"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 17.05.10 às 00:01link do post | favorito

Iurd usa detector de Satã em fiéis, diz mãe de obreiro fanático

O nome do equipamento é psicoscópio.
Mãe de fiel mostra foto do aparelhinho

A Igreja Universal do Reino de Deus tem um aparelhinho cuja lâmpada mede o grau de possessão demoníaca em fiéis.

Uma foto do psicoscópio – esse seria o nome do instrumento – foi exibida ontem em Campo Grande (MS) pela desempregada Sueli Ferreira de Moura (foto), 42, que por sete horas se manteve acorrentada ao portão de um templo em protesto contra a igreja por ter submetido o seu filho de 17 anos à lavagem cerebral.

Sueli disse que S., o seu filho, tem um psicoscópio para avaliar os jovens de um grupo do qual ele é o líder. Ela não soube explicar como funciona o aparelho. Pela foto, além de uma lâmpada e dois interruptores, ele   tem um microfone ou um altofalante.

Óleo benzido para tirar o tesão. Afirmou também que o filho usa em suas “partes íntimas” um óleo ungido (foto) por pastores para que ele não tenha desejos sexuais. “Para mim, isso é óleo de cozinha.”

Sueli disse que S. se tornou um “escravo”, porque passou a vender balas, calçados e eletrodomésticos para entregar o dinheiro à Universal. Ele já teria roubado para não deixar de pagar o dízimo.

S. frequenta o templo da avenida Mato Grosso há dois anos e meio. Ele parou de ir à escola porque foi impedido de lá pregar a Bíblia.

“Quero meu filho de volta”, disse ela. “Essa igreja enlouqueceu o meu filho e a população desta cidade precisa saber disso.”

Ela tem mais dois filhos, um de 10 anos e outro de 22. Ambos chegaram a frequentar a igreja. O mais velho deixou de comparecer aos cultos quando soube que seria obrigado a pagar o dízimo.

Sueli disse que tentou várias vezes falar com os pastores para reclamar do fanatismo de seu filho. Como nunca foi atendida, em novembro do ano passado ela, em “uma atitude desesperada”, invadiu um culto para se queixar.

Um pastor chamou a polícia, e ela foi levada de camburão a uma delegacia.  “Fiquei fichada na polícia por tentar proteger o meu filho.”

Até agora a Igreja Universal não desmentiu nem confirmou a existência do aparelhinho de detectar possessão. Também não se manifestou sobre as demais acusações de Sueli.

Ela disse que, se for preciso, fará novo protesto para que a igreja liberte o seu filho.
image Sueli ficou acorrentada por sete horas
 

Com informação e fotos dos sites Capital News e Midiamax.


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 15.05.10 às 00:02link do post | favorito

 

É imprescritíveis o direito  de exame e de crítica e o Espiritismo não alimenta a pretensão de subtrair-se ao exame e à crítica, como não tem a de satisfazer a toda  gente. Cada um é, livre de o aprovar ou rejeitar;  mas, para isso, necessário se faz discuti-lo com conhecimento de causa. Ora, a crítica tem por demais provados que lhe ignora os mais elementares princípios, fazendo-o dizer precisamente o contrário do que ele diz, atribuindo-lhe o que ele desaprova, confundindo-o com as imitações grosseiras e burlescas do charlatanismo, enfim, apresentando, como regra de todas as excentricidades de alguns indivíduos. Também por demais a malignidade há querido torná-lo responsável por atos repreensíveis ou ridículos, nos quais o seu nome foi envolvido incidentemente, e disso se aproveita como arma contra ele.

Antes de imputar a uma doutrina a culpa de incitar a um ato condenável qualquer, a razão e a equidade exigem que se examine se essa doutrina contém máximas que justifiquem semelhante ato.

Para conhecer-se à parte de responsabilidade que, em dada circunstância, caiba ao Espiritismo, há um  meio muito simples: proceder de boa fé a uma perquirição, não entre os adversários, mas na própria fonte do que ele aprova e do que condena. Isso é tanto mais fácil, quanto ele não tem segredos; seus ensinos são patentes e quem quer que seja pode verificá-los.

Assim, se os livros da Doutrina Espírita condenam explícita e formalmente um ato justamente reprovável; se, ao contrário, só encerram instruções de natureza a  orientar para o bem, segue-se que não foi neles que um indivíduo culpado de malefícios se inspirou, ainda mesmo que os possua.

O Espiritismo não é solidário com aqueles a quem apraza dizerem-se espíritas, do mesmo modo que a Medicina não o é com os que a exploram, nem a sã religião com os abusos a até crimes que se cometam em seu nome. Ele não reconhece como seus adeptos senão os  que lhe praticam os ensinos, isto é trabalham por melhorar-se moralmente, esforçando-se por vencer os  maus pendores, por ser menos egoístas e menos orgulhosos, mais brandos, mais humildes, mais caridosos para com o próximo, mais moderado em tudo, porque  é essa a característica do verdadeiro espírita.

Esta breve nota não tem por objeto refutar todas as falsa alegações que se lançam o Espiritismo, nem lhe desenvolver e provar todos os princípios, nem ainda menos, tentar converter a esses princípios os que professem opiniões contrárias; mas, apenas,  dizer, em poucas palavras, o que ele é e o que não é,  o que admite e o que desaprova.

As crenças que propugna, as tendências que manifesta e o fim a que visa se resumem nas proposições seguintes:

 

  O elemento espiritual e o elemento material são dois princípios, as duas forças vivas da Natureza, as quais se completam umas a outra e reage incessantemente uma sobre a outra, indispensáveis ambas ao funcionamento do mecanismo do Universo.

Da ação recíproca desses dois princípios se originam fenômenos que cada um deles, isoladamente, não tem possibilidade de explicar.

À ciência,  propriamente dita, cabe a missão especial de estudar as leis da matéria.

O Espiritismo tem por objeto o estudo do elemento espiritual em suas relações com o elemento material e aponta na união desses dois princípios a razão de uma imensidade dos fatos até então inexplicados.

O Espiritismo caminha ao lado da Ciência, no campo da matéria: admite todas as verdades que a Ciência comprova; mas, se detém onde esta última pára: prossegue nas suas pesquisas pelo campo da espiritualidade.

   Sendo o elemento espiritual um estado ativo da Natureza, os fenômenos em que ele intervém estão submetidos a leis e são por isso mesmo tão naturais quanto os que derivam da matéria neutra.

Alguns de tais fenômenos foram  reputados sobre-naturais, apenas por ignorância das leis que os regem . Em virtude desse princípio, o Espiritismo não admite o caráter de maravilhoso atribuído a certos fatos, embora lhes reconheça a realidade ou a possibilidade. Não há, para ele, milagres, no sentido de derrogação das leis naturais, donde se segue que os espíritas não fazem milagres e que é impróprio o qualificativo de taumaturgos que umas tantas pessoas lhes dão.

O conhecimento das leis que regem o princípio espiritual prende-se de modo direto à questão do passado e do futuro do homem. Cinge-se a sua vida à existência atual? Ao entrar neste mundo, ele vem do nada e volta para o nada ao deixá-lo? Já viveu e ainda viverá? Como viverá e em que condições?  Numa palavra: donde vem  ele e para onde vai ? Por que está na Terra e por que  sofre aí? Tais questões que cada um faz a si mesmo, porque são para toda gente de capital interesse e às qual ainda nenhuma doutrina deu solução racional.  A que lhe dá o Espiritismo, baseada em fatos,  por satisfazer às exigências da lógica e da mais rigorosa justiça, constitui uma das causas principais da rapidez da sua propagação.

O Espiritismo não é uma concessão pessoal, nem o resultado de um sistema preconcebido. É a resultante de milhares de observações feitas sobre todos os pontos do globo e que convergiram para um centro que os coligiu e coordenou. Todos os seus princípios constitutivos, sem nenhuma exceção de nenhum, são deduzidos da experiência. Esta precedeu sempre a teoria.

Assim, desde o começo, o Espiritismo lançou raízes por toda parte. A História nenhum exemplo oferece de uma doutrina filosófica ou religiosa que, em dez anos, tenha conquistado tão grande número  de adeptos. Entretanto, não empregou, para se fazer conhecido. Nenhum dos meios vulgarmente em uso; propagou-se por si mesmo, pelas simpatias que inspirou.

Outro fato não menos constante é que, em nenhum país, a sua doutrina não surgiu das íntimas camadas sociais; em todos os lugares ela se propagou de cima  para baixo na escala da sociedade e ainda nas classes esclarecidas que se acha quase exclusivamente espalhadas, constituindo insignificante minoria, no seio de seus adeptos, as pessoas iletradas.

Verifica-se também que a disseminação do Espiritismo seguiu, desde os seus primórdios, marcha sempre ascendente, a despeito de tudo quanto fizeram seus adversários para entravá-las e para lhe desfigurar a ele o caráter, com o fito de desacreditá-lo na opinião pública. É mesmo de notar-se que tudo o que  hão tentado com esse propósito lhe favoreceu  a difusão; o arruído que provocaram por ocasião do seu advento fez que  viessem a a; quanto mais procuraram denegri-lo ou ridiculizá-lo, tanto mais despertaram as curiosidades gerais e, como todo exame só lhe pode ser proveitoso, o resultado foi que seus opositores se constituíram, sem o quererem, ardorosos propagandistas seus. Se as diatribes nenhum prejuízo lhe acarretaram, é que os que o estudaram em suas legítimas fontes o reconheceram muito diverso do que o tinham figurado.

Nas lutas que precisou sustentar, os imparciais lhe testificaram a moderação; ele nunca usou de represálias com os seus adversários, nem respondeu com injúrias as injúrias.

O Espiritismo é uma doutrina filosófica de efeitos  religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas, não é  uma religião constituída, visto que não culto, nem rito, nem templos e que, entre seus adeptos, nenhum tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo-sacerdote. Estes qualificativos são de puras invenções da crítica.

É-se espírita pelo só fato de simpatizar com os princípios da doutrina e por conformar com esses princípios o proceder. Trata-se de uma opinião como qualquer outra, que todos têm o direito de professar, como têm o de serem judeus, católicos, protestantes, simonistas, voltairiano, cartesiano, deísta e, até, materialista.

O Espiritismo proclama a liberdade de consciência como direito natural; reclama-a para seus adeptos, do mesmo modo que para toda a gente. Respeita todas as convicções sinceras e faz questão de reciprocidade.

Da liberdade de consciência decorre o direito de livre exame em matéria de fé. O Espiritismo combate à fé cega, porque ela impõe ao homem que abdique da sua própria razão; considera sem raiz toda fé imposta, donde o inscrever entre suas máximas: NÃO É INABALÁVEL, SENÃO A FÉ QUE PODE ENCARAR A RAZÃO EM TODAS AS ÉPOCAS DA HUMANIDADE.

Coerente com seus princípios, o Espiritismo não se impõe a quem quer que seja; quer ser aceito livremente e por efeito de convicção. Expõe suas doutrinas e acolhe os que voluntariamente o procuram.

Não cuida de afastar pessoa alguma das suas  convicções religiosas; não se dirige aos que possuem uma fé e a quem essa fé basta; dirige-se aos que, insatisfeitos com o que lhes dá, pede alguma coisa melhor.

 

                                                                                                   Allan  Kardec

                                                                                      Livro  Obras  Póstumas

 

 


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 14.05.10 às 05:13link do post | favorito

839. Será repreensível aquele que escandalize com a sua crença um outro que não pensa como ele?

 “Isso é faltar com a caridade e atentar contra a liberdade de pensamento.”

 

 

Surgem de novo o orgulho e o egoísmo, monstros da discórdia e da prepotência. Todo aquele que menospreza as opiniões alheias, por não compatibilizarem com as suas, está cheio de vaidade e desconhece os direitos alheios. Isso é falta de caridade e atenta contra a liberdade de pensamento. Vemos nos fatos que ocorrem em todo o mundo, Deus deixando que o homem aplique seus pensamentos, mesmo que depois sofra as conseqüências dos seus atos errôneos, para mostrar-lhe que pode ter liberdade e reconhecer no Senhor um Pai de Amor e de Bondade.

Quando notamos companheiros que somente acreditam no seu modo de pensar e sentir, estampam em seu ser plena ignorância sobre a vida. É preciso que reconheçamos que fazemos parte de um todo, e que cada alma tem uma tarefa diferente da outra. Os dons dados por Deus para o Espírito são diversos, mas ainda carecem de ser despertados e esse despertamento é gradativo, mas em alternância que não para.

Certos dons estão em atividades em uns, enquanto em outros dormem. É nesse sentido que não podemos viver sozinhos, pois ternos necessidade uns dos outros para a paz de todos. Nunca podemos julgar a ninguém porque tivemos e ainda vamos ter muitas vidas na Terra, para o despertamento completo dos nossos valores. é falta de caridade, de amor, condenar alguém porque esse alguém não aceita os nossos pensamentos. Onde está a liberdade de pensar e sentir que a vida nos deu?

Todos buscamos a liberdade, no entanto, não podemos ser livres de Deus, porque sem Ele não podemos viver. Em Paulo, quando falava aos Coríntios, por sua primeira epístola, notamos a diversidade entre as raças. Vejamos o capítulo um, versículo vinte e dois, que assim diz:

Porque tanto os Judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria.

E podemos acrescentar: uns buscam o direito, outros o amor, alguns a caridade, outros a paciência, e ainda outros lutam para conquistar a santidade. E é nessa corrida que buscamos e encontramos a perfeição no passar dos evos, porque a vida nos entregará a felicidade somente nos caminhos da perfeição espiritual.

No "Evangelho Segundo o Espiritismo" encontramos essa frase luminar:

"Fora da caridade não há salvação."

Quem falta com ela, como pode se libertar dos entulhos que lhe pesam na consciência? Somente ficamos livres dos fardos pesados e do jugo que nos incomoda obedecendo às leis de Deus, andando dentro delas. Aí é que a paz nasce em nós e por nós.

Seja quem for, respeitemos sua liberdade de pensar. Não é com isso que vamos nos esquecer de dar exemplos dignificantes. O exemplo no bem é a voz de Deus pelos nossos recursos de amor. Os pensamentos e a própria vida consciencial estão no silêncio, para serem ouvidos pelo seu portador, e ele mesmo deve tirar as suas deduções para o que lhe cabe viver.

A Doutrina Espírita não veio ao mundo revelar todas as leis de Deus, mas dar continuidade à revelação, que é gradativa, de acordo com o crescimento das criaturas.

 

Miramez

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 13.05.10 às 00:01link do post | favorito

 

Ao longo do tempo a Bíblia vem sendo ajustada às conveniências dogmáticas das religiões tradicionais que dela fazem uso.

Todos sabemos, ou deveríamos saber, que, por exemplo, a Trindade foi cópia de tradições pagãs. Uma vez instituído tal dogma, foi necessário ajustar os textos e as interpretações bíblicas a esse, vamos dizer, aculturamento religioso, assim, o que era “um” Espírito Santo, se transformou em “o” Espírito Santo.

 

Mesmo sem possuirmos profundos conhecimentos que possam nos fornecer pistas de todas as interpolações, algumas saltam aos olhos de tão evidentes, que só não ver quem não quer. Nos textos que iremos analisar deixaremos a numeração dos versículos, para nos ajudar a localização dos trechos que vamos ressaltar.

