"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 24.02.10 às 23:36link do post | favorito

 

Examinem tudo e fiquem com o que é bom. (Paulo de Tarso, 1Ts 5,21).
Em busca da solução para a dor e o sofrimento, os povos primitivos inventaram uma lenda com a qual pensavam justificá-los. Daí surgiu a lenda de Jó. Não, caro leitor, nós ainda não estamos necessitando ser dominados com uma camisa de força; mas usaremos a força dos argumentos para provar o que estamos falando com essa análise que faremos do livro de Jó.
Alguns tradutores afirmam:
“A literatura sapiencial floresceu emtodo o AntigoOriente. Ao longo de suahistória, o Egito produziu escritos de sabedoria. Na Mesopotâmia, desde a época sumérica, foram compostosprovérbios, fábulas e poemassobre o sofrimento que se assemelham ao livro de Jó”.
(...)
Não é de admirarque as primeiras obras sapienciais de Israel se pareçam muitocom a de seusvizinhos: todas elas provêm do mesmoambiente”. (Bíblia de Jerusalém, p. 797).
“... o autorusa uma antigalendasobre a retribuição (1,1-2,13; 42,7-17), omitindo o final (42,7-17) e substituindo-o por uma série de debatesque mostram o absurdo da teologiaemvoga, incapaz de atender à novasituação (3,1-42,6)”. (BíbliaSagradaEdiçãoPastoral, p. 639)
O autortomacomoponto de partida uma lendacomum na época e, comleves retoques, a relata em 1,1-2,13. O finalprimitivo dessa lenda se encontraem 42,7-17. A intenção é substituir o final da lendapelodebateque se encontraem 3,1-42,6”. (BíbliaSagradaEdiçãoPastoral, p. 640).
“Da naturezapoética do livro se segue quenão se deve insistir na veracidade histórica de cadapasso da discussão. Além disso, a própriaíndole do diálogo supõe que o autornão tenha queridoaprovar todas as idéias expressas pelosinterlocutores. A chave da composiçãoconexa está em 42,1-8: Jó, embora tendo umconceitoelevado de Deus, pecou porpresunção e violência; aos seusamigos, pelocontrário, faltou o conceito adequado de Deus e de suaProvidência”.
O prólogo e o epílogosãoficções literárias. Discute-se a historicidade da pessoa de Jó; a opiniãomaisplausível é a de quetambém seja uma personagemfictícia, pois o objetivo da obranão é contar a história de um sofredor, e sim, oferecer uma solução e umconsolo a todos os que sofrem...”. (BíbliaSagradaEdições Paulinas, p. 579).
Como se vê, desde tempos imemoriais, os “donos” das religiões sempre fizeram suas interpolações (usando até lendas, como aqui) e que, para dar força a elas, as atribuía à divindade a que eles prestavam culto.
Lembramo-nos muito bem, quando, nos primeiros contatos com as letras, nossa professora primária, para entreter a turma e desenvolver-lhes a imaginação, contava as famosas histórias infantis. Invariavelmente iniciava assim Era uma vez...” buscando atrair a atenção dos alunos e criando, desde o início, um clima de expectativa. Bom, poderá nos perguntar: mas o que tem isso a ver com o assunto que você se propõe a falar? O que estamos propondo, caro leitor, é uma relação direta entre essas histórias e a história de Jô; veja como se inicia o relato bíblico:
Era uma vezumhomem chamado Jó, que vivia no país de Hus. Eraumhomemíntegro e reto, que temia a Deus e evitava o mal. (Jó 1,1)
É estonteante a correlação entre as histórias infantis e essa que estamos citando. Aliás, sobre esse país de Hus instala-se cizânia geral sobre onde se localiza:
Ø       Hus, não identificada, masporcerto, situada ao oriente da Palestina. Há quem a coloque no Hauran, sul de Damasco (cf. Gen. 36,28; Lam 4,21),... (BíbliaSagradaEdições Paulinas, p. 580)
Ø       Emboranão saibamos comcertezaonde se encontra Hus, sabemos quenão é territórioisraelita. (Bíblia do Peregrino, p. 1062).
Ø       Terra de Hus é o território de Edom, fora de Israel... (BíbliaSagradaVozes, p. 634).
Ø       ... Jó, que viveu em Hus, provavelmente a sudoeste do MarMorto,... (BíbliaSagrada - Santuário, p. 733).
Ø       Ficava a sudeste da Palestina, na Iduméia ou Edom (cf. Lm, 4,21). (Bíblia Barsa, p. 389).
Ø       Certamente ao sul de Edom (cf. Gn 36,28; Lm 4,21). (Bíblia de Jerusalém, p. 803).
No fundo, ninguém tem certeza de onde é, mas, para escapar dessa dúvida, alguns querem situá-la num lugar conhecido, esperando que os néscios acreditem neles. Consultamos vários mapas bíblicos e em nenhum deles encontramos a localização de Hus, obviamente por não saberem mesmo onde era ou, conforme acreditamos, não passa de uma ficção literária.
Mas, continuando:
Tinhasetefilhos e três filhas. Possuía tambémsetemilovelhas, trêsmilcamelos, quinhentas juntas de bois, quinhentas mulas e grandenúmero de empregados. Jó era o maisrico dos homens do Oriente. Os filhos de Jó costumavam fazerbanquetes, umdia na casa de cadaum, e convidavam as três irmãs paracomer e bebercomeles. Quando terminavam essesdias de festa, Jó os mandava chamar, para purificá-los. Ele madrugava e oferecia umholocaustoparacadaum deles, pensando: ‘Talvezmeusfilhos tenham pecado, ofendendo Deusemseucoração’. E Jó fazia assim todas as vezes” (Jó 1, 2-5).
Tal qual as estórias infantis, aqui também é realçada a riqueza de Jó e um pouco de sua vivência diária. Interessante, nesse relato, é que não são citados os nomes de seus filhos, como seria de se esperar, caso o relato fosse verdadeiro; nem mesmo o de sua mulher.
