direitos existem, mas não há eficácia, o Brasil tem uma Constituição maravilhosa e que se encaixa perfeitamente no prega o Livro dos Espíritos, mas a intolerância ainda é muito forte. Ainda no Livro dos Espíritos Kardec continuou indagando e foi adiante: além do direito consagrado pela lei humana, qual é a base da justiça fundada sobre a lei natural?: "O cristo vos disse quereis para os outros o que querereis para vós mesmos".

 

No mundo há espaço para todos, pode-se viver em harmonia, mas também é típico, da própria natureza humana viver constantemente procurando o conflito, esse é o grande problema. Nós vivemos numa sociedade, onde existem várias sociedades imbricadas na sociedade o global mas, temos que respeitar a forma do outro pensar a maneira como ele age, como ele sente, nós temos que respeitar os direitos deles de defender e professar a religião escolhida seja ela qual for, não temos o direito de sair por aí atacando a integridade de quem quer seja, ou a religião de quem quer que seja, até porque nós não somos os donos da verdade, e a doutrina espírita ao contrario das demais religiões que tem um aspecto contratual e informal não pede nada em troca, apenas prima pelo desenvolvimento moral do praticante. Existem ainda algumas religiões cujo contrato é o parecido com os da Antiguidade, no Egito, na Pérsia na Palestina na Fenícia, em Roma na Grécia, na Idade Média, eu lhe ofereço isso e você me dá isso em troca, esse é o aspecto contratual.

 

O aspecto contratual na doutrina espírita é baseado nos ensinamentos de Jesus . "a cada um segundo as suas obras", ou seja, não há trocas. Quanto a aspecto formal a doutrina espírita também não tem, porque não há prática de ritos na casa. E este é um pensamento que está na vanguarda, a atualidade do Livro dos Espíritos do nosso mestre Kardec, 1857 depois da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Kardec talvez baseado nessas informações pergunta aos espíritos: a necessidade de viver em sociedade acarreta para o homem obrigações particulares?: "Sim, e a primeira de todas é a de respeitar o direito do seu semelhante".

 

O direito natural nada mais é que o somatório de toda nossa vontade delegada a um único governante que nos representa, por isso temos de respeitar o direito de outrem e a doutrina espírita nos ensina a respeitar esses direitos. Pois o sonho do próprio Kardec é o surgimento de um cristianismo que norteie a humanidade para o respeito mútuo e a tolerabilidade como primeiro princípio a ser seguido. Porque a tolerância é a base do desenvolvimento humano.

 

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 01.09.10 às 07:29link do post | favorito

  

 

Entendemos o Espiritismo, segundo a Dou­trina codificada por Allan Kardec, como uma norma, relígio-filosófica, de dar à criatura humana todos os meios simples e práticos de alcançar a própria valorização moral. Através do estudo e da exemplificação da Doutrina, cuja base evangélica é evidente, podem, o homem e a mulher, compreender a verdadeira significação da vida terrena, com todos os seus problemas, dores e aflições, ligando-a ao mundo espiritual, porque os dois mundos se interpenetram e se influenciam reciprocamente.

 

A Lei de Causa e Efeito, o Carma, como dizem os hindus, é inflexível e sua execução constitui, antes de simples castigo, uma imposição criada pelas ações do Espírito encarnado ou desencarnado para o seu necessário progresso, que pode ser mais lento ou mais rápido, conforme determinadas circunstâncias.

 

Para nós, portanto, o Espiritismo tem extraordinária importância no desenvolvimento moral da Humanidade. Não se destina a fazer santos, mas homens retos, dignos do respeito geral, úteis a si e ao próximo, capazes de, por seu comportamento e modo de pensar, imprimir ao Bem uma ação muito mais dinâmica do que tem sido, ao mesmo tempo transformando o Mal, neutralizando-lhe os efeitos e aproveitando-lhe a energia, a fim de que se reduza e um dia fique extinto. Nada, porém, será obtido sem a educação individual, sem que se dê à pessoa humana a atenção imprescindível, desde a criança até o ancião. Essa a obra grandiosa do Espiritismo: modelar o caráter humano, fazendo cada um compreender o elevado papel que tem a desempenhar na vida terrena e em face de seus semelhantes e dos compromissos que traz do passado espiritual.

 

*

 

Quando se alude a Jesus, alguns cépticos sorriem “superiormente”. Consideram que o Cristianismo não forma homens, mas múmias, seres abúlicos, neutros, passivos, incapazes de ações enérgicas, sempre choramingantes, de cabeça baixa, permitindo abusos e tolerando absurdos, em nome da humildade, da tolerância e do amor ao próximo. Ora, as coisas não devem ser olhadas dessa maneira. Se o misticismo tem proporciona­do episódios que pareçam justificar semelhante conceito, mais por imperfeição das criaturas humanas do que do legítimo espírito cristão, a vida de Jesus oferece aspectos absolutamente contrários a essa concepção sombria e negativa da personalidade humana.

 

Jesus foi humilde sem ser servil ou covarde. Foi bravo sem ser agressivo. A cena dos mercadores do templo, por ele expulsos, é prova eloquente de energia, de coragem, de intenção moralizadora. Enfrentou sozinho, bravamente, aqueles que profanavam o lugar sagrado. Sua atitude de dar ao mundo uma doutrina nova, mais humana, mais edificante, sem violência nem fanatismo, arrostando, como arrostou, todos os perigos, sofrendo humilhantes, torturas e o fim material na cruz, dão conta mais do que outro qualquer exemplo, da sua incomum bravura.

 

Dele conhecemos somente o nos contam os Evangelhos. E’ pena que não haja mais pormenores da sua passagem pela Terra, porquanto os fatos do seu itinerário humano não devem ter-se restringido apenas ao que nos relatam os Evangelhos, ressaltando mais a finalidade religiosa da sua peregrinação.

 

Ninguém deu mais belas provas de sinceridade. Nada mais degradante do que a hipocrisia, que, ainda hoje, campeia por todos os cantos. Os hipócritas mostram sorrisos, abraçam, louvam, embora, intimamente, não experimentem satisfação alguma com o que fazem para iludir. Quando há sinceridade real, sentimos o calor espiritual das atitudes, a vibração benéfica das palavras de agrado ou louvor. Há gente assim, insincera, em toda parte. Nem foi por outro motivo que Jesus, tão doce e benévolo, tão tolerante e discreto, não se conteve ao repelir a hipocrisia: “Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Adoram-me, porém, em vão, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”.  E adverte: “Quando orardes, não sejais como os hipócritas.”

 

Em Mateus, 6:1-2, 6:2-6, 6:16-18, 15:7-9 e 23:5-10, ele condena a hipocrisia e os hipócritas.

 

O mundo herdou, por força daqueles que pretenderam, pela comoção, obter o que não alcançavam pelo entendimento claro, a idéia de um Jesus chagado, coberto de sangue, para sempre dependurado na cruz. O mundo mudou de­pois da noite negra da Idade Média e se libertou de concepções retrógradas, adquirindo plena consciência do seu direito de pensar e de dizer. Desde aí, muitas interpretações benéficas da personalidade de Jesus e do legítimo objetivo do verdadeiro Cristianismo contribuíram, e contribuem, para dar à Humanidade um retrato mais compatível com a dignidade do Cristo, retirando-o da cruz, que foi um episódio de sua vida terrena, episódio dramático, triste, cruel, mas apenas um episódio.

 

Em vez de um Jesus morto e divinizado, temos, no Espiritismo, um Jesus vivo, glorifica­do por sua grandeza moral e por suas obras e idéias, pela ascendência espiritual de que desfruta, como Espírito puro, de altíssima hierarquia, a quem estão entregues os destinos deste planeta e, consequentemente, os da Humanidade terrena.

 

Em “Os Quatro Evangelhos”, Roustaing nos permite ver como os Evangelistas e Apóstolos nos apresentam a grandeza do Mestre excelso e de sua magna doutrina, sem os macabros acessórios que o têm acompanhado nas apresentações de religiões ditas tradicionais: coroa de es­pinhos, cravos, sangue, sangue, sangue.

 

Jesus não prega a tristeza, a dor, o desânimo. Pelo contrário, encontramos nos Evangelhos a prova de sua alegria, do seu amor à coragem, à iniciativa, ao trabalho. Sempre aconselhou àqueles que, tangidos pelo sofrimento, pareciam derrotados, que tivessem ânimo.

 

Nas horas mais amargas, revelou fé, bravura e firmeza. Sacrificaram-no, mas não lhe quebraram a tenacidade. Por conseguinte, devemos todos deixar de lado o que há de tétrico e sombrio em torno de Jesus, para nos identificarmos com os seus exemplos maravilhosos, contidos nos

 

Evangelhos, os quais ajudam a formar homens de caráter forte, decididos, confiantes em si, destemerosos e persistentes.

 

Para nós, espíritas, Jesus está vivo, sempre esteve vivo. A cruz é um símbolo. Não nos preocupam símbolos, mas tudo quanto pode concorrer para dar à Humanidade, dentro da razão esclarecida, a confiança que nasce do conheci­mento sólido, a fé, que não prescinde do raciocínio, porque a fé viva é útil, fecunda, construtiva, enquanto que a fé inculcada por dogmas (perinde ac cadaver) faz autômatos, destrói a razão, corrompe o raciocínio e alimenta o fanatismo.

 

 Fonte: Reformador – novembro, 1965

 

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 21.08.10 às 04:41link do post | favorito

 Naquela hora, chegaram-se a Jesus os seus discípulos, dizendo: Quem é o maior no Reino dos Céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles e disse: Na verdade vos digo que, se não fizerdes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. Todo aquele, pois,que se humilhar e se fizer pequeno como este menino, esse será o maior no Reino dos Céus. E o que receber em meu nome um menino como este, a mim é que recebe. (Mateus, XVIII: 1-5).

 

Então se chegou a ele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o e pedindo-lhe alguma coisa. Ele lhe disse: Que queres? Respondeu ela: Dize a estes meus dois filhos que se assentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda. E respondendo Jesus, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber? Disseram-lhe eles: Podemos. Ele lhes disse: É verdade que haveis de beber o meu cálice; mas, pelo que toca a terdes assento à minha direita ou à minha esquerda, não me pertence conceder-vos, mas isso é para aqueles a quem meu Pai o tem preparado. E quando os dez ouviram isto, indignaram-se contra os dois irmãos. Mas Jesus os chamou a si e lhes disse: Sabeis que os príncipes das nações dominam os seus vassalos, e que os maiores exercitam sobre eles o seu poder. Não será assim entre vós; mas aquele que quiser ser o maior, esse seja o vosso servidor, e o que entre vós quiser ser o primeiro, seja o vosso escravo; assim como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em redenção de muitos. (Mateus, XX: 20-28).