 

 

Uma primeira que poderemos citar encontra-se em Gênesis, especificamente nos capítulos 10 e 11, vejamos:

Gênesis 10:

1. Esta é a descendência dos filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé, que tiveram filhos depois do dilúvio. 2. Filhos de Jafé: Gomer, Magog, Madai, Javã, Tubal, Mosoc e Tiras. 3. Filhos de Gomer: Asquenez, Rifat e Togorma. 4. Filhos de Javã: Elisa, Társis, Cetim e Dodanim. 5. Foi destes que se separaram as populações das ilhas, cada qual segundo o seu país, língua, família e nação. 6. Filhos de Cam: Cuch, Mesraim, Fut e Canaã. 7. Filhos de Cuch: Saba, Hévila, Sabata, Regma e Sabataca. Filhos de Regma: Sabá e Dadã. 8. Cuch gerou Nemrod, que foi o primeiro valente na terra. 9. Foi um valente caçador diante de Javé, e é por isso que se diz: "Como Nemrod, valente caçador diante de Javé". 10. As capitais do seu reino foram Babel, Arac e Acad, cidades que estão todas na terra de Senaar. 11. Dessa terra saiu Assur, que construiu Nínive, Reobot-Ir, Cale 12. e Resen, entre Nínive e Cale. Esta última é a maior. 13. Mesraim gerou os de Lud, de Anam, de Laab, de Naftu, 14. de Patros, de Caslu e de Cáftor; deste último surgiram os filisteus. 15. Canaã gerou Sídon, seu primogênito, depois Het, 16. e também o jebuseu, o amorreu, o gergeseu, 17. o heveu, o araceu, o sineu, 18. o arádio, o samareu e o emateu. Em seguida, as famílias dos cananeus se dispersaram. 19. A fronteira dos cananeus ia de Sidônia, em direção a Gerara, até Gaza; depois, em direção a Sodoma, Gomorra, Adama e Seboim, até Lesa. 20. Esses foram os filhos de Cam, segundo suas famílias e línguas, terras e nações. 21. Sem, antepassado de todos os filhos de Héber e irmão mais velho de Jafé, também teve descendência. 22. Filhos de Sem: Elam, Assur, Arfaxad, Lud e Aram. 23. Filhos de Aram: Hus, Hul, Geter e Mes. 24. Arfaxad gerou Salé, e Salé gerou Héber. 25. Héber teve dois filhos: o primeiro chamava-se Faleg, porque em seus dias a terra foi dividida; o seu irmão chamava-se Jectã. 26. Jectã gerou Elmodad, Salef, Asarmot, Jaré, 27. Aduram, Uzal, Decla, 28. Ebal, Abimael, Sabá, 29. Ofir, Hévila e Jobab; todos esses são filhos de Jectã. 30. Eles habitavam desde Mesa até Sefar, a montanha do oriente. 31. Foram esses os filhos de Sem, conforme suas famílias e línguas, suas terras e nações. 32. Foram essas as famílias dos descendentes de Noé, conforme suas linhagens e nações. Foi a partir deles que as nações se dispersaram pela terra depois do dilúvio.

Gênesis 11:

1. O mundo inteiro falava a mesma língua, com as mesmas palavras. 2. Ao emigrar do oriente, os homens encontraram uma planície no país de Senaar, e se estabeleceram. 3. E disseram uns aos outros: "Vamos fazer tijolos e cozê-los no fogo!" Utilizaram tijolos em vez de pedras, e piche no lugar de argamassa. 4. Disseram: "Vamos construir uma cidade e uma torre que chegue até o céu, para ficarmos famosos e não nos dispersarmos pela superfície da terra". 5. Então Javé desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. 6. E Javé disse: "Eles são um povo e falam uma língua. Isso é apenas o começo de seus empreendimentos. Agora, nenhum projeto será irrealizável para eles. 7. Vamos descer e confundir a língua deles, para que um não entenda a língua do outro". 8. Javé os espalhou daí por toda a superfície da terra, e eles pararam de construir a cidade. 9. Por isso, a cidade recebeu o nome de Babel, pois foi que Javé confundiu a língua de todos os habitantes da terra, e foi daí que ele os espalhou por toda a superfície da terra.

10. Esta é a descendência de Sem: Quando Sem completou cem anos, gerou Arfaxad, dois anos depois do dilúvio. 11. Depois do nascimento de Arfaxad, Sem viveu quinhentos anos, e gerou filhos e filhas. 12. Quando Arfaxad completou trinta e cinco anos, gerou Salé. 13. Depois do nascimento de Salé, Arfaxad viveu quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas. 14. Quando Salé completou trinta anos, gerou Héber. 15. Depois do nascimento de Héber, Salé viveu quatrocentos e três anos, e gerou filhos e filhas. 16. Quando Héber completou trinta e quatro anos, gerou Faleg. 17. Depois do nascimento de Faleg, Héber viveu quatrocentos e trinta anos, e gerou filhos e filhas. 18. Quando Faleg completou trinta anos, gerou Reu. 19. Depois do nascimento de Reu, Faleg viveu duzentos e nove anos, e gerou filhos e filhas. 20. Quando Reu completou trinta e dois anos, gerou Sarug. 21. Depois do nascimento de Sarug, Reu viveu duzentos e sete anos, e gerou filhos e filhas. 22. Quando Sarug completou trinta anos, gerou Nacor. 23. Depois do nascimento de Nacor, Sarug viveu duzentos anos, e gerou filhos e filhas. 24. Quando Nacor completou vinte e nove anos, gerou Taré. 25. Depois do nascimento de Taré, Nacor viveu cento e dezenove anos, e gerou filhos e filhas. 26. Quando Taré completou setenta anos, gerou Abrão, Nacor e Arã. 27. Esta é a descendência de Taré: Taré gerou Abrão, Nacor e Arã. Arã gerou Ló. 28. Arã morreu em Ur dos caldeus, sua terra natal, quando seu pai Taré ainda estava vivo. 29. Abrão e Nacor se casaram: a mulher de Abrão chamava-se Sarai; a mulher de Nacor era Melca, filha de Arã, que era o pai de Melca e Jesca. 30. Sarai era estéril e não tinha filhos. 31. Taré tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Arã, e sua nora Sarai, mulher de Abrão. Ele os fez sair de Ur dos caldeus para que fossem à terra de Canaã; mas, quando chegaram a Harã, se estabeleceram. 32. Ao todo, Taré viveu duzentos e cinco anos, e depois morreu em Harã.

Observar que em Gn 10,1 diz a que se propõe o autor bíblico, aqui ele vai falar da descendência dos filhos de Noé: Cam, Sem e Jafé; o que faz nos versículos 2, 6 e 22. No versículo 5 e reafirmado no 31, está se informando que cada uma desses povos tinham sua língua, o que significa que não se falava a mesma língua.

Mais à frente em Gn 11,10, pulamos propositalmente o trecho Gn 11, 1-9, a narrativa volta descrever a descendência de Sem, um dos filhos de Noé, que vai até o final desse capítulo. Assim, mesmo pulando um trecho o texto mantém-se coerente, sem perder a solução de continuidade, o que vem provar que houve uma interpolação. Fato que também se pode corroborar com a contradição em relação à questão da língua, que anteriormente foi afirmado que cada desses povos originados dos filhos de Noé já falavam cada um a sua língua, entretanto, agora esquecendo-se que foi tido, colocam que todos falavam a mesma língua.

Pode-se então concluir que a história da confusão de línguas ocorrida na construção da Torre de Babel, não ocorreu, está apenas, e muito fora de lugar, tentando-se dar uma explicação singela, bem ao nível intelectual da época, do porquê o homem possuía diferentes línguas: só mesmo por castigo de Deus!

Mateus 27:

1. De manhã cedo, todos os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo convocaram um conselho contra Jesus, para o condenarem à morte. 2. Eles o amarraram e o levaram, e o entregaram a Pilatos, o governador.

3. Então Judas, o traidor, ao ver que Jesus fora condenado, sentiu remorso, e foi devolver as trinta moedas de prata aos chefes dos sacerdotes e anciãos, 4. dizendo: "Pequei, entregando à morte sangue inocente." Eles responderam: "E o que temos nós com isso? O problema é seu." 5. Judas jogou as moedas no santuário, saiu, e foi enforcar-se. 6. Recolhendo as moedas, os chefes dos sacerdotes disseram: "É contra a Lei colocá-las no tesouro do Templo, porque é preço de sangue." 7. Então discutiram em conselho, e as deram em troca pelo Campo do Oleiro, para fazer o cemitério dos estrangeiros. 8. É por isso que esse campo até hoje é chamado de "Campo de Sangue." 9. Assim se cumpriu o que tinha dito o profeta Jeremias: "Eles pegaram as trinta moedas de prata - preço com que os israelitas o avaliaram - 10. e as deram em troca pelo Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou."

11. Jesus foi posto diante do governador, e este o interrogou: "Tu és o rei dos judeus?" Jesus declarou: "É você que está dizendo isso." 12. E nada respondeu quando foi acusado pelos chefes dos sacerdotes e anciãos. 13. Então Pilatos perguntou: "Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?" 14. Mas Jesus não respondeu uma palavra, e o governador ficou vivamente impressionado. 15. Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. 16. Nessa ocasião tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. 17. Então Pilatos perguntou à multidão reunida: "Quem vocês querem que eu solte: Barrabás, ou Jesus, que chamam de Messias?" 18. De fato, Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. 19. Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: "Não se envolva com esse justo, porque esta noite, em sonhos, sofri muito por causa dele." 20. Porém os chefes dos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás, e que fizessem Jesus morrer. 21. O governador tornou a perguntar: "Qual dos dois vocês querem que eu solte?" Eles gritaram: "Barrabás." 22. Pilatos perguntou: "E o que vou fazer com Jesus, que chamam de Messias?" Todos gritaram: "Seja crucificado!" 23. Pilatos falou: "Mas que mal fez ele?" Eles, porém, gritaram com mais força: "Seja crucificado!" 24. Pilatos viu que nada conseguia, e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: "Eu não sou responsável pelo sangue desse homem. É um problema de vocês." 25. O povo todo respondeu: "Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos." 26. Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e o entregou para ser crucificado.

         Ao lermos sequencialmente os versículos 1-2 e 11-25, veremos que a narrativa está perfeitamente inteligível, não perdendo sua solução de continuidade. Os versículos 3-10, que saltamos de início é o trecho que foi interpolado, que foi tão mal feito, que estranhamos que, em geral, as pessoas não percebem isso.

         Veja bem, o versículo 3, numa flagrante contradição com o desenrolar da narrativa, se diz que Judas sentiu remorso quando viu que Jesus havia sido condenado, entretanto, até aquele momento histórico, Jesus apenas tinha sido levado à presença do governador (v. 2). O que, na seqüência, aconteceu está no v. 11, onde diz que Jesus foi posto diante do governador, que passou a interrogá-lo, ou seja, não tinha ainda acontecido a condenação, que só ocorreu mais tarde, quando ele, Pilatos, pede ao povo para decidir entre “Barrabás ou Jesus”, aí sim, manda flagelar Jesus e depois o entrega para ser crucificado (v. 26).

         Há ainda nessa passagem uma outra contradição no que diz respeito ao campo do oleiro, pois aqui diz que os sacerdotes pegaram as moedas devolvidas por Judas e com elas compram o campo, entretanto, em Atos 1,18 se afirma que foi o próprio Judas quem o comprou.

         Aqui o objetivo foi criar um traidor para entregar Jesus, para se ajustar a uma suposta profecia que dizia isso. Entretanto, ao analisarmos a passagem que diz sobre a traição de um amigo (Sl 41,10), percebemos claramente que ela se refere ao rei Davi, autor do salmo, que foi traído pelo seu amigo e conselheiro Aquitofel (2Sm 15,12.31), que remoído se enforca (2Sm 17,23). A coincidência é que essa é exatamente umas das formas citadas na Bíblia sobre como Judas teria morrido, essa é a mais conhecida, a outra diz que ele teria se jogado num abismo (At 1,18).

João 11:

1. Um tal de Lázaro tinha caído de cama. Ele era natural de Betânia, o povoado de Maria e de sua irmã Marta. 2. Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume, e que tinha enxugado os pés dele com os cabelos. Lázaro, que estava doente, era irmão dela. 3. Então as irmãs mandaram a Jesus um recado que dizia: "Senhor, aquele a quem amas está doente." 4. Ouvindo o recado, Jesus disse: "Essa doença não é para a morte, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela." 5. Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro. 6. Quando ouviu que ele estava doente, ficou ainda dois dias no lugar onde estava. 7. então disse aos discípulos: "Vamos outra vez à Judéia." 8. Os discípulos contestaram: "Mestre, agorapouco os judeus queriam te apedrejar, e vais de novo para ?" 9. Jesus respondeu: "Não são doze as horas do dia? Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque a luz deste mundo. 10. Mas se alguém caminha de noite, tropeça, porque nele nãoluz." 11. Disse isso e acrescentou: "O nosso amigo Lázaro adormeceu. Eu vou acordá-lo." 12. Os discípulos disseram: "Senhor, se ele está dormindo, vai se salvar."

13. Jesus se referia à morte de Lázaro, mas os discípulos pensaram que ele estivesse falando de sono natural. 14. Então Jesus falou claramente para eles: "Lázaro está morto. 15. E eu me alegro por não termos estado , para que vocês acreditem. Agora, vamos para a casa dele." 16. Então Tomé, chamado Gêmeo, disse aos companheiros: "Vamos nós também para morrermos com ele."

17. Quando Jesus chegou, fazia quatro dias que Lázaro estava no túmulo. 18. Betânia ficava perto de Jerusalém; uns três quilômetros apenas. 19. Muitos judeus tinham ido à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. 20. Quando Marta ouviu que Jesus estava chegando, foi ao encontro dele. Maria, porém, ficou sentada em casa. 21. Então Marta disse a Jesus: "Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. 22. Mas ainda agora eu sei: tudo o que pedires a Deus, ele te dará." 23. Jesus disse: "Seu irmão vai ressuscitar." 24. Marta disse: "Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição, no último dia." 25. Jesus disse: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. 26. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre. Você acredita nisso?" 27. Ela respondeu: "Sim, Senhor. Eu acredito que tu és o Messias, o Filho de Deus que devia vir a este mundo." 28. Dito isso, Marta foi chamar sua irmã Maria. Falou com ela em voz baixa: "O Mestre está , e está chamando você." 29. Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi ao encontro de Jesus. 30. Jesus ainda não tinha entrado no povoado, mas estava no mesmo lugar onde Marta o havia encontrado. 31. Os judeus estavam com Maria na casa e a procuravam consolar. Quando viram Maria levantar-se depressa e sair, foram atrás dela, pensando que ela iria ao túmulo para chorar. 32. Então Maria foi para o lugar onde estava Jesus. Vendo-o, ajoelhou-se a seus pés e disse: "Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido." 33. Jesus viu que Maria e os judeus que iam com ela estavam chorando. Então ele se conteve e ficou comovido. 34. E disse: "Onde vocês colocaram Lázaro?" Disseram: "Senhor, vem e ." 35. Jesus começou a chorar. 36. Então os judeus disseram: "Vejam como ele o amava!" 37. Alguns deles, porém, comentaram: "Um que abriu os olhos do cego, não poderia ter impedido que esse homem morresse?" 38. Jesus, contendo-se de novo, chegou ao túmulo. Era uma gruta, fechada com uma pedra. 39. Jesus falou: "Tirem a pedra." Marta, irmã do falecido, disse: "Senhor, está cheirando mal. Faz quatro dias."

40. Jesus disse: "Eu não lhe disse que, se você acreditar, verá a glória de Deus?" 41. Então tiraram a pedra. Jesus levantou os olhos para o alto e disse: "Pai, eu te dou graças porque me ouviste. 42. Eu sei que sempre me ouves. Mas eu falo por causa das pessoas que me rodeiam, para que acreditem que tu me enviaste." 43. Dizendo isso, gritou bem forte: "Lázaro, saia para fora!" 44. O morto saiu. Tinha os braços e as pernas amarrados com panos e o rosto coberto com um sudário. Jesus disse aos presentes: "Desamarrem e deixem que ele ande."

Lázaro estava doente, suas irmãs preocupadas mandam avisar a Jesus que afirma “essa doença não é para morte (v.4), e tranqüilo, ainda fica por lá mais dois dias (v.6). Disse aos discípulos que Nosso amigo Lázaro adormeceu, eu vou acordá-lo” (v.11), coerente com o que havia dito antes e também semelhante ao que disse da filha de Jairo “a criança não morreu. Ela está apenas dormindo” (Mc 5,39). Partindo do lugar onde estava, demorou ainda mais dois dias para chegar a Betânia (v. 17), chegando chama Lázaro de volta e ele ressuscita.

Como havia necessidade de fazer de Jesus um milagreiro era melhor ressuscitar um morto que curar um doente. Daí, colocam essas palavras na boca de Jesus: Lázaro morreu”, fazendo-o cair em contradição com o que havia dito antes e com um fato bem semelhante a esse – a filha de Jairo. Poder-se-ia até ser um outro motivo, o de quererem justificar a ressurreição de Jesus, como sendo uma ressurreição física e não espiritual, pois, se fosse espiritual, como explicar o sumiço do seu corpo?

