"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 23.02.10 às 23:32link do post | favorito

ESTE PESSOAL DESTE BLOG ACIMA, SÃO PESSOAS ARROGANTES, SEM CARATER.

 

 

"Os verdadeiros caráteres da ignorância são a vaidade, o orgulho e a arrogância."
"O caráter de um homem é formado pelas pessoas que escolheu para conviver."

 


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 23.02.10 às 03:50link do post | favorito

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O que efetivamente nos salva?

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Apreensivo, chega o fervoroso crente, junto ao seu líder religioso, e pergunta: Pastor, o que acontecerá agora com meu pai, que acaba de morrer: ele irá para o céu ou para o inferno? Você sabe, era um criminoso de mão cheia, tendo, em sua vida, cometido vários crimes. Gostaria de saber qual é o destino dele, pois, apesar de tudo o que fez, acreditava em Jesus, tinha uma fé inabalável e nem mesmo o dízimo se omitiu de pagar.

O Pastor pensou um pouco, procurando encontrar, em seus conhecimentos bíblicos, uma explicação plausível. Passados alguns minutos, respondeu: Meu caríssimo irmão, na Bíblia existe uma passagem que diz: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras para que ninguém se glorie. (Ef 2, 8-9), portanto, pela palavra de Deus, ele irá para o céu, pois tinha fé e a fé é o que nos basta para salvar-nos.

Amém Pastor! Respondeu o consulente mais tranqüilo e certo que seu pai estaria no céu.

Lembramo-nos, imediatamente, do que disse o profeta Isaías: Quando vossos juízos se exercem sobre a terra, os habitantes do mundo aprendem a justiça. Porém, se se perdoar o ímpio, ele não aprenderá a justiça, na terra da retidão ele se entregará ao mal e não verá a majestade do Senhor. (Is 26, 9-10 – Bíblia Sagrada Ed. Ave Maria). O pensamento de que se deve repreender um criminoso, é tão claro que ficamos querendo saber porquê algumas pessoas não o entendem.

Procuramos esta passagem em outra Bíblia, foi por aí que começamos a entender, o porquê das divergentes interpretações. Vejamo-la na versão da SBTB, cuja tradução é a normalmente adotada pelas correntes protestantes: “Porque, havendo os teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça. Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniqüidade, e não atenta para a majestade do SENHOR”. Aqui ter o entendimento igual ao que encontramos na anterior é realmente mais difícil, pois o pensamento está subentendido. Mas, embora varie na forma, o pensamento no fundo é o mesmo.

Se Deus deixasse de “castigar” um criminoso estaria pervertendo o juízo, isso não poderá acontecer: Porque, segundo a obra do homem, ele lhe paga; e faz a cada um segundo o seu caminho. Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo. (Jó 34, 11-12).

Ainda não conseguimos entender porque as pessoas divergem tanto em relação à nossa salvação. Para uns basta ter fé, para outros é necessário praticar as boas obras, o que deixa muitas pessoas em dúvida, sem saber qual é mesmo a base da nossa salvação.

Um dos autores bíblicos mais utilizado para sustentar a questão da fé, como maneira de se salvar, é Paulo. Sabemos que este apóstolo não foi discípulo de Jesus, inclusive, no início do cristianismo, perseguia os cristãos, até que um dia teve um encontro com o espírito de Jesus na estrada de Damasco. A partir deste episódio, passa a se dedicar de corpo e alma à doutrina daquele que o questionara: Saulo, Saulo porque me persegues? (Atos 9, 4).

Assume a missão de divulgar o Evangelho entre os pagãos, daí o chamarem de Apóstolo dos gentios. Faz diversas viagens para divulgar a Boa Nova. São dele as principais cartas contidas no Novo Testamento, nas quais iremos buscar o seu pensamento a respeito desse assunto.

Depois iremos ver o que outras pessoas pensavam, principalmente Tiago, Pedro, João e, decisivamente, aquele a quem nenhum ensino poderá contradizer: JESUS.

Pensamento de Paulo

Devemos confessar que não é nada fácil entender Paulo, pois às vezes parece contraditório, já que em algumas oportunidades leva-nos a crer que a fé é que salva, ao passo que em outras dá-nos a idéia que são as obras, enfim, as coisas ficam realmente muito confusas. Até Pedro reclamava isso de Paulo, veja: É o que, aliás, ele ensina em todas as suas cartas. Nelas existem passagens de difícil compreensão; e existem pessoas ignorantes e inconstantes que lhes deformam o sentido, como aliás o fazem com outras partes das Escrituras, para a sua própria ruína”. Pedro está absolutamente correto em seu pensamento, inclusive, o poderemos aplicar tranqüilamente aos dias de hoje, já que vemos pessoas “deformando o sentido das Escrituras. (2 Pedro 3, 26).