 

E aconteceu que, entrando Jesus num sábado em casa de um dos principais fariseus, a tomar a sua refeição, ainda eles o estavam observando. E notando como os convidados escolhiam os primeiros assentos à mesa, propôs-lhes esta parábola: Quando fores convidado a alguma boda, não te assentes no primeiro lugar, porque pode ser que esteja ali outra pessoa, mais autorizada que tu, convidada pelo dono da casa, e que, vindo este, que te convidou a ti e a ele, te diga: dá o teu lugar a este; e tu, envergonhado, irás buscar o último lugar. Mas quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: amigo, senta-te mais para cima, servir-te-á isto então de glória, na presença dos que estiverem juntamente sentados à mesa. Porque todo o que se exalta será humilhado; e todo o que se humilha será exaltado. (Lucas, XIV: 1, 7-11)

 

Estas máximas são conseqüências do princípio de humildade, que Jesus põe incessantemente como condição essencial da felicidade prometida aos eleitos do Senhor, nas seguintes palavras: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Ele toma um menino como exemplo da simplicidade de coração, e diz: “Todo aquele, pois, que se fizer pequeno como este menino, será o maior no Reino dos Céus”;  ou seja, aquele que não tiver pretensões à superioridade ou à infalibilidade.

 

                O mesmo pensamento fundamental se encontra nesta outra máxima: “Aquele que quiser ser o maior, seja o que vos sirva”, e ainda nesta: “Porque quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.

 

                O Espiritismo vem confirmar a teoria pelo exemplo, ao mostrar que os grandes no mundo dos Espíritos são os que foram pequenos na Terra, e que freqüentemente são bem pequenos os que foram grandes e poderosos. É que os primeiro levaram consigo, ao morrer, aquilo que unicamente constitui a verdadeira grandeza no céu, e que nunca se perde: as virtudes; enquanto os outros tiveram de deixar aquilo que os fazia grandes na Terra, e que não se pode levar: a fortuna, os títulos, a glória, a linhagem. Não tendo nada mais, chegam ao outro mundo desprovidos de tudo, como náufragos que tudo perderam, até as roupas. Conservam apenas o orgulho, que torna ainda mais humilhante a sua nova posição, porque vêem acima deles, e resplandecentes de glória, aqueles que espezinharam na Terra.

 

                O Espiritismo nos mostra outra aplicação desse princípio nas encarnações sucessivas, onde aqueles que mais se elevaram numa existência, são abaixados até o último lugar na existência seguinte,  se se deixaram dominar pelo orgulho e a ambição. Não procureis, pois, o primeiro lugar na Terra, nem queirais sobrepor-vos aos outros, se não quiserdes ser obrigado a descer. Procurai, pelo contrário, o mais humilde e o mais modesto, porque Deus saberá vos dar um mais elevado no céu, se o merecerdes.

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 19.05.10 às 00:01link do post | favorito

UM COM O PAI

(Fim de dezembro do ano 30)

João, 10:22-39

22. E aconteceu a festa da dedicação em Jerusalém; era inverno.

23. E Jesus passeava no templo, no pórtico de Salomão.

24. Cercaram-no os judeus e diziam-lhe: "Até quando suspendes nossa alma? Se és o Cristo, fala-nos abertamente".

25. Respondeu-lhes Jesus: "Eu vo-lo disse e não credes; as ações que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito.

26. Mas não credes, porque não sois de minhas ovelhas.

27. As minhas ovelhas ouvem minha voz, e eu as conheço e elas me seguem.

28. e eu lhes dou a vida imanente, e nunca jamais se perderão, e ninguém as arrebatará de minha mão:

29. o Pai, que as deu a mim, é maior que tudo, e ninguém pode arrebotar da mão do Pai:

30. eu e o Pai somos um".

31. Os judeus outra vez buscaram pedras para apedrejá-lo.

32. Retrucou-lhes Jesus: "Mostrei-vos muitas belas ações da parte do Pai; por causa de qual ação me apedrejais"?

33. Responderam-lhe os judeus: "Não te apedrejaremos por uma bela ação, mas por blasfêmia, porque, sendo tu homem, te fazes um deus".

34. Retrucou-lhes Jesus: "Não está escrito na lei: "Eu disse, vós sois deuses"?

35. Se ele chamou deuses aqueles nos quais se manifestou o ensino de Deus - e a Escritura não pode ser ab-rogada

36. a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo, dizeis "blasfemas", porque eu disse: "sou filho de Deus"?

37. Se não faço as ações de meu Pai, não me creiais,

38. mas se faço, embora não me creiais, crede nas ações, para que conheçais e tenhais a gnose de que o Pai está em mim e eu estou no Pai".

39. E de novo procuravam prendê-lo, mas ele saiu das mãos deles.

 

Este é mais um dos trechos de importância capital; nas declarações do Mestre. Analisemo-lo cuidadosamente.

O evangelista anota com simplicidade, mas com precisão, a ocasião em que foram prestadas essas declarações de Jesus: a festa da "dedicação" (hebraico: hanukâh, grego: egkainía) era uma festa litúrgica, instituída por Judas Macabeu, em 164 A.C., em comemoração à purificação do templo, da profanação de Antíoco IV Epifânio (cfr. 1.º Mac. 1:20-24, 39 e 4:59; 2.º Mac. 10:1-8; Fl. josefo, Ant. Jud. 12, 5, 4). Começava no dia 25 de kislev (2.ª metade de dezembro, solstício do inverno) e durava oito dias. Em solenidade, equivalia às festas da Páscoa, de Pentecostes e dos Tabernáculos.

Por ser inverno, Jesus passeava (com Seus discípulos?) no pórtico de Salomão, que ficava do lado do oriente, protegido dos ventos frios do deserto de Judá. Um grupo de judeus aproxima-se, cerca-O, e pede que se pronuncie abertamente: era o Messias, ou não?

Ora, essa resposta não podia ser dada: declarar-se "messias" seria confessar oposição frontal ao domínio romano, segundo a crença geral (o messias deveria libertar o povo israelita); essa declaração traria duas consequências, ambas indesejáveis: atrair a si a malta de políticos ambiciosos e descontentes, ávidos de luta; e, ao mesmo tempo, o ódio dos "acomodados" que usufruíam o favor dos dominadores, e que logo O denunciariam a Pilatos como agitador das massas (e dessa acusação não escapou), para que fosse condenado à morte, como os anteriores pretensos messias. Mas, de outro lado, se negasse a si mesmo o título, não só estaria mentindo, como decepcionaria o povo humilde, que Nele confiava.

Com Sua sábia prudência, no entanto, saiu-se galhardamente da dificuldade, citando fatos concretos, dos quais se poderia facilmente deduzir a resposta; e chegou, por fim, a declarar Sua unificação com a Pai. Portanto, Sua resposta foi muito além da pergunta formulada, para os que tivessem capacidade de entender.

Baseia-se, para responder, em Suas anteriores afirmativas e nas ações (érga) que sempre fez "em nome do Pai". Tanto uma coisa como outra foram suficientes para fazê-Lo compreendido por "Suas ovelhas", que “O seguem fielmente". E a todas elas é dada a Vida Imanente, de forma que elas "não se perderão" (apóllysai, "perder-se", em oposição a sôizô, "salvar-se”, e não "morrer", sentido absurdo).

A. razão da segurança é que elas estão "em Sua mão" e, portanto, “na mão do Pai, que é maior que tudo".

Mais uma vez salientamos que zôê aiônios não pode traduzir-se por “vida eterna" (cfr. vol. 2), já que a vida é ETERNA para todos, inclusive na interpretação daqueles que acreditam erroneamente num inferno eterno... Logo, seria uma promessa vã e irrisória. Já a Vida imanente, com o Espírito desperto e consciente, unido a Deus dentro de si, constitui o maior privilégio, a aspiração máxima. que nossa ambicionar um homem na Terra.

 

O versículo 29 apresenta três variantes principais, das quais adotamos a primeira, pelo melhor e mais numeroso testemunho:

 

1 - “O Pai, que as deu a mim, é maior que tudo" (hós, masc. e meizôn, masc.) - papiro 66 (ano 200, que traz édôken, aoristo, em vez de dédôken, perfeito, como os códices M e U); K, delta e pi, os minúsculos

1, 118, 131, 209, 28, 33, 565; 700; 892; 1.009 ; 1.010; 1.071 1.071; 1.079; 1.195, 1.230, 1.230, 1.241, 1.242, 1.365, 1.546, 1.646, 2.148; os unciais bizantinos (maioria), as versões siríacas sinaítica, peschita e harclense, os Pais Adamâncio, Basílio, Diodoro (4.º séc.), Crisóstomo, Nono e Cirilo de Alexandria (5.º séc.); e aparece com o acréscimo do objeto direto neutro autá na família 13, em 1216, 1344 (que tem o mac. oús), e 2174, nas versões coptas boaírica (no manuscrito), saídica, achmimiana, nas armênias e georgianas.

 

2 - "O que o Pai me deu é maior que tudo" (, neutro e meízon, neutro) no códice vaticano (com correção antiga para hós), nas versões latinas ítala e vulgata, na boaírica e gótica, nos Pais Ambrósio e Jerônimo (5.º século).

 

3 - "O Pai é quem deu a mim o maior que tudo" (hós, masc, e meízon, neutro), nos códices A, X, theta e na versão siríaca palestiniana.

A quarta variante (, neutro e meizôn, masc) parece confirmar a primeira, já que não faz sentido em si; talvez distração do copista, esquecendo o "s". Aparece nos códices sinaítico, D, L, W e psi.

A segunda variante, aceita pela Vulgata, é bastante encontradiça nas traduções correntes: "O que o Pai me deu é maior (mais precioso) que tudo". Realmente, esse pensamento do cuidado de Jesus pelo que o Pai Lhe deu, é expresso em João 6:37-39 e 17:24; mas a ideia, que reconhecemos como do texto original, além de caber muito melhor no raciocínio do contexto (estão as ovelhas "na mão do Pai" e nada poderá arrebatá-las, porque Ele é maior que tudo), também é confirmado por João 14:28.

A seguir explica por que, estando "em Sua mão", automaticamente, estão na mão do Pai: "Eu e o Pai somos UM".

A expressão "estar nas mãos de alguém" é usual no Antigo Testamento. Sendo a mão um dos principais instrumentos físicos da ação, no homem, a mão exprime o "poder de agir" (Ez. 38:35), a "potência" (Josué, 8:20; Juízes, 6:13; 1.º Crôn. 18:3; Salmo 75:6; Isaías 28:2; Jer. 12:7; 1.º Sam. 4:3; 2.º Sam. 14:16, etc.). Assim, estar na mão de alguém" exprime "estar com alguém" (Gên. 32:14; 35:4; Núm, 31:49; Deut. 33:3; Jer. 38:10, etc.) ou “estar sob sua proteção ou seu poder" (Gên. 9:2; 14:20; 32:17; 43:37; Ex. 4:21; 2.º Sam, 18:2; 1.º Reis 14:27; 2.º Reis 10:24; 2.º Crôn. 25;20; Job 8:4; Sab. 3:1). Simbolicamente fala-se na "mão de Deus", que é “poderosa" (Deut 9:26; 26:8; Josué 4:25; l.ª Pe. 5:6) e garante sua ajuda (Luc. 1:66); ou, quando está sobre alguém o protege (2.º Crôn, 30:12; 1.º Esd, 7:6, 9, 28; 8:18, 22, 31; 2.º Esd. 2:8, 18; Is. 1:25; Zac. 13:7. etc,).