O que é estranho nisso tudo é que sempre afirmam que os textos estão iguais aos originais, certamente isso não é verdade. É muito mais provável que, mesmo agindo de boa-fé, esses textos tidos como originais são copias alteradas que, após uma “queima de arquivo”, se transformaram em originais. Quem fez isso? Não sabemos e na verdade, a essa altura do campeonato, pouco importa, o que importa e sabermos separar o joio que cresceu junto ao trigo.

 

 

 

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Jan/2006.

 


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 12.05.10 às 00:01link do post | favorito

 

Usada por pastores, padres e demais líderes religiosos. Saiba identificá-la!

 

 

Um impressionante texto científico sobre a verdade que acontece nas igrejas

 

 

 

O Nascimento da Conversão

 
            CONVERSÃO é uma palavra "agradável" para lavagem cerebral... e qualquer estudo de lavagem cerebral tem de começar com o estudo do Revivalismo Cristão no século dezenove, na América. Jonathan Edwards descobriu acidentalmente as técnicas durante uma cruzada religiosa em 1735, em Massachusetts. Induzindo culpa e apreensão aguda e aumentando a tensão, os "pecadores" que compareceram aos seus encontros de reavivamento foram completamente dominados, tornando-se submissos. Tecnicamente, o que Edwards estava fazendo era criar condições que deixavam o cérebro em branco, permitindo a mente aceitar nova programação. O problema era que as novas informações eram negativas. Ele poderia então dizer-lhes, "vocês são pecadores! vocês estão destinados ao inferno!". Como resultado, uma pessoa tentou e outra cometeu suicídio. E os vizinhos do suicida relataram que eles também foram tão profundamente afetados que, embora tivessem encontrado a "salvação eterna", eram também obcecados com a idéia diabólica de dar fim às próprias vidas.

            Uma vez que um pregador, líder de culto, manipulador ou autoridade atinja a fase de apagamento do cérebro, deixando-o em branco, os sujeitos ficam com as mentes escancaradas, aceitando novas idéias em forma de sugestão. Porque Edwards não tornou sua mensagem positiva até o fim do reavivamento, muitos aceitaram as sugestões negativas e agiram, ou desejaram agir, de acordo com elas.

Charles J. Finney foi outro cristão revivalista que usou as mesmas técnicas quatro anos mais tarde, em conversões religiosas em massa, em Nova Iorque. As técnicas são ainda hoje utilizadas por cristãos revivalistas, cultos, treinadores de potencial humano, algumas reuniões de negócios, e nas forças armadas dos EUA, para citar apenas alguns. Deixem-me acentuar aqui que eu não creio que muitos pregadores revivalistas percebam ou saibam que estão usando técnicas de lavagem cerebral. Edwards simplesmente topou com uma técnica que realmente funcionou, e outros a copiaram e continuam a copiá-la pelos últimos duzentos anos. E o mais sofisticado de nosso conhecimento e tecnologia tornou mais efetiva a conversão. Sinto fortemente que esta é uma das maiores razões para o crescimento do fundamentalismo cristão, especialmente na variedade televisiva, enquanto que muitas das religiões ortodoxas estão declinando.

 

 

 

As Três Fases Cerebrais

 
Os cristãos podem ter sido os primeiros a formular com sucesso a lavagem cerebral, mas teremos de ir a Pavlov, um cientista russo, para uma explicação científica. Nos idos de 1900, seu trabalho com animais abriu a porta para maiores investigações com humanos. Depois da revolução russa, Lênin viu rapidamente o potencial em aplicar as pesquisas de Pavlov para os seus próprios objetivos.

            Três distintos e progressivos estados de inibição transmarginal foram identificados por Pavlov. O primeiro é a fase EQUIVALENTE, na qual o cérebro dá a mesma resposta para estímulos fortes e fracos. A segunda é a fase PARADOXAL, na qual o cérebro responde mais ativamente aos estímulos fracos do que aos fortes. E a terceira é a fase ULTRA-PARADOXAL, na qual respostas condicionadas e padrões de comportamento vão de positivo para negativo, ou de negativo para positivo.

Com a progressão por cada fase, o grau de conversão torna-se mais efetivo e completo. São muitos e variados os modos de alcançar a conversão, mas o primeiro passo usual em lavagens cerebrais políticas ou religiosas é trabalhar nas emoções de um indivíduo ou grupo, até eles chegarem a um nível anormal de raiva, medo, excitação ou tensão nervosa.

            O resultado progressivo desta condição mental é prejudicar o julgamento e aumentar a sugestibilidade. Quanto mais esta condição é mantida ou intensificada, mais ela se mistura. Uma vez que a catarse, ou a primeira fase cerebral é alcançada, uma completa mudança mental torna-se mais fácil. A programação mental existente pode ser substituída por novos padrões de pensamento e comportamento.

Outras armas fisiológicas freqüentemente utilizadas para modificar as funções normais do cérebro são os jejuns, dietas radicais ou dietas de açúcar, desconforto físico, respiração regulada, canto de mantras em meditação, revelação de mistérios sagrados, efeitos de luzes e sons especiais, e intoxicação por drogas ou por incensos.
Os mesmos resultados podem ser obtidos nos tratamentos psiquiátricos contemporâneos por eletrochoques e mesmo pelo abaixamento proposital do nível de açúcar no sangue, com a aplicação de injeções de insulina. Vale ressaltar que hipnose e táticas de conversão são duas coisas distintas e diferentes, e que as técnicas de conversão são muito mais poderosas. Contudo, as duas são freqüentemente misturadas... com poderosos resultados.

 

 




Como os Pregadores Revivalistas Trabalham


           
Se você desejar ver um pregador revivalista em ação, há provavelmente vários em sua cidade. Vá para a igreja ou tenda e sente-se acerca de três-quartos da distância ao fundo. Muito provavelmente uma música repetitiva será tocada enquanto o povo vem para o serviço. Uma batida repetitiva, idealmente na faixa de 45 a 72 batidas por minuto (um ritmo próximo às batidas do coração humano) é muito hipnótica e pode gerar um estado alterado de consciência, com olhos abertos, em uma grande porcentagem das pessoas. E, uma vez você esteja em um ritmo alfa, você está pelo menos 5 vezes mais sugestionável do que você estaria, em um ritmo beta, de plena consciência. A música é provavelmente a mesma para cada serviço, ou incorpora a mesma batida, e muitas das pessoas irão para um estado alterado de consciência quase imediatamente após entrarem no santuário. Subconscientemente, eles recordam o estado mental quando em serviços religiosos anteriores, e respondem de acordo com a programação pós-hipnótica.

            Observe as pessoas esperando pelo início do serviço religioso. Muitas exibirão sinais exteriores de transe: corpo relaxado e olhos ligeiramente dilatados. Freqüentemente, eles começam a agitar as mãos para diante e para trás no ar, enquanto estão sentadas em suas cadeiras. A seguir, o pastor assistente muito provavelmente virá, e falará usualmente com uma simpática "voz ritmada".

 



Técnica da Voz Ritmada

 
           
Uma "voz ritmada" é um estilo padronizado, pausado, usado por hipnotizadores quando estão induzindo um transe. É também usado por muitos advogados, vários dos quais são altamente treinados hipnólogos, quando desejam fixar um ponto firmemente na mente dos jurados. Uma voz ritmada pode soar como se o locutor estivesse conversando ao ritmo de um metrônomo, ou pode soar como se ele estivesse enfatizando cada palavra em um estilo monótono e padronizado. As palavras serão usualmente emitidas em um ritmo de 45 a 60 batidas por minuto, maximizando o efeito hipnótico.

            Agora, o pastor assistente começa o processo de "acumulação". Ele induz um estado alterado de consciência e/ou começa a criar excitação e expectativas na audiência. A seguir, um grupo de jovens mulheres vestidas em longos vestidos brancos que lhes dão um ar de pureza, vêm e iniciam um canto. Cantos evangélicos são o máximo, para se conseguir excitação e ENVOLVIMENTO. No meio do canto, uma das garotas pode ser "golpeada por um espírito" e cai, ou reage como se estivesse possuída pelo Espírito Santo. Isto efetivamente aumenta a excitação na sala. Neste ponto, hipnose e táticas de conversão estão sendo misturadas e o resultado é que toda a atenção da audiência está agora tomada, enquanto o ambiente torna-se cada vez mais tenso e excitado.

            Exatamente neste momento, quando a indução ao estado mental alfa foi conseguido em massa, eles irão passar o prato ou cesta de coleta. Ao fundo, em uma voz ritmada a 45 batidas por minuto, o pregador assistente poderá exortar, "dê ao Senhor...dê ao Senhor...dê ao Senhor...dê ao Senhor". E a audiência dá. Deus pode não obter o dinheiro, mas seu já rico representante, sim.

A seguir, vem o pregador fogo-e-enxôfre. Ele induz medo e aumenta a tensão falando sobre "o demônio", "ir para o inferno", e sobre o Armageddon próximo. Na maioria da assembléias revivalistas, "depoimentos" ou "testemunhos" usualmente seguem-se ao sermão amedrontador. Pessoas da audiência virão ao palco relatar as suas histórias. "Eu estava aleijado e agora posso caminhar!". "Eu tinha artrite e ela se foi!". Esta é uma manipulação psicológica que funciona. Depois de ouvir numerosos casos de curas milagrosas, a pessoa comum na audiência com um problema menor está certa de que ela pode ser curada. A sala está carregada de medo, culpa e intensa expectativa e excitação.

            Agora, aqueles que querem ser curados são freqüentemente alinhados ao redor da sala, ou lhes é dito para vir à frente. O pregador pode tocá-los na cabeça e gritar "esteja curado!". Isto libera a energia psíquica, e, para muitos, resulta a catarse. Catarse é a purgação de emoções reprimidas. Indivíduos podem gritar, cair ou mesmo entrar em espasmos. E se a catarse é conseguida, eles possuem uma chance de serem curados. Na catarse (uma das três fases cerebrais anteriormente mencionadas), a lousa do cérebro é temporariamente apagada e novas sugestões são aceitas.

Para alguns, a cura pode ser permanente. Para muitos, irá durar de quatro dias a uma semana, que é, incidentalmente, o tempo que dura normalmente uma sugestão hipnótica dada a uma pessoa. Mesmo que a cura não dure, se eles voltarem na semana seguinte, o poder da sugestão pode continuamente fazer ignorar o problema... ou, algumas vezes, lamentavelmente, pode mascarar um problema físico que pode se mostrar prejudicial ao indivíduo, a longo prazo.

            Eu não estou dizendo que curas legítimas não aconteçam. Acontecem. Pode ser que o indivíduo estava pronto para largar a negatividade que causou o problema em primeiro lugar; pode ser obra de Deus. Mas afirmo que isto pode ser explicado com o conhecimento existente acerca das funções cérebro/mente.

            O uso de técnicas hipnóticas por religiões é sofisticado, e profissionais asseguram que elas tornaram-se ainda mais efetivas. Um homem em Los Angeles está projetando, construindo e reformando um monte de igrejas por todo o país. Ele diz aos ministros o que eles precisam, e como usá-lo. Sua fita gravada indica que a congregação e a renda dobrarão, se o ministro seguir suas instruções. Ele admite que cerca de 80 por cento de seus esforços são para o sistema de som e de iluminação.

 

 

Seis Técnicas de Conversão


           
Cultos e organizações que ensinam potencial humano estão sempre procurando por novos convertidos. Para conseguí-los, eles precisam criar uma fase cerebral. E geralmente precisam fazê-lo em um curto espaço de tempo: um fim-de-semana, até mesmo em um dia. O que se segue são as seis técnicas primárias usadas para gerar a conversão.
            O encontro ou treinamento tem lugar em uma área onde os participantes estão desligados do resto do mundo. Isto pode ser em qualquer lugar: uma casa isolada, um local remoto ou rural, ou mesmo no salão de um hotel, onde aos participantes só é permitido usar o banheiro, limitadamente. Em treinamentos de potencial humano, os controladores darão uma prolongada conferência acerca da importância de "honrar os compromissos" na vida. Aos participantes é dito que, se eles não honram seus compromissos, sua vida nunca irá melhorar. É uma boa idéia honrar compromissos, mas os controladores estão subvertendo um valor humano positivo, para os seus interesses egoístas. Os participantes juram para si mesmos e para os treinadores que eles honrarão seus compromissos. Qualquer um que não o faça será intimado a um compromisso, ou forçado a deixá-los. O próximo passo é concordar em completar o treinamento, deste modo assegurando uma alta porcentagem de conversões para as organizações. Eles terão, normalmente, que concordar em não tomar drogas, fumar, e algumas vezes não comer...ou lhes são dados lanches rápidos de modo a criar tensão.    

            A razão real para estes acordos é alterar a química interna, o que gera ansiedade e, espera-se, cause ao menos um ligeiro mal-funcionamento do sistema nervoso, que aumente o potencial de conversão.

            Antes que a reunião termine, os compromissos serão lembrados para assegurar que o novo convertido vá procurar novos participantes. Fique precavido se uma organização deste tipo oferecer sessões de acompanhamento depois do seminário. 

Estas podem ser encontros semanais ou seminários baratos dados em uma base regular, nos quais a organização tentará habilmente convencê-lo, ou então será algum evento planejado regularmente, usado para manter o controle.

 
Dica 1:Um controle de longo prazo é dependente de um bom sistema de acompanhamento.


Dica 2: Quando táticas de conversão estão sendo usadas? A manutenção de um horário que causa fadiga física e mental é primariamente alcançado por longas horas nas quais aos participantes não é dada nenhuma oportunidade para relaxar ou refletir

.
Dica 3: Utilizadas técnicas para aumentar a tensão na sala ou meio-ambiente.

 
Dica 4: Incerteza. Há várias técnicas para aumentar a tensão e gerar incerteza.

 

Basicamente, os participantes estão preocupados quanto a serem notados ou apontados pelos instrutores; sentimentos de culpa se manifestam, e eles são tentados a relatar seus mais íntimos segredos aos outros participantes, ou forçados a tomar parte em atividades que enfatizem a remoção de suas máscaras. Um dos mais bem sucedidos seminários de potencial humano força os participantes a permanecerem em um palco à frente da audiência, enquanto são verbalmente atacados pelos instrutores. Uma pesquisa de opinião pública, conduzida a alguns anos, mostrou que a situação mais atemorizante na qual um indivíduo pode se encontrar, é falar para uma audiência. Isto iguala-se à lavar uma janela externamente, no 85º andar de um prédio. 

Então você pode imaginar o medo e a tensão que esta situação gera entre os participantes. Muitos desfalecem, mas muitos enfrentam o stress por uma mudança de mentalidade. Eles literalmente entram em estado alfa, o que automaticamente os torna mais sugestionáveis do que normalmente são. E outra volta da espiral descendente para a conversão é realizada com sucesso.

 
Dica 5: Táticas de conversão estão sendo usadas com a introdução de jargão, novos termos que tem significado unicamente para os "iniciados" que participam. Linguagem viciosa é também freqüentemente utilizada, de propósito, para tornar desconfortáveis os participantes.


Dica 6 : Não haver nenhum humor na comunicação, ao menos até que os participantes sejam convertidos. Então, divertimentos e humor são altamente desejáveis, como símbolos da nova alegria que os participantes supostamente "encontraram".

Isto não quer dizer que boas coisas não resultem da participação em tais reuniões. Isto pode ocorrer. Mas é importante para as pessoas saberem o que aconteceu, e ficarem prevenidas de que o contínuo envolvimento pode não ser de seu maior interesse.

Reuniões de culto e treinamentos de potencial humano são um ambiente ideal para se observar em primeira mão o que é tecnicamente chamado de "Síndrome de Estocolmo". Esta é uma situação na qual aqueles que são intimidados, controlados e torturados começam a amar, admirar e muitas vezes até desejar sexualmente os seus controladores ou captores.

Mas permitam-me deixar aqui uma palavra de advertência: se você pensa que pode assistir tais reuniões e não ser afetado, você provavelmente está errado. Um exemplo perfeito é o caso de uma mulher que foi ao Haiti com Bolsa de Estudos da Guggenheim para estudar o vudu haitiano. Em seu relatório, ela diz como a música eventualmente induz movimentos incontroláveis do corpo, e um estado alterado de consciência. Embora ela compreendesse o processo e pudesse refletir sobre o mesmo, quando começou a sentir-se vulnerável à música ela tentou lutar e fugir. Raiva ou resistência quase sempre asseguram conversão. Poucos momentos mais tarde ela sentiu-se possuída pela música e começou a dançar, em transe, por todo o local onde se realizava o culto vudu. A fase cerebral tinha sido induzida pela música e pela excitação, e ela acordou sentindo-se renascida. A única esperança de assistir tais reuniões sem sentir-se afetado é não se permitir sentimentos positivos ou negativos. 

