"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 24.04.10 às 05:41link do post | favorito

 

"O Espiritismo é a Religião em Espírito e Verdade, de que Jesus falou à Mulher Samaritana: "Dia virá em que os verdadeiros adoradores de Deus o adoração em espírito e verdade." Mas há espíritas que não compreendem isso e negam a religião espírita. É possível tirarmos do Espiritismo a fé em Deus e a lei da caridade?".

Todo o problema, que tanta celeuma tem levantado entre alguns irmãos intelectuais, se resume na falta de compreensão do que seja religião. Os irmãos anti-religiosos gastam tinta e papel em quantidade por quererem provar um absurdo. Alegam que Kardec se recusou a chamar o Espiritismo de religião. Mas o próprio Kardec explicou por que o evitou, - não se recusou, mas apenas evitou, - chamar o Espiritismo de religião: não queria confundir uma doutrina de luz e liberdade com as organizações dogmáticas e fanáticas do mundo religioso.

Nesse caso, dirão alguns irmãos: o Espiritismo é contra as religiões. Mas isso não é verdade. O próprio Kardec declarou, como podemos ver em "O que é o Espiritismo", que ele é o maior auxiliar das religiões. Acontece apenas que a religião espírita não se estrutura num sistema religioso. Hoje, depois dos grandes estudos filosóficos realizados sobre essa questão, dos fins do século passado até os nossos dias, todo homem de cultura compreende que religião não é igreja, mas sentimento. O grande filósofo Henri Bergson ensinou que há dois tipos de religião: a social, que é dogmática e estática, e a individual, que é livre e dinâmica. Assim também pensava Henrique Pestalozzi, para quem a religião verdadeira é a Moralidade. Vemos aí um dos motivos por que Kardec dizia que o Espiritismo tem conseqüências morais, em vez de referir-se a conseqüências religiosas. Hoje em dia, o Codificador não teria dúvida em falar de religião, porque o conceito atual de religião é muito mais amplo.

O Espiritismo tem três aspectos, como sabemos: o científico, no qual ele se apresenta como ciência de observação e investigação, tratando dos fenômenos espíritas; o filosófico, no qual procura interpretar os resultados da investigação científica e dar-nos uma visão nova do mundo; e o religioso, no qual nos ensina como aplicar, na vida prática, os princípios da filosofia espírita. Queremos, acaso, ficar apenas nos princípios, sem aplicálos?

Este livro de Miguel Vives é um manual de moral espírita, e, como vemos nas suas páginas, está inteiramente impregnado de religião. Mas, é claro, de religião em espírito e verdade, sem nenhuma sujeição e ritualismos antiquados ou reinventados, a sacerdotes ou sacramentos. O Espiritismo é a Religião da Moralidade, a que se referia Pestalozzi.

Um dos princípios fundamentais da moral espírita, como sabemos, é a tolerância. A religião espírita, portanto, ao contrário das religiões dogmáticas e sacerdotais, que são sempre agressivas, é sumamente tolerante. Por isso mesmo, o espírita não deve atacar, criticar, menosprezar as outras religiões. Pouco importa que elas façam o contrário, a respeito do Espiritismo. O que nos cabe é respeitar todas as formas de crença que nossos irmãos da Humanidade queiram adotar. Não ensinou Jesus que são muitos os caminhos que levam ao Pai? Como pode o espírita, que compreende o espírito desse ensinamento, atacar esta ou aquela religião?

Mas, se não pode atacar, sem não deve criticar (no mau sentido da palavra), também, não pode e não deve ficar com os pés em duas canoas, dizendo-se ao mesmo tempo espírita e adepto de outra religião. Pois se temos a religião em espírito e verdade, o que havemos de fazer com uma religião formalista e dogmática? Cabe aqui a pergunta do apóstolo Paulo aos Gálatas: Corríeis bem; quem vos impediu, para não obedecerdes a verdade? (V:7). E também o ensino evangélico de Jesus: Seja o teu falar: sim, sim; não, não. Todas elas auxiliam o espírito a evoluir. Mas, quando já temos o conhecimento do espírito, havemos de voltar à carne?

As religiões, são escolas, em que os espíritos aprendem a verdade espiritual.

Quem já passou pela escola primária e está na secundária pode frequentar ao mesmo tempo as duas? E quem já entrou no curso superior, há de voltar ao secundário? Se o Espiritismo nos ensina que o que vale é a intenção, como havemos de continuar na prática dos ritos? Se já aprendemos que Deus está no coração de cada um, como continuarmos a incensá-Lo no altar? Se sabemos que os sacramentos são fórmulas exteriores, simples símbolos destinados a ensinar verdades mais profundas, e se já atingimos essas verdades, havemos de regredir à prática das fórmulas?

O espírita sabe que todas as religiões tem por finalidade conduzir as criaturas humanas à compreensão da Espiritualidade. Não pode condená-las, mas também não pode sujeitar-se a elas. Deve aprová-las para aqueles irmãos que ainda carecem delas. Mas, de sua parte, tem a obrigação de mostrar e exemplificar a liberdade que já alcançou. E o dever de ser fiel à verdade que encontrou. Seria justo que um escritor voltasse a soletrar o bêa-bá? Ou que um escritor zombasse das crianças que soletram? Não foi soletrando que ele aprendeu a escrever? Assim é a posição do espírita diante das religiões. Cabe-lhe compreendê-las, mas sempre firme na sua posição de espírita.

Quem não é fiel no mínimo, também não o será no máximo, como nos ensina a parábola. O espírita que, para atender ao respeito humano, às convenções sociais ou até mesmo aos seus interesses particulares, torce o sentido da tolerância espírita para participar de rituais em que não mais acredita, nem pode acreditar, é infiel para consigo mesmo e para com a verdade espiritual que descobriu no Espiritismo. É infiel no mínimo, pois o que recebeu nesta vida é apenas o princípio do que deverá receber mais tarde. Não se mostrando digno desse mínimo, como poderá esperar o máximo? Lembremos ainda uma advertência de Paulo, que muito nos serve atualmente: Se alguém te vir, a ti que tens ciência, sentado à mesa no templo dos ídolos, não será a consciência do fraco induzida a comer das coisas sacrificadas aos ídolos? (I. Cor. VIII:10)

O espírita não tem apenas liberdade, mas também responsabilidade. Será responsável pelos seus exemplos perante os fracos. Ele está em condições de participar dos ídolos (ou seja: dos sacramentos e rituais das igrejas), sem se afetar pessoalmente. Mas não pode esquecer que afetará os outros. Se, pelo seu exemplo, abrir as portas do movimento espírita à infiltração de elementos formalistas, será responsável pela deformação da prática doutrinária. Essa é uma grave responsabilidade, contra a qual devemos estar sempre de atalaia. Deus nos livre de respondermos pela desfiguração da própria verdade que nos salvou do erro!

 

Em Conclusão:

O espírita deve respeitar todas as crenças sinceras, todas as religiões que levam a criatura ao Criador, não atacando nenhuma nem zombando das suas práticas; mas não tem o direito de, em nome da tolerância, tornar-se cúmplice de práticas religiosas ou de ensinos teológicos que podem levar seus irmãos de volta ao passado; todas as religiões são boas para aqueles que as aceitam e praticam com sinceridade, mas se o espírita não for sincero consigo mesmo, com a sua própria religião, quem pode acreditar nele?

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 23.04.10 às 03:36link do post | favorito

“O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do Senhor: basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo como o Senhor."

 

Aos olhos do Senhor eterno são iguais todas as condições sociais; conseguintemente, o senhor não é mais do que o servo. Só tem maior valor aquele que pratica, com humildade, a lei de amor que vos é ensinada. Só será igual ao mestre em moral aquele que praticar a moral.

 

Compreendam bem os homens, no seu princípio, no seu objetivo e nas suas conseqüências, a lei natural e divina da reencarnação, que lhes vem ensinar serem a vida humana e as condições sociais, para cada um deles, uma provação, ou uma expiação.

 

Compreendam e não esqueçam nunca que, pela pluralidade das existências e conformemente ao grau de culpabilidade, as provações e as expiações, tendo por fim a purificação e o progresso são apropriadas às faltas cometidas nas encarnações precedentes. Assim, por exemplo, o senhor de ontem, duro e arrogante, que faliu nas suas provas como senhor fossem quais fossem, dentro da ordem social, sua posição ou seu poder na terra, é o escravo, o servo, ou o criado de amanhã. O sábio que ontem, materialista e orgulhoso, abusou da sua inteligência, da sua ciência, para desencaminhar os homens, para perverter as massas populares, é o cego, o idiota ou o louco de amanhã. O orador de ontem, que abusou gravemente da palavra para arrastar os homens ou os povos a erros profundos, é o surdo-mudo do dia seguinte. O que ontem dispôs da saúde, da força, ou da beleza física e gravemente abusou de tudo isso, é o sofredor, o doente, o raquítico, o deserdado da natureza, o enfermo de amanhã. Se é certo que os corpos procedem dos corpos, não menos certo é que são apropriados às provações e às expiações por que o Espírito haja de passar e que a encarnação se dá no meio e nas condições adequados ao cumprimento de tais provações e expiações. É o que explica como e porque, na mesma família, dois filhos, dois homens, nascidos do mesmo pai e da mesma mãe, se encontram em condições físicas tão diversas, tão opostas. De igual modo a diferença nas provações, a disparidade do avanço realizado nas existências precedentes explicam porque e como, do ponto de vista moral ou intelectual, esses dois irmãos se acham em condições tão diversas, tão opostas.

