"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 20.04.10 às 02:13link do post | favorito

 

O Livro dos Espíritos se inicia com o Capítulo que trata exclusivamente de Deus, pretendendo o codificador com essa atitude mostrar que o Espiritismo tem como idéia fundamental a existência de um Ser Supremo, criador de tudo o que se conhece e até o que por enquanto se desconhece.

Allan Kardec, orientado pelos espíritos superiores, começa a referida obra, formulando a seguinte questão:

1. Que é Deus?

E, obtém esta resposta: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”

 

Ora, partindo-se da definição dada pelos espíritos superiores, e percebendo-se a imensidade do universo à nossa volta, mesmo sabendo que o limite de alcance de nossa visão material é tão insignificante para tudo ver, não se teria outra opção que não a de reconhecer que toda essa gigantesca obra tem que ter tido um autor, que tudo isso estando acima da capacidade do maior dos sábios da terra, só pode ser atribuída a Onipotência criadora de um Ser Supremamente inteligente e sábio que tenha criado tudo que existe, pois não podemos nos dias de hoje admitir um efeito sem uma causa que o justifique.

 

Claro que no estágio atual de evolução em que a criatura humana se encontra, não o pode entender em toda sua essência, e mesmo depois de desencarnado, em que dispõe das suas faculdades perceptivas menos materiais, não o percebe nem o compreende totalmente, em virtude de sua natureza ainda tão imperfeita.

Pode, no entanto o homem, embora ainda no estágio de relativa inferioridade em que se encontra, ter convincentes provas da existência de Deus, por caminhos que transcendem aos dos sentidos: o da razão e do sentimento. Pela razão, pode observar a extensão infinita do espaço, a ordem e harmonia dos inumeráveis mundos que cada dia é descoberto pela ciência, os seres da natureza, os minerais com suas admiráveis formas cristalinas, o reino vegetal com a exuberância e variedade quase infinita de plantas muitas ainda desconhecidas dos cientistas, os animais de inimagináveis tipos e espécies, a beleza das aves com seus lindos gorjeios, os insetos de espécies incalculáveis, o mundo microscópico com incontáveis formas unicelulares etc...

 

Na questão nº 4 e seguintes, do Livro dos Espíritos, encontramos as respostas dadas pelos imortais da vida maior ao Codificador, sobre sua indagação a respeito da existência de Deus:

 

4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”

Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

 

5. Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?

“A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma conseqüência do princípio - não há efeito sem causa.”

 

6. O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não poderia ser fruto da educação, resultado de idéias adquiridas?

“Se assim fosse, por que existiria nos vossos selvagens esse sentimento?”

Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas”.

É, portanto, notório e indiscutível a existência de um ser superior a qualquer dos homens de que temos conhecimento na história da humanidade, visto que jamais alguém conseguiu realizar algo sequer parecido em qualquer época e lugar desse nosso planeta, atribuir a formação de tudo o que existe a transformação da matéria ou ao acaso, seria uma insensatez, um absurdo, um homem de bom-senso não pode aceitar que algo inteligente seja obra do acaso cego, pois o que é fruto da inteligência, já não é mais acaso.

 

Toda a harmonia existente no universo, com suas infinitas combinações e desígnios, são frutos de uma Lei natural que a tudo e a todos regula, revelando por si só a existência de um comando inimaginavelmente inteligente a nos confirmar o velho e sábio provérbio que afirma que: “Pela obra se conhece o autor”. Cabe ao homem deixar de ouvir apenas sua razão tão encharcada de orgulho próprio a não querer aceitar o que desconhece não admitindo que possa haver ser superior a ele próprio, e admitir que se não pode em seu atual estágio de evolução criar o que só a natureza produz, é que existe uma inteligência superior a toda a humanidade, e através do aprimoramento moral e espiritual procurar trabalhar por se instruir com o sincero desejo de vencer pouco a pouco as barreiras que lhe impõe a matéria, buscando aperfeiçoar-se cada dia mais que antes, para galgar chegar aos cimos da perfeição relativa, na certeza de que só assim lhe será possível melhor ver e compreender Deus em sua perfeição absoluta.

 

Se preferirmos poderemos contemplar sua sabedoria em nossa própria veste física e verificar quanta harmonia nas funções que se exercem à revelia de nossa vontade num ritmo perfeito, nas maravilhas representadas pela percepção dos nossos cinco sentidos, os olhos que nos permitem perceber e diferenciar os objetos as cores..., os ouvidos que nos dão a percepção dos sons, nas melodias, sinfonias..., o olfato, o gosto, o tato, a inteligência que nos permite instruir-nos sobre a atividade e utilidade das coisas, toda essa harmonia humana, e de tudo que faz parte do mundo exterior, só pode ser criação desse Ser Supremamente inteligente e sábio, que denominamos de DEUS.

 

Pelo Sentimento, mais até do que pelo raciocínio, é que o homem pode melhor compreender a existência de Deus, pois há no homem desde o mais primitivo até o mais civilizado, a idéia inata da existência de um ser superior a tudo que se conhece, e ainda trazemos impressa em nossa consciência as suas Leis, a regular nossas atitudes diante da vida e do nosso semelhante.

Jesus nosso modelo e guia revelou-nos como Pai, quando nos ensinou a orar dizendo: Pai nosso que estás no céu... e o Espiritismo vem nos confirmar nas palavras de Jesus, ensinando que Deus é o princípio de tudo, pois que se o universo existe, há de ter um Supremo Criador.

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 19.04.10 às 04:54link do post | favorito

 

 

Quantas e quantas pessoas, umas amarguradas, outras já acostumadas - e tem até quem finja não se importar... - convivem, diuturnamente, com o drama íntimo de não saber as respostas para as suas tantas dúvidas existenciais:

-- O que eu sou?

-- Para que eu existo?

-- Qual foi o meu passado?

-- O que é esta minha vida terrena?

-- Por que eu tenho tantos problemas e dificuldades?

E assim por diante...

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O QUE EU SOU?

Eu sou um espírito imortal, um eterno aluno da Escola da Vida, um filho amado de Deus, uma criatura e uma partícula divina, uma centelha da Luz do Universo!


PARA QUE EU EXISTO?