Poucas pessoas são capazes de tal neutralidade.

 

 

 

Processo de Decognição


           
Uma vez que a conversão inicial é realizada, nos cultos, no treinamento militar, ou em grupos similares, não pode haver dúvidas entre seus membros. Estes devem responder aos comandos, e fazer o que estes lhes disserem. De outra forma, eles seriam perigosos ao controle da organização. Isto é normalmente conseguido pelo

 

Processo de Decognição em três passos.

            O primeiro passo é o de REDUÇÃO DA VIGILÂNCIA: os controladores provocam um colapso no sistema nervoso, tornando difícil distinguir entre fantasia e realidade. Isto pode ser conseguido de várias maneiras. DIETA POBRE é uma; muito cuidado com Brownies e com Koolaid. O açúcar 'desliga' o sistema nervoso. Mais sutil é a "DIETA ESPIRITUAL", usada por muitos cultos. Eles comem somente vegetais e frutas; sem o apoio dos grãos, nozes, sementes, laticínios, peixe ou carne, um indivíduo torna-se mentalmente "aéreo". Sono inadequado é outro modo fundamental de reduzir a vigilância, especialmente quando combinada com longas horas de intensa atividade física. Ser bombardeado com experiências únicas e intensas também consegue o mesmo resultado.

            O segundo passo é a CONFUSÃO PROGRAMADA: você é mentalmente assaltado enquanto sua vigilância está sendo reduzida conforme o passo um. Isto se consegue com um dilúvio de novas informações, leituras, discussões em grupo, encontros ou tratamento individual, os quais usualmente eqüivalem ao bombardeio do indivíduo com questões, pelo controlador. Durante esta fase de decognição, realidade e ilusão freqüentemente se misturam, e uma lógica pervertida é comumente aceita.
            O terceiro passo é PARADA DO PENSAMENTO: técnicas são usadas para causar um "vazio" na mente. Estas são técnicas para alterar o estado de consciência, que inicialmente induzem calma ao dar à mente alguma coisa simples para tratar, com uma atenta concentração. O uso continuado traz um sentimento de exultação e eventualmente alucinação. O resultado é a redução do pensamento, e eventualmente, se usado por muito tempo, a cessação de todo pensamento e a retirada de todo o conteúdo da mente, exceto o que os controladores desejem. O controle é, então, completo. É importante estar atento que quando membros ou participantes são instruídos para usar técnicas de "parar o pensamento", eles são informados de que serão beneficiados: eles se tornarão "melhores soldados", ou "encontrarão a luz".

 

            Há três técnicas primárias usadas para parar o pensamento.

A primeira é a MARCHA: a batida do tump, tump, tump literalmente gera auto-hipnose, e grande susceptibilidade à sugestão.

            A segunda técnica para parar o pensamento é a MEDITAÇÃO. Se você passar de uma hora a uma hora e meia por dia em meditação, depois de poucas semanas há uma grande probabilidade de que você não retornará à consciência plena normal beta. 

            Você permanecerá em um estado fixo alfa tanto mais quanto você continue a meditar. Não estou dizendo que isto é ruim. Se você mesmo o faz pode então ser benéfico. Mas é um fato que você está levando a sua mente a um estado de vazio. 

Nos testes aplicados a quem medita, o resultado é conclusivo: quanto mais você medita, mais vazia se torna a sua mente, principalmente se usada em excesso ou em combinação com decognição; todos os pensamentos cessam.

A terceira técnica de parar o pensamento é pelo CÂNTICO, e freqüentemente por cânticos em meditação. "Falar em línguas" poderia também ser incluído nesta categoria.
            Todas as três técnicas produzem um estado alterado de consciência. Isto pode ser muito bom se você está controlando o processo, porque você também controla o que vai usar. Se você usar ao menos uma sessão de auto-hipnose cada dia, poderá ser muito benéfico. Mas você precisa saber que se usar estas técnicas a ponto de permanecer continuamente em estado alfa, embora permaneça em um estado levemente embriagado, estará também mais sugestionável.

 


Verdadeiros Crentes & Movimentos de Massa


           
Provavelmente um terço da população é aquilo que Eric Hoffer chama "verdadeiros crentes". Eles são sociáveis, e são seguidores... são pessoas que se deixam conduzir por outros. Eles procuram por respostas, significado e por iluminação fora de si mesmos.
            Hoffer, que escreveu "O verdadeiro crente", um clássico em movimentos de massa, diz: "os verdadeiros crentes não estão decididos a apoiar e afagar o seu ego; têm, isto sim, uma ânsia de se livrarem dele. Eles são seguidores, não em virtude de um desejo de auto-aperfeiçoamento, mas porque isto pode satisfazer sua paixão pela auto-renúncia!". Hoffer também diz que os verdadeiros crentes "são eternamente incompletos e eternamente inseguros"!

Tudo o que se deve fazer é tentar mostrar-lhes que a única coisa a ser buscada é a Verdade interior. Suas respostas pessoais deverão ser encontradas lá, e solitariamente. A base da espiritualidade é a auto-responsabilidade e a auto- evolução, mas muitos dos verdadeiros crentes apenas respondem que o ateu não possui espiritualidade, e vão em seguida procurar por alguém que lhes dará o dogma e a estrutura que eles desejam.
            Nunca subestime o potencial de perigo destas pessoas. Eles podem facilmente ser moldado como fanáticos, que irão com muito prazer trabalhar e até morrer pela sua causa sagrada. Isto é um substituto para a sua fé perdida, e freqüentemente lhes oferece um substituto para a sua esperança individual. A maioria moral é feita de verdadeiros crentes. Todos os cultos são compostos de verdadeiros crentes. Você os encontrará na política, nas igrejas, nos negócios e nos grupos de ação social. Eles são os fanáticos nestas organizações.
            Os Movimentos de Massa possuem normalmente um líder carismático. Seus seguidores querem converter outros para o seu modo de vida ou impor um novo estilo de vida: se necessário, recorrendo a uma legislação que os force a isto, como evidenciado pelas atividades da Maioria Moral. Isto significa coação pelas armas ou punição, que é o limite em se tratando de coação legal.

Um ódio comum, um inimigo, ou o demônio são essenciais ao sucesso de um movimento de massas. Os Cristão Renascidos tem o próprio Satã, mas isto não é o bastante: a ele se soma o oculto, os pensadores da Nova Era, e mais tarde, todos aqueles que se oponham à integração de igreja e política, como evidenciado pelas suas campanhas políticas contra a reeleição daqueles que se oponham às suas opiniões. Em revoluções, o demônio é usualmente o poder dominante ou a aristocracia. Alguns movimentos de potencial humano são bastantes espertos para pedir a seus graduados para que associem-se a alguma coisa, o que o etiquetaria como um culto mas, se você olhar mais de perto, descobrirá que o demônio deles é quem quer que não tenha feito o seu treinamento.

Há movimentos de massa sem demônios, mas eles raramente alcançam um maior status. Os Verdadeiros Crentes são mentalmente desequilibrados ou mesmo pessoas inseguras, sem esperança e sem amigos. Pessoas não procuram aliados quando estão amando, mas eles o fazem quando odeiam ou tornam-se obcecados com uma causa. E aqueles que desejam uma nova vida e uma nova ordem sentem que os velhos caminhos devem ser destruídos antes que a nova ordem seja construída.



 


Técnicas de Persuasão


           
Persuasão não é uma técnica de lavagem cerebral, mas é a manipulação da mente humana por outro indivíduo, sem que o sujeito manipulado fique consciente do que causou sua mudança de opinião. A base da persuasão é sempre o acesso ao seu CÉREBRO DIREITO. A metade esquerda de seu cérebro é analítica e racional. O lado direito é criativo e imaginativo. Isto está excessivamente simplificado, mas expressa o que quero dizer. Então, a idéia é desviar a atenção do cérebro esquerdo e mantê-lo ocupado. Idealmente, o agente gera um estado alterado de consciência, provocando uma mudança da consciência beta para a alfa.

Primeiro, será dado um exemplo de como distrair o cérebro esquerdo. Políticos usam esta poderosa técnica todo o tempo; advogados usam muitas variações, as quais eles chamam "apertar o laço".

Assuma por um momento que você está observando um político fazendo um discurso. Primeiro, ele pode suscitar o que é chamado "SIM, SIM". São declarações que provocarão assentimentos nos ouvintes; eles podem mesmo sem querer balançar suas cabeças em concordância. Em seguida vem os TRUÍSMOS. Estes são, usualmente, fatos que podem ser debatidos, mas uma vez que o político tenha a concordância da audiência, as vantagens são a favor do político, que a audiência não irá parar para pensar a respeito, continuando a concordar. Por último vem a SUGESTÃO. Isto é o que o político quer que você faça, e desde que você tenha estado concordando todo o tempo, você poderá ser persuadido a aceitar a sugestão. 

Agora, se você ler o discurso político a seguir, você perceberá que as três primeiras sentenças são do tipo "sim, sim", a três seguintes são truísmos, e a última é a sugestão.
            "Senhoras e senhores: vocês estão indignados com os altos preços dos alimentos? Vocês estão cansados dos astronômicos preços dos combustíveis? Estão doentes com a falta de controle da inflação? Bem, vocês sabem que o outro Partido permitiu uma inflação de 18 por cento no ano passado; vocês sabem que o crime aumentou 50 por cento por todo o país nos últimos 12 meses, e vocês sabem que seu cheque de pagamento dificilmente vem cobrindo os seus gastos. Bem, a solução destes problemas é eleger-me, Daniel Haddad, para o Senado do Brasil"

Você já ouviu isto antes. Mas você poderia atentar também para os assim chamados Comandos Embutidos. Como exemplo: em palavras chaves, o locutor poderia fazer um gesto com sua mão esquerda, a qual, como os pesquisadores tem mostrado, é mais apta para acessar o seu cérebro direito. Os políticos e os brilhantes oradores de hoje, orientados pela mídia, são com freqüência cuidadosamente treinados por uma classe inteiramente nova de especialistas, os quais estão usando todos os truques, tanto novos quanto antigos, para manipulá-lo a aceitar o candidato deles.
            Os conceitos e técnicas da Neuro-Lingüística são tão fortemente protegidos que, mesmo para falar sobre ela publicamente ou em impressos, isto resulta em ameaça de ação legal.

Uma outra técnica é inacreditavelmente escorregadia; ela é chamada de TÉCNICA INTERCALADA, e a idéia é dizer uma coisa com palavras, mas plantar um impressão inconsciente de alguma outra coisa na mente dos ouvintes e/ou observadores. Por exemplo: suponha que você está observando um comentarista da televisão fazer a seguinte declaração: "O SENADOR JONAS está ajudando as autoridades locais a esclarecer os estúpidos enganos das companhias que contribuem para aumentar os problemas do lixo nuclear". Isto soa como uma simples declaração, mas, se o locutor enfatiza a palavra certa, e especialmente se ele faz o gesto de mãos apropriado junto com as palavras chaves, você poderia ficar com a impressão subconsciente de que o senador Jonas é estúpido. Este era o objetivo subliminar da declaração, e o locutor não pode ser chamado para explicar nada.

Técnicas de persuasão são também freqüentemente usadas em pequena escala com muita eficácia. O vendedor de seguro sabe que a sua venda será provavelmente muito mais eficaz se ele conseguir que você visualize alguma coisa em sua mente. É uma comunicação ao cérebro direito. Por exemplo, ele faz uma pausa em sua conversação, olha vagarosamente em volta pela sua sala, e diz: "Você pode imaginar esta linda casa incendiando até virar cinzas?". Claro que você pode! Este é um de seus medos inconscientes, e quando ele o força a visualizar isto, você está sendo muito provavelmente manipulado a assinar o contrato de seguros. Os Hare Krishna, ao operarem em um aeroporto, usam a chamada técnica de CHOQUE E CONFUSÃO para distrair o cérebro esquerdo e comunicarem-se diretamente com o cérebro direito.  Alguns agem em aeroportos e a sua técnica era a de saltar na frente de quem passasse. Inicialmente, sua voz era alta; então ele abaixava o tom enquanto pedia para que a pessoa levasse um livro, após o que pedia uma contribuição em dinheiro para a causa. 

Usualmente, quando as pessoas ficam chocadas, elas imediatamente recuam. Neste caso, eles ficavam chocados pela estranha aparência, pela súbita materialização e pela voz alta do devoto Hare Krishna. Em outras palavras, as pessoas iam para um estado alfa por segurança, porque elas não queriam confrontar-se com a realidade à sua frente. Em alfa, elas ficavam altamente sugestionáveis, e por isto aceitavam a sugestão de levar o livro; no momento em que pegavam o livro, sentiam-se culpadas e respondiam a uma segunda sugestão: dar dinheiro. Nós estamos todos condicionados de tal forma que, se alguém nos dá alguma coisa, nós temos de dar alguma coisa em troca que, neste caso, era dinheiro. Muitas das pessoas que ele parara exibiam um sinal externo de que estavam em alfa: seus olhos estavam dilatados.



 


Vibrato


           
Isto nos leva a mencionar o VIBRATO. Vibrato é o efeito de trêmulo feito por alguma música instrumental ou vocal, e a sua faixa de freqüências conduz as pessoas a entrarem em um estado alterado de consciência. Em um período da história inglesa, aos cantores cuja voz possuía um vibrato pronunciado não era permitido cantarem em público, porque os ouvintes entravam em um estado alterado de consciência, quando então tinham fantasias, inclusive de ordem sexual. Pessoas que assistem à ópera ou apreciam ouvir cantores como Mário Lanza estão familiarizados com os estados alterados induzidos pelos cantores.


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 09.05.10 às 03:18link do post | favorito
  • A Igreja Mundial do Poder de Deus continua sua campanha no sentido de tomar dinheiro dos incautos. Hoje, no Canal 8 (antiga Band), um pastor, em gesto teatral, implorava para os féis doarem R$ 20 para "ajudar" no projeto da igreja. Segundo ele, ao dar o dízimo, as pessoas estão "investindo" numa obra de Deus, em Várzea Grande.

    Em troca da doação, segundo o pastor, a igreja dará um pequeno vidro contendo óleo vegetal, mas, que segundo ele, é "consagrado", de tal forma que, se a pessoa ungir no corpo estará abençoada e sujeita a muitos milagres. O pior é que muita gente acredita e contribui para abarrotar os cofres da igreja do "apóstolo" Valdemiro Santiago.


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    publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 08.05.10 às 00:01link do post | favorito

    EVANGELHO

    A palavra grega Euaggélion significa “BOA NOTICIA” , e já era empregada nesse sentido pelos autores clássicos, desde Homero. Jesus a utiliza pessoalmente, segundo os testemunhos de Mateus (24: 14 e 26: 13) e de Marcos (1:15; 8:35; 10:29; 13:10; 14:9 e 16:15), Além dessas passagens, a palavra “Evangelho” aparece mais 68 vezes em o Novo Testamento.

     

    TESTAMENTO

    A palavra, Testamento, em grego diathéke, apresenta dois sentidos:

    1.0 o “testamento” em que alguém designa seus herdeiros;

    2.0 a “aliança” que define os termos de um contrato, a que se obrigam as partes que se aliam. Neste sentido de aliança entre Deus e os homens. é empregado, dividindo-se em duas partes: o VELHO ou ANTIGO TESTAMENTO, escrito antes da vinda de Jesus; e o NOVO, onde se reúnem os escritos a respeito de Jesus.

    Essa distinção foi feita por Jesus: este cálice é o NOVO TESTAMENTO em meu sangue, que é derramado por vós. (Lc.22:20) ;  Paulo também opõe o Novo ao Velho: fez-nos ministros idôneos do NOVO TESTAMENTO. (2 Cor.3:6) e adiante: até o dia de hoje, na leitura do VELHO TESTAMENTO, permanece o mesmo véu. (2 Cor. 3:14).