 

Compreenda o homem e não esqueça nunca que o mais próximo e mais querido parente de ontem, que o mais caro amigo da véspera podem vir a ser e são muitas vezes o estranho, o desconhecido do dia seguinte, que ele a todo instante poderá encontrar, acolher ou repelir.

 

Que, pois, os homens, cientes e compenetrados de que a vida humana e as condições sociais são provações e ao mesmo tempo meio e modo de amparo e de concurso recíproco nas vias da reparação e do progresso, pratiquem a lei de amor, partilhando mutuamente o que possuam de natureza material ou intelectual, dando aquele que tem ao que não tem, dando de coração o auxílio do coração, dos braços, da bolsa, da inteligência, da palavra e sobretudo do exemplo. Então, quando tal se verificar, estarão cumpridas em toda verdade, sob os auspícios e a prática da fraternidade recíproca e solidária, estas palavras de Jesus:

Basta ao discípulo ser como o mestre e ao servo como o senhor".

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 22.04.10 às 00:42link do post | favorito

 

“... e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas
(Paulo, 2Tm 4,4).

“... se admitíssemos que Deus faz alguma coisa contrária às leis da natureza, seríamos também obrigados a admitir que Deus age em contradição com a sua própria natureza, o que é um absurdo”.
(ESPINOSA, 1670).

Introdução

Relata-nos, os textos sagrados, que o povo hebreu ao sair do Egito, defrontou-se com o Mar Vermelho, que se dividiu em duas muralhas após Moisés estender a mão sobre ele, de modo que todo o povo o atravessou a pé enxuto. Os egípcios, que os perseguiam, foram tomados pelas águas quando se juntaram novamente, perecendo todo o exército do Faraó.

Apesar de que esse “milagre” sempre nos impressionou, nunca deixamos de questionar se realmente isso aconteceu como está relatado na Bíblia. Pelo que vimos nos filmes épicos é muita água sô! Veremos, neste estudo, se conseguimos desvendar esse mistério.

As passagens relacionadas

Das dez Bíblias fonte de nossa pesquisa, somente a Bíblia de Jerusalém traz a verdadeira denominação do local da passagem, cuja narrativa é a que colocamos nas passagens abaixo.

Ex 13, 17-18: Ora, quando o Faraó deixou o povo partir, Deus não o fez ir pelo caminho no país dos filisteus, apesar de ser o mais perto, porque Deus achara que diante dos combates o povo poderia se arrepender e voltar para o Egito. Deus, então, fez o povo dar a volta pelo caminho do deserto do mar dos Juncos, e os israelitas saíram bem armados do Egito.

Em nota de rodapé explicam:

A designação “o mar dos Juncos”, em hebraico yam sûf, é acréscimo. O texto primitivo dava apenas uma indicação geral: os israelitas tomaram o caminho do deserto para o leste ou o sudeste. – o sentido desta designação e a localização do “mar de Suf” são incertos. Ele não é mencionado na narrativa de Ex 14, que fala apenas do “mar”. O único texto que menciona o “mar de Suf” ou “mar dos Juncos” (segundo o egípcio) como cenário do milagre é Ex 15,4, que é poético.

Veremos, mais à frente, que Keller reforça essa afirmativa sobre a designação desse local.

Ex 14, 21-28: Então Moisés estendeu a mão sobre o mar. E Iahweh, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez o mar se retirar. Este se tornou terra seca, e as águas foram divididas. Os israelitas entraram pelo meio do mar em seco; e as águas formaram como um muro à sua direita e à sua esquerda. Os egípcios que os perseguiam entraram atrás deles, todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até o meio do mar... Moisés estendeu a mão sobre o mar e este, ao romper da manhã, voltou para o seu leito. Os egípcios, ao fugir, foram de encontro a ele. E Iahweh derribou os egípcios no meio do mar. As águas voltaram e cobriram os carros e cavaleiros de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar; e não escapou um só deles.

Transcrevemos da nota de rodapé:

Esta narrativa apresenta-nos o milagre de duas maneiras: 1º) Moisés levanta a sua vara sobre o mar, que se fende, formando duas muralhas de água entre as quais os israelitas passam a pé enxuto. Depois, quando os egípcios vão atrás deles, as águas se fecham e os engolem. Esta narrativa é atribuída à tradição sacerdotal ou eloísta. 2º) Moisés encoraja os israelitas fugitivos, assegurando-lhes que nada têm que fazer. Então, Iahweh faz soprar um vento que seca o “mar”, os egípcios ali penetram e são engolidos pelo seu refluxo. Nesta narrativa, atribuída à tradição javista, somente Iahweh é que intervém; não se fala de uma passagem do mar pelos israelitas, mas apenas da miraculosa destruição dos egípcios. Esta narrativa representa a tradição mais antiga. É somente a destruição dos egípcios que afirma o canto muito antigo de Ex 15,21, desenvolvido no poema de 15,1-18. Não é possível determinar o lugar e o modo deste acontecimento; mas aos olhos das testemunhas apareceu como uma intervenção espetacular de “Iahweh guerreiro” (Ex 15,3) e tornou-se um artigo fundamental da fé javista (Dt 11,4; Js 24,7 e cf. Dt 1,30; 6,21-22; 26,7-8). Este milagre do mar foi posto em paralelo com outro milagre da água, a passagem do Jordão (Js 3-4); a saída do Egito foi concebida de maneira secundária à imagem da entrada em Canaã, e as duas apresentações misturam-se no cap. 14. A tradição cristã considerou este milagre como uma figura da salvação, e mais especialmente do batismo (1Cor 10,1).

Embora muitas vezes explicam alguma coisa sobre passagens bíblicas, como vimos anteriormente, não as levam em consideração para análise de outras, assim insistem em que tal ocorrência se trata de “milagre”, mas como já deixamos transparecer, logo de início, só se por delírio poético do autor bíblico.

Ficamos em dúvida de como as coisas realmente aconteceram, já que pelo texto da Bíblia Moisés estendeu a mão sobre o mar, enquanto que o historiador Josefo, dizendo que o que conta foi encontrado nos Livros Santos, narra da seguinte forma:

Este admirável guia do povo de Deus, depois de ter acabado a sua oração, tocou o mar com sua vara maravilhosa e no mesmo instante ele se dividiu, para deixar os hebreus passar livremente, atravessando-o a pé enxuto, como se estivessem andando em terra firme. (História dos Hebreus, pág. 87).

Por outro lado, Josefo narra de forma espetacular o retorno das águas ao leito do mar, com o perecimento dos egípcios, coisa não encontrada na Bíblia da mesma forma. Vejamos:

O vento juntara-se às vagas para aumentar a tempestade: grande chuva caiu dos céus; os relâmpagos misturaram-se como ribombo do trovão, os raios seguiram-se aos trovões e para que não faltasse nenhum sinal dos mais severos castigos de Deus, na sua justa cólera, punindo os homens, uma noite sombria e tenebrosa cobriu a superfície do mar; do modo que, de todo esse exército, tão temível, não restou um único homem que pudesse levar ao Egito a notícia da horrível catástrofe. (História dos Hebreus, pág. 87).

A rota inicial do Êxodo

Partiram de Ramsés para Sucot, daí seguiram a Etam, de onde foram até Piairot, ponto em que partiram e atravessaram o mar, acampando em Mara, no Deserto de Etam. (Ex. 13,20; 14.2.9.15; 15,22; Nm 33, 5-8). Ver no mapa 1 abaixo, cuja rota está traça em linha vermelha:

Mapa 1: Ampliação do local da passagem

Mapa 2: Visão global da rota do êxodo

Observar no Mapa 1 (destaque da área realçada no retângulo azul no Mapa 2) que na região da passagem pelo “Mar Vermelho” existe até uma rota comercial (linha pontilhada), demonstrando que não se necessitava de nenhum milagre para passar pelo local. Keller, num mapa colocado em seu livro E a Bíblia tinha razão..., informa que essa área é denominada de “mar dos Juncos”.

Bem abaixo, ainda no Mapa 1, na região indicada como de ajuntamento de água, se refere ao Golfo de Suez, não se trata especificamente do Mar Vermelho, que fica bem mais abaixo, conforme se pode ver mais claramente no Mapa 2.

Temos então pela geografia da região, que o Mar Vermelho é, vamos assim dizer, divido pela Península do Sinai em dois golfos, o de Suez e de Ácaba. Como se diz popularmente “cada um é cada um”, ou melhor, geograficamente falando, golfo é golfo, não é o mar propriamente dito.

Algumas explicações dos tradutores

Fora as que já fornecemos, logo após as passagens anteriormente transcritas, seria ainda interessante lermos outras que se nos apresentam.

O local da travessia do Mar Vermelho foi provavelmente a extensão norte do Golfo de Suez, ao sul do atual porto de Suez. Embora a expressão literal seja “mar dos Juncos”, a referência é ao mar Vermelho, não simplesmente a alguma região alagadiça. (Bíblia Anotada, pág. 98, em relação à Ex 13,18).