Embora não seja o que pretendemos abordar, vale uma digressão para um outro assunto, não menos curioso. É a questão de satanás, como sendo o deus do mal; leiamos:
Certodia, os anjos se apresentaram a Javé e, entreeles, foi tambémSatã. EntãoJavé perguntou a Satã: "De ondevocê vem?" Satã respondeu: "Fui dar uma voltapelaterra". Javélhe disse: "Você reparou no meuservo Jó? Na terranão existe nenhumoutrocomoele: é umhomemíntegro e reto, que teme a Deus e evita o mal". Satã respondeu a Javé: "E é a troco de nadaque Jó teme a Deus? Tumesmo puseste ummuro de proteção ao redor dele, de suacasa e de todos os seusbens. Abençoaste os trabalhos dele e seusrebanhos cobrem toda a região. Estende, porém, a mão e mexe no queele possui. Garanto queelete amaldiçoará na cara!" EntãoJavé disse a Satã: "Poisbem! Faça o quevocê quiser com o queele possui, masnão estenda a mãocontraele". E Satã saiu da presença de Javé. (Jó 1, 6-12).
A expressão satanás, conforme nos informam vários tradutores bíblicos, quer dizer “acusador”, não sendo, portanto, um ser, mas apenas uma função. Imaginemos num Tribunal de Júri, o promotor de justiça que age na linha de acusação do réu, exatamente o que, no texto, se atribui a esse anjo. Confirmamos o que dizemos pela nota a seguir, relativa a essa passagem:
“A corteceleste, que decide os rumos da história, se reúne no estilo de uma corteoriental. Satã, que significa adversário no tribunal, não é aqui a personificação do mal, e sim uma espécie de investigador...” (BíbliaSagradaEdiçãoPastoral, p. 640).
Observar que, se na narrativa está se afirmando que entre os anjos que se apresentaram a Javé estava também satanás, é porque ele, evidentemente, era um deles. E se estava junto com os outros não era anjo mau coisíssima nenhuma. Seria a mesma coisa que se dizer que o Promotor de Justiça, que é o outro pólo de que necessita a sociedade para o equilíbrio da Justiça, é um advogado mau, pelo simples fato de exercer a função de acusador.
Entretanto, não sabemos de onde a teologia retira que ele, satanás, é um anjo mau. Só por pura extrapolação, pois, pelo que se vê do relato bíblico, a única coisa que fez foi ferir um pouco o orgulho de Javé. Isso porque, quando Javé disse que Jó era um homem íntegro, o anjo respondeu que ele era assim só porque “os braços” de Javé se estendiam sobre ele, protegendo-o e proporcionando-lhe as regalias terrenas, mas que, se não tivesse isso, talvez Jó não se comportasse daquele modo. Aí Javé deixa que o anjo retire de Jó tudo quanto tinha para ver se assim ele ainda se manteria firme na sua integralidade, como se em algum momento Deus pudesse ter dúvida sobre qualquer coisa ou sentisse a necessidade de alguém lhe provar algo que pensava ser verdadeiro.
Muitos têm a Jó como o “paciente sofredor”; mas será mesmo? Veja:
Então Jó abriu a boca e amaldiçoou o dia do seu nascimento, dizendo: ‘Morra o diaemque nasci e a noiteemque se disse: 'Ummenino foi concebido'. Queessedia se transforme emtrevas; queDeus, do alto, não cuide dele e sobreelenão brilhe a luz. (Jó 3,1-4).
         A pergunta é: uma pessoa paciente amaldiçoa o dia em que nasceu ou isso é tipo dos impacientes? Como se diz; perguntar não ofende.
         Mas, não bastasse isso, continua o impaciente e já revoltado Jó:
Porquenão morri ao sair do ventre de minhamãe, ounão pereci ao sair de suasentranhas? Porquedoisjoelhosme receberam, e doispeitosme amamentaram? Agoraeu repousaria tranqüilo e dormiria empaz, juntocom os reis e governantes da terra, que construíram túmulossuntuososparasi, oucom os nobresque possuíram ouro e encheram de prataseusmausoléus. Agoraeu seria umaborto enterrado, uma criaturaquenão chegou a ver a luz”. (Jó 3,11-16).
O nosso amigo apelou feio, pois disse ter sido preferível que tivesse sido abortado. Atitude compreensível para os que, advogando a vida única, não encontra explicação para a dor e o sofrimento, cujo entendimento só poderá ser justificado se aceitarmos a reencarnação, única situação em que a justiça de Deus se manifesta em plenitude. Mas, apesar disso tudo, encontramos em Jó verdades que bem se aplicam aos que acreditam na reencarnação:
Peloqueeu sei, os que cultivam injustiça e semeiam miséria, sãoessesque as colhem” (Jó 4,8).
E o homem gera seupróprio sofrimento, como as faíscas voam paracima (Jó 5,7).
         Dessa fala de Jó retiramos a Lei de Causa e Efeito, comumente denominada de carma, cuja relação com a reencarnação é direta; quem acredita em uma delas acredita também na outra.
Há em Jó uma afirmação que os teólogos fazem de tudo para mudar-lhe o sentido. Leiamo-la:
Entãoumespírito passou pordiante de mim; fez-me arrepiar os cabelos do meucorpo; parou ele, masnãolhe discerni a aparência; umvulto estava diante de meusolhos; houve silêncio, e ouvi uma voz:...” (Jó 4,15-16).
Aqui fica evidente, por demais, o fato de Jó ter percebido um espírito; entretanto, os não comprometidos com a verdade, mas com seus próprios dogmas, mudam a palavra “um espírito” por umsopro (Bíblias: Vozes, Ave Maria, Paulus) ou por umvento (Bíblia Pastoral). Lamentável!
         Um conselho de Jó:
“Consulte as geraçõespassadas e observe a experiência de nossosantepassados. Nós nascemos ontem e não sabemos nada. Nossosdiassãocomosombra no chão. Os nossosantepassados, no entanto, vão instruí-lo e falar a vocêcompalavrastiradas da experiência deles”. (Jó 8,8-10).
Mesmo não sendo o sentido que iremos dar, é, por sinal, um sábio conselho, pois os nossos antepassados podem nos orientar com suas experiências pessoais, de modo que não venhamos a errar em coisas que poderemos ter conhecimento para fazer da forma certa. Considerando que àquela época havia muito pouca coisa escrita, como consultar as gerações passadas se seus componentes já morreram e levaram para o sepulcro seus conhecimentos? Simples: Evocando-os para lhes consultar o espírito, e, evidentemente, estamos falando aos que acreditam na possibilidade da comunicação com os mortos. Aos que não acreditam, perguntaremos: Teria algum sentido Moisés proibir de se comunicar com os mortos se isso não existisse ou não fosse possível?
Muitos acreditam que o homem ainda vem pagando pelo pecado de Adão e Eva; aliás, isso parece muito com a dívida externa brasileira, que governo nenhum consegue pagar; e disso tiram que os filhos pagam pelos erros dos pais; mas Jó parece não concordar com isso:
“Dizem queDeuscastiga os filhos do injusto! Ora, faça que o injustomesmo pague e aprenda: que veja comseusprópriosolhos a desgraça, e beba a ira do Todo-poderoso. Pois, o quelhe importa a suafamíliadepois de morto, quando o tempo de suavida tiver chegado ao fim?” (Jó 21,19-21).
Pena que, em sua justificativa, Jó demonstra não acreditar na vida após a morte, evidenciando uma posição incontestavelmente materialista: morreu acabou.
Um ponto fundamental levantado por Jó, mas, infelizmente, ainda não assimilado pela grande maioria das pessoas:
Deuspaga ao homemconforme as suasobras e retribui a cadaumconforme a suaconduta. Deus, na verdade, não age de modoinjusto. O Todo-poderosonuncaviola o direito”. (Jó 34, 11-12)
E mesmo assim, alguns ainda acham que, por pertencerem à determinada corrente religiosa ou por aceitarem Jesus como seu Senhor e salvador já estejam salvos. Doce ilusão! A justiça é clara: a cada um segundo suas obras.
Diante da afirmação acima de que Deus “retribui a cadaumconformesua conduta”, como explicar que alguém tenha nascido aleijado se Deus corrige o homemtambémcom o sofrimento na cama”? (Jó 33,19). Explicação lógica somente se acreditarmos na pré-existência do espírito e na reencarnação; aliás, para nós, é o grande problema insolúvel de Jó: mesmo justo ainda sofre. Como não podiam atribuir esse sofrimento a Deus, por ser injusto, inventaram esse teste da “paciência”.
A falta de conhecimento das leis da natureza fazia com que o povo hebreu atribuísse a uma atitude de Deus determinados fenômenos naturais como, por exemplo:
“Enche as mãoscomraios e atira-os no alvocerto. O trovão anuncia a chegada dele, e a suaira se acende com a injustiça”. (Jó 36,32-33).
         E ainda há quem diga que a Bíblia é totalmente de inspiração divina. Ô, coitado! Mas a coisa fica bem pior, quando atribuem solidez ao céu (firmamento):
Poracasovocê estendeu comele o firmamento, sólidocomoespelho de metal fundido?” (Jó 37,18)
A palavra firmamento vem de firme, já que acreditavam que o céu, esse azul que vemos acima de nossas cabeças, era totalmente sólido. Para o povo hebreu havia de ser assim, pois era a única maneira de explicar a existência das águas que caíam por ocasião das chuvas, já que não conheciam o fenômeno da evaporação da água. Observar que em Gêneses já encontramos essa idéia:
Deus disse: ‘Que exista umfirmamento no meio das águasparasepararáguas de águas!’ Deus fez o firmamentoparaseparar as águasque estão acima do firmamento das águasque estão abaixo do firmamento. E assim se fez. E Deus chamou ao firmamentocéu’". (Gn 1, 6-8).
         Essa é também mais uma das inúmeras passagens que não podemos atribuir como sendo de inspiração divina, já que são evidentemente frutos da cultura daquela época.
Muito curioso é que algumas passagens sugerem a idéia da pré-existência da alma, bem como, a reencarnação, como essa, por exemplo:
Certamentevocê sabe disso tudo, poisentão havia nascido e viveu muitíssimos anos. (Jó 38,21).
         Se alguém nos descrevesse um animal dessa forma:
Suas costas são fileiras de escudos, ligados com lacre de pedra; são tão unidos uns com os outros, que nem ar passa entre eles; cada um é tão ligado com o outro, que ficam travados e não se podem separar. Seus espirros lançam faíscas, e seus olhos são como a cor rosa da aurora. De sua boca irrompem tochas acesas e saltam centelhas de fogo. De suas narinas jorra fumaça, como de caldeira acesa e fervente. Seu bafo queima como brasa, e sua boca lança chamas. Em seu pescoço reside a força, e diante dele dança o terror.
Que idéia nós iríamos ter desse animal? Exato: um dragão! Pois é, caro leitor, na Bíblia há a descrição de um animal assim... Veja:
Poracasovocê é capaz de pescar o Leviatãcomanzol e amarrar-lhe a línguacom uma corda? Você é capaz de furar as narinas dele comjunco e perfurarsuamandíbulacomgancho? Será queele viria atévocêcom muitas súplicasoulhe falaria comternura? Será que faria uma aliançacomvocê, paravocêfazer dele o seucriadoperpétuo? Você brincará comelecomo se fosse umpássaro, ouvocê o amarrará parasuas filhas? Será que os pescadores o negociarão, ou os negociantes o dividirão entresi? Poderá vocêcrivar a pele dele comdardosou a cabeçacomarpão de pesca? Experimente colocar a mãoemcima dele: você se lembrará da luta, e nuncamais repetirá isso! Veja! Diante dele, todasegurança é apenasilusão, poisbastaalguém vê-lo paraficarcommedo. Ninguém é tãocorajosopara provocá-lo. Quempoderia enfrentá-lo cara a cara? Quemjamais se atreveu a desafiá-lo, e saiu ileso? Ninguémdebaixo de todo o céu. Não deixarei de descrever os membros dele, nemsuaforçaincomparável. Quem abriu suacouraça e penetrou porsuaduplaarmadura? Quem abriu as duas portas de suaboca, rodeadas de dentesterríveis? Suascostassão fileiras de escudos, ligados comlacre de pedra; sãotão unidos uns com os outros, quenemarpassaentreeles; cadaum é tão ligado com o outro, que ficam travados e não se podem separar. Seusespirros lançam faíscas, e seusolhossãocomo a corrosa da aurora. De suaboca irrompemtochas acesas e saltam centelhas de fogo. De suasnarinasjorrafumaça, como de caldeiraacesa e fervente. Seubafoqueimacomobrasa, e suabocalançachamas. Emseupescoço reside a força, e diante dele dança o terror. Os músculos do seucorposãocompactos, sãosólidos e imóveis. Seucoração é durocomorocha e sólidocomopedra de moinho. Quandoele se ergue, os heróis tremem e fogem apavorados. A espadaque o atinge nãopenetra, nem a lança, nem o dardo, nem o arpão. Paraele o ferro é comopalha, e o bronzecomomadeirapodre. A flechanão o afugenta, e as pedras da funda se transformam empalhaparaele. A maça é paraelecomoestopa, e ele zomba dos dardosque assobiam. Seuventre, coberto de escamas pontudas, é uma grade de ferroque se arrasta sobre o lodo. Ele faz ferver o fundo do marcomocaldeira, e a águafumegarcomovasilhaquentecheia de ungüentos. Atrás de sideixa uma esteirabrilhante, e a água parece cabeleirabranca. Na terraninguém se iguala a ele, pois foi criadoparanãotermedo. Ele se confrontacom os seresmaisaltivos, e é o rei das ferassoberbas". (Jó 40,25-41,26).
         Vejamos como nos explicam a palavra Leviatã:
Leviatã (ou também o Dragão, a Serpente Fugitiva – cf. 26,13; 40,25+; Is 27,1; 51,9; Am 9,3; Sl 74,14; 104,26) era, na mitologia fenícia, monstro do caos primitivo (cf. 7,12+); a imaginação popular podia sempre recear que despertasse, atraído por uma eficaz maldição contra a ordem existente... (Bíblia de Jerusalém, p. 805).
         Assim, vemos aqui que a cultura de outros povos está influenciando um autor bíblico. Daí concluirmos que realmente não dá para aceitar que a inspiração divina seja responsável por isso.
         Vamos agora analisar a última passagem do livro de Jó:
“E Javé abençoou a Jó, maisainda do queantes. Ele possuía agoracatorzemilovelhas, seismilcamelos, miljuntas de bois e mil jumentas. Teve setefilhos e três filhas: a primeira chamava-se Rola, a segunda Cássia e a terceiraAzeviche. Emtoda a terranão havia mulheresmais belas do que as filhas de Jó. E o seupai repartiu a herançaentreelas e os irmãos delas”. (Jó 42,12-15).
Esse final glorioso de Jó é deveras muito intrigante, pois, enquanto os seus filhos continuaram na mesma quantidade (Jó 1,2), os seus bens duplicaram em relação à sua posse anterior (Jó 1,3). Será que os bens terrenos terão mais valor que os nossos filhos? Outra coisa: para o povo judeu a mulher não tinha nenhum valor; por isso é estanho a citação dos nomes das filhas de Jó, quando o esperado, se fosse para citar algum nome, seriam os dos seus filhos. Por outro lado, as filhas só receberiam herança se não houvesse filhos para recebê-la: Depois diga aos filhos de Israel: 'Se umhomemmorrersemdeixarfilhos, passem a herançapara a filha dele”. (Nm 27,8).
Por essa passagem fica confirmado que a idéia de uma vida após a morte ainda não era pensamento comum; daí suporem que as bênçãos de Deus deveriam ser dadas em bens terrenos e não em bens espirituais, ou seja, para uma vida no plano espiritual.
Conclusão
         De certa forma a nossa opinião já foi dada no desenrolar deste estudo; por isso, vamos, por termos achado fantástica, transcrever a opinião de Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin, tradutores da Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, publicação da Paulus:
“... percebemos que o livro de Jó é uma crítica de toda teologia que se pretenda definitiva e universal. Essa teologia pode se tornar um verdadeiro obstáculo para a própria experiência de Deus. E aqui o autor dá o seu recado: É preciso pensar a religião a partir da experiência de Deus e não de uma teoria a respeito dele”.
(...)
“O livro é um convite para nos libertar da prisão das idéias feitas e continuadamente repetidas, a fim de entrar na trama da vida e da história, onde Deus se manifesta ao pobre e se dispõe a caminhar com ele para construir um mundo novo. Tal solidariedade de Deus se transforma em desafio: Estamos dispostos a abandonar nossas tradições teológicas para nos solidarizar com o pobre e fazer com ele a experiência de Deus?” (p. 639).
Como se diz popularmente: falou pouco e disse tudo.