     

    CÂNONE

    A palavra cânone significa “regra”, e designa o exemplar perfeito e completo das Escrituras. O cânone do Novo Testamento é constituído de 27 obras, assim divididas:

     

    A) Livros históricos:

    1. Evangelho segundo Mateus (Mt)

    2. Evangelho segundo Marcos (Mr)

    3. Evangelho segundo Lucas (Lc)

    4. Evangelho segundo João (Jo)

    5. Atos dos Apóstolos (At)

     

    B) Epístolas Paulinas (de Paulo de Tarso) :

    6. Aos Romanos (Rm)

    7. Aos Coríntios 1.1\ (1 Cor)

    8. Aos Coríntios 2.1\ (2 Cor)

    9. Aos Gálatas (Gal)

    10. Aos Efésios (Ef)

    11. Aos Filipenses (Fp)

    12. Aos Colossenses (Co)

    13. Aos Tessalonicenses 1.11 ( 1 Tes)

    14. Aos Tessalonicenses 2.a (2 Tes)

    15. A Timóteo 1.a ( 1 Tim)

    16. A Timóteo 2.a (2 Tiro)

    17. A Tito (Tt)

    18. A Filemon (Fm)

    19. Aos Hebreus (autoria discutida)

     

    C) Epístolas Universais:

    20. De Tiago (Ti)

    21. De Pedro 1.a (1 Pe)

    22. De Pedro 2.a (2 Pe)

    23. De João l.ª (1 Jo)

    24. De João 2.a (2 Jo)

    25. De João 3.a (3 Jo)

    26. De Judas (Ju)

    D) Livro Profético

     

    27. Apocalipse

     

    MANUSCRITOS

    Os primeiros exemplares do Novo Testamento eram copiados em papiros (espécie de papel), material frágil e facilmente deteriorável. Mais tarde passaram a ser escritos em pergaminho (pele de carneiro), tornando-se mais resistentes e duradouros.

    Os manuscritos eram grafados em letras “capitais” ou “unciais” (ou seja, maiúsculas). Só a partir do 8.0 século passaram a ser escritos em “cursivo, ou letras minúsculas.

     

    ROLOS

    As cópias eram feitas em folhas coladas umas às outras, formando uma tira enorme, que era enrolada em “rolos” ou “volumes”.

     

    CÓDICES

    Quando as páginas permaneciam separadas e eram costuradas como os nossos livros atuais, por uma das margens, tinham o nome de “códices”.

     

    COPISTAS

    Os encarregados de copiar os manuscritos chamavam-se “copistas” ou “escribas”. Mas nem sempre conheciam bem a língua, sendo apenas bons desenhistas das letras. Pior ainda se tinham conhecimento da língua, porque então se arvoravam a “emendar” o texto, para conformá-lo a seus conhecimentos.

    Não havia sinais gráficos para separação de orações, e as próprias palavras eram copiadas de seguida, sem intervalo, para poupar o pergaminho que era muito caro. Dai os recursos empregados, como:

     

    ABREVIATURAS

    Ou reunião de várias letras numa SIGLA, por exemplo: pq, para exprimir por que. Algumas abreviaturas eram perigosas, como: OC, que significa “aquele que”. Mas se houvesse um pequenino sinal no meio do O, fazendo dele um “theta”, passaria a significar “Deus”, (cfr. I Tim. 3:16).

     

    COLAÇÃO

    A colação de códices é a comparação que se faz entre dois ou mais códices, escolhendo-se a melhor “lição” para cada “passo”.

     

    CUSTOS LINEARUM

    A expressão latina “custos linearum” (guarda das linhas) era empregada para designar uma letra que se escrevia no fim das linhas, para “encher” um espaço que ficasse vazio. Por vezes o “custos” era interpretado como uma abreviatura. ,e entrava como uma “interpolação”; doutras vezes era realmente uma abreviatura, e era interpretada como “custos”, não se copiando.

     

    HAPAX LEGÓMENA

    São duas palavras gregas que indicam uma palavra usada por um só autor, isto é, um neologismo criado pelo autor e desconhecido antes dele, e que vem empregado uma só vez na obra, como por exemplo, a palavra “epiousion” em Mt. 6;)1, que não foi traduzida na Vulgata.

     

    HARMONIZAÇÃO

    Tentativa que faziam os copistas para “harmonizar” o texto de um livro com o de outro, acrescentando ou tirando palavras.

     

    INTERPOLAÇÃO

    Quando um leitor anotava, na entrelinha ou na margem, um comentário seu, e o copista, julgando-o um “esquecimento do copista” anterior, introduzia esse comentário como parte do texto.

     

    LIÇÃO

    Diz-se da maneira especifica de dizer uma frase, Isto é, da forma exata pela qual está escrita.

     

    PASSO

    É o “trecho” citado de um autor, por exemplo: “este passo de Mateus está diferente do de Marcos”.

     

    SALTO

    Quando o copista pula uma letra, uma silaba, uma palavra ou até uma linha, por distração ou confusão.

     

    SIGLAS

    Abreviações usadas para poupar espaço e tempo.

     

    VARIANTE

    Quando existe uma diferença entre dois códices, diz-se que há uma “variante”.

     

    OS TEXTOS

    Já no século II escrevia Orígenes:  “Presentemente é manifeste que grandes foram os desvios sofridos pelas cópias, quer pelo descuido de certos escribas, quer pela audácia perversa de diversos corretores, quer pelas adições ou supressões arbitrárias” (Patrologia Grega, Migne, vol. 13, col. 1.293).

    Quanto mais se avançava no tempo, mais crescia o número de cópias e de variantes, aumentando sempre mais o desejo de possuir-se um texto fixo e autorizado. Chegávamos ao 4.0 século. Constantino estabeleceu que o Bispo de Roma devia ser o primaz da Cristandade. O imperador Teodósio deu mão forte aos cristãos romanos, declarando o cristianismo “religião do Estado”, e firmando, desse modo a autoridade do Bispo de Roma. Ocupava o Bispado o então Papa Dâmaso (português de nascimento), devendo anotar-se que, naquela época, todos os Bispos eram denominados “papas”. Desejando atender ao clamor geral, Dâmaso encarregou Jerônimo de estabelecer o TEXTO DEFINITIVO das Escrituras.

    A tarefa era ingente, e Jerônimo tinha capacidade para desempenhá-la, pois conhecia bem o hebraico, o grego e o latim. Ele devia re-traduzir para o latim todas as Escrituras, já que as versões antigas (vetus latina) eram variadíssimas.

     

    VULGATA

    A tradução latina de Jerônimo é conhecida com o nome de Vulgata, ou seja, edição para o vulgo, e tem caráter dogmático para os católicos romanos.

     

    LÍNGUA ORIGINAL

    A língua original do Novo Testamento é o grego denominado Koiné, ou seja, comum, popular, falado pelo povo. Não é o grego clássico.

    O grego do Novo Testamento apresenta um colorido francamente hebraista, e bem se compreende a razão: todos os autores eram judeus, com exceção de Lucas, que era grego.

     

    OS EVANGELISTAS

     

    MATEUS (nome grego, Matháios, que significa “dom de Deus”, o mesmo que Teodoro). Seu nome em hebraico era LEVI.

    Diz Papias que “Mateus reuniu os “Logía” de Jesus (ou seja, os discursos), e cada um os traduziu como pôde do hebraico em que tinham sido escritos”.

    Todavia, jamais foi encontrada nenhuma citação de Mateus em hebraico, nem mesmo em aramaico.

    Com efeito, em hebraico é que não escreveu ele, já que desde 400 anos antes de Cristo o hebraico não era mais falado, e sim o aramaico, que é uma mistura de hebraico com siríaco. Parece, pois, que Papias não tinha informação segura.

    Um argumento em favor do hebraico ou aramaico de Mateus original são seus numerosíssimos hebraismos.

    Entretanto, qualquer tradutor teria o cuidado de expurgar a obra dos hebraísmos. Se eles aparecem em abundância, é mais lógico supor-se que o autor era judeu, e escrevia numa língua que ele não conhecia bem, e por isso deixava escapar muitos barbarismos.

    Supõe-se que Mateus haja escrito entre os anos 54 e 62.

    Dirige-se claramente aos judeus (basta observar as numerosas citações do Velho Testamento e o esforço para provar que Jesus era o Messias prometido aos judeus pelos antigos Profetas) . Mateus mostra-se até irritado contra seus antigos correligionários.

     

    MARCOS, ou melhor, JOÃO MARCOS, era sobrinho de Pedro. O nome João era hebraico, mas o segundo nome Marcos era puramente latino. Não deve admirar-nos esse hibridismo, sabendo-se que os romanos dominavam a Palestina desde 70 anos antes de Cristo, introduzindo entre o povo não apenas a língua grega, como os nomes latinos e gregos. (Os romanos impuseram a língua latina às conquistas do ocidente e a grega às do oriente, daí o fato de falar-se grego na palestina desde 70 anos antes de Cristo, por coação dos dominadores).

    Marcos escreveu entre 62 e 66, e parece que se dirigia aos romanos, tanto que não vemos nele citações de profecias; apenas uma vez (e duvidosa) cita o Velho Testamento. Mais: se aparece algo de típico dos costumes judaicos, Marcos apressa-se a esclarecer, explicando com pormenores o de que se trata, como estando consciente de que seus leitores, normalmente, não no perceberiam.

     

    LUCAS, abreviatura grega do nome latino Lucianus, não tinha sangue judeu: era grego puro, de nascimento e de raça. Escreveu em linguagem correta, entre 66 e 70, interpretando o pensamento de Paulo a quem acompanhava nas viagens apostólicas, talvez para prestar-lhe assistência médica, pois o próprio Paulo o chama “médico querido” (cfr. 2.a Cor. 12:7).

    Todo o plano de sua obra é organizado, demonstrando hábito de estudo e leitura e de pesquisa.

     

    JOÃO, chamado também “o discípulo amado”, e mais tarde “o presbítero”, isto é, o “velho”. Filho de Zebedeu, e, portanto primo irmão de Jesus, acompanhou o Mestre no pequeno grupo iniciático, com seu irmão Tiago e com Pedro.

    Clemente de Alexandria diz ter João escrito o “Evangelho Pneumático”. Sabemos que “pneuma” significa “Espírito”. Então, é o Evangelho espiritual. Em que sentido? Escrito por um Espírito? “Pneumografado”? Tal como hoje dizemos “psicografado”?

    João escreveu entre 70 e 100, tendo desencarnado em 104.

    Seu estilo é altaneiro, condoreiro e seu Evangelho está repleto de simbolismos iniciáticos, tendo dado origem a uma teologia.

    Linguisticamente, Lucas é o mais correto e Marcos o mais vulgar testando Mateus e João escritos numa linguagem intermediária.

     

    OS SINÓPTICOS

    Mateus, Marcos e Lucas seguem, de tal forma, o mesmo plano e desenvolvimento, que podem ser abarcados num só olhar (ópticos) de conjunto (sin). Verifica-se com facilidade que Mateus foi o primeiro a publicar o seu, tendo Marcos resumido a seguir. Muitos outros seguiram o exemplo desses dois, tendo aparecido talvez uma centena de resenhas dos atos do Mestre. Foi quando Lucas resolveu, conforme declara “organizar” uma narração escoimada de falhas.

     

    A INSPIRAÇÃO

    Aceitamos que a Bíblia, e de modo particular o Novo Testamento, tenham sido inspirados, direta e sensivelmente, por espíritos, se bem que nem todos com a mesma elevação.

    Pedro, com toda a sua autoridade de Chefe do Colégio Apostólico, afirma categoricamente, referindo-se aos escritores do Velho Testamento: “homens que falaram da parte de Deus, e que foram movidos por algum espírito santo” (2 Pe. 1 :21) . E ainda: .o Espírito de Cristo, que estava neles, testificou. (1 Pe. 1: 11) .

    E no discurso de Estêvão, narrado em Atos 7:53, o proto-mártir afirma: “vós que recebestes a Lei por ministério de anjos”, isto é, por intermédio de espíritos.

    Tudo isso é normal e comum até nossos dias. Mas, desconhecendo a técnica, cientificamente estudada e experimentada por sábios e pesquisadores espiritualistas, a partir de Allan Kardec, os comentadores se perdem em divagações cerebrinas. Ao invés de admitir a psicografia (direta, mecânica ou semimecânica) e a psicofonia (total ou parcial), a audiência evidência, ficam a conjeturar “como” pode ter-se dado o fato, chegando a afirmar que “as pedras da Lei foram realmente escritas pelo dedo de Deus”. (Dr. Tregelles, Introdução ao N.T.).

    Mais modernamente, Joseph Angus (Hist. Doutr. e Interpr. da Bíblia), escreve: “notam-se, nas diversas partes da Bíblia, no conteúdo e no tom, diferenças evidentes; têm sido feitas distinções entre “inspiração de direção” e “inspiração de sugestão” (?); entre a iluminação e o ditado; entre “influência dinâmica” e “influência mecânica”. Vê-se que já se está aproximando da realidade, mas o desconhecimento dos estudos modernos o faz ainda titubear”.

    Ainda a respeito da inspiração, perguntam os teólogos se a inspiração da Bíblia deve ser considerada VERBAL (isto é, que todas as suas PALAVRAS tenham sido inspiradas diretamente por Deus – naturalmente no original hebraico ou grego), ou se será apenas IDEOLÓGICA. Faz-se então a aplicação: em Tobias, 11:9, é dito “então o cão que os vinha seguindo pelo caminho, correu adiante, e como que trazendo a notícia, mostrava seu contentamento abanando a cauda”. Pergunta-se: é de fé que “o cão abane a cauda quando está alegre”? E respondem: “não, mas é de fé Que. naquele momento, um cão abanou a cauda”.

    Não era assim que pensava Jesus, quando dizia que “o espírito vivifica, a carne para nada aproveita” (30. 6:63) ; nem Paulo, quando afirmava: “não somos ministros da letra (escravos da letra) , mas do espírito, pois a letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Cor. 3:6). E aos Romanos: “de sorte que sirvamos na novidade do espírito, e não na velhice da letra” (Rum. 7:6.). E mais ainda: quando, em o Novo Testamento se cita o Velho, a citação é sempre feita ad sensum (isto é, pelo sentido), e não ad lítteram (literalmente), e quase sempre pela tradução dos Setenta, e não pelo original hebraico, embora fossem judeus.

     

    INTERPRETAÇÃO

    Para interpretar com segurança um trecho da Escritura, é mister.

    a) isenção de preconceitos

    b) mente livre, não subordinada a dogmas.

    c) inteligência humilde, para entender o que realmente está escrito, e não querer impor ao escrito o que se tem em mente.

    d) raciocínio perquiridor e sagaz

    e) cultura ampla e polimorfa, mas, sobretudo:

    f) CORAÇAO DESPRENDIDO (PURO) E UNIDO A DEUS.

    Os quatro primeiros itens são pessoais, geralmente inatos, mas podem ser adquiridos por qualquer pessoa.

    O item e requer conhecimento profundo de hebraico, grego e latim, assim como de idiomas correlatos (árabe, sírio, caldaico, arameu, copto. egípcio. etc.), Contato com obras de autores profanos da literatura greco-latina, dos “Pais” da igreja, etc. Noções seguras de história, geografia, etnografia, ciências naturais, astronomia. cronologias e calendários. assim como de mitologias e obras de outros povos antigos.

    Mas há necessidade, ainda, de obedecer a determinadas regras:

     

    1.ª regra - estudar o trecho e cada palavra gramaticalmente, dentro das regras léxicas, sintáticas e etimológicas, assim como do uso tradicional dos termos e das expressões.

    Por exemplo, a título de ilustração:

    a - existem frequentes hendíades (isto é, emprego de duas palavras unidas pela preposição, em lugar de um substantivo e um adjetivo) , como: .obras de fé. por “obras fiéis”; .trabalho de caridade., por .trabalho caridoso.; .paciência de esperança. por .paciência esperançosa.; “espírito da promessa” Por “espírito prometido”. Ou então, duas palavras unidas pela conjunção “e”, ao invés de o serem pela preposição, como: “ressurreição E vida. por .ressurreição DA vida”; “caminho, verdade e vida”, por “caminho DA verdade e DA VIDA”, etc. Isto porque, em hebraico, eram colocados dois substantivos, um ao lado do outro, e isto bastava para relacioná-los;

    b - a expressão “filho de” exprime o possuidor de uma qualidade (positiva ou negativa): filho da paz significa “pacífico”; filho da luz quer dizer “iluminado” (cfr. Lc. 10:6 e Ef. 5:8) ;

    c - expressões típicas, como “se alguém não aborrecer”. (Lc. 14:26) , exprimindo: “se alguém não amar menos” .

    d - os números possuem sentido muito simbólico, assim:

    10 - diversos

    40 - muitos

    7 - grande número

    70 - todos, sempre

    Então, não devem ser tomados à risca.

    e - os nomes de cidade e de pessoas precisam ser observados com “atenção” Basta recordar que “César”, em Lc. 2:1 refere-se a Tibério, mas em At. 25:21 refere-se a Nero.