Eu estou, desde que fui criado, em longo processo evolutivo, tanto através das minhas sucessivas encarnações no plano físico da Terra quanto das minhas muitas entre vidas no plano astral deste querido planeta.


QUAL FOI O MEU PASSADO?

Eu já tive várias encarnações na Terra, nas quais, dentre muitas outras coisas, adquiri créditos e contrai débitos com a Lei de Causa e Efeito, conquistei amigos e inimigos, e também assumi importantes compromissos.


O QUE É ESTA MINHA VIDA TERRENA?

Esta minha atual encarnação no plano físico da Terra é uma etapa extremamente importante do meu extenso curso evolutivo.


POR QUE É UMA ETAPA TÃO IMPORTANTE ASSIM?

Principalmente porque eu tenho a bendita e preciosa oportunidade de, conforme prévia e criteriosa programação, usufruir uma parte dos meus créditos cármicos, quitar uma parte dos meus débitos cármicos, retificar alguns dos meus erros, cumprir os importantes compromissos que assumi e, logicamente, aprender novas lições.

POR QUE EU TENHO TANTOS PROBLEMAS E DIFICULDADES?

Os meus atuais problemas, dificuldades, sofrimentos, aflições, dores, carências,  etc. são justos e inevitáveis porém temporários acertos de contas com a Justiça do Universo, indispensáveis para a previamente programada quitação de uma parcela dos meus débitos cármicos e para o também previamente programado cumprimento de meus importantes compromissos.


QUEM DEVE COMANDAR ESTA MINHA ENCARNAÇÃO?

O comando não somente desta minha encarnação, e sim o comando de toda a minha vida infinita, deve, sempre, estar nas mãos do meu Eu Superior,
que encara a vida como ela realmente é, e nunca nas mãos do meu eu inferior,
que só consegue perceber os limitados horizontes desta minha breve encarnação na Terra.

 

NAS MINHAS AFLIÇÕES,O QUE EU DEVO FAZER?

Principalmente quando os meus reajustes cármicos estiverem mais ativos, dolorosos e até insuportáveis, eu devo mentalmente sintonizar o que eu sou, o que é esta minha vida e o que eu estou fazendo nesta vida, e também mentalmente de sintonizar os meus problemas, as minhas dificuldades, os meus sofrimentos e as minhas dores!


E QUANTO AO MEU FUTURO?

Inexoravelmente, eu sempre colherei os justos retornos do que eu fiz, faço e farei.

Porém, o mais importante de tudo é que eu estou irremediavelmente condenado à felicidade e à bem-aventurança que eu terei que conquistar com os meus próprios esforços, e obviamente com a grande ajuda de Deus,  porque foi para isto que Ele me criou!

 

 


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 17.04.10 às 00:02link do post | favorito

O Espiritismo surgiu como uma ciência de observação com conseqüências morais, como diria Kardec, e a sua divulgação foi rápida, principalmente na Europa e Estados Unidos. A facilidade, contudo, de comunicação com os 'mortos' levou as manifestações espíritas para o caminho da fraude e do charlatanismo e, conseqüentemente, do descrédito nessas regiões.

Isso ocorreu, contudo, porque as pessoas não tiveram a mesma abordagem criteriosa que teve Allan Kardec em seus estudos, que já alertava para os perigos das mistificações e da exploração econômica dos fenômenos. Um critério adicional, contudo, permitiu que o Espiritismo crescesse como doutrina, que foi a sua vinculação ao Evangelho do Cristo, vinculação essa empreendida por Kardec, que foi muito criticado por seus colegas estudiosos.

Essa ligação com o Evangelho permitiu o surgimento da Religião Espírita, que não foi prevista por Kardec, mas que foi conseqüência natural do desenvolvimento da doutrina. Para melhor compreendermos, contudo, o surgimento da Religião Espírita, é necessário remontarmos às idéias básicas sobre religião e aos objetivos que uma verdadeira religião deve ter.

Como podemos entender uma religião?

Kardec foi contrário a designar o Espiritismo como uma religião, na acepção usual que as pessoas fazem dessa palavra, mas concordou que, no significado filosófico, o Espiritismo poderia se denominar uma religião (ver Revista Espírita, dezembro de 1868).

Para Kardec, a religião na sua origem significaria algo como uma ligação ou 'laço' que uniria as pessoas em torno de determinadas idéias e princípios. Nesse sentido, o Espiritismo poderia ser considerado uma religião, cujo principal elo de ligação seria a Caridade. Não a caridade, contudo no seu sentido material, que Kardec classificou como 'Caridade Beneficente', mas a caridade que envolve; principalmente, as qualidades do coração, como perdão das ofensas, boa-vontade para com todos e indulgência para com as imperfeições alheias. Essa forma de caridade Kardec classificou como 'Caridade Benevolente'.

A outra acepção que as pessoas fazem de religião é relacionada a culto e hierarquia, o que terminantemente Kardec rejeitou. É por essa razão que ele não considera o Espiritismo uma religião mas uma ciência de observação com conseqüências morais.

Pode-se considerar, entretanto, que a palavra religião também tem um sentido bastante difundido, que é o de 'religação' com Deus. A religião seria, assim, uma porta para nos religarmos com o Criador de quem, no passado, nos desligamos por alguma razão.

Como nos desligamos de Deus?

Esse desligamento ocorreu, segundo a doutrina do pecado original, quando Adão pecou, transmitindo para toda a sua descendência o ônus de sua falta. Por essa doutrina, Jesus nos redimiu com seu sacrifício na Cruz, sendo que todo aquele que crê no Cristo e participa de sua igreja, foi perdoado por Deus e está reconciliado com o seu Criador. A Igreja Católica defendeu sempre esse princípio, reforçando, ainda, que só com a Igreja está a Verdade, resumindo esse conceito no lema 'Fora da Igreja não há Salvação'.

Com a reforma protestante, outras igrejas cristãs surgiram evidenciando a necessidade da Fé para a Salvação e, ou, da predestinação das criaturas por Deus, antes mesmo do seu nascimento, para serem salvas ou condenadas ao 'Fogo Eterno'. Deve-se ressaltar, contudo, que, tanto a Igreja Católica como as demais igrejas reformadas, se baseiam na doutrina do pecado original.