De início é bom colocarmos, a seguinte explicação:

O próprio Paulo não conheceu pessoalmente Jesus. O que ele fez foi a experiência do Cristo ressuscitado. Portanto, ao anunciar o Evangelho aos pagãos, foi preciso adaptá-lo à mentalidade dos ouvintes, respondendo às preocupações que eles tinham, conservado o que era essencial e deixando de lado o que não era importante”.[1] Isso é importante ter em mente, já que o apóstolo dos gentios usava linguagem adequada aos ouvintes, o que, em algumas situações, leva à aparente contradição no que fala.

Vejamos alguns trechos de Paulo, que colocaremos na ordem cronológica aceita pelos exegetas:

1 Tessalonicenses 1, 2-3: Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações, lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai,

Nesta primeira passagem que analisamos, observamos Paulo dar graças a Deus porque todos praticavam “obra da fé”, “trabalho do amor”, já deixando-nos mais seguros quanto ao seu pensamento a respeito do que irá nos salvar.

1 Coríntios 13, 1-13: Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

Fica claro que Paulo prega o amor acima de tudo. Explicam: À diferença do amor passional e egoísta, a caridade (agape) é um amor de dileção, que quer o bem do próximo (Bíblia de Jerusalém). Ainda encontramos: Amor. A palavra grega é agape. Agape é mais que afeição mútua; expressa a valorização altruísta no objeto amado (Bíblia Anotada).

Nessa passagem está óbvio que o amor (caridade) é maior que a fé, embora não quer dizer que não necessitamos da fé, pelo contrário é por termos fé que praticamos a caridade.

2 Coríntios 5, 10: Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.

O Apóstolo Paulo volta a falar novamente sobre o “a cada um segundo suas obras”, reafirmando o seu pensamento.

Gálatas 2, 16: Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.

Vejamos o que Paulo diz a respeito de não ser justificado pelas obras. Afinal, de que obras ele fala? Trata-se das obras da Lei, ou seja, Lei de Moisés. Ela, depois do advento de Jesus, não poderá servir como base de salvação para os que se dizem cristãos. Devemos, pelos nossos atos, ser justificados, ou seja, tornaremos justos, pela fé em Cristo. Mas voltamos a dizer, não fé estática, só pela fé operante. Também João percebeu isso: Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. (João 1, 17).

Esta passagem merece ser completada pelo estudo que L. Palhano Jr faz em seu livro “Aos Gálatas – A Carta da Redenção”. Diz Palhano:

Para compreendermos melhor o texto acima, é preciso meditar e entrar no verdadeiro significado das expressões: ‘justificado’, ‘obras da lei’, ‘fé’ e ‘carne’. É o que pretendemos fazer a seguir. O verbo empregado na epístola para justificado é dikaicó, característico de Paulo e tão empregado por ele, que é preciso entendê-lo de modo correto. Na margem da Revised Standard Version of Bible, o termo é traduzido como “tido por justo”, isto é, considerado justo ou aprovado aos olhos de Deus; e o ponto a ser decidido era a maneira pela qual o indivíduo alcançaria uma posição aceitável diante de Deus (Guthrie, D. Gálatas, introdução e comentários, São Paulo, Vida Nova, 1984, p. 107)”.

“Vamos agora à expressão ‘obras da lei’. Talvez devêssemos fazer aqui um parêntese para um estudo pormenorizado sobre essa expressão, mas não o faremos; acrescentá-lo-emos mais tarde ou em um apêndice. Por ora, vamos apenas destacar, sem mais delongas, o seu significado correto. A expressão grega ex ergon nomou tem sido traduzida para o português como “pelas obras da lei”, contudo pela proposta de Tenney (Tenney, M. C. Galatian: the charter of christiam liberty. Michigan, Eerdmans Publishing, 1950, p. 194), uma tradução mais exata seria “por obra legais”, isso porque a palavra ‘lei’ foi usada sem o artigo definido, principalmente em certas frases escolhidas que transmitem significações especializadas. A ausência do artigo usualmente significa que a qualidade do conceito escolhido é salientado, em lugar da sua identidade, embora em Gálatas e em outras epístolas, Paulo se refira à “lei mosaica” como a principal concretização do conceito. Em Roberton (Robertons, A. T. A grammar of the greek new Testament in the light of historical research, 3ª edição. New York, George H. Doran Co. 1919, p. 796) podemos ler claramente que, “em geral, quando nomos é indefinido em Paulo, refere-se à lei mosaica”, por conseqüente, ‘lei’, nessas instâncias, é um termo que se refere ao sistema de pensamento ou ao código de ação envolvido, em lugar de qualquer documento particular. É evidente então que Paulo estava se referindo não a que o indivíduo ‘não seria justificado por suas obras, mas sim, não seria justificado pelas obras da legalidade religiosa’, isto é, pelo cumprimento das formalidades preconizadas por códigos religiosos como ‘rituais’, ‘festas’, ‘cerimoniais’, ‘dogmas’, ou quaisquer exigências tais como ‘dízimos’, guardar os ‘sábados’, coisas deste tipo, mais que seria justificado ‘pela em Jesus Cristo’”.