     

    2.ª regra - Interpretar o texto de acordo com o contexto. Por exemplo, “obras” pode significar “boas ações”, como em Rom. 2:6, em Mt. 16:27; ou pode exprimir apenas “ritos, liturgia”, como em Rom. 3:20, 28, etc.

    Neste campo, podemos explicar o texto segundo o contexto, quer por analogia, quer por antítese; ou então, por paralelismo com outros passos.

    Não perder de vista, no contexto, que:

    A - as palavras podem ser compreendidas em sentido mais, ou menos, amplo, do que o sentido ordinário;

    b - as palavras podem exprimir o contrário (por ironia), como em Jo. 6:68;

    c - não havendo sinais diacríticos nem pontuação nos manuscritos e códices, temos que estudar a localização exata das vírgulas e demais sinais, especialmente dos parênteses;

    d - podem aparecer diálogos retóricos, como em Rom. cap. 3.

     

    3.ª regra - Quando há dificuldade, consideremos o objetivo do livro ou do trecho, e interpretemos o “pequeno” dentro do “grande”, o pormenor dentro do geral, a frase dentro do período. Por exemplo, em Romanos (14:5) Paulo permite aos judeus a observância de datas, enquanto aos Gálatas (4:10-11) proíbe que o façam; isto porque, entre estes, os judeus queriam obrigar os gentios à observância das datas judaicas.

    4.ª regra - Comparar Escritura com Escritura é melhor que fazê-lo com obras profanas.

    Por exemplo, a expressão. Revestir0 o Cristo. (Gál. 3:27) é explicada em Rom. 13:14 e é descrita em pormenores em Col. 3:10.

     

    DIVERSOS SENTIDOS

    Cada Escritura pode apresentar diversas interpretações, no mesmo trecho. A vantagem disso é que, de acordo com a escala evolutiva em que se acha a criatura que lê, pode a interpretação ser menos ou mais profunda.

    Os principiantes compreendem, de modo geral, a, letra e a ela se apegam. Mas, além do sentido literal. Temos o alegórico, o simbólico e o espiritual ou místico.

    O sentido alegórico faz extrair numerosas significações de cada representação, compreendendo, por exemplo, a história de Abraão como uma alegoria das relações entre a matéria e o espírito.

    A interpretação simbólica é mais elevada: dá-nos a revelação de uma verdade que se torna, digamos assim, “transparente” e visível, através de um texto que a recobre totalmente; basta-nos recordar a CRUZ, para os cristãos: é um símbolo muito mais profundo, que os dois pedaços de madeira superpostos.

    A interpretação espiritual é aquela que dificilmente poderá ser expressa em palavras, mas é sentida e vivida em nosso eu mais profundo, levando-nos, através de certas palavras e expressões, à união mística com a Divindade que reside dentro de nós. Quase sempre, a compreensão espiritual ou mística da Escritura leva ao êxtase, e, portanto à Convivência com o Todo.

    Carlos Pastorino

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    publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 07.05.10 às 00:01link do post | favorito

     

    1. Havia um homem dentre os fariseus, chamado Nicodemos, chefe dos judeus.

    2. Este veio ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: "Rabbi. sabemos que és mestre vindo da parte de Deus, pois ninguém pode fazer essas demonstrações que fazes se Deus não estiver com ele'.

    3. Jesus respondeu-lhe: "Em verdade, em verdade te digo. que se alguém não nascer de novo (do alto) não pode ver o Reino dos céus".

    4. Perguntou-lhe Nicodemos: "Como pode um homem nascer sendo velho? Pode porventura entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e nascer"?

    5. Respondeu Jesus: "Em verdade, em verdade te digo, que se alguém não nascer de água e de espírito não pode entrar no Reino de Deus;

    6. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do espírito é espírito.

    7. Não te maravilhes de eu te dizer: é-vos necessário nascer de novo (do alto):

    8. O espírito age onde quer, e ouves sua voz, mas não sabes donde vem nem para onde vai: assim é todo aquele que nasceu do espírito".

    9. "Como pode ser isto"? , perguntou-lhe Nicodemos.

    10. Respondeu-lhe Jesus: "Tu és o mestre de Israel e não entendes estas coisas?

    11. Em verdade, em verdade te digo que falamos o que sabemos e testificamos o que vimos, e não recebeis nosso testemunho?

    12. Se vos falei de coisas terrenas e não me credes, como crereis se vos falar de coisas celestiais?

    13. Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, a saber, o Filho do Homem.

    14. Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado,

    15. Para que todo aquele que nele crê, tenha a vida futura".

     

    Um dos episódios mais instrutivos, em qualquer plano que se consiga compreendê-lo: no literal, no alegórico, no simbólico ou no espiritual. Vamos inicialmente fazer os comentários exegéticos, passando depois aos hermenêuticos.

    Passa-se o fato com um fariseu de nome grego, Nicodemos ("vencedor do povo"). Seu nome aparece mais duas vezes apenas, sempre em João (7-5 e 19:39). Era Doutor da Lei e chefe dos judeus, o que indica pertencer ao Sinédrio. Procura Jesus à noite, hora mais propícia para uma conversa particular, acrescendo a circunstância da prudência de não ser visto.

    Nicodemos dá a Jesus o título de Rabbi, tratando-o como igual. e explica as razões por que o considera também Doutor da Lei: as demonstrações de obras e palavras, Jesus fala em nascer "de novo" ou "do alto". A palavra grega ανουεν pode ter os dois sentidos. João o emprega geralmente no segundo sentido (em 3:31, em 19:11 e em 19:23). Os ,’Pais" da igreja grega (Orígenes, João Crisóstomo, Cirilo de Alexandria, etc.) e alguns modernos (Calmes, Lagrange, Loisy, Bernard, Joüon, Pirot, Tillmann e o nosso José de Oiticica) preferem "do alto". Os "Pais" da igreja latina (Agostinho, Jerônimo, Ambrósio, etc.) e outros modernos (d’Alâs, Durand, Knabenbauer, Plummer, Zahn, etc.) opinam por ’de novo.. Um e outro sentido cabem perfeitamente no contexto.

    Jesus inicia a conversa afirmando que ninguém pode VER ( ιδειν ) no sentido de conhecer, ver com a Mente, identificar-se, e portanto viver) o Reino dos céus (mais abaixo é usado "Reino de Deus" como sinônimo perfeito) se não nascer de novo, ou do alto. Nicodemos indaga .como pode nascer pela segunda vez um homem velho se poderá voltar para o ventre materno". Esta pergunta revela que o mestre de Israel entendeu "de novo" sem a menor dúvida.

    O Rabbi não retira o que disse: ao contrário, confirma-o, especificando que o nascimento deverá ser "de água e de espírito" (em grego sem artigo); e dizendo mais: "que o que é carne nasce da carne e o que é espírito provém do espírito" (em grego com artigo). E repete: e necessário nascer de novo (ou do alto).

    Depois acrescenta: "o espírito age onde quer". As traduções vulgares trazem .o vento sopra onde quer". Ora, a palavra πνευµα (pneuma) é repetida no original cinco vezes nos quatro versículos (5, 6, 7 e 8). Por que traduzir quatro vezes por "espírito" e uma vez por .vento.? Estranho ... Mas há razões para isso. Veremos.

    Jesus muda de tom, torna-se mais solene, eleva os conceitos e penetra assuntos mais profundos. Admira-se que Nicodemos não o entenda. Salienta que entre os dois há uma diferença: Nicodemos é "o doutor de Israel", enquanto ele, Jesus, não havia feito os cursos oficiais (daí aparecer em grego o artigo diante da palavra "doutor"). Salienta, então, que até aqui falou de coisas terrenas, e não foi entendido.

    Que sucederá se falar das celestiais (espirituais) ?

    Depois cita a serpente de bronze, que foi elevada por Moisés (Núm.21:4-9), dizendo que o mesmo deverá acontecer ao Filho do Homem. No livro da Sabedoria de Salomão (16:6-7) essa serpente é citada como "símbolo de salvação".

     

    Passemos, agora, à hermenêutica.

     

    1.ª Interpretação: LITERAL

    É a adotada pela igreja Católico-Romana. Jesus diz a Nicodemos que a criatura só pode obter o Reino de Deus (salvar-se) se renascer pela água (que é mesmo a água física do batismo) e pelo espírito (que é a infusão do Espírito Santo). Daí ser traduzido o versículo 8 por "o vento sopra onde quer", como um simples exemplo da liberdade do Espírito. O batismo é um rito de iniciação que se tornou um "sacramento".

    A palavra latina sacramentum é a tradução do grego µυστεριον , e corresponde aos mistérios gregos que se aplicavam aos catecúmenos (profanos que haviam recebido a instrução oral e estavam prontos para ser "iniciados" nos mistérios). Nesse sentido era usada a palavra sacramento. No século 4.º, Ambrósio introduziu no latim a palavra grega mysterium, com o sentido de "coisa oculta", segredo não revelável a estranhos. O sacramento do batismo é a junção da água e das palavras que dão o Espírito, e se define: "sinal sensível que exprime e produz a graça santificante, permanentemente instituído por Jesus Cristo" (Tanquerey, Theologia Dogmatica, vol. III, n. 248). E Agostinho (Tratado 80, in Johanne n.3) confirma: .No batismo há palavra e água.. Tira a palavra, que fica? água pura. Se a palavra é unida ao elemento, temos o sacramento. Que força teria a água de lavar o coração, se não fossem as palavras"? (Patrol. Lat., vol. 35, col. 1810).

    Essa é a única interpretação lícita, segundo o Concílio de Trento (sessão 7, cânon 2):

    "Si quis dixerit aquam veram et naturalem non esse de necessitate baptismi, atque ideo verba illa Domini nostri Jesu Christi: .nisi quis renatus fuerit ex aqua et Spiritu Sancto" ad metaphoram aliquam detorserit, anathema sit".

    "Se alguém disser que não há necessidade de água verdadeira e natural para o batismo, e igualmente que devem ser interpretadas como metáfora as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo: "se alguém não renascer da água e do Espírito Santo", seja anátema".

    Há, pois, uma interpretação fixada como dogma.

     

    2.ª Interpretação: ALEGÓRICA

    Foi justamente a condenada pelo Concílio de Trento, cujo artigo se dirigia contra Calvino e Grotius.

    Essa interpretação ainda é seguida pela maioria dos evangélicos (protestantes).

    A explicação da "água" corresponde ao rito do batismo. Mas o "espírito" tem novo significado: é o renascimento moral, a vida nova ou o novo teor de vida no caminho de Cristo. O sentido do renascimento espiritual, com a morte do "homem velho" e o nascimento do "homem novo" é muitas vezes ensinado nas Escrituras, desde o Antigo Testamento: "Lançai de vós todas as vossas transgressões, com que errastes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo" (Ez.18:31); "Também vos darei um coração novo e dentro de vós porei um espírito novo" (Ez.36:26); "Se alguém está em Cristo, é uma nova criação: passou o que era velho, eis que se fez novo" (2 Cor.5:17); "Não mintais uns aos outros, tendo-vos despido do homem velho com seus feitos e tendo-vos revestido do homem novo" (Col.3:9); e ainda 2 Cor.2:11-13 ou Ef. 4:20-24 e Rom.6:3-11.

    A tradução adotada no versículo 8 é também "vento", defendendo-se a tradução com a frase do Eclesiastes (11:5): "Tu não sabes o caminho do vento". Entretanto, aí a palavra usada não é πνευµα , mas ανεµος . Quanto ao verbo pnei, se é usado com sentido de "soprar" com referência ao vento, também pode significar "agir, exteriorizar-se, manifestar-se" em relação ao espírito. O latim traduz πνευµα por "spiritus" e πνει por spirare, dentro do sentido grego. Mas também em português usamos o mesmo radical, quer se trate do espírito (inspiração) quer se trate do vento (respiração), que se divide em inspiração e expiração; e quando o espírito se retira, dizemos que a pessoa "expirou".

     

    3.ª Interpretação: FISIO-REALISTA

    Aceita pelos espiritistas, como ensino da realidade fisiológica do que ocorre com as criaturas. A tradução de " ανουεν " é "de novo", tal como a entendeu Nicodemos, que pergunta como pode "o homem, depois de velho, entrar pela segunda vez ( δευτερον ) no ventre materno".

    A essa indagação, longe de protestar que não era isso o que queria dizer, Jesus insiste e confirma suas palavras: "é o que te disse: indispensável se torna que o homem nasça de água (isto é, materialmente, com o corpo denso, dado que o nascimento físico é feito através da bolsa d ’água do liquido amniótico) e de espírito (ou sej a, que adquira nova personalidade no mundo terreno, em cada nova existência, a fim de progredir). Se Nicodemos entendeu à letra as palavras ãe Jesus, o Mestre as confirma à letra e reforça seu ensino. Com efeito, o espírito, ao reentrar na vida física, pode ser considerado novo espírito que reinicia suas experiências esquecido de todo o passado.

    Em grego não há artigo diante das palavras "água" e "espírito". Não é portanto nascer da água do batismo, nem do espírito, mas de água (por meio da água) e de espírito (pela reencarnação do espírito).

    Daí a explicação que se segue: "o que nasce da carne (com artigo em grego) é carne., isto é, é o corpo físico, com toda a hereditariedade física herdada do corpo dos pais; e o que nasce do espírito é espírito" ou seja, o espírito que reencarna provém do espírito da última encarnação, com toda a hereditariedade pessoal que traz do passado". E Jesus prossegue: "por isso não te admires de eu te dizer: é-vos necessário nascer de novo". Observe-se a diferença de tratamento: "dizer-TE" no singular, e "é-VOS" no plural, porque o renascimento é para todos, não apenas para Nicodemos. E mais: "o espírito sopra (isto é, age, reencarna, se manifesta) onde quer, e não sabes donde veio (ou seja, sua última encarnação), nem para onde vai (qual será a próxima).

    As palavras de Jesus foram de molde a embaraçar Nicodemos, que indaga: "como pode ser isso"? E Jesus: "Tu que (entre nós dois) és o Mestre de Israel, te perturbas com estas coisas terrenas? Que te não acontecerá, então, se te falar das coisas celestiais (espirituais)"?

    Logicamente Jesus não podia esperar que Nicodemos entendesse as outras interpretações mais profundas desse ensinamento (como dificilmente poderia ter querido ensinar o rito do batismo, que não havia ainda sido instituído nem ordenado por ele, a essa época, quando só havia o "batismo" de João).

    Depois exemplifica: "como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim o Filho do Homem será erguido da Terra ".

    Paulo interpreta assim esse ensinamento de Jesus: "Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, não por obras de justiça que tivéssemos feito, mas segundo sua misericórdia nos salvou pelo lavatório da reencarnação, e pelo renascimento de um espírito santo" (Tit.3:4-5). As palavras utilizadas são bastante claras e insofismáveis: lavatório (lavar com água; λουτρον da reencarnação: παλιγγενεσια que é o termo técnico da reencarnação entre os gregos; pelo renascimento (anaxinóseos) isto é, um novo nascimento). Paulo, pois, diz que Deus nos salvou não porque o tivéssemos merecido, mas por Sua misericórdia, servindo-se da palingenésia (isto é, da reencarnação) a qual é um "lavatório" (de água) e um "renascimento" do espírito.

    Que o renascimento é feito através da água, já o diz o Genesis (cfr.1:1-2; 1:6-7 e 2:4-7).

     

    4.ª Interpretação: SIMBÓLICA

    Para compreendê-la, estudemos algumas palavras:

    NICODEMOS - significa "vencedor" do povo. e exprime alguém que já venceu a inércia da massa popular por seus conhecimentos das Escrituras, já se destacou do "vulgo profano. superando sua natureza inferior.