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“A cada um segundo o seu conhecimento.”

Independente do que estamos interpretando, o que vamos “ver” é tudo quanto nossa mente conseguirá assimilar, levando-se em conta os dados com os quais nosso cérebro foi alimentado, no decorrer de nossa existência como espírito imortal. Poucos conseguem se livrar disso, para enxergar um pouco “além do véu”, de forma a entender o sentido mais amplo, saindo da letra que mata, para ir ao encontro do espírito da letra.
Percebemos que a exegese aplicada aos textos bíblicos, na maioria das vezes, está condicionada a esse fator, e é por isso que há tantas interpretações para uma mesma passagem; inclusive, acontece até mesmo o caso de serem contraditórias umas com as outras. Observa-se que, para certos exegetas, a narrativa do autor bíblico pouco importa, pois o que se torna mais importante para eles é que o seu entendimento, do que está escrito, seja a verdade. Essa é a outra face dessas interpretações.
Leiamos, para exemplificar, a seguinte frase:
Mt 11,14-15: “E se vocês o quiserem aceitar, João é Elias que devia vir. Quem tem ouvidos, ouça."
A interpretação desse passo se divide em dois pensamentos extremos e completamente opostos. Para os que acreditam na reencarnação, Jesus estaria afirmando, categoricamente, que João Batista é Elias em nova vida, ou seja, “a voz que clama no deserto” é a reencarnação do profeta tesbita. Enquanto que, para os contrários, não é isso que o texto diz. Nele, ao invés de verem a reencarnação, vêem apenas que o ministério de João é semelhante ao que foi o do profeta Elias. Mas se for esse o caso, então esta fala de Jesus fica sem sentido:
Mt 17,12: “Mas eu digo a vocês: Elias já veio, e eles não o reconheceram. Fizeram com ele tudo o que quiseram".
A explicação da similaridade entre os ministérios dos dois profetas não cabe diante dessa afirmativa: “Elias já veio”, que não deixa nenhuma margem a outra interpretação, senão a de que João Batista foi Elias reencarnado, fato que, também, se explica por Jesus ter dito “eles não o reconheceram”, justamente porque agora estava num novo corpo.
A quem assistirá a razão? Aos que puderem entender que Jesus estava mesmo falando de algo ainda não aceito por todos, em virtude de, no passo anterior, ter completado: “Quem tem ouvidos, ouça”. Então, deveria ser um assunto controverso àquela época. Mas qual assunto? Sabemos que os saduceus não acreditavam na ressurreição (Mt 22,23), crença dos fariseus (At 23,8). Mas o que tem a ver ressurreição com reencarnação? Dependendo do contexto, muita coisa; aliás, são conceitos semelhantes. Como?! Expliquemos:
Lc 9,19: “Eles responderam: 'Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que tu és algum dos antigos profetas que ressuscitou'". (ver também Mt 16,14 e Mc 8,28).
Pelo que se pode entender, a palavra ressuscitar, nessa passagem, tem a nítida conotação de reencarnar. Se Jesus, segundo pensavam, poderia ser qualquer um dos antigos profetas, isso só seria possível de acontecer pela reencarnação. Por outro lado, como não combateu essa idéia de que alguém poderia vir como uma outra pessoa, o Mestre, de certa maneira, sanciona a crença na reencarnação, pois, se não fosse uma realidade ele a teria negado de forma veemente, para não deixar que as pessoas pensassem equivocadamente a respeito desse assunto.
Russell Norman Champlin, renomado exegeta protestante, analisando a passagem Mt 16,14, correlata a essa de Lucas, disse:
«Uns dizem: João Batista». Mat. 14:1 demonstra que Herodes adotou essa teoria: «Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos». Provavelmente, então, alguns dos herodianos também pensavam assim. Essa idéia circulava entre o povo. Dificilmente podemos crer que muitos pensavam que João Batista ressuscitara dos mortos, porque a maioria sabia que Jesus e João foram contemporâneos. Tal teoria, portanto, reflete a doutrina da transmigração da alma. É óbvio que essa crença exercia influência nas escolas dos fariseus, e, ainda que nunca tivesse sido totalmente aceita por todo o povo, muitos indivíduos (provavelmente a maioria) aceitavam-na como verdadeira. Conforme tais idéias se tinham desenvolvido nas escolas dos fariseus, dizia-se que ainda viviam as almas dos grandes profetas, e que em tempo oportuno, em momentos de grande necessidade, como alguma crise nacional, etc., tais almas poderiam tomar corpo novamente. No caso de João Batista, não podemos afirmar que essa crença refletisse a idéia da «reencarnação», mas deve ser interpretada como «transmigração» ou «possessão». Porém, uma vez admitida a idéia que Jesus era Elias, Jeremias, ou outro personagem do passado, então se pode afirmar que essa crença era idêntica à «reencarnação». O termo «transmigração» é usado por muitas vezes como sinônimo de «reencarnação». A identificação de Jesus com João Batista, pelo menos, poderia preservar a identificação de Jesus com a esperança messiânica, porque era crença geral, entre o povo, que João era Elias reencarnado, e Elias seria o precursor do Messias. Mas pode-se afirmar, à base dessa idéia, que tais pessoas não aceitavam que Jesus fosse o Messias.(CHAMPLIN, 2005, p. 443). (grifo nosso).