A Doutrina Espírita, contudo, se baseia em outro princípio que é o da criação do Homem simples e ignorante e do seu autoaperfeiçoamento contínuo através da Reencarnação. Segundo esse princípio, o Homem pode evoluir espiritualmente ou estacionar, mas nunca retroceder, o que impede que ele retorne a condições anteriores ou mesmo venha a se reencarnar em corpos de animais, como acreditava a antiga doutrina da metempsicose.

Quando o Homem 'estaciona' no caminho evolutivo ele, de certa forma, se desliga de Deus ou, melhor dizendo, ele opta por não se adequar à Lei Divina que o impulsiona para o progresso e o crescimento espiritual. Ele se apega a bens e prazeres materiais, o que com o tempo, o deixa insatisfeito, pois ele já possui uma essência espiritual suficientemente desenvolvida para aspirar por prazeres menos passageiros e mais duradouros e constantes, como os espirituais.

Esse desligamento é apenas aparente, pois Deus jamais se afasta de suas criaturas. Seria semelhante a uma pessoa que ficasse cega e não conseguisse mais enxergar a luz que está a sua volta. A luz continua lhe envolvendo, mas a pessoa não consegue mais percebê-la. Assim o Homem quando se afasta das Leis que o conduzem se sente só e sem a proteção de Deus, apesar do Pai estar sempre ao seu lado. É por essa razão que Jesus, quando estava caminhando para o calvário, disse às mulheres de Jerusalém que não chorassem por Ele, pois Ele estava com o Pai, mas chorassem por seus filhos que estavam perdidos.

Dessa maneira, o Homem necessita se sentir novamente ligado a Deus, que o sustenta e o conduz. Para isso ele procura uma 'religião' ou uma igreja onde possa se sentir amparado e confortado. Cada doutrina religiosa, contudo, apresenta um caminho para essa religação com o Criador.

Como nos religarmos novamente a Deus?

Para a Igreja Católica o Homem deve participar da Igreja e dos seus sacramentos, bem como das ser fiel às obrigações regulares, como ir à missa, confessar, comungar, jejuar, fazer 'boas obras' e outras obrigações.

Martinho Lutero, que era monge, percebeu que o cumprimento das obrigações que a Igreja Católica impunha não conseguia proporcionar-lhe a certeza da salvação, e isso o deixava profundamente inseguro e perturbado. Certa vez, enquanto ministrava um curso bíblico, ele se deparou com a mensagem do Apóstolo Paulo na Carta aos Romanos, onde ele afirmava que o Homem não se justifica perante Deus com as 'obras da Lei' mas, somente, através da Fé. Assim Martinho Lutero rompeu com a Igreja e adotou a doutrina da 'justificação pela Fé' como a base da salvação das criaturas.

João Calvino, que era, de certa forma, discípulo de Lutero, levantou o seguinte questionamento: se Deus era onipotente, Ele deveria conhecer o passado e o futuro; sendo assim Ele, ao criar suas criaturas, saberia, de antemão, se elas seriam salvas ou condenadas. Dessa maneira, por uma razão acima da nossa capacidade de compreensão, Deus já criaria seres predestinados à salvação ou à perdição, surgindo, daí, a doutrina da predestinação, que foi adotada por muitas Igrejas de origem calvinista. Segundo essa doutrina, o Homem nada pode fazer para a sua salvação e nenhum sinal exterior foi dado para saber se o Homem é um dos eleitos ou não. Os 'eleitos' deveriam trabalhar e apresentar, naturalmente, um determinado comportamento ético e moral que lhes daria a certeza 'interior' da salvação. Assim, não é esse comportamento que os salva, mas o fato de serem 'salvos' é que os levaria a se comportarem dessa forma e de prosperarem na vida. Essa doutrina teve muita influência na formação da sociedade de vários países, principalmente dos Estados Unidos da América.

A Doutrina Espírita foi organizada, em suas bases fundamentais, por Allan Kardec na França em meados do século XIX. Segundo o Espiritismo, o Homem foi criado por Deus já 'predestinado' à felicidade eterna, que ele vai alcançando através do seu desenvolvimento espiritual realizado nas sucessivas encarnações na Terra, ou em outros mundos do espaço universal. Como o Homem tem 'livre arbítrio', ele pode seguir a sua evolução de maneira natural, ou interrompê-la, ficando estacionado no caminho. Nesse momento pode-se dizer que ele está 'perdido' necessitando ser 'salvo'. Dessa maneira vários Espíritos reencarnaram na Terra para mostrar o caminho da 'salvação', sendo que o maior deles foi Jesus de Nazaré. Jesus ensinou-nos o 'caminho da salvação', não só através de palavras, mas, principalmente, pelo seu exemplo de vida. É, por essa razão, denominado 'Mestre', sem ser, contudo, Deus, como admitem outras doutrinas cristãs.

Jesus, segundo a Doutrina Espírita, é um Espírito como nós, criado anteriormente à nossa criação, e que alcançou um grau supremo (pelo menos do nosso ponto de vista) de perfeição. Para nos tornarmos 'justos', assim, devemos ser 'fiéis' a Deus como Jesus nos exemplificou. Esse o significado maior da palavra Fé, que não significa apenas crença, mas, principalmente, fidelidade a um princípio. E qual o princípio que resume os ensinamentos de Jesus? Segundo Kardec é um só: Caridade. Por essa razão, a porta de nossa 'religação' com Deus é a Caridade, o que fez com que o lema "Fora da Caridade não há Salvação" se tornasse a síntese da Religião Espírita. Dessa maneira, a Religião Espírita é uma religião 'interior', sem os dogmas, rituais e hierarquias de outras religiões institucionalizadas.

Para se praticar a Religião Espírita não é necessário freqüentar nenhuma igreja ou templo nem participar, necessariamente, do movimento espírita organizado. É necessário, tão somente, tornar-se 'fiel' a Deus, ser, enfim, caridoso.

Mas a Caridade, como disse Kardec, é uma palavra muitas vezes mal compreendida. Por isso devemos compreender bem o seu significado, já que ela é a base da Religião Espírita.

O que é a Caridade?