“Para um conceito mais científico de fé, podemos dizer que ela é a capacidade de sintonizar-se com Deus (Jesus Cristo, no caso, o representa) e, para isso, é preciso reconhecer a sua paternidade divina, amando-o sobre todas as coisas (Mt 22, 37) e realizar a sua vontade, amando o próximo como a si mesmo (Mt 22, 39). Como ensinou Jesus, aí estão toda a lei e os profetas. É óbvio que essa fé tem que vir acompanhada de obras que a testifiquem; ter por ter de nada adianta. Dizer que crê em Cristo não salva ninguém, mesmo batendo no peito, porquanto”:

... a quem pensar que a fé por si só é suficiente, sou levado a dizer: Acreditais na existência de Deus? No inferno, os demônios também acreditam e, no entanto, estremecem. Porventura ainda não vê, ó homem sem percepção, que a fé sem obras é inútil e morta? (Tg 2, 19 e 20)”.

(...).

“Quanto à expressão ‘carne’ (grego sarx), ela quer dizer “ninguém, nenhuma pessoa viva”, será justificado “pelas obras da lei”. Trata-se de uma sinédoque, uma figura de linguagem comum da vida diária, como ‘cérebros’ em lugar de eruditos, ‘cabeças’ em lugar de gado e ‘vapor’ em lugar de navio. Temos assim as chaves da interpretação do versículo 2, 16. Ele é muito importante para o entendimento da proposta de Paulo, não entendida ou distorcida pelos ditos ‘doutos das igrejas’. Vamos concluir o estudo desse versículo, traduzindo-o para uma linguagem mais atual, que nos mostra como ele deve ser entendido”:

“Sabemos que o homem não é considerado justo nem aprovado por Deus pelo seu desempenho nas formalidades prescritas na lei, mas pela operante em Jesus Cristo. Nós próprios somos reconhecidos justos pela nossa fé e não pela obediência ao estipulado como lei, por reconhecermos que ninguém pode salvar-se apenas por praticar liturgias (obras da lei)”. (grifos do original).

Gálatas 5, 4-6: Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído, Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça. Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor.

A expressão “a fé que opera pelo amor”, dá-nos a verdadeira idéia de Paulo a respeito do amor. Conforme dissemos anteriormente, é o amor que faz a fé ser operante, não é, portanto, uma fé no sentido de somente se crer.

Gálatas 5, 14: Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

Não foi isso exatamente que Jesus disse, acrescentado que toda a Lei e os profetas se achavam contidos nesse mandamento.

Gálatas 6, 2: Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.

Levar a carga uns dos outros não é a ação na caridade por amor ao próximo? Não é assim, que conforme Paulo, estaremos cumprindo a lei do Cristo? Não são, portanto, das obras que fala? Com isso, fica difícil querer argumentar que é a fé que salva, não é mesmo?

Gálatas 6, 7-9: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.

É o que chamamos de Lei de Ação e Reação, vulgarmente denominada Carma. Não há como se iludir, tudo o que fizermos voltará contra nós ou a nosso favor. Se semearmos ódio, colheremos exatamente o ódio, se ao contrário, plantarmos amor; ceifaremos amor. Por isso, Paulo adverte para não nos cansarmos de fazer o bem, pois na colheita é isso que iremos colher.

Romanos 2, 5-8: Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; o qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade;

Nessa passagem não existe dúvida alguma no que diz Paulo sobre o juízo de Deus, que: “recompensará cada um segundo as suas obras”. Aqui não contradiz o que Jesus colocou, conforme iremos verificar posteriormente.

Romanos 2, 9-11: Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego; glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego; porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.

A recompensa é tribulação e angústia para quem faz o mal; glória, honra e paz para quem pratica o bem. Ora, isso só pode ocorrer pela ação do homem, ou seja, por suas próprias obras, o que podemos confirmar pela passagem imediatamente anterior. E para os que dizem serem os únicos salvos, ou os que se julgam a “religião eleita”, podemos acrescentar: “Deus não faz acepção de pessoas”. Assim, perguntamos de onde tiraram essa idéia absurda de que Deus estabelece qualquer tipo de privilégio?