 

A frase “Eu e o Pai somos UM" foi bem compreendida em seu sentido teológico pelos ouvintes, que tentam apedrejá-Lo novamente (cfr. João, 8:59) e "buscavam" (ebástasan) pedras fora do templo, já que não nas havia no pórtico de Salomão.

 

Mas diferentemente da outra ocasião, Jesus não "se esconde". Ao contrário, enfrenta-os com argumentação lógica, para tentar chamá-los à razão. Eis os argumentos:

 

1.º - Ele lhes mostrou "muitas belas ações" (pollá érga kalá) vindas do Pai. As traduções correntes transformaram o "belas" em "boas". Por qual delas querem apedrejá-Lo?

A resposta esclarece que não é disso que se trata: é porque “sendo Ele um homem, se faz (poieís seautón) um deus", o que constitui blasfêmia.

 

2.º - Baseado na "lei", texto preferível (por encontrar-se no papiro 45, em aleph, D e theta) a "na vossa lei" ( A, B, L e versões Latinas e Vulgata). O termo genérico "lei" (toráh) englobava as três partes de que eram compostas as Escrituras (toráh, neviim e ketubim). A frase é citada textualmente de um salmo, mas também se encontra no Êxodo uma atribuição dela.

Diz o Salmo (82:6): ani omareti elohim atem, vabeni hheleion kulekem (em grego: egô eípa: theoí éste, kaì hyioì hypsístou pántes), ou seja: "eu disse: vós sois deuses, e filhos, todos, do Altíssimo". Jesus estende a todos os homens o epíteto de elohim (deuses) que, no Salmo (composto por Asaph, no tempo de Josafá, cerca de 890 A.C.) era dirigido aos juízes, que recebiam esse título porque faziam justiça em nome de Deus. Nos trechos do Êxodo (21:6 e 22:8 e 28), a lei manda que o culpado "se apresente ao elohim", isto é, ao juiz.

Tudo isso sabia Jesus, e deviam conhecê-lo os ouvintes, tanto que é esclarecida e justificada a comparação: lá foram chamados deuses "aqueles nos quais o ensino de Deus se manifestava" (os juízes) - e a Escritura (graphê) "não pode ser ab-rogada" (ou dynastai lysthênai). É o sentido de lyô dado por Heródoto (3, 82) e por Demóstenes (31, 12) quando empregam esse verbo com referência à lei.

 

3.º - Ora, se eles, simples juízes, eram chamados deuses na lei, por que seria Ele acusado de blasfêmia só por dizer-se "filho de Deus" se Ele fora “separado" (hêgíasen, verbo derivado de hágios que, literalmente tem esse significado) ou "consagrado" pelo Pai, e "enviado" ao mundo? E tanto só se dizia "filho", que se referia a Deus dando-Lhe o nome de Pai.

4.º - As ações. Pode dividir-se em dois casos:

 

a) se não as fizesse, não era digno de crédito:

b) fazendo-as, devia ser acreditado.

Todavia, mesmo que, por absurdo, não acreditassem em Sua palavra, pelo menos as ações praticadas deviam servir para alertá-los, não só a "conhecer" (gnôte) mas até mesmo' a ter a gnose plena (ginôskête, papiro 45, e não pisteuête, "creiais") de que, para fazê-las, era indispensável "que o Pai estivesse Nele e Ele no Pai".

De nada adiantaram os argumentos. Eles preferiam as trevas à luz (João, 3:19-21), pertenciam ao Anti-Sistema (João, 8:23), porque eram filhos do Adversário" (João, 8:47), logo, não tinham condições espirituais de perceber as palavras nem de analisar as ações "do Alto". Daí quererem passar à violência física, prendendo-O (cfr. João, 7:1, 30, 32 e 44, e 8:20). Mas, uma vez mais, Ele escapa de suas mãos e sai de Jerusalém (como em João 4:3 e 7:1).

 

Lição prenhe de ensinamentos.

Jesus passeava no pórtico de Salomão (que significa "pacífico" ou "perfeito") na festa da "dedicação" do templo (corpo) a Deus. Eis a primeira interpretação.

Jesus, o Grande Iniciado, Hierofante da "Assembléia do Caminho", é abordado pelos "religiosos ortodoxos" (judeus), que desejam aberta declaração Sua a respeito de Sua missão. Mas o "homem" Jesus, que já vive permanentemente unificado com o Cristo Interno, responde às perguntas na qualidade de intérprete desse mesmo Cristo.

Cita as ações que são inspiradas e realizadas pelas forças do Alto (cfr. João, 8:23), suficientes para testificar quem é Ele; mas infelizmente os ouvintes "não são do seu rebanho", e por isso não Lhe ouvem nem reconhecem a voz (cfr. João 10:14,16 ). A estas suas ovelhas é dada a vida imanente e elas não se perderão (cfr. João 8:51), porque ninguém terá força de arrebatá-las de Seu poder, que é o próprio poder do Pai, já que Ele e o Pai são UM.

O testemunho não é aceito. Antes, é julgado "blasfêmia", pois Ele, simples homem, "se faz um deus".

Jesus (o Cristo) retruca que, se todo homem é um deus, segundo o que está na própria Escritura, Ele não está usurpando direitos falsos, quando se diz "filho de Deus", em Quem reconhece "o PAI". Contudo, se não quisessem acreditar Nele, não importava: pelo menos reconhecessem as ações divinas realizadas pelo Pai através Dele, e compreendessem que o Pai está Nele e Ele no Pai, já que, sem essa união, nada teria sido possível fazer.

Inútil tudo: o fanatismo constitui os antolhos do espírito.

Transportemos o ensino para o âmbito da criatura encarnada, e observemos o ceticismo do intelecto, ainda mesmo quando já iluminado pelas religiões ortodoxas ("judeus"), mas ainda moldado pelos dogmas estreitos de peco fanatismo.

A Individualidade (Jesus) é solicitada a manifestar-se ao intelecto, à compreensão racional e lógica do homem. Como resposta, cita as ações espirituais que ele mesmo vem sentindo em sua vida religiosa: o conforto das preces, a consolação nos sofrimentos, a coragem nas lutas contra os defeitos, a energia que o não deixa desanimar, a doçura das contemplações. Mas, sendo o intelecto um produto do Anti-Sistema, não consegue "ouvir-lhe a voz" (akoúein tòn lógon, vol. 4) nem segui-lo, porque não o conhece. Mas se resolver entregar-se totalmente, anulando seu eu pequeno, ninguém poderá derrotá-lo, porque "o Pai é maior que tudo" e Ele se unificará ao Pai quando se unificar à Individualidade, que já é UNA com o Pai.

O intelecto recusa: julga ser "blasfema" essa declaração, já que o dogma dualista de sua religião lhe ensinou que o homem está "fora de Deus" e, por sua própria natureza, em oposição a Ele: logo, jamais poderá ele ser divino. Politeísmo! Panteísmo! Blasfêmia! ...

O argumento de que todo homem é divino, e que isto consta das próprias Escrituras que servem de base à sua fé, também não abala o intelecto cético, que raciocina teologicamente sobre "unidade de essência e de natureza", sobre "uniões hipostáticas", sobre "ordens naturais e sobrenaturais", sobre "filho por natureza stricto sensu e filhos por adoção", sobre o "pecado de Adão, que passou a todos", etc. etc. E continua sua descrença a respeito da sublimidade do Encontro, só conhecido e experimentado pelos místicos não-teólogos. E, como resultante dessa negação, a recusa do Cristo Interno que, por ver inúteis seus amorosos esforços, "se afasta e sai de Jerusalém".

No campo iniciático, observamos o ensino profundo, em mais um capítulo, manifestado de maneira velada sob as aparências de uma discussão. Eis alguns dos ensinos:

Para distinção entre o verdadeiro Eu Profundo e os enganos tão fáceis nesse âmbito, há um modo simples de reconhecimento: as belas ações que vêm do Pai.

Entretanto, uma vez que foi feita a íntegra doação e a entrega confiante, ingressando-se no "rebanho do Cristo", nenhum perigo mais correremos de perder-nos: estamos na mão do Cristo e na mão do Pai. Não há forças, nem do físico nem do astral que nos possam arrebatar de lá. Nada atingirá nosso Eu verdadeiro. As dores e tentações poderão atuar na personagem, mas não atingem a Individualidade.

Já existe a união: nós e o Pai somos UM, indistintamente.

Não há objeções que valham. A própria Escritura confirma que todo homem é um deus, embora temporariamente decaído na matéria. Não obstante, o Pai continua DENTRO DO homem, e o homem DENTRO DO Pai.

Aqui vemos mais uma confirmação da onipresença concomitante de Deus, através de seu aspecto terceiro, de Cristo Cósmico.

O CRISTO CÓSMICO é a força inteligente NA QUAL reside tudo: átomos, corpos, planetas, sistemas estelares, universos sem conta nem limite que nessa mesma Força inteligente, nessa LUZ incriada, nesse SOM inaudível, têm a base de sua existência, e dela recolhem para si mesmos a Vida, captando aquilo que podem, de acordo com a própria capacidade receptiva. Oceano de Luz, de Som, de Força, de Inteligência, de Bondade, QUE É, onde tudo flutua e de onde tudo EXISTE.

Mas esse mesmo Oceano penetra tudo, permeia tudo, tudo impregna com Sua vida, com Sua força, com Sua inteligência, com Seu amor.

Nesse Infinito está tudo, e esse Infinito está em tudo: nós estamos no Pai, e o Pai está em nós.

E é Pai (no oriente denominado Pai-Mãe) porque dá origem a tudo, Dele tudo parte e Nele tudo tem a meta última da existência. Partindo desse TODO, vem o movimento, a vibração, a vida, o psiquismo, o espírito, nomes diferentes da mesma força atuante, denominações diversas que exprimem a mesma coisa, e que Só se diferencia pelo grau que conseguiu atingir na evolução de suas manifestações corpóreas nos planos mais densos: é movimento vorticoso no átomo, é vibração no éter, é vida nos vegetais, é psiquismo nos animais, é espírito nos homens. E chegará, um dia, a ser chamado o próprio Cristo, quando atingirmos o ponto culminante da evolução dentro do reino animal: "até que todos cheguemos à unificada fidelidade, à gnose do Filho de Deus, ao estado de Homem Perfeito, à dimensão da plena evolução de Cristo" (Ef. 4:13).

 

Carlos Pastorino

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 14.05.10 às 05:13link do post | favorito

839. Será repreensível aquele que escandalize com a sua crença um outro que não pensa como ele?

 “Isso é faltar com a caridade e atentar contra a liberdade de pensamento.”