E para corroborar que, naquela época, os fariseus acreditam na reencarnação, vejamos o que Flávio Josefo, o historiador hebreu, disse a respeito deles, pois daí veremos como entendiam o ressuscitar. Descrevendo a maneira de ver dos fariseus, fala:
Eles julgam que as almas são imortais, que são julgadas em um outro mundo e recompensadas ou castigadas segundo foram neste, viciosas ou virtuosas; que umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida e que outras voltam a esta. (JOSEFO, 2003, p. 416). (grifo nosso).
E, num outro momento, ele, que se declarou fariseu, se dirigindo aos soldados, derrotados na guerra contra os romanos, que pensavam em suicidar-se, disse-lhes:
...suas almas voam puras para o céu, para lá viverem felizes e voltar, no correr dos séculos, animar corpos que sejam puros como elas e que ao invés, as almas dos ímpios, que por loucura criminosa dão a morte a si mesmos são precipitados nas trevas do inferno;... (JOSEFO, 2003, p. 600). (grifo nosso).
Estabelecendo-se, então, a relação entre essas informações de Josefo com as constantes do Evangelho só poderemos concluir que a ressurreição, na qual acreditavam, tinha também o sentido de voltar a um outro corpo, ou seja, de reencarnação.
É com esse “espírito da letra” que devemos analisar o diálogo de Nicodemos com Jesus, pois que era um dos da classe dos fariseus, conforme se afirma no passo bíblico. Leiamos a passagem:
Jo 3,1-8: “Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. À noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: 'Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele'. Jesus lhe respondeu: 'Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus'. Disse-lhe Nicodemos: 'Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar no seio de sua mãe e nascer?' Respondeu-lhe Jesus: 'Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer de novo. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito”.
Aqui, o “nascer de novo” deveria ser entendido como reencarnar, que foi o que entendeu Nicodemos; daí a razão de sua pergunta a Jesus: “como pode um homem nascer, sendo já velho?”. Não temos como interpretar de outra forma; até mesmo porque, na seqüência, isso fica mais claro: “poderá entrar no seio de sua mãe e nascer?”. Portanto, ele, como fariseu, falava de reencarnar, embora tivesse dúvida de como isso ocorria.
Quando Jesus lhe responde, não diz que não era sobre isso que estava falando; antes, ao contrário, reafirma dizendo que a carne gera a carne, nosso corpo físico provém dos nossos pais, e que o Espírito gera o espírito, nosso espírito procede de Deus, estabelecendo, sem rodeios, a diferença entre essas duas cousas, as quais, por se tratarem de coisas terrenas, disse a Nicodemos que ele deveria saber.
As pesquisas levadas a efeito, por vários estudiosos, têm trazido a público evidências científicas que estão mais para sustentar a tese da reencarnação do que qualquer uma outra hipótese. A prova definitiva é, agora, apenas pura questão de tempo.
Os que não aceitam a reencarnação, geralmente acreditam na ressurreição da carne e na existência do inferno; entretanto, apesar de exigirem “provas” da reencarnação, nem mesmo uma única evidência científica têm para apoiar essas suas duas crenças, o que, dessa forma, os impede de contestar as que vêm reforçando a crença a favor da reencarnação.
Um outro argumento muito utilizado é dizer que a reencarnação não existe, porquanto, essa palavra não se encontra na Bíblia. O que, de fato, é verdadeiro, até mesmo porque essa palavra só aparece num dicionário em 1859, exatamente dois anos depois da publicação da primeira edição de O Livro dos Espíritos. O que não passa pela cabeça dos que assim alegam é que, por nossa vez, poderemos usar do mesmo tipo de argumento quanto à Trindade, na qual piamente acreditam, ou seja: a Trindade não existe porque essa palavra não consta da Bíblia.
 