Romanos 2, 13: Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.

Novamente estamos diante de um pensamento que não deixa margem a qualquer tipo de dúvida. Os que praticam a lei é que hão de ser justificados, não os que somente a ouvem. A prática é mais importante que a fé. Como se pratica a lei? Fazendo o bem ao próximo.

Romanos 3, 21-28: Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; isto é, a justiça de Deus pela em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela sem as obras da lei.

Paulo combatia veementemente os judeus judaizantes, que queriam de qualquer forma fazer com que os novos convertidos ao Evangelho, que ele chama de fé em Jesus Cristo, praticassem as exigências da Lei, ou seja, obras da Lei. A circuncisão, por exemplo, foi motivo de grandes controvérsias no cristianismo primitivo. Alguns queriam que os neófitos fossem circuncidados, conforme determina a Lei de Moisés, entretanto, outros como Paulo, achavam que não havia a mínima necessidade, já que a “graça” de Deus por meio de Jesus era superior às leis mosaicas. Assim, ao dizer que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei, está querendo dizer que o homem se torna justo ao aderir ao Evangelho de Jesus, não sendo mais necessário cumprir as “obras da Lei”, ou seja, a legislação mosaica. Deixando bem claro, que não está pregando a fé inoperante como supõem alguns, mas a fé demonstrada pelas ações a favor do próximo. Visto dessa forma não contraria nada do que disse e que já analisamos em itens anteriores.

Romanos 8, 28-30: E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.

Encontramos a seguinte explicação: “O projeto eterno de Deus é predestinar, chamar, tornar justo e glorificar a cada um e a todos os homens, fazendo com que todos se tornem imagem do seu Filho e reúnam como a grande família de Deus. O projeto não exclui ninguém. Mas o homem é livre: pode aceitar ou recusar tal projeto, pode escolher a vida ou a morte, salvar-se ou condenar-se” (Bíblia Sagrada, Ed. Pastoral, em nota de rodapé).

Veja bem, a questão da predestinação para sermos à imagem de Jesus. O que poderíamos dizer em outras palavras: Pela vontade de Deus todos nós estaremos um dia na mesma evolução que Jesus. Seremos justificados em Jesus, quando aplicarmos, no dia-a-dia, os seus ensinamentos sintetizados no amor incondicional.

Romanos 10, 4- Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê. Ora Moisés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas. Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo.) ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo.) Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo.

Se perdermos de vista o que Paulo disse anteriormente, poderemos concluir que agora ele prega a fé. Mas, ainda aqui, ele trata da questão de Deus não fazer acepção das pessoas, que todo aquele que invocar o nome de Jesus será salvo. Quem crê realmente em Jesus deve praticar o que ele ensinou, caso contrário a crença é completamente inútil. Talvez pelo público alvo, Paulo não quis dizer mais a fim de completar o que realmente pensa. Para eles o fato extraordinário de Jesus ter ressuscitado dos mortos, era mais uma certeza que Deus não estava abandonando o seu povo. Jesus iria continuar orientando, como ainda faz, a todas as criaturas para que, na prática do Evangelho, todos possam se salvar. Iremos ver posteriormente a salvação segundo Jesus, para não termos mais dúvidas sobre o que nos salva.

Romanos 13, 8-11: A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.

Veja que agora Paulo está completamente de acordo com os ensinamentos de Jesus. E observe a afirmativa de que o cumprimento da lei é o amor. Amor a todos e de tal forma que não conseguiremos ficar inertes ao vermos um irmão necessitado, imediatamente entraremos em ação e o ajudaremos naquilo que precisa. E se Paulo pregasse que somente a fé é que salva, não teria dito: a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. Aceitar a fé é pouco, necessário praticar, pois só assim demonstraremos que amamos o próximo como a nós mesmos.

Efésios 1, 3-4: Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.

Tornar santo e irrepreensível diante de Cristo em amor é, segundo a máxima que nos deixou, que devemos “amar ao próximo como a nós mesmos”. Ora, quem ama ao próximo lhe presta auxílio todas as vezes que for necessário. Esse ato de caridade é realizado porque se tem muito amor.