 

 

Surgem de novo o orgulho e o egoísmo, monstros da discórdia e da prepotência. Todo aquele que menospreza as opiniões alheias, por não compatibilizarem com as suas, está cheio de vaidade e desconhece os direitos alheios. Isso é falta de caridade e atenta contra a liberdade de pensamento. Vemos nos fatos que ocorrem em todo o mundo, Deus deixando que o homem aplique seus pensamentos, mesmo que depois sofra as conseqüências dos seus atos errôneos, para mostrar-lhe que pode ter liberdade e reconhecer no Senhor um Pai de Amor e de Bondade.

Quando notamos companheiros que somente acreditam no seu modo de pensar e sentir, estampam em seu ser plena ignorância sobre a vida. É preciso que reconheçamos que fazemos parte de um todo, e que cada alma tem uma tarefa diferente da outra. Os dons dados por Deus para o Espírito são diversos, mas ainda carecem de ser despertados e esse despertamento é gradativo, mas em alternância que não para.

Certos dons estão em atividades em uns, enquanto em outros dormem. É nesse sentido que não podemos viver sozinhos, pois ternos necessidade uns dos outros para a paz de todos. Nunca podemos julgar a ninguém porque tivemos e ainda vamos ter muitas vidas na Terra, para o despertamento completo dos nossos valores. é falta de caridade, de amor, condenar alguém porque esse alguém não aceita os nossos pensamentos. Onde está a liberdade de pensar e sentir que a vida nos deu?

Todos buscamos a liberdade, no entanto, não podemos ser livres de Deus, porque sem Ele não podemos viver. Em Paulo, quando falava aos Coríntios, por sua primeira epístola, notamos a diversidade entre as raças. Vejamos o capítulo um, versículo vinte e dois, que assim diz:

Porque tanto os Judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria.

E podemos acrescentar: uns buscam o direito, outros o amor, alguns a caridade, outros a paciência, e ainda outros lutam para conquistar a santidade. E é nessa corrida que buscamos e encontramos a perfeição no passar dos evos, porque a vida nos entregará a felicidade somente nos caminhos da perfeição espiritual.

No "Evangelho Segundo o Espiritismo" encontramos essa frase luminar:

"Fora da caridade não há salvação."

Quem falta com ela, como pode se libertar dos entulhos que lhe pesam na consciência? Somente ficamos livres dos fardos pesados e do jugo que nos incomoda obedecendo às leis de Deus, andando dentro delas. Aí é que a paz nasce em nós e por nós.

Seja quem for, respeitemos sua liberdade de pensar. Não é com isso que vamos nos esquecer de dar exemplos dignificantes. O exemplo no bem é a voz de Deus pelos nossos recursos de amor. Os pensamentos e a própria vida consciencial estão no silêncio, para serem ouvidos pelo seu portador, e ele mesmo deve tirar as suas deduções para o que lhe cabe viver.

A Doutrina Espírita não veio ao mundo revelar todas as leis de Deus, mas dar continuidade à revelação, que é gradativa, de acordo com o crescimento das criaturas.

 

Miramez

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 01.05.10 às 18:26link do post | favorito

 

Os incapazes de atacar um pensamento atacam o pensador. (Paul Valery)

Sempre encontramos pela frente fanáticos que sempre estão querendo demonstrar que sabem mais de Bíblia do que nós espíritas. Talvez, inconscientemente, eles julgam ser mais inteligentes ou quiçá mais iluminados que todos nós, uns pobres coitados, que não seguimos a estreita maneira deles de interpretar a Bíblia, especialmente, por estarem atolados até o pescoço nos dogmas fabricados pela liderança religiosa de antanho, cujo objetivo era o de apenas dominar os incautos fiéis, uma vez que não lhes movia o interesse do aperfeiçoamento moral deles.

Vejamos mais um, cuja fala iremos comentar, pois se ficarmos calados pensará que não temos argumentos, reforçando-lhe a crença, que certamente negará, de ser mais inteligente que todos nós. Como não nos interessa a pessoa em si, mas os seus argumentos, omitiremos propositalmente o seu nome. Faremos isso, pois o que ela coloca é bem o pensamento de muitos outros, sabemos disso.

 

---- Mensagem encaminhada ----

De: xxxxxxxxxxxxxxx <wwwwwwww@yahoo.com.br>

Para: apologia_gae@yahoo.com.br

Enviadas: Terça-feira, 6 de Maio de 2008 16:05:45

Assunto: Hipocrisia kardecista

A prática kardecista de utilizar a Bíblia de acordo com a própria conveniência chega a ser nojenta. Se a Bíblia não é a Palavra de Deus para os homens, os espíritas não deveriam utilizá-la, já que nela não crêem como tal. Falam de Jesus de acordo com a própria conveniência, naquilo que lhe agrada. Quando Jesus fala que João Batista era o Elias que havia de vir, utilizam isto para respaldar a reencarnação, porém quando Jesus fala sobre condenação eterna, Jesus não presta mais. Engraçado que o professor francês que se auto intitulava um druida, que hoje dá nome a um perna de pau do Vasco da Gama, disse que Jesus era o espírito mais puro já existente, o próprio espírito divino. Poderia o próprio espírito divino mentir quando fala sobre condenação eterna? Quando fala sobre a ressurreição dos mortos? Quando fala sobre a teologia do Pai, Filho e Espírito Santo, do derramamento de sangue para remissão de pecados e não na teologia da libertação? Os espíritas kardecistas utilizam-se das palavras de Jesus assim como um motel se utilizou para fazer propaganda. O motel colocou um cartaz na porta dizendo: amai-vos uns aos outros. Deste mesmo modo o espírita faz com as palavras de Jesus para fazer propaganda da falsa doutrina do pedagogo francês, que se contradiz muito em seus escritos. Esquecem que Jesus falou ao povo de Israel: Ouve ó Israel! O Senhor Teu Deus é o único Deus. Engraçado que o Deus de Israel condena quem consulta os mortos. Mas esta palavra de Jesus não serve à conveniência kardecista. criaram um deus conforme suas conveniências, possibilitando o reino dos céus a qualquer um que se esforce, como se fosse por mérito próprio e não pela remissão dos pecados como Jesus disse. Se vocês quiserem, eu dou todas as referências Bíblicas disto que eu falei. Só mostrem para o Paulo da Silva Neto Sobrinho. Eu quero que explique baseado no contexto, e não isoladamente (conforme no motel). Eu quero saber se dentro do kardecismo há algum espírito mais evoluído que Jesus? Se não há, parem de contradizê-lo.

 

É comum aos que sentem a fraqueza de seus próprios argumentos iniciarem atacando a integridade ou honradez das pessoas ou coisas que desejam combater, esse, que se nos apresenta agora, não foge a esse fado.

 

Com hipocrisia é o que nos acusam de agir. Certamente que, seguindo Jesus, lhe perdoaremos, pois, indubitavelmente, como acontece com todos os nossos detratores, não conhece absolutamente nada de Espiritismo, no íntimo, teme-nos, pois acha que somos um “perigo” a ele, quando na verdade pouco nos importa a sua maneira de crer, não no sentido de menosprezo, mas por respeitar-lhe a forma de pensar. O Espiritismo, como bem disse Kardec, não veio para aqueles que tem uma religião e nela crêem, veio, isso sim, para os que não tem ou os que negam os valores espirituais, por viverem no materialismo exacerbado.

 

Considera nojento a prática espírita de utilizar a Bíblia, certo é direito dele. Podemos até ser acusados de não praticar o que consta em Mateus 5,22, mesmo correndo esse risco, diremos, por nossa vez, que mais nojento que isso é atacar as pessoas em suas crenças sem lhes dar o direito de defesa. Deveria saber que usamos a Bíblia apenas porque os fanáticos intolerantes, como é o caso dele, a utilizam para nos atacar. É o que estamos sempre a dizer: “Não faça da sua Bíblia uma arma, pois a vítima pode ser você”. Não só desejamos, mas até mesmo imploramos, que ninguém mais a use com o pretexto de demonstrar que nós espíritas estamos errados na forma de expressar nossa religiosidade, como se fossemos obrigados a ver pela bitolada ótica deles. Caso isso fosse verdadeiro tornaria sem sentido algum a parábola do bom samaritano, na qual Jesus recomenda-nos seguir o procedimento daquele que era, à época, considerado um herético, talvez, na visão desse nosso contraditor, agindo com hipocrisia.

 

Aos que afirmam ser a Bíblia a palavra de Deus somente podemos considerar que ou realmente não a leram, ou se leram não a entenderam, apenas seguem seus líderes que lhes incutem suas próprias idiossincrasias, merecem nossa comiseração. Muito bem disse o Huberto Rohden (1893-1981), que foi um filósofo, educador e teólogo, que se a Bíblia for mesmo a palavra de Deus devemos convir que Ele tenha colocado na “porta do céu” uma placa com os dizeres “Expediente fechado”, pois, a partir do ano 100 E.C., aproximadamente, nada mais revelou aos homens. Se isso não aconteceu, então, são os fanáticos que “fecham os olhos” para não ver as carnificinas, contradições, coisas anticientíficas, lendas, mitologias etc, como se vê a mancheias em suas páginas. Apenas nos reservamos no direito de não a considerarmos como sendo a palavra de Deus, deixando essa opção aos que assim a acharem melhor conduzir suas vidas. Entretanto, isso não significa que nela não venhamos a encontrar alguma coisa que podemos considerar como sendo mesmo a palavra de Deus, sabemos separar o joio do trigo, não agindo como bibliólatras fanáticos.

 

Quando falamos do “Jesus que presta”, falamos do Deus que ele nos apresenta, um Deus-Pai, não um deus-carrasco que nos condena eternamente, sem chance de redimirmos dos nossos erros, que aliás, são cometidos por ainda não entendermos plenamente as leis de Deus, portanto deveríamos ser orientados e não castigados, coisa que, sem dúvida, até mesmo um pai humano faria assim.

 

Se buscamos textos à nossa própria conveniência, não fazemos nada mais do que esse crítico faz, estaremos diante de “dois pesos e duas medidas”? Ademais, é evidente que temos de escolher os textos que nos são favoráveis, aliás, não a nós, mas às Leis divinas, pois aceitar matanças e até indução ao estupro, é evidente que não podemos aceitá-los como inspiração divina, sendo totalmente excluídos de nosso conceito. Que tal se entendesse que todos seremos salvos (Mt 18,12-14), que Deus não pode ser pior que um pai humano (Mt 7,11), que devemos sim pagar pelos nossos erros, entretanto, não eternamente (Mt 5,26). Se deixasse se levar pelo nobre sentimento de amor veria que condenação eterna não existe nas leis de Deus, uma vez que até os cobradores de impostos e as prostitutas, considerados gentes de má vida, entrarão no reino dos céus (Mt 21,31). Por outro lado, o conceito bíblico de eterno é um tempo do qual não se sabia o término, pois nem mesmo a falha legislação humana tem atualmente aplicado pena perpétua aos criminosos, justamente para lhes dar oportunidade de reconciliarem-se com a sociedade.