Mar Vermelho: lit. “mar dos Juncos”. A expressão designa tanto o atual mar Vermelho como também a região pantanosa e de lagunas, atravessada hoje pelo canal de Suez. É o cenário da passagem dos israelitas pelo “mar Vermelho” (Bíblia Vozes, pág. 91, em relação à Ex 10,19).

A descrição da passagem pelo mar Vermelho corresponde a um fenômeno de ordem natural, como o sugere a menção do “vento forte” (v.21) que põe o mar, isto é, uma região pantanosa, em seco. Tal fenômeno foi providencial para salvar os israelitas (v.24) e fazer perecer os egípcios (v.27): de madrugada as condições climáticas foram favoráveis à passagem segura dos israelitas; de manhã mudaram bruscamente e os egípcios pereceram. Nisto Israel viu a mão providencial de Deus (v.31), expressa pela nuvem e pelo fogo (13,21), pelas águas que formam alas para os israelitas passarem (14,22) e pela vara milagrosa de Moisés (v.16.21.26). (Bíblia Vozes, pág. 97, em relação à Ex 14,21-31).

Em toda essa narração da passagem do mar Vermelho é difícil estabelecer o que haja de verdadeiramente histórico e o que haja de fruto de reelaborações épicas. Tampouco é possível indicar o ponto exato em que se deu a travessia. Por certo, há uma intervenção milagrosa de Deus que, embora servindo-se de fenômenos naturais, pode ordená-los no tempo e lugar para que facilitassem a fuga dos hebreus e o castigo dos egípcios. Em todo o A.T. a passagem do mar Vermelho foi sempre considerada como o exemplo mais esplêndido do socorro providencial de Deus, e em o N.T. é ainda considerada como a figura da salvação, mediante a ablução batismal. (Bíblia Vozes, pág. 97, em relação à Ex. 14,15-31).

Mesmo que em algumas delas se reconheça que não é o mar Vermelho, mas o mar dos Juncos, ou que a passagem é um fenômeno de ordem natural, não deixam de envidar esforços em seus argumentos para levá-la à conta de milagre, contrariando o bom senso em detrimento da fé racional.

A arqueologia confirma os fatos?

Agora sim é que iremos ver o que Keller tem mesmo a nos dizer sobre esse assunto. Vejamos:

Esse “milagre do mar” tem ocupado incessantemente a atenção dos homens. O que até agora nem a ciência nem a pesquisa conseguiram esclarecer não é de modo algum a fuga, para a qual existem várias possibilidades reais. A controvérsia que persiste é sobre o cenário do acontecimento, que ainda não foi possível fixar com certeza.

A primeira dificuldade está na tradução. A palavra hebraica “Yam suph” é traduzida ora por “mar Vermelho”, ora por “mar dos Juncos”. Repetidamente se fala do “mar dos Juncos”: “Ouvimos que o Senhor secou as águas do mar dos Juncos[1] à vossa entrada, quando saístes do Egito...” (Josué 2.10). No Velho Testamento, até o profeta Jeremias, fala-se em “mar dos Juncos”. O Novo Testamento diz sempre “mar Vermelho” (Atos 7.36; Hebreus 10.29).

Às margens do mar Vermelho não crescem juncos. O mar dos juncos propriamente ficava mais ao norte. Dificilmente se poderia fazer uma reconstituição fidedigna do local – e essa é a segunda dificuldade. A construção do Canal de Suez no século passado modificou extraordinariamente o aspecto da paisagem da região. Segundo os cálculos mais prováveis, o chamado “milagre do mar” deve ter acontecido nesse território. Assim, por exemplo, o antigo lago de Ballah, que ficava ao sul da estrada dos filisteus, desapareceu com a construção do canal, transformando-se em pântano. Nos tempos de Ramsés II, existia ao sul uma ligação do golfo de Suez com os lagos amargos. Provavelmente chegava mesmo até mais adiante, até o lago Timsah, o lago dos Crocodilos. Nessa região existia outrora um mar de juncos. O braço de água que se comunicava com os lagos amargos era vadeável em diversos lugares. A verdade é que foram encontrados alguns vestígios de passagens. A fuga do Egito pelo mar dos Juncos é, pois, perfeitamente verossímil. (E a Bíblia tinha razão..., pág. 146).

[1] As traduções em português consultadas citam sempre “mar Vermelho”. (N. do T.)

As observações de Keller se encaixam perfeitamente com algumas das explicações dadas pelos tradutores, ficando desta forma sem propósito qualquer argumento contrário, a não ser que algum dia a ciência venha em socorro aos que querem enxergar as coisas sob ponto de vista religioso, sustentando os fatos como milagres.

Fatos semelhantes

A respeito da passagem do mar Vermelho, Josefo nos relata outro acontecimento idêntico:

“... ninguém deve considerar como coisa impossível, que homens, que viviam na inocência e na simplicidade desses primeiros tempos, tivessem encontrado, para se salvar, uma passagem no mar, que se tenha ela aberto por si mesma, quer isso tenha acontecido por vontade de Deus, pois a mesma coisa aconteceu algum tempo depois aos macedônios, quando passaram o mar da Panfília, sob o comando de Alexandre, quando Deus se quis servir dessa nação para destruir o império dos persas, como o narram os historiadores que escreveram a vida desse príncipe. Deixo, no entanto, a cada qual que julgue como quiser”. (História dos Hebreus, pág. 87).

Observar que nesta fala de Josefo é dito dum fato semelhante acontecido com os macedônios, que também a pé enxuto passaram o mar da Panfília.

No livro de Josué (3,14-17) o povo de Israel atravessou o rio Jordão, após as suas águas terem se dividido. Muitos também têm esse episódio como um milagre, entretanto vejamos as seguintes notas explicativas dos tradutores:

Sabemos que as águas do Jordão, no seu leito estreito e profundo, vão minando as margens, provocando de vez em quando grandes desabamentos de terras que podem obstruir por completo, a torrente. A partir desse lugar, o leito permanece seco até que as águas rompem uma passagem e encontram de nosso o seu caminho. A história conta-nos que isso aconteceu em 1267, 1914 e 1927. Em nada diminuiria a ação de Deus se se tivesse servido miraculosamente, nesse momento exato, destes elementos locais. (Bíblia Sagrada, Ed. Santuário, pág. 286 em relação à Js 3, 16).

Relaciona-se esse fato com o ocorrido em 1267, segundo o cronista árabe [de nome Huwairi, conforme Ed. Paulinas, pág. 222] o Jordão cessou de correr durante dez horas, porque desmoronamentos do terreno haviam obstruído o vale, precisamente na região de Adamá-Damieh. (Bíblia de Jerusalém, pág. 317, em relação à Js 3, 16).

... O Jordão, de fato, é um pequeno rio que, em alguns lugares, permite a travessia a pé enxuto, principalmente graças à abundância de pedras em seu leito. (Bíblia Sagrada, Ed. Vozes, pág. 238, em relação à Js 4, 3).

Conclusão

De nada adianta usar as interpretações piedosas de muitas das religiões tradicionais para sustentar esses fatos, pois ao homem inquisidor dos dias atuais, alegações desse tipo não estão tendo mais vez, já que ele prefere que se busque a verdade dos fatos. Devemos, mesmo à custa de muita indignação por parte de algumas pessoas, apontar os equívocos de interpretação, as interpolações, bem como as deliberadas adulterações, para mostrar a verdade limpa e pura, que muito mais agrada que uma mentira evidenciada pelos fatos.

Devem, pois, os teólogos rever seus conceitos e, diga-se de passagem, em sua maioria são dum passado remoto que, por força dos conhecimentos atuais, tornaram-se obsoletos. “A verdade ainda que tardia”, diria Tiradentes numa situação dessa.

Finalizando, veremos a opinião de Espinosa a respeito de milagres:

O homem comum chama, portanto, milagres ou obras de Deus aos fatos insólitos da natureza e, em parte por devoção, em parte pelo desejo de contrariar os que cultivam as ciências da natureza, prefere ignorar as causas naturais das coisas e só anseia por ouvir falar do que mais ignora e que, por isso mesmo, mais admira. Isso, porque o vulgo é incapaz de adorar a Deus e atribuir tudo ao seu poder e à sua vontade, sem elidir as causas naturais ou imaginar coisas estranhas ao curso da natureza. Se alguma vez ele admira a potência de Deus, é quando imagina como que a subjugar a potência da natureza.

A travessia é apenas uma história travessa que inventaram, não acham?

 

Referência Bibliográfica:

  • A Bíblia Anotada. Trad. PINTO, O. C. São Paulo: Mundo Cristão, 1994.
  • Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.
  • Bíblia Sagrada - Edição Barsa. Rio de Janeiro: Catholic Press, 1965.
  • Bíblia Sagrada - Edição Pastoral. São Paulo: Paulus, 2001.
  • Bíblia Sagrada. Aparecida, SP: Santuário,1984.
  • Bíblia Sagrada. Brasília, DF: SBB, 1969.
  • Bíblia Sagrada. Petrópolis, RJ: Vozes, 1989.
  • Bíblia Sagrada. São Paulo: Ave Maria, 1989.
  • Bíblia Sagrada. São Paulo: Paulinas, 1980.
  • ESPINOSA, B. Tratado Teológico-Político. trad. AURÉLIO, D. P. São Paulo; Martins Fontes, 2003.
  • JOSEFO, F. História dos Hebreus. Trad. PEDROSO, V. Rio de Janeiro: CPAD, 1990.
  • KELLER, W. E a Bíblia tinha razão... São Paulo: Melhoramentos, 2000.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 21.04.10 às 05:09link do post | favorito

 

Fizeram da casa de meu Pai um covil de ladrões (Jesus).