Perguntando aos Espíritos Superiores (Livro dos Espíritos, n°923) qual o sentido da palavra Caridade, como a entendia Jesus, eles responderam: benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas. Por essa razão Kardec, alguns meses antes de sua partida para o mundo espiritual (ver Revista Espírita, dezembro de 1868), classificou a Caridade em 'Caridade Beneficente', que é a caridade assistencialista, e 'Caridade Benevolente', que é a caridade moral. A Caridade Beneficente necessita de recursos e, muitas vezes, de uma certa organização institucional para ser melhor efetivada. Já a Caridade Benevolente pode ser praticada independentemente de recursos financeiros, tendo por campo de ação as nossas relações com o nosso próximo no dia-a-dia. Essa é, segundo Kardec, a verdadeira Caridade, a qual pode-se dizer que fora dela não há salvação.

Por essa razão, a base fundamental da Religião Espírita não é nenhuma obra exterior, que os outros possam admirar, mas uma obra interior que devemos implementar, para que sejamos 'salvos' do orgulho, do egoísmo, da avareza, da incredulidade, do desespero e da revolta, que são os verdadeiros fantasmas que devemos temer em nosso mundo íntimo. Transformando-nos para melhor, perceberemos que estaremos mais felizes, podendo, com maior segurança, auxiliar o nosso próximo a também encontrar o Caminho, a Verdade e a Vida abundante que Jesus nos prometeu.


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 15.04.10 às 08:07link do post | favorito
Quando falamos em Diabo, Satã ou Satanás, nos referimos a uma entidade, um ser existente fisicamente, completamente voltado ao mal sem possibilidades de recuperação, condenado por Deus a reinar, privado da Luz Divina, seu lugar nos escuros e sombrios labirintos de uma caverna que chamamos Inferno.

Também nos lembramos do maior inimigo de Deus com quem batalha há milênios tendo por prêmio a alma dos homens: Deus ficaria com a alma dos bons e o Diabo com a alma dos maus.

O Espiritismo nos mostra que o Diabo seja qual for o seu apelido, não existe. Por Diabo devemos entender a maldade que existe em cada ser humano, seja ele desencarnado ou encarnado. Daí a existência de espíritos bons e espíritos maus, e para todos sempre existe a recuperação.

No entanto temos que admitir que o Espiritismo, enquanto religião é relativamente novo se comparado com as demais religiões. É normal, portanto, que muitos de seus adeptos, senão a maioria, seja originária de outras religiões. Aportamos no Espiritismo vindos do Catolicismo e do Protestantismo trazendo conosco todo um conjunto de valores que tínhamos como verdade absoluta e inquestionável. Um desses valores é a existência do Diabo, dos demônios e das penas eternas. Apesar de aprendermos muitas coisas que o Espiritismo nos ensina, ainda guardamos algum receio, ou mesmo medo das velhas crenças.

Pode ainda nos causar incômodo ou desconforto ao pronunciarmos ou ouvirmos alguns apelidos que conhecemos: capeta, coisa-ruim, sujo, cascudo, tinhoso, danado, cão, maldito, chifrudo, manquitola, quatro - dedos, beiçudo, bode – preto, cramulhano, pé – de – cabra,
Anti - Cristo e por aí vai.

Como nos ensina o Espiritismo, precisamos estar sempre estudando porque o estudo desenvolve nossa inteligência, com a qual podemos melhor diferenciar o bem do mal.

Estudarmos o diabo e sua história nos ajuda a desmistificar a imagem errada que fazemos deste personagem.

A visão moderna que temos do Diabo não é a mesma de tempos atrás. Em toda a história da humanidade sempre existiram bons e maus. Por não compreenderem as verdades como hoje as compreendemos, a humanidade explicou a existência de coisas ruins de maneiras coerentes com a época.

Entre os gregos, Sócrates já afirmava a existência dos demônios, que seriam gênios. Esses gênios (ou demônios) eram espíritos intermediários entre Deus e os Homens. Como tais, podiam ser ruins ou bons. Ele mesmo tinha seu gênio que o aconselhava.

No Museu do Louvre (Paris) existe uma imagem em bronze, datada de 1350 a.C. de Pazuzu (o Agarrador), o demônio do vento do sudoeste. No verão trazia doenças e o flagelo da seca e da fome e no inverno trazia gafanhotos.

Como se nota, os homens atribuíam às divindades boas ou más a explicação dos fenômenos naturais que ele não compreendia.
Estas referências servem apenas para demonstrar que a crença na existência de espíritos bons e maus não é nova, nem exclusividade hebraica ou cristã.

Apesar do interesse que o assunto nos provoca, é no meio cristão que mais no interessa a compreensão do Diabo.

A palavra Satã refere-se ao nome do Príncipe do Mal e origina-se na palavra hebraica Sãtãn que em grego significa Satanás. Portanto, Satã ou Satanás refere-se à mesma criatura, e significa “adversário”.

Nas traduções modernas da Bíblia, a palavra Sãtãn foi traduzida por Satanás, todas escritas com o “S” maiúsculo, ou pela palavra Diabo. Nos textos mais primitivos do Antigo Testamento, o “s” de satã era minúsculo.

Satanás, ou satã com “s” minúsculo indica um substantivo qualificativo. Neste caso algo ou al-guém é qualificado com uma função ou atribuição assim como hoje em dia chamamos de Promotor o homem que é advogado e tem a função de acusador. Nas citações do Velho Testamento, analisando o contexto em que foi citado, satã refere-se ao acusador (promotor) e muitas vezes é descrito um verdadeiro tribunal divino.