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 24.02.10 às 23:33link do post | favorito

 

 

 

Os dogmas da divindade de Jesus e da Santíssima Trindade nunca foram definitivamente resolvidos. Eles surgiram nos concílios de Nicéia (325), Constantinopla (381), Éfeso (431) e Calcedônia (451). Jesus não é um Deus absoluto, mas relativo como nós (Salmo 82,6 e João 10,34). Ele ensinou que nós deveríamos amar uns aos outros como Ele nos amou. Ora, se Ele fosse Deus mesmo, amar-nos-ia com um amor infinito, e nós, então, jamais poderíamos amar-nos uns aos outros como Ele nos amou! E, se podemos fazer tudo que Ele fez e até mais, ainda, é também porque Ele não é Deus mesmo! Jesus é apenas o "Logos", o Demiurgo de Platão e de João Evangelista, ou seja, o Mediador entre Deus e os homens de São Paulo: "Há um só Deus (Theos") e um só Mediador ("Logos") entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem"(1 Timóteo 2,5). Jesus era Deus ("Logos") e estava com Deus ("Theos"), mas não era Javé (João 1,1).

O Concílio de Lyon (1274) instituiu o dogma do "Filioque", agravando mais, ainda, as divergências sobre esses assuntos e outros entre a Igreja Romana e a Ortodoxa Oriental. No tocante ao Espírito Santo, só podemos adiantar, com base na Bíblia, que Ele existe, mas, igualmente, Ele não é outro Deus, mas a comunhão dos espíritos humanos criados, que somos todos nós, inclusive Jesus. É o que lemos em 1 Coríntios 6,19: "Nosso corpo é santuário dum Espírito Santo" (nosso livro "A Face Oculta das Religiões", pág. 117 a 134). Os teólogos imaginaram que em Deus há três Pessoas Divinas. Mas Deus não é uma pessoa, quanto mais três! Deus é infinito. Se fosse pessoa, Ele seria finito! Ele é o Pai de todos nós, inclusive de Jesus. É o Único, isto é, o Javé, o Criador, o incriado e o ingerado.

Os teólogos são os responsáveis pela frieza dos cristãos e pelo ateísmo, pois, em pleno Terceiro Milênio, continuam ensinando teologias conflitantes, que os teólogos do passado criaram, mas que eles mesmos não entendiam e muito menos as entendem os de hoje!

 

 

 


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 24.02.10 às 15:32link do post | favorito

Orígenes de Alexandria

Carlos Antonio Fragoso Guimarães
 
 
Um pai da Igreja que acreditava na Reencarnação


Um dos maiores lumiares do início do cristianismo, "O maior erudito da Igreja antiga", segundo J. Quasten - pertencente à Igreja Grega e do Oriente, dica-se de passagem, enquanto a de Roma ainda não tinha a supremacia que viria a ter em virtude de manipulações políticas - Orígenes nos encanta por sua apurada visão espiritual e sua maneira especialmente lúcida de abordar a mensagem do Cristo. Nascido por volta de 185 de nossa era, em Alexandria - onde ficava a famosa biblioteca, marco único na história intelectual humana, e que foi destruída pela ignorância e sede de poder dos romanos e, depois, por pseudo-cristã os ensandecidos e fanáticos -, desde cedo teve contato com a doutrina de Cristo, especialmente com seu pai, Leonídio, que foi martirizado em testemunho de sua fé. Com isso, a família de Orígines passou a ser estigmatizada, tendo sido seqüestrado todo o patrimômio que lhe pertencia. Para sobreviver, o jovem e brilhante Orígines passou a lecionar para ganhar seu sustento. Mente curiosa e aberta, Orígines dedicava-se ao estudo e a discussão da filosofia, notadamente Platão e os estóicos. Orígenes bebeu da mesma formação intelectual que viria a ter Plotino, na escola de Amônio Sacas e, com certeza, as doutrinas ditas orientais não lhe eram estranhas, e muito menos a ênfase num conhecimento pisíquico direto com o transcendente que era típica da escola de Amônio, fundador do neoplatonismo e, também, um simpatizante (pelo menos em parte) do cristianismo. Por isso, com absoluta certeza, o conhecimento na doutrina Paligenética (da Reencarnação), tão cara a Platão e a Sócrates, lhe era muito familiar em sua fase de formação, e posteriormente ele viria a divulgá-la abertamente - este foi um dos motivos pelos quais foi perseguido pela vertente católico romana, e por isso, temos hoje poucos de seus escritos, mesmo assim, devidamente "maquilados" (c.f. Reale & Antiseri, 1990, volume I, página 413; e Fadiman & Frager em Teorias da Personalidade, 1986, ed. Harbra, páginas 175-176).

 

Pouco antes do nascimento de Orígenes, um estóico chamado Panteno havia se convertido à mensagem do Cristo, e fundara uma escola catequética em Alexandria. Em 203 o jovem Orígines assumiu a direção desta escola, atraindo muitos jovens estudantes pelo seu carisma, conhecimento e virtudes pessoais. Em 231, Orígines foi forçado a abandonar Alenxandria devido à animosidade que o bispo Demétrio (na verdade, um invejoso) lhe devotava. Orígines, então, passou a morar num lugar onde Jesus havia, muitas vezes, estado: Cesaréia, na Palestina, onde prosseguiu suas atividades com grande sucesso. Mas nem mesmo lá ele encontraria a paz, pois logo veio a onda de perseguição aos cristãos ordenada por Décio. Lá, Orígines foi preso e torturado barbaramente, o que lhe causou a morte, em 253 .

 

O pensamento de Orígenes e sua forma de interpretar o evangelho foi durante muito tempo causa de acesa polêmica entre os sofistas da igreja de Roma, ao ponto de algumas teses de seu pensamento serem oficialmente condenadas pelo imperador Justiniano que via nelas uma ameaça aos resquícios do pensamento antigo que considerava o imperador romano quase uma divindade e, posteriormente, que teve sua ratificação religiosa feita por um concílio católico-romano, em 553. Orígines também sofreu o triste e típico caso dos seguidores de um líder que pervetem a mensagem original.... Muito do que escreveu e disse Orígines foi reinterpretado e corrompido pelos origenistas, o que causou, junto com as condenações de Roma, uma perda em grande parte da sua enorme produção literária. Resta-nos dela Os Princípios, Contra Celso e Comentário a João.