 

Os que se ojerizam com a idéia da reencarnação, são, normalmente, aqueles que acreditam na condenação eterna no “fogo do inferno”, entretanto, nenhum entendido de Bíblia, tal e qual esse crítico se posa, foi capaz de provar que Deus o tenha criado. Todos nós temos os Dez Mandamentos como de origem divina, sendo assim, perguntamos: existe a pena de “assar no fogo do inferno” para quem não cumpre algum deles? Seria bom ler o Sl 103,8-10, antes da tentativa, certamente inepta, de responder-nos essa questão.

 

Quanto ao ser druida, leiamos o que o biógrafo Henri Sausse disse a respeito:

Uma noite, seu Espírito protetor, Z., deu-lhe, por um médium, uma comunicação toda pessoal, na qual lhe dizia, entre outras coisas, tê-lo conhecido em uma precedente existência, quando, ao tempo dos Druidas, viviam juntos nas Gálias. Ele se chamava, então, Allan Kardec e, como a amizade que lhe havia votado só fazia aumentar, prometia-lhe esse Espírito secundá-lo na tarefa muito importante a que ele era chamado, e que facilmente levaria a termo. (SAUSSE, H. Biografia de Allan Kardec in KARDEC, A. O que é o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2007, p. 19).

Portanto, pode se ver claramente que Kardec não “se auto intitulava um druida”, obteve essa informação de um espírito, o que é bem diferente do que foi afirmado pelo crítico com o objetivo de denegrir a imagem do Codificador, por absoluta falta de argumentos para contestar-lhe os pensamentos.

 

Percebe-se que o contraditor sabe o que Kardec disse a respeito de Jesus (pergunta 625, de O Livro dos Espíritos), então, deveria também saber que ele é o nosso guia e modelo, não o próprio Espírito Divino, mas que este o animava. Certamente, que, por isso mesmo, não poderia mentir. E já que nos reunimos em nome dele, confiamos plenamente que ele está em nosso meio (Mt 18,20). Entretanto, mentem os que interpretam seus ensinamentos à sua conveniência, dando-lhes significado totalmente estranho para um Deus de Amor, como acontece, por exemplo, ao afirmarem da ressurreição dos mortos como algo físico, uma vez que Jesus pregou a ressurreição do espírito, até mesmo porque, como afirmou Paulo, “a carne e o sangue não podem herdar o reino dos céus” (1Cor 15,50). Mas já que falamos em mentir, poderia, nosso crítico, ler os passos 2Sm 12,13-14 e 1Rs 21,19 visando classificá-los com o teor de Dt 24,16.

 

Um dos grandes problemas que nos leva o fanatismo é que os que assim agem acreditam em tudo que está escrito, sem ao menos se darem ao trabalho de questionar se o que está lá é verdade ou não. Deveriam pesquisar mais e veriam que a expressão “batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19), somente constante dos textos após o ano de 325, foi adicionada pelos dogmáticos teólogos católicos, conforme já apontamos em nosso texto “O Ritual do Batismo”, do qual transcrevemos:

Analisemos a primeira passagem em que aparecem as orientações de Jesus, ressurreto, aos discípulos (ver tb Mc 16,14-18):

Mt 28,16-20: Os onze discípulos foram para a Galiléia,... Então Jesus se aproximou, e falou: "... Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês...”.

Essa passagem é o que, por último, encontramos no evangelho de Mateus e somente nele é que se recomenda batizar “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, ou seja, em toda a Bíblia é o único passo que diz isso. Chama-nos atenção para o fato de que, naquela época, não se acreditava na Trindade, provando que isso é uma vergonhosa interpolação para justificar práticas ritualísticas criadas posteriormente à morte de Jesus. Agiram dessa forma para transparecer que era coisa comum no período em que Ele ainda vivia entre os discípulos.

Léon Denis, em Cristianismo e Espiritismo, disse:

Depois da proclamação da divindade de Cristo, no século IV, depois da introdução, no sistema eclesiástico, do dogma da Trindade, no século VII, muitas passagens do Novo Testamento foram modificadas, a fim de que exprimissem as novas doutrinas (Ver João I, 5,7). “Vimos, diz Leblois (145), na Biblioteca Nacional, na de Santa Genoveva, na do mosteiro de Saint-Gall, manuscritos em que o dogma da Trindade está apenas acrescentado à margem. Mais tarde foi intercalado no texto, onde se encontra ainda”.

__________

(145) “As bíblias e os iniciadores religiosos da humanidade”, por Leblois, pastor de Strasburgo.

(DENIS, 1987, p. 272). (grifo nosso).

Grifamos apenas para ressaltar que a origem dessa informação foi tirada da fala de um pastor; isto é importante para demonstrar a imparcialidade de quem dá a notícia.

 

Entretanto, para nossa própria grata surpresa, conseguimos também provar essa interpolação, ao lermos Orígenes(185-254), considerado como um dos “Pais da Igreja”, que viveu na Antiguidade cristã. Na sua obra apologética intitulada Contra Celso (cerca de 248), ele, refutando as críticas deste filósofo pagão contra os cristãos, transcreve, em seu discurso, muitas passagens bíblicas, e, entre elas, cita Mt 28,19 com o seguinte teor: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos” (ORÍGENES, 2004, p. 154). O que atesta que a expressão “batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” foi mesmo colocada, posteriormente, para se justificar o dogma da Trindade.

 

 

O historiador e professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, David Flusser (1917-2000), que lecionou no Departamento de Religião Comparada por mais de 50 anos, nascido na Áustria, foi estudioso da literatura clássica e talmúdica, conhecia 26 idiomas, informa que:

De acordo com os manuscritos de Mateus que foram preservados, o Jesus ressuscitado ordenou aos seus discípulos batizar todas as nações “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. A fórmula trinitária franca, aqui, é de fato notável, mas já foi mostrado que a ordem para batizar e a fórmula trinitária faltam em todas as citações das passagens de Mateus nos escritos de Eusébio anteriores ao Concílio de Nicéia. O texto de Eusébio de Mt 28:19-20 antes de Nicéia era o seguinte: “Ide e tornai todas as nações discípulas em meu nome, ensinando-as a observar tudo o que vos ordenei”. Parece que Eusébio encontrou essa forma do texto nos códices da famosa biblioteca cristã em Cesaréia. 75 Esse texto mais curto está completo e coerente. Seu sentido é claro e tem seus méritos óbvios: diz que o Jesus ressuscitado ordenou que seus discípulos instruíssem todas as nações em seu nome, o que significa que os discípulos deveriam ensinar a doutrina de seu mestre, depois de sua morte, tal como a receberam dele. (FLUSSER, 2001, p. 156).

É importante transcrevermos também a nota 75 em que Flusser coloca sua base de informação:

75. Ver D. Flusser, "The Conclusion of Matthew in a New Jewish Christian Source", Annual of the Swedish Theological lnstitute, vol. V, 1967, Leiden, 1967, pp. 110-20; Benjamin J. Hubbard, “The Matthean Redaction of a Primitive Apostolic Commissioning", SBL, Dissertation Series 19, Montana, 1974. Mais testemunho da conclusão não-trinitária de Mateus está preservado num texto copta (ver E. Budge, Miscelleaneous Coptic Texts, Londres, 1915, pp. 58 e seguintes, 628 e 636), onde é descrita uma controvérsia entre Cirilo de Jerusalém e um monge herético. "E o patriarca Cirilo disse ao monge: 'Quem te mandou pregar essas coisas?' E o monge lhe disse: 'O Cristo disse: Ide a todo o mundo e pregai a todas as nações em Meu nome em cada lugar". O texto é citado por Morcon Smith, Clement of Alexandria and a Secret Cospel of Mark, Harvard University Press, Cambridge, Mass, 1973, p. 342-6. (FLUSSER, 2001, p. 170).

 

Na seqüência, Flusser diz que...

um testemunho adicional das versões mais curtas de Mt 28:19-20a foi descoberto há pouco tempo numa fonte judeu-cristã...” (FLUSSER, 2001, p. 156), citando como fonte: Sh. Pinès, “The Jewish Christians of the Early Centuries of Christianity According to a New Source”, The Israel Academy of Sciences and Humanities Proceedings, vol. II, nº 13, Jerusalém, 1966, p. 25. (FLUSSER, 2001, p. 170).

Para corroborar tudo isso iremos apresentar a opinião de Geza Vermes, um dos maiores especialistas sobre a história do cristianismo, que, falando sobre esse passo, disse:

 

[...] Nos programas missionários anteriores, não houve questão quanto ao batismo, e menos ainda quanto a batizar nações inteiras. Além disso, o batismo administrado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo não tem precedente não só nos Evangelhos, mas também em qualquer lugar de todo o Novo Testamento. A fórmula que ocorre em Atos dos Apóstolos é batismo “em nome de” Jesus (At 2,38; 8,16; 10,48; 19,5) e, em Paulo, batismo “em Cristo” (Rm 6,3; Gl 3,27). Fora de Mateus, a fórmula trinitária, Pai, Filho e Espírito Santo ocorre pela primeira vez no manual litúrgico da igreja primitiva intitulado Didaqué ou Instrução dos Doze Apóstolos, que é datado da primeira metade do século II d.C. Tudo isso aponta para uma origem tardia de Mt 28,18-20.[...] (VERMES, 2006, p. 377-378). (grifo nosso).

 

Podemos colocar dois argumentos para contradizer essa passagem de Mateus: 1º) é que Jesus, quando vivo, não recomendou o batismo de água, mas um outro, o que veremos mais à frente; 2º) em Atos (2,38; 8,16; 10,48 e 19,5) temos a prova de que se batizava somente “em nome de Jesus”, evidenciando falta grave de quem fez a interpolação por não ter percebido esse pequeno detalhe. Eh!... Não há mesmo crime perfeito!

Mas esse fato não passou despercebido pelos tradutores da Bíblia de Jerusalém, que o minimizam dizendo:

É possível que, em sua forma precisa, essa fórmula reflita influência do uso litúrgico posteriormente fixado na comunidade primitiva. Sabe-se que o livro dos Atos fala em batizar “no nome de Jesus” (cf. At 1,5+; 2,38+). Mais tarde deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da Trindade. Quaisquer que tenham sido as variações nesse ponto, a realidade profunda permanece a mesma. O batismo une à pessoa de Jesus Salvador; ora, toda a sua obra salvífica procede do amor do Pai e se completa pela efusão do Espírito. (explicação para Mt 28,19, p. 1758). (grifo nosso)

 

Eis aí acima a que se pode chegar, quando se busca a verdade, não aquilo que dizem ser, pena que fanáticos não conseguem fazer isso.