    DE NOITE - talvez signifique que Nicodemos procurou o Mestre em corpo astral (ou mental) durante o sono físico. Nessa condição ser-Ihe-ia possível manter conversações mais íntimas. E João poderia ter assistido a ela, pois algumas cenas dos Evangelhos foram assistidas nessa condição (por exemplo, a "transfiguração": .Pedro e seus companheiros (Tiago e João) estavam oprimidos de sono, mas conservavam-se acordados", Luc.9:32).

    Nesta interpretação, descobrimos um sentido diferente do diálogo literal entre os dois, o Rabbi e o Doutor da Lei, o Mestre Espiritual e o Mestre Intelectual. Antes de qualquer pergunta, Jesus dá a frase chave do novo ensinamento que vai ministrar: "é necessário nascer de novo para ver o Reino dos céus" - Nicodemos entende que Jesus lhe fala da reencarnação, fato já conhecido por ele, pois, sendo fariseu, aceitava normalmente a reencarnação, e não podia de modo algum estranhar o fato nem ignorar sua realidade.

    Para confirmar esta assertiva, leia-se apenas esse trecho de Flávio Josefo: "Ensinam os fariseus que as almas são imortais e que as almas dos justos passam, depois desta vida, a OUTROS CORPOS" ...(Bell.Jud.2, 5, 11).

    Como, pois, Nicodemos podia ignorar esta doutrina, a ponto de admirar-se tanto e fazer uma objeção pueril? Compreendamos sua frase, quando pergunta a Jesus: "Como poderá (bastar) um homem renascer depois de velho? Acaso poderá (bastar) que ele entre pela segunda vez no ventre materno, para (só com isso) ver o reino dos céus"?

    Jesus então reafirma sua tese, mas ampliando-a, elevando-a de nível tornando-a universal: Não é do nascimento físico na matéria que ele fala. Não é do microcosmo: é do macrocosmo, de que falara em Mateus (19:28): "Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando na reencarnação (palingenesia) o Filho do Homem se assentar no trono de sua glória, sentar-vos-eis também em doze tronos, para julgardes as doze tribos de Israel". Trata-se, aqui, da reencarnação ou renascimento do planeta.

    Explica então: o que nasce da carne é carne, é matéria corruptível, mas a que nasce do "espírito" é o Espírito eterno, que não necessitará mais da carne para progredir. Só nasce na carne o que está sujeito às leis do Carma (individual, grupal, coletivo ou planetário): esse ainda é carne, ainda terá que nascer da água, porque está preso à baixa densidade. Mas o que nasce do espírito se liberta, ascende a outros planos. O ensinamento foi desenvolvido por Paulo na Epístola 1 aos Coríntios, capítulo 15,versículos 35 a 54, quando compara o homem terreno (psíquico) simbolizado em Adão, coma alma vivente (que vive), ao passo que o segundo Adão (Cristo) e portanto o Espírito, o Filho do Homem, é o espírito vivificante (que dá vida). Passou, então, do estado humano ao espiritual, deixou de ser "nascido de carne" para tornar-se "nascido de espírito"; e Paulo prossegue: "o primeiro é da Terra (nascido de carne) o segundo é do céu (nascido do espírito)". E isto porque, prossegue ele, "a carne e o sangue não podem herdar o Reino dos Céus". Jesus falara das "coisas terrenas" e Nicodemos não o percebia bem. Como adiantar-se mais? Como explicar-lhe que o Espírito prossegue na evolução, até chegar a ser .o resultado. do Homem, "o produto" da Humanidade, ou Filho do Homem (como já era o caso de Jesus)? Ele fala do que "viu", porque estava no céu (no reino espiritual) e de lá "desceu..

    Os "apocalipses" ou "revelações" dos judeus narram histórias de santos varões que haviam subido a mundos "mentais" conscientemente: esses homens eram denominados .serpentes.. Nesse sentido é que Moisés "elevou a serpente" no deserto. De fato, a serpente simboliza a inteligência racional ou o intelecto (veja episódio de Adão, quando conquistou o intelecto por meio da serpente), mas quando a serpente é "elevada" verticalmente, significa a Mente Espiritual. Sua elevação se dá na "cruz da matéria" (horizontal sobre vertical), e só depois de elevada na cruz, pode essa serpente conquistar o Reino dos Céus. Todos os que acreditaram nele (que cumprirem seus ensinos) conseguirão a "vida futura", isto é, a vida Espiritual Superior.

    Então, para "vermos" ou vivermos o Reino dos Céus, o Reino Divino, temos que "nascer de novo" como Filhos de Deus ("Tu és meu Filho, eu HOJE te gerei", Salmo 2:7).

     

    5.ª Interpretação: MÍSTICA

    Jesus, a individualidade, ensina ao homem "que venceu o povo" comum, isto é, à personalidade já evoluída acima do normal, que para conseguir o Encontro Místico é mister "nascer do alto", no Espírito. A personalidade é pura carne, é matéria, mas a individualidade é celeste, é espiritual. Se renunciarmos ao nosso pequeno "eu", renasceremos "do alto" " viveremos no Reino Divino, não mais no Reino Humano: seremos Filhos do Homem e, além disso, Filhos de Deus.

    Nesse ponto, estaremos (embora crucificados na carne) unidos à Divindade, num Esponsalício místico, perdidos em Deus, "como a gota no Oceano" (Bahá’u’lláh): seremos UM com o Todo, porque "eu e o Pai somos um" (Jo. 10:30).

    Para consegui-lo, é preciso ter sido "suspenso" na cruz, como a serpente de Moisés: é indispensável passar por todas as crucificações da Terra, por todas as iniciações duras e difíceis, dando testemunho da Fé em Cristo, ao VIVER seus ensinamentos.

     

    Sabedoria do Evangelho

    Carlos Pastorino

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    publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 06.05.10 às 00:26link do post | favorito

     

    Atenção, senhores Psicólogos! O que são essas pessoas?

     

    Doidos, selvagens, imbecis, idiotas, insanos, ridículos, desequilibrados, malucos, acéfalos ou apenas insensatos?

     

    Pode parecer esquisito eu fazer esse tipo de pergunta aos Psicólogos, mas a questão é tão complexa e tão inexplicável que eu tenho que procurar uma razão sob a orientação de Freud, Jung, Adler ou qualquer outro mestre desses que se aprofundam no íntimo do comportamento humano, em busca de uma explicação.

    Fico impressionado, me desculpem, mas a minha inteligência não consegue entender como é que alguém pode viver a alimentar ódio contra uma religião ou uma filosofia, só porque a linha de pensamento dessa é diferente da sua.

    Não dá mesmo para entender uma coisa desta e tem hora que fico mesmo indagando a mim mesmo: Será que esse pessoal é doido? É doente, é acéfalo, é imbecil ou que diabo é?

    Que são irracionais, isto eu já sei, mas quero descobrir mais detalhes da personalidade desse tipo de gente e quero contar com a ajuda das inúmeras pessoas que imagino que vão ler este meu questionamento e que são também possuidoras de experiência no estudo do comportamento humano.

    Vamos tecer algumas considerações aqui, raciocinar um pouquinho e fazer algumas perguntas:

    Tem sentido você andar pela rua, de repente vê uma pedra, fica com raiva dela e passa a odiá-la?

    Claro que não tem sentido! Se uma pessoa sensata tiver ao seu lado, será natural ela lhe perguntar:

    O que a pedra lhe fez? Você está doido?

    Em primeiro lugar por ficar com raiva e criar ódio por uma pedra, segundo porque a pedra não lhe fez nada.

    Puxa vida! eu estou exemplificando uma pedra, para fazer entender onde quero chegar? Não está bom o exemplo não. Deixe eu dar outro:

    É que a gente tem que ir bem devagar, considerando o baixo QI de muita gente.

    Faz de conta que você, pela primeira vez na sua vida, recebe uma oportunidade de fazer uma viagem até Paris, na França. Ao chegar no aeroporto de Orli, desce do avião, pega a sua bagagem, vai a uma lanchonete tomar um café e passa a ter raiva de um dos atendentes, passando a odiá-lo, sem que ele tenha lhe dirigido uma palavra sequer, sem esquecer que ali está uma pessoa que você nunca viu na vida e muito menos conviveu. Outro detalhe: O que esta pessoa fala (em francês), você não entende; o que você fala (em português) também ela não entende.

    Teria sentido essa raiva e esse ódio?

    Em verdade não existe sentido para raiva e ódio nenhum.

    Nem mesmo raiva e ódio em relação aos nossos inimigos tem sentido, segundo nos relata o Evangelho, que é a fonte dos ensinamentos de Jesus.

    Quem seriam esses nossos “inimigos”? a pedra? O atendente da lanchonete do aeroporto?

    Não vamos complicar esses questionamentos não. Vamos continuar na linha de raciocínio.

    Quero ser sincero e tenho que ser sincero, haja vista que não sou adepto do uso da falsa humildade nem quero ser daqueles que vivem por aí querendo ostentar uma evolução espiritual que não têm, como fazem alguns religiosos, inclusive muita gente do movimento espírita.

    Embora eu estude também o Evangelho e fale sobre ele, não consegui chegar a este ponto de evolução a ponto de amar o meu “inimigo” e a não ter raiva nenhuma dele.

    Eu ainda fico danado da vida com pessoas que tentam me prejudicar, que me fazem injustiças, sabotagens, chantagens, sujeiras, mal caratismo e maldades as mais diversificados possíveis. Numa linguagem bem mais popular, eu ainda fico muito puto da vida, principalmente com determinados imbecis e com os hipócritas sem vergonha que vem para cima de mim tentar impor uma moralidade que, eu tenho certeza, que eles não têm. Dá vontade de mandar prá...

    Mas o máximo que eu chego é ficar danado da vida. Ódio não! Jamais tomarei qualquer atitude de agredir ou fazer qualquer mal a essa pessoa, a não ser usar algumas palavras daquelas bem enérgicas contra elas, para ver se elas se mancam, deixam de ser bestas ou de tentar fazer os outros de idiotas. Não tenho medo de cara feia e digo mesmo, porque existem coisas que muita gente precisa ouvir, o que nem sempre é aquilo que querem ouvir.

    Acho até natural que uma pessoa tenha uma certa raiva de alguém ou de alguma coisa, desde que essa pessoa ou essa alguma coisa lhe tenha feito um mal, proporcionado algum prejuízo ou problema grave.

    Mas já que o questionamento desta matéria se processa em cima da questão religião, vamos nos ater a este ponto.

    Tem sentido o Católico ter raiva do Protestante, só porque esse pensa diferente dele em alguns pontos? Aquela guerra interminável, ridícula e estúpida, que acontece na Irlanda do Norte, tem algum sentido?

    Claro que não!!! Aquela gente dali só pode ser constituída por animais irracionais, imbecis, idiotas, estúpidos e trouxas mesmo.

    Vejamos:

    Se o Protestante adota uma Bíblia que tem apenas 66 livros e o Católico adota uma que tem 73 livros, qual o problema que tem isso, para que um odeie o outro?

    Quem está certo?

    Está certa a Bíblia do Protestante e errada a do Católico que acrescentou mais livros ou está certa a do Católico e errada a do Protestante que retirou alguns livros?

    Eu sei lá!!!!! Isto não me interessa em nada. O problema é deles.

    Mesmo que eu saiba que a Bíblia original, em hebraico, não tem nem 66 nem 73 livros, e sim somente 24, afinal de contas, eu tenho alguma coisa a ver com o fato de alguém acrescentar, modificar, adulterar, promover mal caratismo nas traduções interpretadas, que, sem dúvida alguma, é uma safadeza editorial sem tamanho?

    O problema é de quem fez e de quem se deixa levar pelas manipulações de alguns segmentos religiosos, que fazem Bíblias conforme as suas conveniências, ou seja “Bíblia à moda da casa”!... Por falar em “Bíblia à moda da casa”, aproveite para dar uma lida no livro que leva esse título, de autoria do escritor mineiro Paulo Neto.

    A minha coerência e o meu bom senso me recomendam tratar da minha vida e a não me envolver com a vida alheia, muito menos ter a presunção de querer exigir que os outros pensem como eu penso.

    Mas tem gente que não é assim não. Quer porque quer que os outros pensem exatamente como eles pensam, e por causa disso se acham no direito de ficar com raiva, alimentam ódio e até promovem guerras e derramamento de sangue, conforme demonstram inúmeros episódios acontecidos em toda a história da humanidade.

    Está certo isso?

    Quantas e quantas desgraças já aconteceram no mundo por causa da intolerância religiosa, em razão do instinto desequilibrado de vários imbecis que sempre existiram? Muitas! Muitas torturas e muitos assassinatos os mais cruéis possíveis. Vide a época da Inquisição e das Cruzadas.

    Infelizmente nos dias de hoje, essa ridícula palhaçada continua a ocorrer. Ainda há muito maluco querendo exigir, a qualquer preço, que os outros pensem como eles pensam.

    Mas vamos continuar fazendo os nossos questionamentos:

    Se eu me disponho a guerrear contra aquilo que realmente é coisa ruim, a ponto de julgar-me apto a censurar, a criticar, a agredir e até ter a pretensão de fazer parar ou calar, então por que eu não tomo essa iniciativa no sentido de acabar com o tráfico de drogas, a corrupção, o terrorismo, o seqüestro, a falsificação de remédios, a fabricação de bebidas alcoólicas que continuam destruindo as pessoas e os lares, os cigarros que matam tanta gente, a fabricação de armas e tanta coisa que verdadeiramente faz mal às criaturas?

    Sabe porque esses “purificadores da moral” não lutam contra esses verdadeiros males? Porque são covardes. Eles sabem que se subirem em algum morro, no Rio de Janeiro, por exemplo, para censurarem contra o tráfico de drogas, certamente serão recebidos com AR-15 e outros fuzis, sem direito até de abrir a boca.

    Por serem covardes, preferem atacar e agredir aos pacíficos, que não usam fuzil nem metralhadora alguma, certos de que vão poder continuar agredindo sem reação. É muito cômodo.

    Ainda assim, mesmo que essas coisas representem itens que verdadeiramente fazem mal a todos nós, ainda não me é lícito acabar com uma fábrica de cigarros, por exemplo, porque, em que pese eu não concordar com o cigarro e nunca ter fumado em momento algum da minha vida, eu não tenho o direito de cercear o direito do masoquista que deseja continuar fumando.

    O problema é dele e não meu. Se ele é um suicida lento e sutil, o problema é dele e eu não tenho nada a ver com isso. Não me é lícito interferir na vida dele, embora eu possa me dispor a sugerir e orientar.

    Agora, veja bem, existe muita gente que se acha no direito de querer guerrear contra pessoas, coisas e fatos as quais não concordam, mas querem dirigir os seus mísseis não para esses os quais eu citei, mas contra uns que não lhe fazem mal algum.

    Como é que pode um Protestante ter ódio do Católico porque ele tem uma Bíblia com mais livros, utiliza imagens no altar e tem os rituais diferentes dos dele?

    Qual o direito que um idiota desse tem em querer que os Católicos pensem como ele?

    A mesma pergunta eu faço a inúmeros Católicos intolerantes que baixam o pau nos Protestantes. Com que direito?

    Pelo amor de Deus, com que direito????

    Eu quero perguntar a esses intolerantes:

    O fato de uma religião ter mais ou menos livros na Bíblia, usar ou não usar imagens, adotar ou não adotar o ritual judeu do batismo, crer ou não crer na Lei da reencarnação, acreditar ou não acreditar em Satanazes, chamar Deus de Deus ou de Alá, usar cabelos compridos ou barbas longas, adotar ou não adotar defumações, velas, incensos, promessas ou seja lá o que for...

    Vai me causar algum prejuízo? Vai aumentar a conta de energia elétrica da minha casa? Vai tornar o meu supermercado mais caro? Vai causar algum problema de saúde em mim ou em algum membro da minha família? Vai me tirar sangue ou vai ferir algum ente querido meu? Vai causar um grande mal a mim ou aos meus familiares?

    Claro que não!!!

    Então, por que eu me acho no direito de me meter na crença dos outros?

    Deixe-me citar mais exemplos, porque eu gostaria de ter muita gente raciocinando em cima desta lamentável questão, para que surjam alguns movimentos no mundo trabalhando na questão do respeito ao direito de crença das criaturas.