 

Introdução

A nossa proposição nesse texto é apenas a de defender-nos da acusação insana de um certo líder adventista de que o Espiritismo é antibíblico, por não cobrar o dízimo, dentre outras coisas. Assim, não temos por objetivo o de condenar, mas apenas usamos do nosso pleno direito de defesa. Nossa intenção é só mostrar, para quem quiser enxergar, que quem cobra dízimo o faz em seu próprio nome e interesse, e que não possui nenhum respaldo bíblico ou divino para tal.

Questão de certa forma muito delicada, devido ao largo uso deste instituto pelas igrejas cristãs tradicionais. Certamente que apresentarão mil e um motivos para justificar a sua cobrança, pois ele é a principal fonte do sustento da cúpula religiosa; talvez uns poucos trocados vão para a ajuda aos necessitados. Em alguns casos vemos sinceridade nessa aplicação; em outras, apenas eles mantêm uma obra filantrópica de fachada para sensibilizar o seu fiel, de que ele seja bem generoso em suas futuras doações. Temos consciência de que falar disso vai atrair a ira desses sepulcros caiados, mas a verdade precisa ser dita, doa a quem doer.

Em relação ao Novo Testamento, a passagem geralmente citada é a de Mateus, na qual lemos:

Mt 23,23: “Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês pagam o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês deveriam praticar isso, sem deixar aquilo”.

Se formos pegar ao “pé da letra”, a única coisa, que Jesus está afirmando, é que os doutores da Lei e fariseus eram pessoas hipócritas que faziam mais caso do dízimo do que da moral religiosa. E como especifica o dízimo, citando o da hortelã, da erva-doce e do cominho, não nos podemos estender para mais nada além desses; isso se quisermos justificar que Jesus tenha aprovado o seu pagamento.

Vamos ver se essa conclusão a que chegamos é procedente ou não; para tanto, é necessário fazermos uma pesquisa, para elucidar essa questão, certamente, ainda muito controvertida.

 

Resultado da pesquisa

Buscamos saber, em várias fontes, sobre o dízimo, cujos textos transcrevemos e sobre os quais teceremos nossos comentários.

Definição dada pelo Dicionário Bíblico Universal:

Dízimo

Etim. latina: décimo.

Javé, o Deus vivo, é fonte da vida. É ele que dá fecundidade às famílias, aos rebanhos e à terra. Os homens lhe prestam reconhecimento (Os 2,10), trazendo-lhe oferendas: apresentação das “primícias”, do “dízimo” etc.

O dízimo é a entrega da décima parte da colheita do campo: grãos, óleo, vinho (Dt 14,22).

Segundo o Deuteronômio, o produto deve ser levado, cada ano, ao santuário que era então o de Jerusalém. A apresentação da oferenda dá lugar a refeições sacrificiais, às quais é convidado o levita (Dt 12,11-12). Mas a Lei prevê também um pagamento em dinheiro (Dt 14,25).

A cada três anos, o dízimo é depositado às portas das casas e colocado à disposição do levita, do estrangeiro, do órfão e da viúva (Dt 14,28-29).

Segundo a legislação sacerdotal, o dízimo é entregue aos levitas que devem, por sua vez, entregar a décima parte aos sacerdotes: “o dízimo do dízimo”, a título de oferenda feita a Javé (Nm 18,21-32). Mas Nm 35,1-8 também prevê a substituição do dízimo por uma doação em terras ou bens de raiz.

É evidente que essas três regulamentações refletem as preocupações de épocas e de contextos diferentes.

Na época de Neemias, depois de Malaquias, o pagamento dos dízimos, por uma população, aliás, bem pobre, foi irregular e negligenciado (Ne 13,10-13; Ml 3,8-12).

Ao tempo de Jesus, os doutores da Lei aplicavam meticulosamente o dízimo aos produtos mais ínfimos do solo: o evangelista enumera a hortelã, a erva-doce e o cominho (Mt 23,23).

(MONLOUBOU e DU BUIT, 1997, p. 202).

O sentido é que de tudo que fosse produzido pela natureza é que deveria ser reservada a sua décima parte para Deus, fonte da vida. Essa décima parte era entregue no santuário aos levitas.

Em Dt 14,22 se recomenda separar o dízimo de qualquer produto do campo, ou seja, tratava apenas dos produtos agrícolas. Vejamos o passo:

Dt 14,22-23: “Todos os anos você separará o dízimo de qualquer produto de seus campos e o comerá diante de Javé seu Deus, no lugar que ele tiver escolhido para aí fazer habitar o nome dele; nesse lugar você comerá o dízimo do trigo, do vinho novo e do óleo, e também os primogênitos das vacas e das ovelhas, para que você aprenda continuamente a temer Javé seu Deus”.

O dízimo aqui não é para ser dado a ninguém, mas era algo que ia ser comido diante de Deus, no Templo. Isso demonstra que, o que se falou dessa passagem, não confere com o relatado como explicação. Seguindo em frente, iremos ver o ponto dito sobre o pagamento em dinheiro:

Dt 14,24-26: Se o caminho for longo demais e você não puder levar o dízimo, porque fica muito longe o lugar escolhido por Javé seu Deus para aí colocar o nome dele, e Javé seu Deus tiver abençoado você, então venda, pegue o dinheiro e vá ao lugar que Javé seu Deus tiver escolhido. Aí você trocará o seu dinheiro por aquelas coisas que desejar: vacas, ovelhas, vinho, bebida embriagante, tudo o que você quiser. Você comerá aí, diante de Javé seu Deus, e festejará com a família”.

Fica claro, então, que não havia aqui nenhum tipo de pagamento em dinheiro, conforme tentaram justificar citando Dt 14,25. Quem não tinha condições de levar seus produtos, por morar longe, deveria vendê-los para comprar outros, provavelmente no comércio existente dentro do templo, ou seja, fazia-se apenas uma substituição. Depois, como no passo anterior, deveria ser comido diante de Deus.

Estamos diante não do dízimo que deveria ser entregue aos sacerdotes, mas de uma descrição do que poderíamos chamar de uma refeição comemorativa. O dízimo propriamente dito nós iremos citá-lo mais à frente, em um outro trecho bíblico.

Também não procede a informação da substituição do dízimo por terra, baseando-se em Nm 35,1-8. Na verdade, essa passagem nada tem a ver com dízimo. O que ali consta é a parte dos levitas na herança das terras que Deus havia prometido aos hebreus, ou seja, que caberia a eles também uma parte das terras de Canaã, de cujo povo iriam tomá-las à força.

Sobre a negligência mencionada em Neemias, podemos dizer que realmente há essa reclamação; mas é bom que a vejamos, pois não é o que querem que ela seja:

Ne 13,10-13: “Também fiquei sabendo que não estavam mais dando aos levitas as contribuições devidas, e que os levitas e cantores, encarregados do culto, tinham fugido cada qual para a sua propriedade. Enfrentei os ministros e lhes disse: "Por que o Templo de Deus está abandonado?" Reuni de novo os levitas e os reintegrei nas suas funções. Então, todos os judeus começaram a trazer de novo para os armazéns o dízimo do trigo, do vinho e do azeite. Coloquei, como encarregados dos armazéns, o sacerdote Selemias, o escrivão Sadoc e o levita Fadaías, ajudados por Hanã, filho de Zacur, filho de Matanias, pois eles tinham fama de serem íntegros. A função deles era distribuir as porções para seus irmãos”.

Se Neemias reintegrou os levitas nas suas funções, por certo que eles não as estavam exercendo; portanto, não mereciam mesmo o dízimo; não é mesmo? Mas o dízimo que voltaram a pagar foi o do trigo, do vinho e do azeite; aquele mesmo mencionado em Dt 14,22-23, que comentamos anteriormente.

Vejamos agora a outra passagem:

Ml 3,8-12: “Pode um homem enganar a Deus?" Pois vocês me enganaram! Vocês perguntam: "Em que te enganamos?" No dízimo e na contribuição. Vocês estão ameaçados de maldição, e mesmo assim estão me enganando, vocês e a nação inteira! Tragam o dízimo completo para o cofre do Templo, para que haja alimento em meu Templo. Façam essa experiência comigo - diz Javé dos exércitos. Vocês hão de ver, então, se não abro as comportas do céu, se não derramo sobre vocês as minhas bênçãos de fartura. Acabarei com as pragas das plantações, para que elas não destruam os frutos da terra e nem devorem a vinha no campo - diz Javé dos exércitos. Todas as nações chamarão vocês de felizes, pois vocês hão de ser um país de delícias - diz Javé dos exércitos”.

Estavam mesmo não pagando todo o dízimo devido; alguma coisa estavam sonegando, pois era exigido o dízimo completo. Na advertência do profeta, vemos que a recomendação é de que o levassem para o templo, para que houvesse alimento, ou seja, produtos do campo, o que, também, nos remete ao estabelecido em Dt 14,22-23.