Sobre a teologia “do derramamento de sangue para remissão de pecados”, há coisas interessantes: João Batista pregava “o batismo de arrependimento para remissão de pecados” (Mc 1,4; Lc 3,3), ficando claro que a remissão de pecados não decorria do derramamento de sangue. Por outro lado, esses dois evangelistas mantêm uma outra idéia ao registrar os acontecimentos durante a ceia, que passou a ser a forma de selar o pacto da Nova Aliança (Mc  14,24; Lc 22,20). João (13) não diz coisa alguma relacionada a sangue, só Mateus (26,28) é onde se encontra essa afirmação, entretanto, cabe-nos questionar o porquê Jesus afirmara que o julgamento seria na base do “a cada um segundo as suas obras” (Mt 16,27); qual o sentido dele ter dito que a nossa “salvação” estaria nos atos de caridade aplicados a favor do próximo, conforme se deduz da parábola do juízo final (Mt 25,31-46) e, por fim, se essas obras não valem nada, por qual razão recomendou-nos seguir o exemplo do bom samaritano que cuidou do homem semimorto à beira da estrada (Lc 10,29-36), como forma de entrarmos no reino dos céus?

 

É para nós uma grande novidade saber que pregamos a “teologia da libertação”, mas, no fundo, acreditamos que sim: queremos libertar as pessoas do julgo da liderança religiosa que só quer o dízimo delas, como também, lutamos para libertar todos da prisão mental a qual submetem seus fiéis, justamente para arrancar-lhes o dízimo. Há uma frase lapidar de Paulo: “O Senhor é o Espírito; e onde se acha o Espírito do Senhor aí existe a liberdade” (2Cor 3,17), o que significa dizer, em outras palavras, que onde não há liberdade o Espírito do Senhor não existe, ou seja, não se encontra. Ganha um doce quem adivinhar onde?

Em relação à comparação da placa de motel, quem sabe foi de tanto ver as igrejas usando tal expediente para “pelar” seus fiéis, dizendo: “Dê todo o seu dinheiro, que Deus lhe dará em dobro”. (Os pobres coitados não percebem que se deram todo o seu dinheiro ficarão sem nada e o dobro de nada é nada mesmo!!!). Sabemos muito bem que as pessoas acabam transferindo para as outras aquilo que são intimamente, é o que os psicólogos afirmam, é por esse motivo que devemos compreender nosso contraditor, quando adjetiva-nos de “falsa doutrina”.

Nem ao menos sabe separar as coisas, pois Jesus nunca disse “Ouve ó Israel!”, parece-nos mais o que falava Moisés (Dt 5,1; 6,4; 9,1; 27,9). Exato, o nosso crítico está absolutamente certo “O Deus de Israel” condena quem consulta os mortos, porém, o Deus de Jesus não condenou absolutamente nada, inclusive, ele próprio, conversou com os Espíritos de Moisés e Elias, justamente para demonstrar que essa proibição não provem de Deus. É completamente fora de lógica imaginar que Deus tenha criado uma maneira de comunicarmos com os mortos para depois afirmar que fazendo isso estaríamos praticando coisa abominável a Ele, convenhamos que seria muito mais racional que não criasse essa possibilidade. Assim, a “conveniência kardecista” é usar a razão e a lógica para pautar as coisas que devemos fazer ou não, a ficar apegado a um livro que nem mesmo sabemos exatamente quais foram os seus autores.

 

Quanto às referências bíblicas a respeito da salvação “grátis” (pela remissão dos pecados), não precisa citar, temos pleno conhecimento delas e já demonstramos como erroneamente as interpretam, e, certamente, a sua conveniência faria você buscar somente o que lhe interessa para justificar o que pensa. Lembramos aqui de que se o derramamento do sangue de Jesus fosse para remissão dos pecados, então estaremos todos salvos, de um lado, ou então teremos que arrumar um outro Cristo para morrer pelos pecados dos homens que foram cometidos depois de sua morte até agora, pois a prática pagã de expiação de pecados por sangue, no caso de animais, só valia para os pecados cometidos, não para pecados futuros. Sem falar que estamos esperando o resultado prático até hoje, pois, a rigor, o homem continua pecando. Uma outra coisinha: por que o pecado de Adão e Eva não foi remido já que nascemos com o pecado original (que é bem “original”, isso é mesmo!)?

 

 

 

 

retirado do site: www.apologiaespirita.org

 

 

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 01.05.10 às 00:16link do post | favorito

LUCAS, Cap. XVII, vv. 20-24

 

V. 20. Como os fariseus lhe perguntassem: Quando vem o reino de Deus? ele respondeu: O reino de Deus não virá de modo a que possa ser notado. — 21. Não se dirá: Ele está aqui ou está ali, porquanto o reino de Deus está dentro de vós. — 22. E disse aos discípulos: Tempo virá em que querereis ver um dos dias do filho do homem e não o vereis. — 23. Dir-vos-ão: Ei-lo aqui, ei-lo ali; não vades, não os sigais; — 24, pois, tal como o relâmpago, que brilha de um lado a outro do céu, assim será o filho do homem no seu dia.

 

(V. 20.) O reino de Deus o homem o traz em si mesmo, pois que é no exercício de suas faculdades que se lhe depara o meio de alcançá-lo, isto é: de atingir a perfeição moral: Não virá de modo a ser notado, por isso que só lentamente, de progresso em progresso, de ascensão em ascensão, pode o homem aproximar o advento daquele reino. a perfeição moral humana o fará vir. Nenhum brusco abalo o trará. Só por um trabalho demorado, penoso, incessante o homem o conquistará.

 

(V. 21.) O reino de Deus não é um lugar circunscrito, qual o imaginaram os homens. Não é uma habitação feliz, onde logrem penetrar. É a imensidade na virtude. O reino de Deus está em vós, está entre vós, mas não sabeis descobri-lo. O reino de Deus é a união das almas depuradas. Depurai, pois, as vossas, para o possuirdes.

 

(V. 22.) E Jesus disse a seus discípulos: "Tempo virá em que desejareis ver um dos dias do filho do homem e não o vereis." Estas palavras não eram dirigidas aos discípulos unicamente, mas ao povo que os cercava e, por extensão, às gerações então futuras que sentiram e sentem ainda o desejo de ver renovados os atos de Jesus, para crerem depois que virem.

O Mestre dava suas instruções aos que o cercavam e, dentre estes, os discípulos eram sempre os que lhe ficavam mais perto. Daí vem o ter o evangelista usado desta expressão: E disse aos discípulos.

Apreendei bem o sentido daquelas palavras, que foram igualmente pronunciadas para o futuro. Muitas vezes tem já o homem aspirado à liberdade santa, filha do amor e da caridade. Muitas vezes tem procurado em vão fazer que luza ainda um daqueles dias em que Jesus pregava e exemplificava a sua moral. Esse desejo o assalta sempre que ele compreende que o único remédio para os males da humanidade consiste na prática dos dois grandes preceitos do amor e da caridade — prática que implica, dentro da unidade e da solidariedade, a da justiça, do mútuo auxílio sob o ponto de vista do trabalho material, moral e intelectual, assim como a prática da fraternidade.

Aqueles dias, porém, não voltaram. Ainda os esperais, vós outros espíritas, e para eles apelais com todas as vossas forças. Muito, entretanto, tardarão ainda em vir, porque ainda não sois bastante clarividentes, para a luz deles; porque os vossos entendimentos ainda se não desapegaram das influências e dos apetites da matéria, fontes do orgulho, do egoísmo, do sensualismo e da sensualidade, de modo a poderem assimilar a moral do filho do homem. Enfim, ainda não amadurecestes suficientemente para essa era nova em que o filho do homem volverá ao vosso meio e em que vereis renascer o seu dia.

 

(V. 23.) Dir-vos-ão: "Ei-lo aqui, ei-lo ali; não vades, não os sigais". Estas palavras se aplicavam aos abusos que, no correr dos tempos, viria a sofrer e sofreu a doutrina de Jesus, com o emprego do seu nome e da sua autoridade para se transviarem ou cegarem os fracos e os crédulos. Toda adição feita à lei está fora da lei. Tudo o que se afastou do caminho traçado é transviamento. Tudo o que está fora da lei de amor e de caridade é abuso. É abuso tudo o que esteja fora da lei de fraternidade, de igualdade e de liberdade, pela justiça, pelo amor e pela caridade, fontes de todo direito e de todo dever recíprocos e solidários, a se exercerem e cumprirem sob os auspícios e a prática do perdão, do esquecimento das injúrias e ofensas, do devotamento da liberdade de consciência, da liberdade da razão e de exame.

 

(V. 24.) Pois, tal como o relâmpago, que brilha de um lado ao outro do céu, assim será o filho do homem no seu dia. O filho do homem personifica, a sua lei, a sua moral. No momento oportuno, essa lei pura, suave, será despojada dos falazes ornamentos com que a cobriram e se mostrará repentinamente aos homens em toda a sua pureza. Sua luz então, como a do relâmpago, brilhará de um extremo a outro do horizonte. Nessa ocasião estará próximo a verificar-se entre vós o predito advento do filho do homem.

Os falazes ornamentos com que cobriram a pura e suave lei de Jesus são os aditamentos de culto externo que lhe fizeram, despojando-a do culto espiritual; são tudo o que tendeu a materializar o que está e não pode deixar de estar submetido à inteligência e ao coração dos homens. A lei de Jesus foi feita para a inteligência e para o coração. À inteligência e ao coração ela se dirige e se dirigirá sempre.

O momento oportuno, de que falamos, em que essa lei pura e suave, despida dos falazes ornamentos com que a cobriam, se mostrará repentinamente aos homens em toda a sua pureza, é a época em que se fará a reforma do pessoal dos cultos. Deus proverá a isso mediante as encarnações necessárias de Espíritos em missão, os quais conduzirão a humanidade a conhecer em espírito e em verdade, o pai, o filho e o Espírito Santo.

Essa reforma determinará o desaparecimento dos diversos cultos externos que dividem e separam os homens e os levará à união num culto único: o da adoração sincera do pai, Deus, uno, indivisível, por meio da prece do coração e não dos lábios somente, da prece espiritual, que tem por fundamento os atos de uma vida íntegra e pura diante do Senhor; por meio do jejum espiritual, pela prática do amor ao mesmo Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Semelhante adoração se expressará ainda pelo amor, pelo respeito e pelo reconhecimento para com o filho — Jesus, protetor e governador do vosso planeta e da humanidade terrena, Jesus por quem sois tudo o que sois.

Expressar-se-á também pela invocação e pelo apoio da sua poderosa proteção; pela invocação feita a Deus e ao seu Cristo para que conceda a suas criaturas o auxílio, o concurso e a proteção do Espírito Santo, dos bons Espíritos. Tal reforma dará cumprimento a estas palavras do Mestre: "Tempo virá em que não será mais no cume do monte nem em Jerusalém que adorareis o pai."

Tornados então os verdadeiros adoradores que o pai reclama, os homens o adorarão em espírito e verdade. E todos esses lugares que designais pelos nomes de — sinagogas, igrejas, mesquitas, templos, se tornarão indistintamente lugares de reunião, de prece, de instrução, onde, impelidos pelos sentimentos da humildade, do amor e da caridade, todos se congregarão em assembléia para, sob a influência e a proteção dos bons Espíritos, elegerem unanimemente o mais digno, o mais esclarecido, o de maior merecimento para a ela presidir.

O Universo é o templo do Senhor. Não antecipemos o futuro.