Já a palavra Diabo tem origem na tradução do Velho Testamento conhecida como a Bíblia dos Setenta. Isto porque a tradução foi feita no século III a.C. por 72 rabinos e, segunda a lenda, demorou 72 dias para ser concluída. Nesta tradução a palavra satã foi substituída pela palavra grega “diabolos” que traduzida para o português arcaico significa “diaboo”.
As passagens Bíblicas:

1. Zacarias, 3,1-2
2. Jó, 1, 6-12

São suficientes para demonstrar o caráter de Satanás. Notemos que não havia nenhum diálogo entre ele e Deus que denotasse a inimizade arraigada de hoje em dia. Não se trata aqui de dois oponentes que disputam a alma dos homens. Ao contrário, Satanás se mostra bem submisso às ordens de Deus, aceitando calmamente todas as decisões divinas e não encontramos nenhuma passagem que pudesse ser caracterizada de forma diferente. Satanás era, como se demonstra, um servidor de Deus. Este servidor possuía uma tarefa das mais desagradáveis: encontrar e denunciar as falhas humanas. Por isso mesmo, Satanás era temido por aqueles que cometiam erros contra o Senhor. Nota-se que no versículo 6 do capítulo 1 de Jó, que Satanás
encontrou-se com o Senhor junto aos filhos de Deus e não há citação alguma de qualquer incômodo que a presença pudesse ter causado.

De promotor divino, acusador, Satanás evoluiu, ou involuiu para o ser infeliz, destinado a viver nas trevas, privado da Luz Divina, adversário de Deus com quem disputa a alma dos homens. Esta evolução aconteceu apenas no Cristianismo.

Foi com os evangelistas que o caráter infernal de Satanás veio à tona.

O Apocalipse de João revela uma imagem melhor elaborada de Satanás, e é no capítulo 12 que João descreve a queda do Anjo, identificado como o grande dragão.

Por todo o novo testamento existem citações das ações do Diabo que é reconhecido em todo lugar onde haja uma maldade humana.

A palavra Lúcifer , também atribuída erroneamente a Satã, era, na verdade, atribuída a Jesus, o Cristo pois é Ele o único Lúcifer que o nosso mundo conheceu.

Feroz e terrível, a imagem do Diabo assombrou os cristãos iniciantes mas foi com Santo Agostinho que sua imagem se firmou.

O antagonismo entre Deus e Diabo representa antes de tudo a eterna luta entre o bem e o mal. Aurelius Augustinus, o nosso Santo Agostinho, nasceu em 13 de novembro de 354. Romano de descendência, africano de nacionalidade (nasceu em Tagaste, Numídia, na África), ingressou no Catolicismo aos 32 anos, em 386 e converteu-se num dos quatro pilares da filosofia Católica. Defendeu a idéia de que Deus é a bondade absoluta.

Em 395 torna-se bispo na cidade de Hispona.

Em 397 e 398 escreve As Confissões que é uma autobiografia.

Em 413 começa a escrever a Cidade de Deus.

Falece em 28 de agosto de 430.

NAs Confissões defende a tese de que Deus é incorruptível, sendo o eterno Bem. Também defende que o mal nada mais é do que a corrupção do bem. Portanto, todo aquele que pratica o mal está, na verdade, corrompendo o bem que está em si. Se estiver corrompendo o bem que está em si é porque existe nele alguma coisa boa que possa ser corrompida. Portanto, todo o que se corrompe é bom. Para ele, o mal absoluto não existe porque, ou seria criado por Deus, mas Deus não criou o mal, ou o mal absoluto seria um outro deus que contraria a crença Cristã do Deus Único. Portanto, nada existe que não possa obter a salvação, apenas restringe a salvação como sendo por uma graça Divina.

O diabo, como ser eternamente devotado ao mal, no Livro A Cidade de Deus, Santo Agostinho ratifica que o mal não é criação Divina mas uma criação do homem. O anjo que se revoltou contra Deus e foi expulso da Felicidade Eterna dos Anjos, revoltou-se por conta da soberbia e do orgulho que lhe dominou. Portanto, o diabo não é uma criação de Deus mas o resultado dos pecados de um anjo.

Esta filosofia de Santo Agostinho fortaleceu ainda mais a crença no diabo.

E o capeta cresceu em poder diante dos homens durante os séculos vindouros. Mas foi na Idade Média que ele atingiu o topo de seu apogeu.

Tudo o que viam e acontecia sem uma explicação, era designado ao diabo. Se uma pessoa caía e se debatia no chão, com a espuma a sair-lhe pela boca, estava possuída.

A arma mais forte do diabo era a tentação.

No Paraíso, o diabo na forma de uma serpente tentou Eva a consumir a fruta proibida ocasionando sua expulsão do Paraíso.

A mulher foi responsabilizada pela condenação do homem. Por ter cedido à tentação, formou-se a opinião de que a mulher era facilmente influenciada e por isso mesmo, transformou-se em serva do diabo, sendo chamada de bruxa. Tidas como insaciáveis, faladeiras, sensuais e lascivas, as mulheres atraíam facilmente os homens para o pecado.

Foi na Idade Média que surgiram as caças aos bruxos (ou feiticeiros) e a identificação da ação no Diabo nos possuídos e nos atormentados.

Os possuídos eram aquelas pessoas tomadas pelos demônios, mas contra sua vontade.

Os atormentados eram aquelas pessoas tomadas esporadicamente pelos demônios e também contra a sua vontade.

Os feiticeiros (ou bruxos) eram indivíduos que fizeram um acordo com o Diabo recebendo poderes especiais em troca de sua alma.

Mesmo com todo o poder adquirido na Idade Média, o Diabo viria a sofrer golpes terríveis.

No Renascimento, que marcou o fim da Idade Média, o Diabo começou a sofrer sérios reveses e seu poder foi diminuindo pouco a pouco.

Neste período, o desenvolvimento da cultura e da ciência, a bruxaria foi taxada como coisa de gente ignorante, indigna de pessoas mais cultas.

Outro golpe que marcou o fim do poderio satânico foi o desenvolvimento das ciências.

Trazendo ao mundo várias descobertas que não podiam ser contestadas pela crendice ou pela ignorância, os fatos antes atribuídos ao demônio tornaram-se problemas de saúde física com recuperação através de tratamentos e medicação.

É natural que o seu poder diminuiria pois sua fonte estava justamente sendo demonstrado nada ter de demoníaco.

Mas foi na segunda metade do século XIX que o Diabo sofreu os mais sérios e decisivos golpes.

O primeiro em 18 de Abril de 1857 quando Allan Kardec trouxe ao mundo O LIVRO DOS ESPÍRITOS.

Mais precisamente nas perguntas de números 128 até a 131, os Espíritos esclarecem que não existem seres eternamente voltados ao mal nem seres criados em situações especiais, diferentes do restante da humanidade.