Quanto a Mt 23,23 em relação ao dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, em que Jesus deixa claro que deviam seguir essa prescrição, talvez, haja a sua razão de ser; senão vejamos uma explicação:

Exemplo concreto de hipocrisia, que faz questão de preceitos leves, como o dízimo das plantas comestíveis e vulgares, desprezando os preceitos graves e importantes. A menta (hortelã, hêdyosmon) porque aromatiza os alimentos e servia de remédio para as taquicardias (eram comidos três ovos: um com menta, um com cominho e o terceiro com sésamo); o endro (ánéthon), comestível muito usado; e o cominho (kyminon) também empregado como tempero e remédio. No entanto, negligenciavam o discernimento (krísis), a misericórdia (éleos) e a fidelidade (pístis). E é acrescentada a fórmula: "devíeis fazer estas coisas, sem omitir aquelas", ou seja, não é que a primeira esteja errada: é que deve ser mantida em sua posição real, em segundo lugar. Em Lucas são citadas: a hortelã a arruda (péganon) planta aromática e as hortaliças em geral (láchanon), e, como negligenciadas, o discernimento e o amor de Deus (agápén tou theoú). No final de Mateus há uma daquelas ironias próprias de Jesus e originais: "guias cegos' coais um mosquito e engulis um camelo" (hoi díulízontes ton kônôpa, tên dè kámêlon katapínontes). Figura metafórica das mais felizes, para sublinhar o ensinamento dado. (PASTORINHO, 1964, p. 45).

O que concluímos é que, por serem plantas medicinais, deveriam mesmo ser entregues, para uso oportuno. Mas isso está muito longe de ter o caráter atribuído ao dízimo nos dias atuais.

Outro autor nos informa coisa bem semelhante:

Eles davam o dízimo (a décima parte) da menta, que era uma planta favorita, de aroma suave, que algumas vezes medrava nos soalhos das casas de moradia e das sinagogas, para dar seu aroma suave e assim prover uma atmosfera mais agradável. Essa planta também era usada como especiaria; enquanto que o aniz, o coentro e o cominho (que são sementes aromáticas) eram usadas como condimentos e, algumas vezes, como medicamentos. (CHAMPLIN, vol. 1, 2002, p. 548).

Embora mude um pouco em relação à informação anterior, ainda assim, ficamos convictos de que poderiam ser mesmo usadas, quer como condimentos ou medicamentos, em benefício do povo; não dos sacerdotes.

Essa primeira informação não passou pelo nosso exame crítico, pois nitidamente foi elaborada para justificar o dízimo dentro do meio católico. Sigamos em frente.

Dízimo. Décima parte da produção, ou de outros bens, que se consagram ao Senhor e se usam para fins religiosos. O primeiro dízimo mencionado nas Escrituras é o pago por Abraão ao sacerdote Melquisedec (Gen 14,20). Jacó prometeu pagar dízimo por todas as coisas que Deus lhe dera (Gen 28,20-22). Os dízimos foram prescritos na Lei Mosaica (Ex 22,29; Lev 27,30-34). Porções dos frutos da terra e do gado deviam ser oferecidas ao Senhor. De três em três anos, os dízimos eram destinados às obras de caridade. Mais tarde, apareceu o costume de dar o dízimo em espécie ou o seu valor para o santuário, onde era entregue aos levitas, como herança ou parte. Estes, por sua vez, davam um décimo de todos os dízimos recolhidos aos sacerdotes (Num 18,21.26-28). Em período de declínio religioso, o pagamento de dízimos era negligenciado. Tal acontecia em Judá, quando o rei Ezequias ordenou que os dízimos fossem pagos (2 Par 31,4-12). Malaquias disse ao povo que eles furtavam de Deus, quando sonegavam os dízimos (Mal 3,8-11). O costume de pagar dízimos continuou até os tempos do Novo Testamento (Lc 18,12), por ex. consta que os escrupulosos fariseus faziam questão de pagar dízimos até das ervas do jardim (Mt 23,23; Lc 11,42). (Dicionário Prático – Barsa, 1965, p. 81).

Champlin e Bentes nos esclarecem que: “O trecho de Gênesis 14:17-20 nos informa sobre o costume, antes da lei mosaica. Sabemos que a prática existia entre os gregos, os romanos, os cartagineses e os árabes” (CHAMPLIN e BENTES, 1995, p. 201).

Uma das passagens citadas como prescrição do dízimo, na verdade, não se refere a ele, mas a uma outra situação, qual seja, o direito consagrado a Deus da primogenitura, o qual estabelecia que devia ser ofertado a Deus todo primogênito, tanto o dos próprios homens, quanto o dos animais. No caso do primogênito do homem, esse poderia ser resgatado; no dos animais não, pois eles eram ofertados em sacrifício a Deus. Isso, ao que nos parece, iniciou-se com Abel (Gn 4,4). Em Ex 13,2, é onde aparece essa determinação para o povo hebreu, repetindo-se mais à frente da seguinte forma:

Ex 13,11-16: “Quando Javé tiver introduzido você na terra dos cananeus e a tiver dado, como jurou a você e a seus antepassados, você reservará para Javé todos os primogênitos do útero materno; e a Javé pertencerá todo primogênito de sexo masculino, também dos animais que você possuir. O primogênito da jumenta, porém, você o resgatará, trocando por um cordeiro. Se você não o resgatar, deverá quebrar-lhe a nuca. Os primogênitos humanos, porém, você os resgatará sempre. Amanhã, quando seu filho lhe perguntar: 'Que significa isso?' Você lhe responderá: 'Com mão forte Javé nos tirou do Egito, da casa da servidão. O Faraó se obstinou e não queria deixar-nos partir; por isso, Javé matou todos os primogênitos do Egito, desde o primogênito do homem até o primogênito dos animais. É por isso que eu sacrifico a Javé todo primogênito macho dos animais e resgato todo primogênito de meus filhos'. Isso servirá como sinal no braço e faixa na fronte, porque Javé nos tirou do Egito com mão forte".

A instituição da primogenitura estava ligada ao acontecimento da morte dos primogênitos dos egípcios, quando Deus liberta o povo hebreu da escravidão no Egito, como uma lembrança daquele feito. Então, não se trata de dízimo, conforme se argumentou.

Mas será que esse dízimo não aparece nunca? Aparece sim, caro leitor. Vamos, agora, ver a passagem em que ele foi instituído:

Lv 27,30-32: Todos os dízimos do campo, seja produto da terra, seja fruto das árvores, pertencem a Javé: é coisa consagrada a Javé... Os dízimos de animais, boi ou ovelha, isto é, a décima parte de tudo o que passa sob o cajado do pastor, é coisa consagrada a Javé”.

Então fica claro que os dízimos foram prescritos na Lei Mosaica como a décima parte dos frutos da terra e do gado, que deveriam ser oferecidos ao Senhor. Deus, por sua vez, doa tais coisas aos levitas, como pagamento pelos serviços prestados (Nm 18,21).

Correta a afirmação de que, a cada três anos, os dízimos eram destinados às obras de caridade:

Dt 14,28-29: A cada três anos você pegará o dízimo da colheita do ano e o colocará nas portas da cidade. Então virá o levita que não recebeu uma parte na herança de vocês, o imigrante, o órfão e a viúva que vivem nas suas cidades, e comerão até ficarem saciados. Desse modo, Javé seu Deus abençoará você em todo trabalho que você realizar”.

Mais uma vez, chamamos a sua atenção para a destinação do dízimo: “comerão até ficarem saciados”; nada para manter na preguiça os líderes religiosos. Paulo, inclusive, dá o exemplo de não viver às custas de ninguém: “Vocês sabem como devem imitar-nos: nós não ficamos sem fazer nada quando estivemos entre vocês, nem pedimos a ninguém o pão que comemos; pelo contrário, trabalhamos com fadiga e esforço, noite e dia, para não sermos um peso para nenhum de vocês. Não porque não tivéssemos direito a isso, mas porque nós quisemos ser um exemplo para vocês imitarem” (2Ts 3,7-9). Na seqüência, ele cria essa máxima: “quem não quer trabalhar, também não coma” (2Ts 23,10).

A informação de que “Mais tarde, apareceu o costume de dar o dízimo em espécie ou o seu valor para o santuário” não tem procedência, pois não há uma só passagem que diz isso, ficando, portanto, evidenciado que interpretam os textos na forma que melhor lhes convém.