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 29.04.10 às 04:46link do post | favorito

 

Homens, olhem para vosso mundo. O que estão fazendo deste planeta senão um celeiro de iniquidades onde a maldade, a dor e o sofrimento campeiam por todos os lados? Não percebeis que estais apenas erguendo muralhas ao teu derredor, onde vossos espíritos se agitarão em agonia no futuro?

Onde o amor a Deus?! Na moeda e nas riquezas que a exploração de seu nome pode proporcionar? Pobres criaturas que perambulam pelas avenidas da vida sem rumo certo, envolvidos pelas sombras da insensatez.

Vossas mentes se transtornaram pela luxúria, pelo prazer desvairado e alucinado, pelas facilidades e imediatismos que homens mundanos e espíritos inferiores nutriram em vossas almas.

A cada um segundo suas obras e eis que a miséria, a fome, o crime, vos assaltam os lares, construídos tantas vezes sob alicerces frágeis de ilusões e fantasias.

Julgais então que o que vês é tudo? Oh não, a colheita está apenas começando. Todo o mal que plantaste durante décadas está agora sendo colhido por vós mesmos. São os frutos apodrecidos da má semeadura.

Vossa juventude se perdeu, escravizou-se junto ás drogas, vossas crianças crescem desorientadas, carentes de exemplos edificantes. Vossos idosos jazem nas cátedras do esquecimento acreditando-se realmente inúteis para a sociedade devido aos vossos pensamentos hipnotizantes, mesquinhos e egoístas.

Até quando a venda cobrirá vossos olhos? Acreditais então que permanecendo com ela Deus vos julgará inocente e vos isentará das consequências de Ter permanecido tanto tempo na escuridão quando a luz do Evangelho te alcançava as vistas e convidava-te a viver sob as claridades do Teu amor? Não podeis mais fingir-vos crianças inocentes e ingênuas. Sereis inevitavelmente descobertos e desmascarados, acreditem nisso.

Ninguém está isento de sofrer pela própria rebeldia. Somente os mais incautos depositam confiança neste tipo de pensamento e mesmo para esses chegará o momento propício do despertar, através das sacudidas da dor. Invigilância é sinônimo de possíveis perdas e sofrimentos. Atentem mais do que nunca para a advertência do Cristo que lhes solicitou orar e vigiar para que não venham a sucumbir no minuto seguinte.

As vozes dos seres que atravessaram os portais da morte vêm falar-vos aos corações e preveni-los.

Os campos estão repletos de ervas daninhas e a foice da justiça divina já está preparada para lança-las ao fogo.

Que vejam os que tiveram olhos de ver e ouçam os que tiverem ouvidos de ouvir.

Espírito Luís. 1864

 

 

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 29.04.10 às 03:55link do post | favorito

 

Várias vezes já nos perguntaram por que não respondemos, em nosso jornal, aos ataques de certas folhas, dirigidos contra o Espiritismo em geral, contra seus partidários e, por vezes, contra nós. Acreditamos que o silêncio, em certos casos, é a melhor resposta. Aliás, há um gênero de polêmica do qual tomamos por norma nos abstermos: é aquela que pode degenerar em personalismo; não somente ela nos repugna, como nos tomaria um tempo que podemos empregar mais utilmente, o que seria muito pouco interessante para os nossos leitores, que assinam a revista para se instruírem, e não para ouvirem diatribes mais ou menos espirituosas.

Ora, uma vez engajado nesse caminho, difícil seria dele sair, razão por que preferimos nele não entrar, com o que o Espiritismo só tem a ganhar em dignidade. Até agora só temos que aplaudir a nossa moderação, da qual não nos desviaremos, e jamais daremos satisfação aos amantes do escândalo.

Entretanto, há polêmica e polêmica; uma há, diante da qual jamais recuaremos: é a discussão séria dos princípios que professamos. Todavia, mesmo aqui há uma importante distinção a fazer; se se trata apenas de ataques gerais, dirigidos contra a Doutrina,sem um fim determinado, além do de criticar, e se partem de pessoas que rejeitam de antemão tudo quanto não compreendem, não merecem maior atenção; o terreno ganho diariamente pelo Espiritismo é uma resposta suficientemente peremptória e que lhes deve provar que seus sarcasmos não têm produzido grande efeito; também notamos que os gracejos intermináveis de que até pouco tempo eram vítimas os partidários da doutrina pouco a pouco se extinguem. Perguntamos se há motivos para rir quando vemos as idéias novas adotadas por tantas pessoas eminentes; alguns não riem senão com desprezo e pela força do hábito, enquanto muitos outros absolutamente não riem mais e esperam.

Notemos ainda que, entre os críticos, há muitas pessoas que falam sem conhecimento de causa, sem se darem ao trabalho de a aprofundar. Para lhes responder seria necessário recomeçar incessantemente as mais elementares explicações e repetir aquilo que já escrevemos, providência que julgamos inútil. Já o mesmo não acontece com os que estudaram e nem tudo compreenderam, com os que querem seriamente esclarecer-se e com os que levantam objeções de boa-fé e com conhecimento de causa; nesse terreno aceitamos a controvérsia, sem nos gabarmos de resolver todas as dificuldades, o que seria muita presunção de nossa parte. A ciência espírita dá os seus primeiros passos e ainda não nos revelou todos os seus segredos, por maiores sejam as maravilhas que nos tenha desvendado. Qual a ciência que não tem ainda fatos misteriosos e inexplicados? Confessamos, pois, sem nos envergonharmos, nossa insuficiência sobre todos os pontos que ainda não nos é possível explicar. Assim, longe de repelir as objeções e os questionamentos, nós os solicitamos, contanto que não sejam ociosos, nem nos façam perder o tempo com futilidade, pois que representam um meio de nos esclarecermos.

É a isso que chamamos polêmica útil, e o será sempre quando ocorrer entre pessoas sérias que se respeitam bastante para não se afastarem das conveniências. Podemos pensar de modo diverso sem, por isso, deixar de nos estimarmos. Afinal de contas, o que buscamos todos nessa tão palpitante e fecunda questão do Espiritismo? O nosso esclarecimento. Antes de mais, buscamos a luz, venha de onde vier; e, se externamos a nossa maneira de ver, trata-se apenas da nossa maneira de ver, e não de uma opinião pessoal que pretendamos impor aos outros; entregamo-la à discussão, estando prontos para a ela renunciar se demonstrarem que laboramos em erro. Essa polêmica nós a sustentamos todos os dias em nossa Revista, através das respostas ou das refutações coletivas que tivemos ocasião de apresentar, a propósito desse ou daquele artigo, e aqueles que nos honram com as suas cartas encontrarão sempre a resposta ao que nos perguntam, quando não a podemos dar individualmente por escrito, uma vez que nosso tempo material nem sempre o permite. Suas perguntas e objeções igualmente são objeto de estudos, de que nos servimos pessoalmente, sentindo-nos felizes por fazer com que nossos leitores os aproveitem, tratando-os à medida que as circunstâncias apresentam os fatos que possam ter relação com eles. Também sentimos prazer em dar explicações verbais às pessoas que nos honram com a sua visita e nas conferências assinaladas por recíproca benevolência, nas quais nos esclarecemos mutuamente.

REVISTA ESPÍRITA Novembro de 1858, pags. 443 a 445

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 27.04.10 às 18:44link do post | favorito

 

O delegado João Alberto Fiorini vem fazendo um trabalho exemplar de pesquisa científica na área da reencarnação, coletando casos e evidências em todo o país, e submetendo-as a análise criteriosa.

O delegado João Alberto Fiorini – cujo trabalho foi apresentado na edição anterior de Espiritismo & Ciência – continua desenvolvendo seu trabalho de pesquisa científica na área da reencarnação, levantando uma série de casos que, na pior das hipóteses, representam enigmas interessantes e que merecem maior atenção.

Já apresentamos a linha principal dessa pesquisa, e agora vamos observar mais de perto alguns dos casos com os quais o pesquisador entrou em contato.

Fiorini se envolveu numa série de investigações, a princípio tentando identificar impressões digitais de seres encarnados com as impressões daqueles que já desencarnaram. Ele está convicto de que será impossível encontrar duas impressões exatamente iguais, mas as possíveis semelhanças encontradas podem indicar um caminho interessante para a pesquisa.

Da mesma forma, outros sinais corpóreos – como marcas de nascença e outros traços marcantes – podem ser uma indicação segura para a pesquisa de reencarnação.

Nesse sentido, o delegado levantou alguns casos interessantes, nos últimos meses. Um desses casos ocorreu em Alagoas – os nomes dos envolvidos não serão citados – e envolve o senhor J., desencarnado em 1997, e seu neto, nascido em 1999. O pai da criança resolveu entrar em contato com Fiorini devido a um sonho que teve. No sonho, apareceu-lhe um velho amigo de seu pai, e ele aproveitou para lhe perguntar sobre seu genitor. A resposta foi que o senhor J. “estava se preparando para voltar”, ou seja, reencarnar. Nessa época, sua esposa sequer estava grávida.

Alguns dias depois, sua irmã também teve um sonho no qual uma voz lhe avisava que “o próximo a nascer na família será o senhor J.”. A criança nasceu na data referida, e apresentou alguns sinais interessantes que podem, de fato, indicar um caso de reencarnação.

Quando o senhor J. tinha cerca de 18 anos, sofreu um acidente com uma espingarda de chumbo para caça, que disparou em sua mão direita. Apesar dos chumbos terem sido retirados, um permaneceu na junta do polegar direito, provocando uma deformação, que ele sequer se incomodou em tentar corrigir.

Mais tarde, já em idade avançada, tentou uma cirurgia – sem sucesso – de modo que seu polegar ficou permanentemente curvado para a palma da mão. O que chamou a atenção de todos foi que, alguns meses após o nascimento da criança, ficou comprovado que ela apresentava a mesma característica que o avô no polegar direito, ou seja, este era levemente curvado para a palma da mão.

Outro detalhe também chamou a atenção de Fiorini ao investigar o caso. Antes do senhor J. falecer, ele teve um aneurisma cerebral, do lado parietal esquerdo do cérebro, o que paralisou todo o lado direito do corpo. Seu neto apresenta sinais de ser canhoto, o que levanta a possibilidade de que o aneurisma tenha influenciado o perispírito. Claro que isso não comprova um caso de reencarnação, mas é mais uma evidência que vem se somar às demais levantadas.

Digitais

Na linha das impressões digitais, João Alberto Fiorini também teve acesso a um caso no Ceará, envolvendo a senhora M.L., desencarnada em 1989, e sua possível reencarnação, o menino J.V., nascido em 1999. Nesse caso, as impressões digitais das duas pessoas foram colhidas e submetidas a exame datiloscópico.

A história chegou ao conhecimento de Fiorini por meio de um grupo espírita cearense, e teve início quando a jovem F.A., que vivia na companhia de uma família desde sua infância, ficou grávida. As pessoas da família ficaram surpresas, entendendo que aquele ser não estava para vir ao mundo por acaso, mas por determinação espiritual.