Efésios 2, 8-9: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

Chegamos na passagem citada no início, colocada em nossa história. É comum vermos essa citação somente até o versículo nove, sem que coloquem o complemento (v. 10) que é importante para o entendimento da passagem: Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé”, ou seja, o amor de Deus faz com que sejamos salvos. Na visão Espírita isso é mais claro, pois o amor de Deus nos arrasta a Ele, vamos assim dizer, de tal sorte que a nossa única escolha é se iremos devagar ou se iremos depressa. “Salvos por meio da fé”, é fazermos o que determina Jesus em seu Evangelho de Jesus, principalmente o “amar ao próximo como a nós mesmos”. Isso é um dom de Deus, porque por sua exclusiva vontade Ele quer que sigamos os exemplos de Jesus, que nos enviou para servir de modelo e guia.

Se somos criados em Jesus Cristo é porque é o desejo de Deus que andemos nas boas obras, já que nos predestinou exatamente para isso. Não foram as boas obras que praticou o tempo todo que esteve aqui na Terra encarnado?

Colossenses 3, 12-14: Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.

Paulo entendeu muito bem, o ensinamento de Jesus, deixando-o mais claro ainda, aquele em que diz: “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”. (Mateus 5, 48). Amor operante. Nada de só crer e achar que com isso está tudo bem.

Colossenses 3, 15-17: E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração. E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

Colocamos essa passagem para completar o pensamento de Paulo na anterior.

A expressão “para a qual também fostes chamados em um corpo”, estaria implícita a preexistência do espírito? Particularmente pensamos que sim, pois se fomos chamados em um corpo é porque vivemos sem ele. Seria o mesmo que dizer que fomos chamados a viver num corpo.

Deseja Paulo que a palavra de Cristo habite em nós abundantemente, em toda a sabedoria, ou seja, que possamos entender tudo o que ele nos ensinou mostrando isso na prática do dia-a-dia. A plenitude do amor em nós seria a completa aplicação dos ensinamentos de Jesus, seria então o “vínculo da perfeição”.

1 Timóteo 2, 1-4: Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.

Paulo exorta a Timóteo a praticar boas obras a favor de todos: amor altruísta! Perguntamos: Se Deus quer que todos os homens se salvem, quem poderá ser contra a vontade de Deus?

Pensamento de Tiago (irmão do Senhor)

Foi Tiago que dirigiu a Igreja de Jerusalém. Sua decisão prevaleceu na primeira divergência entre os cristãos, no chamado Concílio de Jerusalém, ano 49 d.C, sobre a questão da circuncisão. Exercia uma forte liderança, muito maior que a de Pedro tido como o primeiro Papa. As correntes religiosas se divergem quanto ao grau de parentesco de Tiago com Jesus. Os católicos colocam-no como primo, já que o termo irmão, segundo eles, servia para designar também primo. Os protestantes já o têm como meio irmão de Jesus. Entretanto ao usarem desse mesmo termo para designar alguns dos discípulos que eram irmãos, não dizem que eram primos.

Mateus (13, 44-56), narra: Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? Não temos dúvida que eram mesmo irmãos de Jesus, até mesmo porque a cultura da época exigia da mulher muitos filhos, caso contrário não era uma boa esposa. Se isso estiver correto, é mais uma forte razão, para vermos que o pensamento de Tiago condiz com o de Jesus.

Tiago 1, 22-27: E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era. Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.

Prática das obras ou fé? Não deixa margem para alguma dúvida: “cumpridores da palavra”. Essa colocação de Tiago é muito interessante: “A religião pura e imaculada para com Deus é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”, ou seja, prática do amor ao próximo pela realização dos atos de caridade.

Tiago 2, 8: Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.

Este pensamento é igual ao de Paulo, e corresponde ao que Jesus ensinou. Onde está dito alguma coisa sobre fé?

Tiago 2, 14-17: Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.

Ao terminar dizendo que mostrarei a minha fé pelas minhas obras, Tiago traz o conceito que falamos anteriormente, quando falávamos do pensamento de Paulo de ser uma fé operante. Quem tem fé deve mostrá-la com as obras que realiza. Que adianta ter fé se o irmão ao seu lado passa fome? É o questionamento incontestável de Tiago para os que dizem que apenas a fé é que salva.

Tiago 2, 21-23: Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.

Para provar que são as obras é a base para a justificação, Tiago nos dá o exemplo de Abraão. Mostra que a fé é aperfeiçoada pelas obras.

Tiago 2, 26: Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.

Não há o que contestar a clareza desse pensamento. É tão claro e objetivo, que não entendemos porque as pessoas ainda têm a coragem de dizer que é a fé que salva.

Pensamento de Pedro

Como discípulo de Jesus, inclusive, aceito por alguns como sendo o primeiro Papa, devia conhecer mais profundamente os ensinamentos do Mestre.