Transcreveremos, para elucidar possíveis dúvidas, o passo de Números, capítulo 18, cuja citação nos induz a crer que se permitia pagar o dízimo em dinheiro:

Nn 18,8-32: “Disse mais o SENHOR a Arão: 'Eis que eu te dei o que foi separado das minhas ofertas, com todas as coisas consagradas dos filhos de Israel; dei-as por direito perpétuo como porção a ti e a teus filhos. Isto terás das coisas santíssimas, não dadas ao fogo: todas as suas ofertas, com todas as suas ofertas de manjares, e com todas as suas ofertas pelo pecado, e com todas as suas ofertas pela culpa, que me apresentarem, serão coisas santíssimas para ti e para teus filhos. No lugar santíssimo, o comerás; todo homem o comerá; ser-te-á santo. Também isto será teu: a oferta das suas dádivas com todas as ofertas movidas dos filhos de Israel; a ti, a teus filhos e a tuas filhas contigo, dei-as por direito perpétuo; todo o que estiver limpo na tua casa as comerá. Todo o melhor do azeite, do mosto e dos cereais, as suas primícias que derem ao SENHOR, dei-as a ti. Os primeiros frutos de tudo que houver na terra, que trouxerem ao SENHOR, serão teus; todo o que estiver limpo na tua casa os comerás. Toda coisa consagrada irremissívelmente em Israel será tua. Todo o que abrir a madre, de todo ser vivente, que trouxerem ao SENHOR, tanto de homens como de animais, será teu; porém os primogênitos dos homens resgatarás; também os primogênitos dos animais imundos resgatarás. O resgate, pois (desde a idade de um mês os resgatarás), será segundo a tua avaliação, por cinco siclos de dinheiro, segundo o siclo do santuário, que é de vinte geras. Mas o primogênito do gado, ou primogênito de ovelhas, ou primogênito de cabra não resgatarás; são santos; o seu sangue aspergirás sobre o altar e a sua gordura queimarás em oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR! A carne deles será tua, assim como será teu o peito movido e a coxa direita! Todas as ofertas sagradas, que os filhos de Israel oferecerem ao SENHOR, dei-as a ti, e a teus filhos, e a tuas filhas contigo, por direito perpétuo; aliança perpétua de sal perante o SENHOR é esta, para ti e para tua descendência contigo'. Disse também o SENHOR a Arão: 'Na sua terra, herança nenhuma terás e, no meio deles, nenhuma porção terás. Eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel. Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, serviço da tenda da congregação. E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram. Mas os levitas farão o serviço da tenda da congregação e responderão por suas faltas; estatuto perpétuo é este para todas as vossas gerações. E não terão eles nenhuma herança no meio dos filhos de Israel. Porque os dízimos dos filhos de Israel, que apresentam ao SENHOR em oferta, dei-os por herança aos levitas, porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel, nenhuma herança tereis'. Disse o SENHOR a Moisés: 'Também falarás aos levitas e lhes dirás: Quando receberdes os dízimos da parte dos filhos de Israel, que vos dei por vossa herança, deles apresentareis uma oferta ao SENHOR: O dízimo dos dízimos. Atribuir-se-vos-á a vossa oferta como se fosse cereal da eira e plenitude do lagar. Assim, também apresentareis ao SENHOR uma oferta de todos os vossos dízimos que receberdes dos filhos de Israel e deles dareis a oferta do SENHOR a Arão, o sacerdote. De todas as vossas dádivas apresentareis toda oferta do SENHOR: do melhor delas, a parte que lhe é sagrada. Portanto, lhes dirás: Quando oferecerdes o melhor que há nos dízimos, o restante destes, como se fosse produto da eira e produto do lagar, se contará aos levitas. Comê-lo-eis em todo lugar, vós e a vossa casa, porque é vossa recompensa pelo vosso serviço na tenda da congregação. Pelo que não levareis sobre vós o pecado, quando deles oferecerdes o melhor; e não profanareis as coisas sagradas dos filhos de Israel, para que não morrais'”.

O que julgamos importante destacamos no próprio texto bíblico, exatamente aquilo que vem corroborar tudo quanto estamos dizendo no presente estudo. Nada de dízimo em dinheiro.

Cita-se Ezequias, rei de Judá, ordenando o pagamento do dízimo, que o povo havia negligenciado. A passagem é assim narrada:

2Cr 31,4-12 (=2 Par 31,4-12): O rei ordenou aos habitantes de Jerusalém que dessem a parte dos sacerdotes e levitas, para que eles pudessem dedicar-se à Lei de Javé. Logo que a ordem foi transmitida, os israelitas forneceram com abundância os primeiros frutos do trigo, do vinho, do óleo, do mel e de todos os produtos do campo. E entregaram fartamente o dízimo de tudo. Os israelitas e judaítas que moravam nas cidades de Judá levaram também o dízimo dos bois e ovelhas. Fizeram montes com o dízimo das coisas consagradas a Javé, seu Deus. Começaram a fazer montes no terceiro mês e terminaram no sétimo. Ao verem esses montes, Ezequias e as autoridades bendisseram a Javé e a seu povo Israel. Depois Ezequias pediu a opinião dos sacerdotes e levitas sobre o que fazer com tudo isso. Azarias, chefe dos sacerdotes, da família de Sadoc, disse ao rei: 'Desde que as contribuições começaram a ser trazidas ao Templo de Javé, está sendo possível comermos até ficarmos satisfeitos, e ainda sobra com fartura, pois Javé abençoou o seu povo. E esse montão de coisas é sobra'. Ezequias mandou, então, construir depósitos no Templo de Javé. E assim fizeram. Depois carregaram os donativos, o dízimo e outras oferendas, com toda a honestidade. O chefe da turma era o levita Conenias, ajudado por seu irmão Semei”.

A passagem não tem nada a ver com o que querem dela retirar. Até aqui não há nenhuma passagem em que se dá dízimo em dinheiro; ele é apenas o produto do campo.

E em relação ao que aconteceu no tempo de Malaquias, nós já comentamos antes o passo citado (Ml 3,8-11).

Ao afirmarem, no final da explicação, que “O costume de pagar dízimos continuou até os tempos do Novo Testamento (Lc 18,12), por ex. consta que os escrupulosos fariseus faziam questão de pagar dízimos até das ervas do jardim (Mt 23,23; Lc 11,42)”, tentam nos levar a crer que se pagava o dízimo de tudo. Vejamos como diverge, nas várias traduções bíblicas, o texto da passagem de Lc 18,12:

Pastoral: “Eu faço jejum duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda”.

Barsa: “Jejuo duas vezes na semana: pago o dízimo de tudo o que tenho”.

Novo Mundo: “Jejuo duas vezes por semana, dou o décimo de todas as coisas que adquiro”.

Ave Maria: “Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros”.

Shedd: “Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”.

Nessas cinco Bíblias estão resumidas todas as variações da narrativa do texto em questão. Parece-nos que os tradutores se esforçaram para incutir no leitor a idéia de que de tudo se devia pagar o dízimo; pois este é o papel deles, que, via de regra, defendem, mesmo que inconscientemente, o que ouvem pregando em suas igrejas.

Recorreremos a Champlin, que nos explica esse passo:

Os fariseus também caíam quanto à questão do dízimo, chegando a dar os dízimos até mesmo da menta, do anis e do cominho. A menta era uma planta de aroma suave, que algumas vezes era espalhada nos soalhos das casas e das sinagogas a fim de dar seu aroma suave, provendo uma atmosfera mais agradável. Também era usada como condimento, ao passo que o anis e o cominho (que eram sementes aromáticas) eram usadas como tempero, ou, noutras vezes, como medicamento. A lei original exigia que somente os produtos agrícolas fossem dizimados (ver Deut. 14:22,23). (CHAMPLIN, vol. 2, 2002, p. 176).

Vale a pena repetir esse testemunho: “A lei original exigia que somente os produtos agrícolas fossem dizimados”, sem mais perguntas sr. Juiz. Uai! Por que falamos assim se não estamos num júri?! Xii, saiu sem querer...

Até que enfim, vamos encontrar uma explicação bem próxima da realidade; pensávamos que não a iríamos encontrar. Leiamo-la:

DÍZIMO. Era a contribuição obrigatória, entregue ao santuário para sustentar os sacerdotes e levitas (Nm 18,21-32), os pobres, os órfãos e as viúvas (cf. Dt 14,22-29; Tb 1,7s e notas). A contribuição referia-se à décima parte dos cereais, do vinho e do azeite. Os fariseus pagavam, porém, o dízimo até dos produtos mais insignificantes, como as hortaliças (Mt 23,23). (Bíblia Sagrada – Vozes, p. 1521)

Aqui, então, temos a confirmação do que estamos falando desde o início deste estudo. Parabéns aos tradutores pela honestidade demonstrada nessa explicação!

Mais uma elucidação sobre o dízimo:

IV. Elemento da Doutrina do Dízimo sob a Lei

Antes da lei, os dízimos já existiam, embora não parecesse fazerem parte regular do culto religioso. Em outras palavras, não havia preceito que requeresse o dízimo como um processo contínuo e específico. Porém, não se pode duvidar de que o dízimo era praticado pelos patriarcas, antes mesmo de sua instituição legal. Os dízimos passaram então a ser usados dentro do sistema de sacrifícios, como parte do culto prestado a Yahweh, para sustento dos sacerdotes levíticos; e, provavelmente, esses fundos também eram usados para ajudar os pobres, em suas necessidades. Há alusões a esse uso dos dízimos no tocante a deuses pagãos, como Júpiter, Hércules e outros (Her. Clio, sive 1,1, c. 89; Varro apud Macrob. 1:3, c. 12). Quem já não prometeu alguma coisa a Deus, se pudesse realizar isto ou aquilo? Conforme minha mãe costumava dizer: “Algumas vezes, isso funciona; mas, de outras vezes, não”.