Evidentemente que a obra de Kardec gerou muita oposição, mas a verdade prevaleceu.

Mas o golpe decisivo veio em setembro de 1865 quando Kardec entrega ao mundo sua obra O CEU E O INFERNO.

Apesar d’O Livro dos Espíritos abordar este assunto de forma incontestável, é n’O Céu o Inferno que temos uma explicação detalhada e racional demonstrando a impossibilidade da existência do Diabo e seus seguidores.

Não importa quantos nomes ou apelidos foram atribuídos ao ser de eterno mal, o fato é que ele não existe como um ser real, físico.

Sua existência deve sim, a uma figuração do mal. Um símbolo do mal que o homem pode produzir.

Dentro desta simbologia, podemos denominar os espíritos maus como demônios, desde que aceitemos o fato de que estes demônios não são espíritos condenados a praticar o mal eternamente.

A visão espírita do Diabo está em perfeita comunhão com a definição do mal dada por Santo Agostinho. O mal absoluto não pode ser criação de Deus, porque em assim sendo, Deus não seria eternamente bom nem justo. Para o espiritismo o mal é causado pela ignorância dos homens que não conhecem e nem praticam a busca dos valores espirituais anunciados por Jesus. Para Santo Agostinho, o mal é a corrupção do bem. Em síntese, são uma e a mesma coisa.

Evidentemente que a teoria de Santo Agostinho não para aí e vai em frente, admitindo a existência dos anjos, dos anjos revoltosos e sua queda, com o que o Espiritismo não concorda.

Toda a crença na existência dos anjos, demônios e das penas eternas vai contra toda a existência lógica do próprio Deus.

Colocando este ponto de vista, nos perguntamos então, porque a humanidade o fez tão forte. Seria para enganar e manter o domínio sobre a população? Seria uma guerra de interesses e de poder entre a Igreja e o Estado? A Igreja Católica deve ser condenada por este mal causado à humanidade?

Para todas estas perguntas, só existe uma resposta: NÃO!

Em primeiro devemos entender que o Cristianismo, no início, sofreu muita pressão das religiões existentes. Muitas destas religiões pretendiam explicar tudo, e dava suas explicações, absurdas se consideradas nos dias atuais, mas perfeitamente enquadradas nos moldes intelectuais da época.

Apenas a título de exemplo podemos citar as teorias do Maniqueísmo que defendia, entre outras, a tese da existência de dois deuses: o Deus bom e justo e o Deus do mal (o diabo), justificando a guerra entre o bem e o mal. O próprio Santo Agostinho foi maniqueísta antes de sua conversão ao Cristianismo.

Outra corrente em vigor na época de Santo Agostinho, era a dos Platônicos que combatiam a tese das penas eternas. Segundo eles, todo o mal praticado pelos homens era, na verdade, uma maneira de aprenderem o bem. Diziam que nenhum mal ficaria sem punição, e todo o mal cometido seria corrigido durante a vida através dos castigos e flagelos recebidos. Aqueles males cometidos e não purificados antes da morte, seriam levados pela alma que os purificariam após a morte. Uns iriam para os abismos, outros seriam içados aos ventos e
outros ficariam queimando em um fogo que não se apagava até que todos os males estivessem purificados. Esta teoria não deixa claro o que ocorre após a purificação, mas sugere a existência de uma espécie de céu.

Pressionado por estas religiões, o Cristianismo deveria também ter uma resposta para tudo, Se não tivesse, ficaria ameaçado de esquecimento porque não teria aceitação junto à população. Afinal, quem se dedicaria a uma Religião que não soubesse explicar os acontecimentos rotineiros do dia – a – dia, quando tantas outras explicavam?

Impossibilitados de alçar vôo mais alto devido à completa ausência de conhecimento e desenvolvimento científico, pressionado pelas exigências culturais e racionais da época, influenciado pelas crenças de outras religiões, o surgimento do Diabo, como sido anjo caído foi a mais racional que puderam entender.

Não podemos deduzir daí que a criação do Diabo e das penas eternas é hoje um bem, ou que estamos aqui defendendo sua existência.

Apenas devemos nos colocar no contexto social de uma época para entender o que esta época realizou.

A existência do Diabo pode até mesmo ser considerada um bem para a humanidade pois serviu de freio para os homens. Se não fosse assim, a violência e a crueldade humana teriam sido muito maiores.

Acreditar nisto, é uma coisa. Acreditar hoje em dia que o Diabo existe do mesmo jeito que se acreditava é um erro, mesmo para uma pessoa não espírita já que os avanços da ciência, por si só, já apagou o fogo eterno do inferno.

Para os Espíritas, o diabo e seus demônios não podem ser vistos senão como a alma dos próprios homens que, ainda endurecidos, praticam toda a sorte de maldades, mas que um dia, cansados do mal, quererão, poderão e alcançarão as mesmas alegrias que desfrutam os
espíritos superiores, chamados anjos.

Mas nem tudo está perdido para o Diabo. Ainda hoje existem algumas seitas, se assim podemos chamá-las, de adoração ao Diabo. Nas religiões tradicionais, como no Protestantismo e no Catolicismo, o seu poder ainda é muito forte. Mas esses casos representam apenas os últimos redutos, ou os últimos suspiros de uma crença que teve seu valor, mas que está irremediavelmente condenado à superação.

E o Espiritismo foi o golpe fatal. O tempo do Diabo acabou, porque já era pouco, como disse o Evangelista João no Apocalipse, 12,12 “... porque o Diabo desceu até vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.”

BIBLIOGRAFIA

O Céu e o Inferno – Allan Kardec
O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
Revista Edições Planeta – Os Grandes Enigmas – numero 4
Revista História Viva – Grandes Temas numero 12 – Sob a sombra do Diabo
A Bíblia Sagrada – Tradução de João Ferreira de Almeida – Revisada em 1969
Santo Agostinho – Coleção “Os Pensadores”
A Cidade de Deus contra os pagãos – Santo Agostinho
O Novo Dicionário da Bíblia – J. D. Douglas – tradução João Bentes – Edições Vida Nova

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 02.04.10 às 08:39link do post | favorito

  

 

 

O Novo Testamento

 

O principal alvo de debates sobre a reencarnação no Novo Testamento está centralizado nas passagens que se referem a João Batista como sendo a reencarnação do profeta Elias. O tema é abordado três vezes nos Evangelhos. Vejamos.