O passo seguinte, portanto, foi ter acesso aos irmãos instrutores espirituais e solicitar informações a respeito da situação. A resposta deles foi que se tratava, na verdade, da reencarnação da citada senhora M.L., também relacionada à família, e que havia desencarnado há poucos anos. Essa senhora teria uma necessidade de se reajustar com a Lei Divina e, dessa forma, renasceu em um corpo masculino, pois somente assim poderia cumprir adequadamente sua missão.

Uma primeira avaliação das impressões digitais foi realizada, constatando-se que elas são do mesmo padrão. O delegado Fiorini também apresentou as digitais para uma avaliação independente da primeira, e o resultado foi que elas “apresentam coincidências em seu tipo fundamental”, ou seja, têm o mesmo padrão datiloscópico. O perito também comprovou que tanto a desencarnada quanto o encarnado possuem o mesmo número de linhas − doze − nas digitais.

Mais uma vez, é preciso que se diga que não se trata de uma comprovação científica de reencarnação, mas sim, de mais uma evidência levantada nesse sentido. Fiorini destacou que é impossível existir duas impressões exatamente iguais, mas as semelhanças podem ser significativas, e esse trabalho de coletar casos semelhantes vem se somar ao de outros pesquisadores, como o dr. Hernani Guimarães Andrade, e o dr. Ian Stevenson, que há anos vem coletando relatos de crianças que falam sobre vidas passadas, em todo o mundo.

Marcas no Corpo

Fiorini foi convidado por uma família de Avaré, São Paulo, para investigar um caso que teve origem em 1971. Na época, um homem de 31 anos de idade foi vítima de um disparo acidental de arma de fogo, vindo a falecer. A família disse que, após vinte anos, ele teria renascido como seu neto, e que existiam fortes indícios nesse sentido.

“A partir daí”, diz João Alberto, “passei a efetuar várias perguntas de praxe, além de estudar minuciosamente o inquérito policial, bem como suas peças complementares como certidão de óbito, auto de levantamento de cadáver, laudo de exame de corpo de delito, auto de exame do instrumento do crime e, por fim, um exame cardiológico chamado de ecocardiografia, o qual muito me chamou a atenção”.

Pelo exame do auto de levantamento de cadáver, Fiorini percebeu que o calibre da arma em questão era 6.35mm. Coincidentemente, o exame cardiológico da criança apresentava uma fissura interventricular medindo 6mm no ventrículo esquerdo do coração. Ou seja, o calibre da arma era quase o mesmo da fissura no coração. Posteriormente, a criança, que hoje já tem 11 anos, faria uma cirurgia de correção para fechar o orifício interventricular.

Mais que isso, Fiorini também solicitou um exame datiloscópico das impressões do falecido e da criança, e o resultado foi que as impressões eram quase idênticas, de tal forma que foram necessários vários dias para se encontrar pequenas diferenças entre elas. “Não tive mais dúvidas”, diz Fiorini. “Estava diante de uma situação com fortíssimas evidências de reencarnação, embora o tempo de intermissão fosse de vinte anos”.

Inicialmente, o caso foi tido como de um suicídio, mas no relatório da autoridade policial, é dito que a esposa da vítima é de opinião que ocorreu um disparo acidental da arma, uma vez que, na oportunidade, o marido não apenas estava calmo como também fazia planos para o futuro, pensando em adquirir a casa onde residiam.

Esses casos podem somar-se a uma série de outros semelhantes, acumulando evidências fortes no sentido de comprovar a reencarnação, desde que sempre analisados com o critério científico rigoroso proposto pelo delegado João Alberto Fiorini.

Comprovando a Reencarnação

Gilberto Schoereder

Ainda não foi possível comprovar a reencarnação através das impressões digitais, mais a excelente idéia já esta sendo aproveitada por João Alberto Fiorini e, em breve, é possível que tenhamos novidades nesse campo.

As técnicas para se investigar e comprovar possíveis casos de reencarnação já são conhecidas no meio espirita . Nos últimos anos, João Alberto Fiorini, delegado de Polícia atuando na Agência de Inteligência do Paraná, vem desenvolvendo um novo método, especialista em impressões digitais, ele entende que é possível confirmar um caso de reencarnação utilizando essa forma de pesquisa cientifica.

Esse caminho começou a ser seguido em 1999. Na época, João Alberto se recuperava de uma cirurgia realizada em São Paulo e teve a oportunidade de ler um artigo publicado num jornal, em 1935, escrito por Carlos Bernardo Loureiro. A matéria foi reproduzida no jornal da Federação Espirita do Estado de São Paulo e se referia a um menino que já havia falecido há dez ou quinze anos. O autor da matéria era um dos grandes estudiosos do assunto na época e gostava de comparar impressões digitais.

Fiorini sabia que não é possível existirem duas impressões digitais iguais, mas ainda assim, ele levou a sério e resolveu estudar mais : fazer uma pesquisa para saber se não haveria qualquer possibilidade de se encontrar duas impressões semelhantes.

" Eu já era Espírita " , explica João Alberto , " mais ainda não tinha feito qualquer pesquisa cientifica ".

"A partir daí, comecei a fazer um estudo profundo sobre impressões digitais pesquisando tudo o que poderia existir em livros brasileiros e norte-americanos na área da medicina ".

A pesquisa levou-o a conversar com membros do conselho de dermatologia do Paraná e a conhecer o trabalho do Dr. Agnaldo Gonçalves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Assim ficou sabendo porque as pessoas tem impressões digitais, impressões palmares e as linhas nas mãos e nos pés.

Em seu livro " Anais Brasileiros de Dermatologia ", o Dr. Gonçalves diz que os desenhos formados nas mãos e pés estariam ligados a genética, variando de mão para mão, de raça e de sexo . " Se você verificar as impressões digitais das mulheres ", informa Fiorini " vai ver que ela tem uma tendência maior à presilha, que é um tipo de desenho " . Mas uma parte da formação dessas linhas – e não se sabe quanto ao certo – pode estar relacionada aos movimentos do feto no útero.

Mesmo no caso dos gêmeos univitelinos, as impressões digitais são diferentes".

PESQUISA

Segundo uma pesquisa realizada anteriormente em Cambridge, Inglaterra, Fiorini também observou as digitais de homossexuais. O estudo inglês havia mostrado que os homossexuais apresentavam características de impressões no polegar direito que se aproximavam das características femininas. Com uma pesquisa realizada principalmente com travestis, o pesquisador brasileiro comprovou que as digitais apresentavam a presilha de uma digital feminina, conhecimento que serviu para seus estudos posteriores.

O normal é que os homens não apresentem a presilha, mais sim o verticilo, outro tipo de desenho. Então ele se perguntou, por que os homossexuais não teriam o verticilo. A situação não fazia muito sentido, cientificamente falando. Ele também observou as digitais de mulheres criminosas que deveriam apresentar presilha.

Mas, ao estudar os sinais, percebeu que a incidência maior era o verticilo – a característica masculina . "Isso me surpreendeu muito " diz Fiorini " e comecei a ver nas impressões digitais algo a que as pessoas não deram muita importância, como se não tivesse interesse científico".

Vendo pelo lado espiritual, explica Fiorini, uma pessoa ao desencarnar, fica de 0 a 250 anos no plano espiritual. Em outras palavras, ela tanto pode reencarnar rapidamente, quanto pode demorar um tempo mais longo; mas, o mais comum é que essa reencarnação ocorra dentro de um período de 40 a 70 anos. Se imaginarmos que uma mulher morre e retorna rapidamente em mais ou menos dois anos, porém ocupando o corpo de um homem, ela virá então trazendo ainda as características femininas. Assim, segundo João Alberto, a questão envolvendo homossexualidade nada tem a ver com desvio de personalidade como muitas pessoas ainda insistem em dizer, mas esta relacionada com a vida anterior e com o fato da reencarnação ocorrer muito próxima . "Eu cheguei a essa conclusão " ele conta. "Eu sou o único que está levando a pesquisa para esse lado. O Dr. Hernani Guimarães Andrade também já pesquisou, mas ele fala apenas do tempo de intermissão. "Eu vou além, entendendo que essas impressões digitais não se alteram quando o espírito reencarna".

METODOLOGIA

A seqüência lógica dos estudos e pesquisas do Dr. João Alberto Fiorini foi entrar em contato com o Dr. Hernani Guimarães Andrade, Presidente do Instituto de Pesquisas Psicobiofísicas - em Bauru São Paulo - a quem Fiorini considera um dos maiores cientistas do mundo em assuntos de reencarnação. Ele também é um nome muito respeitado por parapsicólogos, não apenas do Brasil, mas de todo o mundo.

Outro ponto de apoio para suas investigações foi o exaustivo trabalho do Dr. Ian Stevenson, que já investigou mais de três mil possíveis casos de reencarnação.

Baseando-se em depoimentos de crianças, Stevenson (de reputação internacional) começou a coletar depoimentos de crianças de todas as partes do mundo, sempre que elas se referiam a sua existência numa encarnação anterior.

Stevenson e sua equipe coletavam esses depoimentos, arrumavam as informações que as crianças forneciam sobre suas possíveis vidas passadas e iam ao local em que elas teriam vivido para comprovar ou não essas informações.

Os resultados obtidos foram tão impressionantes que grande parte da comunidade cientifica ficou abalada em suas convicções e noções, até então restritas sobre o tema reencarnação.

A pergunta que o Fiorini fez ao Dr. Hernani foi se era possível um espírito retornar com a mesma digital. Ele respondeu que acreditava ser possível, se a pessoa volta com marcas, sinais, cicatrizes e até mesmo doenças, por que não com as mesmas impressões digitais ?

Conversando com ele, estabeleceu um método de pesquisa que consiste em procurar crianças, geralmente entre quatro anos de idade, que tenham o costume de afirmar que viveram em outro lugar, em outra época, que tiveram determinado tipo de ações ou conheceram certas pessoas. Isso ocorre pelo fato do perispírito dessas crianças não estar adaptado ao corpo somático, adaptação que só irá ocorrer aos sete anos. Se o tempo de intermissão for muito curto - geralmente no Brasil essa reencarnação se dá de dois até oito anos – essas crianças começam a falar sobre suas vidas passadas.

Fiorini recomenda aos pais de filhos pequenos – com até cerca de oito anos de idade – que fiquem atentos às informações que essas crianças fornecem sobre suas supostas vidas anteriores. Sempre que não se force a criança a falar sobre o assunto, mas que anote detalhadamente toda e qualquer informação que ela "deixe escapar".

Ocorre que as crianças, até essa idade, ainda estão muito ligadas ao mundo espiritual de onde vieram – explica o perito – Portanto, as lembranças de suas vidas anteriores ainda estão muito vivas em seu consciente. Com o passar do tempo essas lembranças vão se apagando do consciente e transferindo-se para o inconsciente.

Ele sugere, ainda, que nos casos em que se desconfie que uma criança seja reencarnação de determinada pessoa conhecida, que se busque reunir o maior número possível de evidencias: foto, fichas médica e dentária, e - principalmente - documentos em que constem as impressões digitais do falecido. Gilberto Schoereder

 

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