1. Coisas que eram dizimadas. Colheitas, frutas, animais do rebanho (Lev. 27:30-32). Não era permitido escolher animais inferiores. Ao passarem os animais para pastagem, de cada dez, um era separado como o dízimo (Lev. 27:32 ss). Produtos agrícolas podiam ser retidos, se o equivalente em dinheiro fosse dado; mas, nesse caso, um quinto adicional tinha de ser oferecido. Contudo, não era permitido remir uma décima parte dos rebanhos de gado ovino e vacum, desse modo, uma vez que os animais tivessem sido dizimados (Lev. 27:31,33). Certa referência neotestamentária, em Mat. 23:23 e Luc. 11:42; de dízimos sobre a hortelã, o endro e o cominho, reflete um exagerado desenvolvimento da prática do dízimo, em tempos judaicos posteriores. Comentamos sobre isso, detalhadamente, no NTI, in loc. As passagens de Deu. 12:5-19; 14:22.29 e 26:12.15 falam sobre algumas modificações quanto à lei sobre o dízimo. O trecho de Amós 4:4 mostra que o legalismo e os abusos contra o dízimo já haviam invadido a prática.

A Mishna (Maaseroth 1:1) informa-nos de que tudo quanto era produzido e usado em Israel estava sujeito ao dízimo, e isso era exagerado ao ponto de incluir os mais ínfimos produtos.

2. Que dízimos eram dados e a quem. A legislação acima mencionada, dentro do livro de Deuteronômio, dá orientações específicas sobre como e a quem os dízimos deveriam ser entregues. Originalmente, os dízimos eram dados aos levitas (Núm. 18:21 ss), tendo em vista a manutenção dos ritos religiosos. Mais tarde, isso ficou mais complexo ainda. Os dízimos eram levados aos grandes religiosos. Quando convertidos em dinheiro, os dízimos eram postos em mãos apropriadas, para serem gerenciados (Lev. 14:22-27). Ao fim de três anos, todos os dízimos que tivessem sido recolhidos eram levados ao lugar próprio de depósito, e seguia-se então uma grande celebração. Os estrangeiros, os órfãos, as viúvas (os membros mais carentes da sociedade) eram assim beneficiados, mediante essa prática, juntamente com os levitas (Lev. 14:28,29). Cada israelita precisava desempenhar a sua parte nessa questão dos dízimos, a fim de ser cumprido o mandamento divino (Lev. 26:12-14).

3. Sumário dos regulamentos. a. Uma décima parte dos dízimos recolhidos era usada no sustento dos levitas. b. Disso, uma décima parte era dada a Deus, para ser usada pelo sumo sacerdote. c. Aparentemente havia um segundo dízimo, usado para financiar as festas religiosas. d. Um terceiro dízimo, ao que parece, era destinado aos membros menos afortunados da sociedade, o que ocorria a cada três anos. Alguns intérpretes, porém, supõem que o segundo e o terceiro dízimos eram o mesmo dízimo ordinário, embora distribuídos de modos diferentes. E, nesse caso, estava envolvido apenas um dízimo adicional, e isso somente de três em três anos. No entanto, nos escritos de Josefo temos informes de que, na verdade, havia três dízimos separados: um para a manutenção dos levitas; outro para a manutenção das festas religiosas; e, a cada três anos, para sustento dos pobres. Tobias 1:7,8 é um trecho que dá a entender a mesma coisa. Entretanto, há uma referência nos escritos de Maimônides que diz que o segundo dízimo do terceiro e do sexto ano era distribuído entre os pobres e os levitas; e, em face desse comentário, retornamo-nos à outra idéia que fala em apenas dois dízimos distintos, embora distribuídos de modos diferentes.

Dízimos sobre os animais usados nos sacrifícios. Esses eram consagrados a Yahweh, pelo que tinham um lugar especial entre os dízimos, estando diretamente envolvidos no sistema de sacrifícios e ofertas.

4. Lugares para onde eram levados os dízimos. O principal desses lugares era Jerusalém (Deu. 12:5 ss; 17 ss). Uma cerimônia era efetuada nessa ocasião (Deu. 12:7,12), sob a forma de uma refeição. Se um homem não pudesse transportar a sua produção, ele podia substitui-la por dinheiro (Deu. 14:22-27). A cada três anos, os dízimos podiam ser depositados no próprio local onde o homem habitasse (Deu. 14:28 as). Mas, nesse caso, o indivíduo ainda precisava viajar até Jerusalém, a fim de adorar ali (Deu. 26:12 ss). (CHAMPLIN e BENTES, 1995, p. 202).

Conforme já vimos anteriormente, não havia dízimo em dinheiro, somente produtos agrícolas, os quais poder-se-ia resgatar, caso houvesse interesse; mas isso é completamente diferente do que pagar dízimo em moeda corrente. Em Lv 27,31 previa-se o resgate do dízimo dos produtos do campo, devendo pagar vinte por cento além do valor dele. No caso do primogênito dos animais, também poderia haver o resgate (Nm 18,15-16); mas, conforme nosso entendimento, isso é outra coisa, que não é dízimo.

A conversão em dinheiro, citando Lv 14,22-27, não existe; talvez os autores tenham-se equivocado ao mencionar a passagem; é bem provável que seja Dt 14,22-27, que já comentamos anteriormente.

E mais uma vez é relacionado o dízimo a uma cerimônia sob a forma de uma refeição, o que tira dele qualquer sentido pecuniário, ressalvados os casos de resgate, onde realmente era permitido substituir o dízimo por dinheiro, conforme já falamos.

 

Conclusão

Acreditamos que, se fosse para cumprir o que determina a Bíblia, somente os produtores rurais deveriam pagar o dízimo; fora disso é pura extrapolação, ou melhor, exploração.

Logo, nos dias de hoje, não caberia oferta do dízimo em decorrência do exercício das atividades da época atual, ainda que assemelhadas às existentes nas respectivas épocas dos textos bíblicos, que não estavam neles incluídos como, por exemplo, artesãos, marceneiros, comerciantes, advogados, professores, funcionários públicos, etc....

O que observamos na liderança religiosa, é que ela usa da dificuldade de entendimento dos textos bíblicos a seu próprio favor. Sabendo que a esmagadora maioria das pessoas não consegue, em muitos passos bíblicos, uma compreensão plena, essa liderança se aproveita disso para passar o seu próprio entendimento, e é aceito sem um mínimo de questionamento. Com essa questão do dízimo, isso fica muito claro para nós.

Mas vejamos o que ainda Champlin e Bentes disseram sobre o assunto:

V. O Dízimo no Novo Testamento

Algumas pessoas conseguem fazer os dízimos parecerem obrigatórios, dentro da economia cristã, e encontram textos de prova, no Novo Testamento, para justificar essa prática. Mas outros não podem encontrar a idéia do dízimo obrigatório no período do Novo Testamento, julgando que essa prática é uma pequena exibição de legalismo, do que os crentes estão isentos. De certa feita, ouvi um sermão que tinha o propósito de impor a obrigatoriedade do dízimo aos crentes do Novo Testamento, por meio de trechos do Novo Testamento. O pregador usou a passagem de Lucas 11:42. Jesus repreendeu os fariseus, porque tinham o cuidado de dizimar sobre pequenas questões legais, embora desconsiderassem as questões realmente importantes, como a justiça e o amor. Essas questões mais importantes, pois, eles deveriam pôr em prática, sem desconsiderar as coisas menos importantes. É evidente que Jesus reconhecia a natureza obrigatória dos dízimos, no caso da nação de Israel, mas está longe de ser claro que isso envolvia até mesmo a Igreja Cristã. Normalmente, os teólogos concordam que o Novo Testamento é um pacto de liberdade, e que cada crente deve dar a Deus conforme o Senhor o fizer prosperar, sem ser obrigado, contudo, a contribuir com somas específicas (1 Cor. 16:1,2). Entretanto, esse texto não assevera diretamente como a Igreja cristã deve contribuir, porquanto envolve, especificamente, uma coleta especial, feita para ajudar os santos pobres de Jerusalém. Apesar disso, alguns estudiosos supõem que essa instrução paulina serve de princípio geral quanto aos dízimos no seio do cristianismo. O fato, porém, é que o Novo Testamento não nos dá qualquer instrução direta sobre a questão dos dízimos, embora frise a questão da generosidade, uma parte da lei do amor, no tocante a todas as nossas ações e culto religioso. Muitos intérpretes pensam que o silêncio do Novo Testamento é proposital, dando isso a entender que o crente não está sob a lei, incluindo a regulamentação sobre os dízimos; antes, deveria ele ser guiado pela lei do Espírito. Ainda outros eruditos opinam que o silêncio das Escrituras, nesse caso, é circunstancial, pelo que não teria qualquer significado. Nesse caso, poderíamos supor que a legislação veterotestamentária continua a vigorar nos dias do Novo Testamento. Isso entretanto, é uma precária proposição teológica, se levarmos em conta tudo quanto Paulo disse sobre o fato de que não estamos debaixo da lei. (CHAMPLIN e BENTES, 1995, pp. 202-203).

Assim, podemos ver que não há como se apoiar em alguma passagem do Novo Testamento para justificar o dízimo, especialmente da forma como o cobram nos dias de hoje, que, na verdade, nem mesmo poder-se-á apoiar a sua cobrança em textos do Antigo Testamento. Fazemos nossas as seguintes palavras desses dois autores: “De fato, do ponto de vista teológico, não posso ver como poderíamos considerar o dízimo obrigatório para a Igreja cristã” (CHAMPLIN e BENTES, 1995, p. 203).