A primeira, quando João está pregando no deserto e os sacerdotes e levitas chegam para interrogá-lo. Ele então nega ser Elias. Mas identifica-se como a voz do que clama no deserto...'" (E.S.E. cap. XV). No entanto, para os judeus essa "voz" havia sido prevista pelo profeta Malaquias como sendo a "voz" do precursor do Messias, identificado como Elias.

Segundo Elizabeth, João, por certo, teve um bom motivo para responder dessa forma. Negou ser Elias para evitar reações das autoridades políticas e religiosas, que mais tarde o decapitaram, mas, ao mesmo tempo, confirmou "veladamente" a sua reencarnação para tranqüilizar seus seguidores.

 

Jesus afirmou que João Batista era a Reencarnação de Elias

 

Observemos que, nas outras duas vezes em que a questão sobre Elias aparece, é o próprio Jesus a declara que João era Elias que "retornara". A primeira vez é quando João está na prisão e Jesus publicamente faz essa referência: "Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir". (E.S.E. cap. XV, 8 a 10)

Após a morte de João Batista, vamos encontrar a cena da transfiguração de Jesus no monte Tabor. Quando Jesus se transfigura, então Elias e Moisés aparecem e falam com Jesus. Quando descem do monte, os discípulos perguntam-lhe: "Porque dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro?". em outras palavras: "Se Elias deveria vir primeiro, como profeta, para preparar o caminho para a sua vinda, então por que ele aparece em seu corpo espiritual?

"O que está fazendo no céu se ainda não o vimos na Terra?" Segundo a narrativa de Marcos, Jesus responde: "(...) Digo-vos, porém, que Elias já veio, e fizeram-lhe tudo o que quiseram, como dele está escrito". Mateus apresenta a mesma história, acrescentando a seguinte frase: "Então entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista."

De acordo com Elizabeth, "os discípulos provavelmente entenderam que a declaração de Jesus  fizeram-lhe tudo o que quiseram' referia-se à decapitação de João, por ordem do rei Herodes Antipas.

Observando-se apenas esses três relatos, é razoável concluir-se que o princípio da reencarnação fazia parte dos ensinos de Jesus, como um mecanismo natural da lei do progresso e da evolução.

Muitos estudiosos, contrários a idéias da pluralidade das existências, acreditam que a questão da reencarnação de Elias em João, e sua referência por Jesus, na verdade, teria sido acrescentada pelos autores dos Evangelho, ou mesmo, pelos tradutores. Se analisarmos essa questão do ponto de vista meramente histórico, realmente tornar-se-ia difícil chegar a uma conclusão absoluta e irretorquível. Primeiro, porque as fontes primárias não foram conservadas, e segundo, porque os autores dos Evangelhos não eram historiadores, mas pessoas com limitações naturais de conhecimento e que puderam conservar pela memória, e/ou pelas tradições orais, os ensinamentos que Jesus lhes havia ministrado. As palavras do Cristo, disseminadas ao longo do tempo, foram transmitidas de boca em boca, e, posteriormente, transcritas em diferentes épocas, muito tempo depois de sua morte.

Não obstante a contribuição da Doutrina Espírita, nessa e em outras tantas questões, é realmente notável. Allan Kardec, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", no cap. IV, após analisar as informações dos espíritos superiores encarregados de orientar a codificação do Espiritismo, reafirma:

"A idéia de que João Batista era Elias e de que os profetas podiam reviver na Terra se nos depara em muitas passagens dos Evangelhos(...). Se fosse errônea essa crença, Jesus não houvera deixado de a combater, como combateu tantas outras e a põe por princípio e como condição necessária, quando diz: " Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.' E insiste, acrescentando: Não te admires de que eu te haja dito ser preciso nasças de novo".

Em "O Livro dos Espíritos", questão 222, novamente afirmou: "Muitos repelem a idéia da reencarnação pelo só motivo de ela não lhes convir.(...) De alguns sabemos que saltam em fúria só com o pensarem que tenham de voltar à Terra.".

 

Os Alexandrinos

 

Retornando a nossa análise história, encontraremos Filon de Alexandria (20 a.C. - 50d.C.), filósofo judeu e contemporâneo de Jesus, cujas idéias a respeito do objetivo da vida situava-se na própria integração com Deus através de sucessivas existências; teve um papel muito importante na combinação dos pensamentos grego e judaico. Filon e sua escola de pensamento davam uma interpretação alegórica do Antigo Testamento, conferindo-lhe um significado simbólico. A reencarnação fazia parte de sua visão filosófica sobre a vida: "As (almas) que se deixam influenciar pelo desejo de uma vida mortal(...) retornam a ela" - escreveu ele. Filon viveu na cidade de Alexandria, próximo do delta do Nilo, famosa por sua biblioteca e por ser um grande centro intelectual da época. Suas idéias influenciaram profundamente alguns patriarcas da igreja romana: Clemente de Alexandria, Orígenes e Ambrório. Filon era um erudito que acreditava e ensinava que o ser humano pode chegar a Deus pela sabedoria e pela transcendência.

Segundo Elizabeth, Orígenes (185 a 254 d.C.), que viveu em Alexandria, ao estudar os textos de Filon, em conjunto com os clássicos gregos de Platão e Pitágoras, passou a associar a idéia da justiça divina com a idéia das vidas sucessivas, fazendo a seguinte indagação: "se as almas não existiam previamente, por que encontramos cegos de nascença que nunca pecaram, enquanto outros nascem sãos?". Logicamente, chegava a conclusão de que a situação atual da criatura humana é oriunda, também, de suas ações pretéritas de outras vidas:

"Se o nosso destino atual não fosse determinado pelas obras de nossas passadas existências, como poderia Deus ser justo, permitindo que o primogênito servisse o mais moço e fosse odiado, antes de haver praticado atos que merecessem a servidão e o ódio? Só as vidas anteriores podem explicar a luta de Esáu e Jacó, (...) e outros tantos fatos que seriam o opróbrio da justiça divina, se não fosse justificados pelas ações boas ou más praticadas em anteriores existências".