1 Pedro 1, 17: E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação.

Encontramos novamente a expressão que o julgamento será “segundo a obra de cada um”, reafirmando o pensamento de todos no cristianismo primitivo. Os homens, infelizmente, deturparam os ensinamentos de Jesus, para sua própria perdição. Também confirma que Deus não faz acepção de pessoas, ou seja, não há privilégios junto a justiça divina.

1 Pedro 3, 8-12: E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis. Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção. Porque Quem quer amar a vida, E ver os dias bons, Refreie a sua língua do mal, E os seus lábios não falem engano. Aparte-se do mal, e faça o bem; Busque a paz, e siga-a. Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, E os seus ouvidos atentos às suas orações; Mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal.

Recomendações que já ouvimos, só que com outras palavras, de Paulo e Tiago. Tudo isso também condiz com os ensinamentos de Jesus.

1 Pedro 4, 7-11: Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados. Sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurações, cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém.

Agora fica mais clara a questão do amor corresponder ao sentimento de caridade para com o próximo. Fechando: “A caridade cobre uma multidão de pecados”, é por isso que o lema do Espiritismo é: “Fora da caridade não há salvação”.

2 Pedro 1, 2-10: Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor; visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.

Acompanhando o raciocínio de Pedro veremos que ele coloca a caridade entre as coisas importantes que devemos acrescentar à nossa fé. Dizendo, ao final, que quem não possui essas coisas é cego, ou seja, não entendeu nada do ensinamento de Cristo, são, portanto: “ociosos e estéreis no conhecimento de Cristo”. Fechando magistralmente seu pensamento.

Pensamento de João

João o discípulo que Jesus mais amava, conhecia, portanto seus ensinamentos.

1 João 3, 17-18: Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.

Nem precisamos dizer mais nada, tão óbvio que fica a questão do amor expresso em obras.

Pensamento de Jesus

Devemos ter sempre em mente que o discípulo não pode ser superior ao mestre, conforme nos alerta Jesus: Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. (João 13, 16).

Mateus 7, 21-29: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina; porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.

Muitos religiosos ainda dizem que as pessoas estão salvas por pertencerem a determinada Igreja ou por ter fé, ou por crer em Jesus como salvador, etc., entretanto, parecem que fazem vistas grossas à essa passagem da Bíblia. Quem não praticar os ensinos de Jesus, não receberá recompensa alguma.

Mateus 16, 27: Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.

Como já prevíamos anteriormente a salvação para Jesus está nas obras, já que cada um será julgado pelas suas obras. E ainda existem pessoas querendo contradizer Jesus, dizendo que é a fé que salva, embora muitos deles, na prática diária, fazem do dízimo o instrumento da salvação.

Mateus 19, 16-23: E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades. Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus.

Nessa passagem fica nítida a questão da prática da caridade. O jovem rico tinha fé e cumpria todas as outras determinações religiosas, entretanto não se preocupava com os necessitados. Daí Jesus recomendar-lhe vender tudo e doar aos pobres para ter um tesouro no céu. Apegado demais aos bens terrenos o jovem foi-se embora triste.

Mateus 25, 31-46: E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes. Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.

Essa passagem que simboliza o dia do juízo, dia que devemos prestar contas a Deus de tudo o que fizemos. Quem foi para a direita de Deus (bom lugar) foram os de fé ou os que fizeram obras? As obras exemplificadas são: dar de comer aos famintos, vestir os nus, dar água a quem tem sede, hospedar os viajantes, visitar os doentes e os prisioneiros, tudo isso são atos de amor ao próximo.

No simbolismo, a separação dos bons dos maus é pela fé de cada um? Pela religião? Ou pelas obras praticadas a favor do próximo? Repetimos: “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”.

Lucas 10, 25-37: E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; e, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; e, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

Essa parábola do Bom Samaritano é por demais conhecida de todos. Somente por ela já poderíamos saber o que nos salva. O sacerdote representa todos os líderes religiosos preocupados consigo mesmo sem nenhum sentimento de amor ao próximo. No levita poderemos identificar todas as pessoas ligadas a uma determinada religião, que apesar de possuírem alguém que os ensine o que fazer, não fazem absolutamente nada a favor do próximo. São ambos, sacerdote e levita, egoístas como muitos crentes nos dias de hoje.

O samaritano era considerado herege, pelos religiosos que passaram a passos largos diante do homem caído à beira da estrada, entretanto é o exemplo dele que Jesus recomenda seguir. Foi justamente este bondoso samaritano que, com obras, provou que tinha mais fé que os outros dois. Ele deveria ser um ponto de referência para determinadas pessoas que vivem a criticar a crença dos outros. Fiquem certos, de uma vez por todas, que para Deus somente será justificado quem praticar a lei de amor, lembre-se “A Deus ninguém engana”.