O centro do pensamento de Orígines é Deus: "Deus não pode ser entendido como corpo, mas como uma realidade transcendente apenas passível de ser palidamente entendida como realidade intelectual e espiritual", diz ele. Deus não pode ser conhecido em sua natureza, por meio das limitações dos seres relativos que somos, pelo simples fato de que nossa percepções e concepções sobre tudo está sempre em transformação, quer em maturação, quer em uma espécie de regressão (basta ver o mundo a nossa volta para nos certificarmos disso). Qualquer idéia que possamos fazer de Deus é apenas uma projeção antropomórifca de uma dada época e que apenas toca de leve uma idéia ainda maior: "Deus, em sua realidade, é incompreensível e inescrutável. Com efeito, podemos pensar e compreender humanamente qualquer coisa sbre Deus, mas devemos também saber que Ele é amplamente superior a tudo àquilo que Dele pensamos (...)". Ou seja, temos uma intuição de Deus, não uma compreensão racional definitiva Dele. Aqui ouve-se claramente ecos do pensamento neoplatônico de Amônio Sacas, e Orígines até mesmo usou a expressão "acima da inteligência e do ser", muito famosa por ter sido utilizada por Plotino.

 

A compreensão da criação do universo por Deus, de Orígenes, nos lembra e muito a das tradições orientais, notadamente as da Índia e a dos mistérios gregos, e, principalmente, Platão e Plotino. Primeiro, Deus teria criado seres racionais e livres, todos simples e iguais entre si - e os criou à própria imagem, por serem seres dotados da capacidade de de desenvolver a razão. Mas a própria simplicidade original (a ignorância) os levaram, por meio da liberdade a que tinham direito, a divergirem no seu comportamento e, em sua busca por instrução, a se diferenciarem entre si (podemos encontrar um retorno a esta idéia no moderno espiritismo kardecista que diz que "todos os espíritos foram criados simples e ignorantes", sendo as diferenças entre eles fruto dos percalços e escolhas no caminho evolutivo individual de cada um). O mundo material e o corpo são conseqüências direta disto, pois tornaram-se necessários a fim de corrigir os erros dos espíritos que se afastaram demasiado de Deus. Mas o corpo não é, em absoluto, algo negativo, como diriam os platônicos e os gnósticos. É, isso sim, o instrumento e o meio mais eficaz para o aprendizado ou para a expiação de erros cometidos anteriormente. A alma, ou espírito, pois, preexistia ao corpo (Reale & Antiseri, História da Filosofia, vol. I, 1990), e a diversidade dos homens e de suas condições remonta à diversidade de comportamento na vida anterior.

 

A doutrina da reencarnação é uma constante em Orígines, como o fora anteriormente para Pitágoras, Sócrates, Platão, e toda a tradição órifca grega até Plotino. Orígnes tinha consciência de indícios desta doutrina no próprio evangelho, como em Lucas 1:13-17; Mateus 17:9-13 e em João, 3:1-15. Igualmente, com os mistérios gregos, admitia que nosso universo é constituido por uma série de "mundos" habitados, onde a alma se aperfeiçoa (isto séculos antes de Giordano Bruno e de Kardec). Diz-nos Orígines: "Deus não começou a agir pela primeira vez quando criou este nosso mundo visível. Acreditamos que (...) antes deste houve muitos outros". Tal concepção nos lembra, e muito, a concepção de Pierre Teilhard Chardin. Orígines, como Chardin, acredita que tudo no universo tende a voltar a Deus, o ponto ômega. Todos os espíritos se purificarão em sua marcha progressiva pela eternidade em direção a Deus, uma marcha longa e gradual, de correção e expiação, passando, portanto, por inúmeras reencarnações neste e em outros mundos! (Reale & Antiseri, 1990). Diz Orígines: "Devemos crer que (...) todas as coisas serão reintegradas em Deus (...). Isso, porém, não acontecerá num momento, mas lenta e gradualmente, através de infinitos séculos, já que a correção e a purificação advirão pouco a pouco e singularmente: enquanto alguns com ritmo mais veloz se apressarão como primeiros na meta, outros os seguirão de perto e outros ainda ficarão muito para trás. E assim, através de inumeráveis ordens (...)"

 

Orígines exaltou ao máximo a liberdade e o livre arbítrio de todas as criaturas do mundo, em todos os níveis de sua existência. Em certo sentido, Orígines tinha uma percepção Holística do mundo. No próprio estágio final ( o estágio próximo ao ponto ômega, como diria Teilhard Chardin ), será o livre arbítrio juntamente com uma compreensão esclarecida do sentido do universo que o espírito irá aderir ao amor de Deus, sábio e senhor de milhares de anos de experiência. Assim, terá cumprido o círculo, partindo do ponto de ignorância absoluta ao de sabedoria absoluta, sempre de e em direção a Deus.

 

Orígines também teve a suficiente visão e sabedoria para distinguir três níveis de leitura das escrituras:

1) o literal (muito usado ainda hoje pela maioria das igrejas evangélicas no Brasil),

2) o Moral e

3) e Espíritual, que é o mais importante e também o mais difícil. Cada um destes níveis indica um estado de consciência e amadureciamento espiritual e psicológico.

Como nos fala Reale & Antiseri, a importância de Orígines é notável em todos os campos. Ele quis ser, antes de tudo, um cristão, e o foi até as últimas conseqüências, suportantdo com heroísmo as torturas que o matariam, para permanecer fiel a Cristo.

 


Bibliografia Sugerida:
Giovanni Reale & Dario Antiseri: História da Filosofia, Editora Paulus, São Paulo,1990.
James Fadiman e Robert Frager: Teorias da Personalidade, Editora Harbra, São Paulo, 1986.

 


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