A partir do século IV, no entanto, a idéia das vidas sucessivas, que era naturalmente difundida, mexeria profundamente com as estruturas de interesse da igreja romana. Um padre chamado Ário, que viveu de 250 d.C. - 336 d.C., nascido no Líbano, ensinava que Jesus era filho de Deus; logo, Jesus teve um princípio. A proposta de Jesus seria nos ensinar como chegar a Ele. Ário defendia que isso seria possível através de sucessivas existências físicas. As idéias arianistas ensejaram o concílio de Nicéia, uma cidade a beira de um lago a sudeste de Constantinopla, em junho de 325. O ponto central dos debates era se Jesus havia sido criado ou não. Se houvera sido criado, conforme entendiam os arianistas, então o progresso poderia ser alcançado por nós se seguíssemos simples e tão somente, os seus ensinamentos. Mas se ele não houvesse sido criado, sendo portanto igual a Deus, como desejavam os ortodoxos, seria totalmente distinto da criação.

Nesse caso, a criatura humana para atingir a "salvação" dependeria exclusivamente da subserviência aos princípios da igreja romana. É claro que o concílio rejeitou a primeira idéia e aprovou a segunda. Com isso as idéias de Ário tornaram-se heréticas e suas obras proibidas.

 

Anatematizando a Reencarnação

 

Orígenes, que havia concordado com Ário que o objetivo de Jesus era ensinar os seres humanos como atingir a divindade, discrepando dos ortodoxos literaristas, seria sistematicamente condenado em suas idéias entre os séculos V e VI. Justiniano (527-565 d.C.), imperador romano, por volta da primeira metade do século VI, tomou o partido dos antiorigenistas, promulgando um édito onde condenou dez princípios ensinados por Orígenes, inclusive a pluralidade das existências. No entanto, somente no ano 553, ao convocar o Quinto Concílio Geral da Igreja, o princípio da reencarnação seria definitivamente abolido. Esse concílio incluía efetivamente o origenismo na lista dos movimentos heréticos: "se alguém afirmar a fictícia preexistência das almas, afirmará a monstruosa restauração que dela decorre que seja anatematizado" (Restauração" significa o retorno da alma à união com Deus).

 

A princípio, Agostinho lutou contra a permanência do conceito de reencarnação na doutrina da Igreja.

 

Naturalmente a visão reencarnacionista ensejava, desde os seus primórdios, a concepção do ser humano ser autor de seu próprio destino e, portanto, dependeria somente do indivíduo e seu livre-arbítrio, lograr o progresso ou a "salvação", e de mais ninguém. Evidentemente essa proposta desarticulava os interesses de supremacia político-religiosos da época. Tanto é verdade que Agostinho (354-430 d.C.) chegou a escrever uma carta ao Papa Inocêncio I, advertindo-o sobre a necessidade de condenar-se as idéias sobre as vidas sucessivas, sob pena de a Igreja perder a sua própria autoridade. Logo, o princípio do esforço pessoal e não simplesmente a aceitação de regras impostas colidia diretamente com o "fora da igreja não há salvação". Com a rejeição da reencarnação, a igreja teve que encontrar uma outra explicação para a ocorrência de fatos negativos a pessoas boas. Sem as ações passadas para explicar as diferenças entre os destinos, restou à igreja aceitar a doutrina do pecado original elaborada por Agostinho, que se tornou o mais influente teólogo da igreja. Assim se expressa Elizabeth: "O pecado original também era um conceito atraente para os governantes seculares. Como a doutrina firmava que o homem era naturalmente mau, ele seria, obviamente, incapaz de governar a si próprio. Assim, deveria obedecer os seus governantes(...) Certamente foi uma ideologia que servia às necessidades das classes dominantes da sociedade romana".

 

Agostinho, o retorno à reencarnação

 

Agostinho passou nove anos adepto do maniqueísmo, que combinava idéias cristãs, gnósticas e budistas, antes de voltar-se para o cristianismo. Certamente, nesse período, manteve contato com as idéias reencarnacionistas, uma vez que esse princípio fazia parte dos ensinamentos do profeta Mani. Todavia, com a elaboração de sua teologia a posteriori, deixou-se envolver pelos conflitos pessoais e negativistas que somente a obra do tempo poderia retificar. Foi assim que, com o passar dos séculos, Agostinho aprimorando seus paradigmas sobre os mecanismos pelos quais a justiça divina se manifesta, retornaria ao cenário do mundo, na segunda metade do século XIX, na tarefa de "reascender" na Terra o elo, não "perdido", mas "esquecido" do cristianismo: a reencarnação. Ao compor a plêiade de espíritos superiores que orientaram o trabalho de Allan Kardec na codificação do Espiritismo, Agostinho tem oportunidade de afirmar: "Como é bela essa missão! Assim, com que alegria vimos a vós para vos dar a conhecer os desígnios divinos! Para vos revelar as maravilhas do além-túmulo! Mas vós, que já sois iniciados nessas sublimes verdades, espalhai a semente em vosso derredor e a recompensa será bela".

 

A Reencarnação dignifica a Vida

 

Consubstanciando a Lei do Progresso, a reencarnação propicia sentido à existência humana. O seu princípio está na natureza, e, como tal, não pode ser excluído pelo ser humano. Variando-se as culturas e o tempo, a idéia reencarnacionista sempre acompanhou e acompanhará o pensamento humano ao longo de sua historiografia. Cabe ressaltar que a Doutrina Espírita, representando a síntese do conhecimento humano, em suas expressões científica, filosófica e religiosa, oportuniza uma cosmovisão da vida e, pelo apelo que faz à razão e ao bom-senso, estimula o ser humano à ação do bem: "Fora da Caridade não há salvação", isto é, o Espiritismo não diz que fora dele não há salvação, mas apresenta-nos a caridade, como normativa natural de libertação dos ciclos reencarnatórios em desajustes, convidando-nos à plenitude e, portanto, ao aproveitamento máximo de nossa atual existência.

 

Autor: Jerri Roberto S. de Almeida - (Professor de História e dirigente Espírita) (Revista "A Reencarnação", nº 421)

 

 

 

 

 

 

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