Conclusão

Muitas pessoas insistem em pegar frases soltas da Bíblia para tentarem justificar seus pensamentos. Ora, não há como afastar a frase do seu contexto imediato, e de todo o conjunto da Bíblia.

Aos que querem isolar passagens, em Deuteronômio 28, 30, temos uma para exemplo:

Desposar-te-ás com uma mulher, porém outro homem dormirá com ela; edificarás uma casa, porém não morarás nela; plantarás uma vinha, porém não aproveitarás o seu fruto.

Veja que ela fora do contexto é uma coisa absurda que Deus se propõe a fazer. Entretanto, dentro do contexto é apenas uma ameaça que Deus está fazendo, vejamos no versículo 15 o início da narrativa:

Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão:

O que vemos então? É pura e simplesmente “Deus” dizendo ao povo hebreu que se não guardasse os seus mandamentos Ele iria aplicar várias maldições, entre elas a do versículo 30 que escolhemos para exemplo.

Essa narrativa, diga-se de passagem, está confirmando que não existe inferno, pois se ele fosse real como querem alguns, “Deus” teria dito: “se não cumprirem meus mandamentos irão para o fogo do inferno”. Até mesmo porque: Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca. (Mateus 18, 14). Se é vontade de Deus que ninguém se perca, ninguém se perderá e pronto.

E, finalizando, colocaremos essa frase de Jesus: Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. (João 14, 10-12).

Veja bem, as obras que Jesus faz não vem dele, mas do Pai, e ele afirma que podemos fazer essas mesmas obras e até maiores, nos dá a certeza que as obras que fazemos serão para cumprir a vontade de Deus. Mas quais são as obras de Jesus? No tempo que passou junto de nós, curou enfermos, deu vista a cegos, curou paralíticos, libertou pessoas de espíritos maus, enfim somente obras de amor, o amor operante de que já falamos por várias vezes.


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 23.02.10 às 03:04link do post | favorito

 

Allan Kardec coloca na pergunta 459 do Livro dos Espíritos um questionamento sobre esse assunto nos seguintes termos: “Os espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?” Cuja reposta foi: “A esse respeito sua influência é maior do que credes, porque, freqüentemente, são eles que vos dirigem".

Com base nesta resposta poderíamos encontrar no Evangelho alguma passagem que possa demonstrar-nos essa influência dos espíritos em nossas vidas? É claro que sim, pelo menos para aqueles que têm “olhos de ver”.

Vamos, então, ao Evangelho para que possamos confirmar. Em Mateus 8, 16-18, encontramos: “Entardecia, quando lhe trouxeram possessos. Diante disso, ele expulsou os espíritos apenas com uma palavra e curou todos os que estavam passando mal.”

Ora, se Jesus expulsou os espíritos é porque eles de alguma forma estavam a influenciar estas pessoas possessas. Aliás, este termo já em si mesmo sugere que a pessoa estava sob o domínio de um espírito.

Mas sigamos em frente e iremos observar a que ponto poderá chegar esta influência. Busquemos em Marcos 5, 1-20, o seguinte: “Chegaram a outra margem do mar, na região dos gerasenos. Quando desembarcou um homem possesso de um espírito impuro, saindo dos sepulcros, logo foi ao seu encontro. Ele morava nos sepulcros e ninguém conseguia mantê-lo preso, nem mesmo com correntes, pois muitas vezes lhe haviam algemado os pés e as mãos e ele, arrebentava as correntes, quebrando as algemas, e ninguém o dominava. Passava o tempo inteiro nos sepulcros e sobre os montes, gritando e ferindo-se com pedras. Quando viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, e gritou com voz forte: "Que é que tens tu comigo Jesus, Filho de Deus Altíssimo? Em nome de Deus não me atormentes!" É que Jesus lhe tinha dito: "Espírito impuro, sai deste homem!" Depois, ele lhe perguntou: “Qual é o teu nome?” Respondeu-lhe: “Meu nome é legião, porque somos muitos”. Suplicava-lhe então, com insistência, que não o expulsas-se daquela região".

Chamamos a sua atenção, caro leitor, para essa importante passagem, pois mostra-nos, claramente, a que ponto poderá chegar a influência dos espíritos. Um homem comum, sob a in-fluência dos espíritos, passava a ter uma força descomunal a ponto de conseguir arrebentar correntes e quebrar algemas. Além disto, fazia com que esta pobre criatura ferisse a si mesma, bem como o forçava a gritar pelos montes como um louco desvairado. E no diálogo com Jesus, era tanta a influência que passou a respondê-lo, não o possesso, mas sim o espírito que o influenciava. Espírito? Que espírito, se na verdade eram muitos, razão pela qual diz ser seu nome legião.