A única passagem em que poderemos ver algo mais positivo a respeito é em Hebreus: “Segundo a lei de Moisés, os descendentes de Levi, que se tornam sacerdotes, devem cobrar o dízimo do povo, isto é, dos seus irmãos, embora estes também sejam descendentes de Abraão” (Hb 7,5). Mas, como podemos observar, o autor desse livro, aliás, um ilustre desconhecido, muito bem observou “lei de Moisés”, não Lei de Deus. Para corroborar essa questão, vamos ver o que o historiador hebreu Flávio Josefo (37-103 d.C.), que viveu naquela época, disse sobre isso:

De medo que a tribo de Levi, vendo-se isenta da guerra, só se ocupasse nas coisas necessárias para a vida e descuidasse do serviço de Deus, Moisés determinou que, depois que se tivesse conquistado o país de Canaã, se dariam a essa tribo quarenta e oito das melhores cidades de todas as terras que se encontrassem, não distante mais de duas milhas e, que o povo lhe pagaria todos os anos e aos sacrificadores a décima parte dos frutos que recolhesse, o que foi depois inviolavelmente cumprido. (JOSEFO, 2003, p. 112).

O que mais nos deixou surpreso nesse relato de Josefo é que o dízimo era anual (Dt 24,22-23), não um pagamento que é exigido em quase toda vez que o cliente, digo, fiel for à igreja, como acontece atualmente. Eis, mais um importante testemunho que confirma, mais uma vez, que o dízimo não é sobre renda alguma, mas sobre os frutos recolhidos a cada colheita. Fato que ainda podemos confirmar em Borg e Crossan: “Os impostos locais, comumente chamados de 'dízimos', eram sobre a produção agrícola” (BORG e CROSSAN, 2007, p. 34)

Certamente que vemos a necessidade de recursos para se manterem as igrejas, para se cobrirem despesas como: luz, água, funcionários e material de limpeza, aluguel, obras sociais, etc., que não há como fazer, senão pela contribuição dos que freqüentam aquela denominação religiosa. Mas tudo dentro das possibilidades de cada um, sem extorsão, como, infelizmente, vemos por aí. Quem pode dar mais que dê, da mesma forma que quem não puder dar nada, não se sinta obrigado a dar o que não tem.

Entretanto, como Champlin e Bentes bem perceberam:

Atualmente, vemos o espetáculo de missionários evangélicos que constroem para si mesmos grandes mansões, lares luxuosos, rede de televisão, jornais etc. Quando isso sucede, sabemos que o dinheiro está sendo empregado egoisticamente, e não para o serviço do Senhor. Há uma grande diferença entre o altruísmo e o egoísmo; mas alguns missionários evangélicos parecem nunca ter aprendido a diferença. Direi agora o que penso sobre tudo isso. O próprio fato de que há crentes disputando sobre se devem contribuir ou não com uma miserável parcela de dez por cento mostra o baixo nível de espiritualidade em que se encontram. Quanto maior for a espiritualidade de um crente, maior será a sua liberalidade para com o dinheiro com que contribui para a causa do evangelho, ou com que alivia as necessidades das pessoas ao seu redor. (CHAMPLIN e BENTES, 1995, p. 203).

Portanto, mesmo sendo voluntárias e não obrigatórias, devemos ter bastante cautela ao fazermos nossas doações, para que assim não fiquemos engordando parasitas, que só se preocupam com o seu próprio ego. Pedro já nos alertara sobre esses falsos profetas dizendo: “Muitos seguirão suas doutrinas dissolutas e, por causa deles, o caminho da verdade cairá em descrédito. Levados pelo amor ao dinheiro, procurarão, com palavras enganosas, fazer de vocês objeto de negócios” (2Pe 1-3).

 

 

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 20.04.10 às 02:13link do post | favorito

 

O Livro dos Espíritos se inicia com o Capítulo que trata exclusivamente de Deus, pretendendo o codificador com essa atitude mostrar que o Espiritismo tem como idéia fundamental a existência de um Ser Supremo, criador de tudo o que se conhece e até o que por enquanto se desconhece.

Allan Kardec, orientado pelos espíritos superiores, começa a referida obra, formulando a seguinte questão:

1. Que é Deus?

E, obtém esta resposta: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”

 

Ora, partindo-se da definição dada pelos espíritos superiores, e percebendo-se a imensidade do universo à nossa volta, mesmo sabendo que o limite de alcance de nossa visão material é tão insignificante para tudo ver, não se teria outra opção que não a de reconhecer que toda essa gigantesca obra tem que ter tido um autor, que tudo isso estando acima da capacidade do maior dos sábios da terra, só pode ser atribuída a Onipotência criadora de um Ser Supremamente inteligente e sábio que tenha criado tudo que existe, pois não podemos nos dias de hoje admitir um efeito sem uma causa que o justifique.

 

Claro que no estágio atual de evolução em que a criatura humana se encontra, não o pode entender em toda sua essência, e mesmo depois de desencarnado, em que dispõe das suas faculdades perceptivas menos materiais, não o percebe nem o compreende totalmente, em virtude de sua natureza ainda tão imperfeita.

Pode, no entanto o homem, embora ainda no estágio de relativa inferioridade em que se encontra, ter convincentes provas da existência de Deus, por caminhos que transcendem aos dos sentidos: o da razão e do sentimento. Pela razão, pode observar a extensão infinita do espaço, a ordem e harmonia dos inumeráveis mundos que cada dia é descoberto pela ciência, os seres da natureza, os minerais com suas admiráveis formas cristalinas, o reino vegetal com a exuberância e variedade quase infinita de plantas muitas ainda desconhecidas dos cientistas, os animais de inimagináveis tipos e espécies, a beleza das aves com seus lindos gorjeios, os insetos de espécies incalculáveis, o mundo microscópico com incontáveis formas unicelulares etc...

 

Na questão nº 4 e seguintes, do Livro dos Espíritos, encontramos as respostas dadas pelos imortais da vida maior ao Codificador, sobre sua indagação a respeito da existência de Deus:

 

4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”

Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

 

5. Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?

“A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma conseqüência do princípio - não há efeito sem causa.”

 

6. O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não poderia ser fruto da educação, resultado de idéias adquiridas?

“Se assim fosse, por que existiria nos vossos selvagens esse sentimento?”

Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas”.

É, portanto, notório e indiscutível a existência de um ser superior a qualquer dos homens de que temos conhecimento na história da humanidade, visto que jamais alguém conseguiu realizar algo sequer parecido em qualquer época e lugar desse nosso planeta, atribuir a formação de tudo o que existe a transformação da matéria ou ao acaso, seria uma insensatez, um absurdo, um homem de bom-senso não pode aceitar que algo inteligente seja obra do acaso cego, pois o que é fruto da inteligência, já não é mais acaso.

 

Toda a harmonia existente no universo, com suas infinitas combinações e desígnios, são frutos de uma Lei natural que a tudo e a todos regula, revelando por si só a existência de um comando inimaginavelmente inteligente a nos confirmar o velho e sábio provérbio que afirma que: “Pela obra se conhece o autor”. Cabe ao homem deixar de ouvir apenas sua razão tão encharcada de orgulho próprio a não querer aceitar o que desconhece não admitindo que possa haver ser superior a ele próprio, e admitir que se não pode em seu atual estágio de evolução criar o que só a natureza produz, é que existe uma inteligência superior a toda a humanidade, e através do aprimoramento moral e espiritual procurar trabalhar por se instruir com o sincero desejo de vencer pouco a pouco as barreiras que lhe impõe a matéria, buscando aperfeiçoar-se cada dia mais que antes, para galgar chegar aos cimos da perfeição relativa, na certeza de que só assim lhe será possível melhor ver e compreender Deus em sua perfeição absoluta.

 

Se preferirmos poderemos contemplar sua sabedoria em nossa própria veste física e verificar quanta harmonia nas funções que se exercem à revelia de nossa vontade num ritmo perfeito, nas maravilhas representadas pela percepção dos nossos cinco sentidos, os olhos que nos permitem perceber e diferenciar os objetos as cores..., os ouvidos que nos dão a percepção dos sons, nas melodias, sinfonias..., o olfato, o gosto, o tato, a inteligência que nos permite instruir-nos sobre a atividade e utilidade das coisas, toda essa harmonia humana, e de tudo que faz parte do mundo exterior, só pode ser criação desse Ser Supremamente inteligente e sábio, que denominamos de DEUS.

 

Pelo Sentimento, mais até do que pelo raciocínio, é que o homem pode melhor compreender a existência de Deus, pois há no homem desde o mais primitivo até o mais civilizado, a idéia inata da existência de um ser superior a tudo que se conhece, e ainda trazemos impressa em nossa consciência as suas Leis, a regular nossas atitudes diante da vida e do nosso semelhante.

Jesus nosso modelo e guia revelou-nos como Pai, quando nos ensinou a orar dizendo: Pai nosso que estás no céu... e o Espiritismo vem nos confirmar nas palavras de Jesus, ensinando que Deus é o princípio de tudo, pois que se o universo existe, há de ter um Supremo Criador.

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