    No Brasil existe uma igreja Protestante, do segmento Pentecostal, que está chamando a atenção de todos aqueles que observam as religiões: A “Igreja Universal do Reino de Deus”, ou melhor, a Igreja do Edir Macedo. Queiram ou não, é a Igreja do Edir Macedo e o Brasil inteiro sabe disso.

    Trata-se de uma religião milionária, que possui simplesmente três redes de televisão no Brasil: Rede Record, Rede Mulher e Rede Família, com centenas de emissoras de televisão em todo o País, além de incontáveis emissoras de rádio, sem contar com os luxuozíssimos templos, onde se registra até central de ar condicionado que custa a bagatela de três milhões de dólares, em apenas um templo.

    Além de tudo é dona de um partido político, com forte influência em Brasília e em todos os governos estaduais!

    Adota uma forma de religião, de falar em Jesus, que eu, particularmente acho um verdadeiro absurdo e não consigo entender como é que pode ter gente que engole uma coisa daquela.

    Mas aí, o meu bom senso, questiona a mim mesmo:

    O que é que eu tenho a ver com isso? O que me interessa se o senhor Edir Macedo ficou bilionário com essa sua igreja? O que eu tenho que me envolver se a central de ar condicionado de uma das suas igrejas custou três milhões de dólares ou se ele compra uma emissora de televisão por mais de trinta milhões de dólares, em dinheiro espécie?

    Eu e ninguém têm o direito de agredir o senhor Edir Macedo nem a qualquer um dos seus ricos bispos ou pastores.

    O fato de discordarmos do método que essa igreja utiliza para falar de Jesus ou do Evangelho, não significa que tenhamos que ter raiva e muito menos ódio do senhor Edir Macedo e da sua igreja.

    Muito pelo contrário! Se deixarmos de ser burros e imbecis, abriremos as portas do nosso bom senso para olhar o outro lado e percebermos que, queiramos ou não, o senhor Edir Macedo e a sua Igreja, fazem também muito bem a muita gente.

    O que eu tenho a ver com o fato do pastor R. R. Soares pagar dois milhões e meio de reais à Rede Bandeirantes para ter o seu programa lá? O dinheiro é meu?

    Criticam pelo fato deles explorarem demais, nessa questão do dízimo e das “ofertas”. Eu também vejo assim e acho uma estupidez, principalmente quando eles fazem a lavagem cerebral na pessoa convencendo-a a dar o que eles chamam de “dôe o seu tudo”, retirando para igreja tudo que a pessoa tem. Acho demais.

    Mas é importante que analizemos o seguinte:

    Se alguém dá o dízimo, dá porque quer! Nunca vi pastor nenhum do Edir Macedo ou do R. R. Soares colocar revólver na cabeça de ninguém.

    Por outro lado, há gente criticando pessoas que se converteram à igreja deles, pelo fato de dá dez por cento dos seus ganhos para lá, mas esquecem que muitos desses poderiam antes estar jogando fora mais de cinqüenta por cento dos seus ganhos, em farras, bebedeiras, amantes e outros desperdícios. Queiram ou não, esta é a realidade!

    Continuo a discordar da Igreja do Edir Macedo, continuo a não aceitar. Na minha inteligência não entra uma coisa daquela, de jeito nenhum e eu jamais irei me submeter a uma forma daquela de retratar Jesus.

    Todavia isto não me dá o direito de deixar de reconhecer as coisas boas que ali tem e muito menos a ter raiva e ódio deles.

    Que eu viva a minha vida e eles a deles. Cada um com o seu problema e que Deus, no futuro, tire as conclusões sobre mim e sobre eles.

    Eu só gostaria de sugerir que o pessoal do Edir Macedo, assim como do R. R. Soares e outros pastores aprendessem a ter um mínimo de respeito pela religião dos outros, do mesmo jeito que estou aqui a dissertar no sentido de que todos tenham respeito pela igreja deles. Um bom início é parar com o mal caratismo de dizer sobre outras opções religiosas o que elas não são.

    Há muita agressão contra as religiões afro brasileiras.

    Eu também não concordo com os procedimentos da Umbanda e acho um absurdo uma tenda de Umbanda colocar uma placa ou letreiro em sua frente, se dizendo Centro Espírita ou os seus praticantes se identificarem como espíritas, porque a palavra “espírita” foi criada em 1857 para identificar os praticantes de uma doutrina que não faz nada daquilo que eles fazem, já que o Espiritismo não admite velas, incensos, altares, imagens, defumações, banhos, descarregos, obrigações, proibições, despachos, bebidas alcoólicas, cigarros, cachimbos, fumaças, cabeça feita, vestimentas especiais, colares, patuás, amuletos e rituais.

    O Umbandista que utiliza-se das denominações espírita e Espiritismo está praticando uma fraude, pelo uso indevido de terminologia que não lhe pertence.

    Até aí tudo bem.

    Mas por causa disso eu me acho no direito de agredir a Umbanda e os umbandistas, fazendo campanha para acabar com eles, sugerindo que espíritas quebrem os terreiros de Umbanda, como fazem alguns religiosos rotulados evangélicos?

    De forma alguma. Eu não tenho esse direito! E ninguém tem!

    Os umbandistas, assim como os candomblecistas e os praticantes de qualquer religião tem o direito de realizarem as suas manifestações, em qualquer ponto do território nacional e devem chamar a polícia, toda vez que se verem ameaçados contra a ação de inquisidores e intolerantes.

    Porém, se temos conhecimento, por exemplo, de que uma determinada prática religiosa vive realizando algum ritual que tire a vida de crianças, para “trabalhar” ou oferecer o sangue a alguma entidade espiritual, devemos denunciar, sim, à polícia e às autoridades de um modo geral, do mesmo jeito que devemos denunciar criminosos e corruptos em qualquer outra área fora do círculo religioso.

    Aí já não é uma questão de interferirmos na crença dos outros e sim um procedimento de cidadania justo, preventivo para evitar que outras famílias venham a sofrer, pela perda de um filhinho amado, utilizado desumanamente de forma fria e cruel em sacrifícios pela fé irracional de irresponsáveis e inconseqüentes.

    Ninguém tem o direito de interferir na fé religiosa e na filosofia de vida de ninguém!

    Você, que vive a sofrer pressões, assédios, críticas e censuras de religiosos fanáticos, daqueles que vivem a invadir a sua casa ao meio dia, em plena hora do almoço, com aquela conversa fiada de lhe fazer “aceitar JE$U$”, não se submeta a ter que perder o seu tempo com aquela gente tão ridícula e inconveniente, achando que não atendendo os visitantes está sendo desagradável.

    Só pode oferecer Jesus para os outros, aqueles que verdadeiramente têm Jesus, vivem Jesus, praticam os ensinamentos básicos que Jesus nos legou, sobretudo a recomendação do amor incondicional ao próximo.

    Não pode dizer que tem Jesus, gente mal educada, inconveniente, intolerante, desrespeitosa ao direito alheio, chata, mentirosa, comerciante da fé, mercenária e que vive atrás dos outros em busca de aumentar o número de freqüentadores de uma determinada igreja onde cada freqüentador pode ganhar percentuais de comissão nos dízimos e ofertas arrecadados de todas as pessoas convertidas por ele.

    Estejamos conscientes de que Jesus não é propriedade exclusiva de rotulação religiosa alguma.

    É presunçosa e pretensiosa qualquer religião que vive a dizer que só nos seus templos é possível encontrar Jesus, como se o Senhor da Vida vivesse por aí a assinar contratos de exclusividade com religiões, principalmente com aquelas mercenárias da fé.

    Não permita que ninguém exerça pressão religiosa em cima de você. Seja duro, enérgico e contundente em cima desses animais ridículos e esteja longe de se submeter a ser fantoches deles.

    Eu, que optei por uma tarefa de divulgar o verdadeiro e único Espiritismo, para o grande público, utilizando o recurso da televisão, venho sofrendo, durante anos, tentativas de inúmeros fanáticos religiosos, querendo impor a mim pensar da forma como eles pensam, com aquelas conversas fiadas de satanazes, demônios e coisas do gênero.

    E enviam aquelas cartas idiotas, com um monte de citações de uma das Bíblias “traduzidas” para o Português, como se eu fosse uma besta quadrada desconhecedora da Bíblia, não conhecesse a história desse conjunto de livros, não soubesse da história das religiões, não fosse atento contra os absurdos que se processam em todas as “traduções” de livros, principalmente no campo religioso, onde não há ética, não há critério de honestidade, seriedade nem de responsabilidade, haja vista que o que pesa é atender a conveniência de determinada rotulação religiosa. (Leia o livro “Analisando as traduções Bíblicas”, do meu amigo Severino Celestino).

    Me desculpem, mas eu não engulo aquela estória de Adão, Eva e a Cobra.

    Agora mesmo vivo a receber E-mails de um intolerante Católico, extremamente agressivo, adepto fanático da Quevedologia, aquela coisa que foi inventada no Brasil pelo Padre Quevedo e que ele anda dizendo que é a Parapsicologia, engolida apenas por quem não conhece detalhadamente as propostas do J. B. Rhine, na exigência presunçosa de tentar fazer com que eu, os escritores Paulo Neto e José Reis Chaves abandonemos o Espiritismo e necessariamente pensemos como ele pensa.

    Veja bem se tem sentido alguém retroceder nos seus conhecimentos. Onde é que já se viu alguém que já chegou a cursar o segundo grau ter que voltar ao curso primário?

    Mas pode ser que é ele quem se ache no segundo grau e eu no primário.

    Analisemos apenas um ponto:

    Na visão dele, que se acha dono da verdade, a Terra é o centro do universo, só existe vida na Terra, o Sol gira em torno da Terra, as estrelas foram criadas para iluminar a Terra, a Terra foi criada naquele momento de Adão, Eva e a Cobra, há mais ou menos seis mil anos... em resumo, a sua visão só consegue focar a Terra. Isto é o que determina a Bíblia, segundo os Católicos e Protestantes um livro “infalível”, porque representa a “palavra de Deus”, e a Bíblia é a diretriz única e incontestável que ele deve seguir.

    Na minha visão, apesar da valorização que dou também ao planeta em que vivo, não o vejo como o centro do universo. Sei que é a Terra que gira em torno do Sol e não o contrário, tenho certeza que é infantilidade alguém conceber que as estrelas foram criadas para iluminar a Terra, sei que existem mais de cem bilhões de galáxias descobertas, cada uma com mais de duzentos bilhões de sóis dentro, sei que a Terra tem milhões de anos e não apenas seis mil, etc...

    Será que sou eu quem estou no curso primário?

    A resposta deve ser dada pela lógica.

    E o cara quer porque quer que eu pense igual a ele.

    E se enche de ódio contra o Espiritismo.

    Aí eu quero perguntar mais uma vez:

    O que levaria alguém a ter ódio de uma doutrina que só faz o bem, não se envolve com a vida de ninguém, mantém inúmeras creches, asilos, albergues, casas de amparo aos necessitados em todo o País, não explora ninguém, não faz comércio religioso, não faz indústria do dízimo, não promove sacrifícios, não obriga nem proíbe ninguém de nada, não impõe nada, possui o maior respeito e carinho por Jesus porque tem nele o maior modelo e guia que devemos seguir, tem o Evangelho como o nosso manual de conduta de vida, sabe reconhecer o valor das criaturas humanas independentemente da rotulação religiosa e não considera santos apenas os espíritas e demônios os que não são espíritas, respeita o direito que tem todas as outras religiões de divulgar as suas idéias?

    Só um maluco, débil mental, acéfalo e burro pode nutrir ódio por uma doutrina dessa!

    Engraçado é que quando você pede a um idiota desses que relacione os motivos, praticados pelo Espiritismo, que justifiquem o ódio que eles tem, desconversam e terminam por não relacionarem coisa alguma.

    Odeiam porque o Espiritismo mantém as creches, asilos, albergues e instituições dedicadas aos mais necessitados?

    Não teria sentido. Estariam mesmo chancelando os seus diplomas de imbecis.

    Odeiam porque o Espiritismo se incomoda apenas com a sua vida, não se envolvendo com a vida alheia?

    Não teria sentido.

    Odeiam porque o Espiritismo não obriga, não proíbe e não impõe nada?

    Não teria sentido.

    Odeiam porque o Espiritismo não faz comércio religioso e nem adota a indústria do dízimo?

    Não teria sentido.

    Odeiam porque o Espiritismo não admite que os seus adeptos sejam feitos de marionetes e fantoches por determinados “líderes”, que se acham donos da verdade?

    Não teria sentido.

    Afinal de contas, o que teria sentido?

    Não sabem responder.

    Porque odeiam por odiar, tem raiva por terem raiva, não suportam por não suportarem.

    É por essa razão, que no início desta matéria eu fiz a pergunta:

     

    Atenção, senhores Psicólogos! O que são essas pessoas?

     

    Doidos, selvagens, imbecis, idiotas, insanos, ridículos, desequilibrados, malucos, acéfalos ou apenas insensatos?

     

    Se algum Psicólogo tiver oportunidade de ler esta minha matéria, peço o obséquio de me informar, porque, sinceramente, eu não sei.

    Para finalizar, sugiro a leitura do livro “A Face Oculta das Religiões”, de autoria do autor mineiro José Reis Chaves.

     

     


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    publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 05.05.10 às 01:01link do post | favorito

        
              

    São muitos e polêmicos os comentários sobre o filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gipson, um católico conservador e seguidor do arcebispo Lefrève, que não aceitou todas as reformas feitas na Igreja pelo Concílio Vaticano 2º, em 1963.

    Mas, apesar de conservador, Mel Gibson chocou o mundo com o realismo de seu filme. Seriam mesmo necessário tanto sangue e tanta dor, assim, para o meigo Nazareno? Os cristãos detestam a morte de Jesus na cruz, mas, ao mesmo tempo, parece que gostam desse fato! A Semana Santa, que respeito muito, mostra isso. Ela culmina com o lado alegre e festivo da Páscoa. Mas o que mais toca os fiéis é a sangrenta Sexta-Feira Santa! E não seria justamente o conservadorismo religioso de Mel Gibson o fator principal que o levou a dar tanta ênfase à teologia de sangue tão bem focalizada pelo realismo de seu filme? Os cristãos estão abalados, e os teólogos se acautelam ao falarem no assunto! Paira no ar uma mistura de crença e dúvida.

    E, com razão, os judeus consideram os romanos também culpados pela morte de Jesus. Não aceitam arcar sozinhos com o peso da barbárie contra o Nazareno.

    A teologia de sangue ou de sacrifícios coloca na cabeça de nós cristãos (com exceção de algumas correntes cristãs, entre elas os espíritas) uma idéia de que foi muito boa, e até necessária para a humanidade, a morte de Jesus na cruz, já que seria ela que salva a humanidade. E pasmem! Ela teria sido exigida por Deus nosso Pai bondoso, para que Ele pudesse perdoar às nossas faltas, Ele que, na verdade, não perdoa ninguém, pois só pode perdoar quem é ofendido, e Deus, um ser infinito, em nenhuma hipótese, poderia ser ofendido por nós seres finitos!

    Confundiram, pois, os teólogos e confundem ainda hoje, ou dão a entender que confundem, a transgressão das Leis de Deus com ofensas a Deus. Mas o ensino do Nazareno é diferente da teologia de sangue: “A cada um será dado segundo suas obras” e “Ninguém deixará de pagar até o último centavo”. E ela é repudiada pelo próprio Jesus: “Basta de sacrifícios, eu quero justiça e misericórdia” e “Porventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse em sua glória?” (Lc 24, 6). Esse último texto não fala em remissão de nossos pecados pelo sangue, mas de como sendo beneficiado o próprio Jesus. Outra versão diz: “Por acaso eu não teria que sofrer, para eu me glorificar diante de meu Pai?” Também os nossos irmãos muçulmanos, cujo Alcorão tem muitas coisas da Bíblia, e, obviamente, os nossos irmãos judeus, não aceitam a teologia de sangue salvífica. Parabéns, pois, ao Mel Gibson, que, com o realismo de seu filme, desperta os cristãos duma espécie de letargia e fá-los refletir melhor sobre a estranha teologia de sangue, mesmo que, talvez, esse não tenha sido o seu propósito!

     

     

     


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