Perguntou Allan Kardec aos espíritos superiores: Se eles podem influenciar em nossas vidas, por que meios se pode neutralizar a influência dos maus espíritos? A resposta foi: “Fazendo o bem e colocando toda a vossa confiança em Deus, repelis a influência dos espíritos inferiores, e destruís o império que eles querem tomar sobre vós. Evitai escutar as sugestões dos espíritos que suscitam em vós os maus pensamentos sopram a discórdia entre vós e vos excitam todas as más paixões. Desconfiai, sobretudo, daqueles que exaltam vosso orgulho porque vos tomam por vossa fraqueza. Eis por que Jesus nos faz dizer na oração dominical:" Senhor! Não nos deixeis sucumbir à tentação, mas livrai-nos do mal. "

Agindo desta forma estaremos livres de sua má influência.

Retornemo-nos, ao Evangelho na narrativa de Mateus (9, 32-34): “Quando saíam, apresentaram a Jesus um possesso mudo. Logo que o demônio foi expulso o mudo começou a falar. Espantado, o povo dizia: " Nunca se viu coisa igual em Israel".

Neste caso, a influência espiritual causava a mudez àquela pessoa. Espera aí, dirão vocês, nesta passagem não se fala em espírito e sim de demônio. Não há o que contestar, entretanto o que realmente é o demônio? Seria um ser criado para o mal? Com certeza que não. Nunca poderemos aceitar que Deus, o eterno bem, tenha criado um ser dotado para sempre ao mal. Seria porventura, um anjo decaído? Também não, pois o ser espiritual ao qual denominamos de anjo não poderia possuir senão bondade, assim como teria que ser totalmente desprovido de vaidade, que seriam coisas de nós os humanos, não dos anjos. Afinal, o que cearia os demônios? Voltaremos, novamente, ao Evangelho, para elucidar esta importante questão.

Em Mateus, 10, 1, 5-8, encontramos: “Jesus convocou os seus doze discípulos e lhes deu o poder de expulsar os espíritos impuros e de curarem toda espécie de doenças e enfermidades. Jesus enviou esses doze em missão, tendo-lhes dado as seguintes instruções: Não tomeis o caminho que conduz aos pagãos e não entreis em nenhuma cidade dos samaritanos. Ide, de preferência, às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pregai, pelo caminho: "O reino dos céus está perto!" Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Acabai de receber de graça, dai de graça".

Observemos bem, o mesmo texto fala em espíritos impuros e demônios, daí concluímos que um era sinônimo do outro. O conceito, à época, era que demônio significava gênio ou espírito, de uma maneira indefinida. Para confirmar isto vejamos o quadro a seguir:

Passagem Evangelista Termo utilizado

Muitos

Possessos

Mateus 8, 16

Marcos 1, 32-34.

Lucas 4, 40-41

Espíritos

Demônios

Demônios

O possesso

de

Gerasa

Mateus 8, 28-34.

Marcos 5, 1-20.

Lucas 8, 26-39.

Demônio

Espírito impuro

Espírito impuro e demônio

O possesso de

Cafarnaum

Marcos 1, 21-28.

Lucas 4, 31-37.

Espírito impuro

Espírito de demônio impuro

A filha da mulher

Cananéia

Mateus 15, 21-28.

Marcos 7. 24-30.

Demônio

Espírito impuro e demônio

O menino

Mudo e

Epiléptico

Mateus 17, 14-21.

Marcos 9, 14-29.

Lucas 9, 37-43.

Demônio

Espírito

Espírito, demônio e espírito impuro.

Para o mesmo relato, os evangelistas ora usam espírito impuro, ora demônio, quando não usam os dois termos juntos, ficando, agora, bem claro que o significado deles era o mesmo.

Vejamos o que responderam os espíritos superiores a Kardec, quando lhes dirige a seguinte pergunta: “Há demônios, no sentido que se dá a esta palavra? Resposta: Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus, e Deus seria justo e bom se houvesse criado seres devotados eternamente ao mal e infelizes? Se há demônios, eles habitam em teu mundo inferior e em outros semelhantes. São esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo, um Deus mau e vingativo e crêem lhe serem agradáveis pelas abominações que cometem em seu nome”.

Kardec faz as seguintes considerações:

“A palavra demônio não implica na idéia de espírito mau senão na sua significação moderna, porque a palavra grega daimôn, da qual se origina, significa gênio, inteligência, e se emprega para designar os seres incorpóreos, bons ou maus, sem distinção”.

“Por demônios, segundo a significação vulgar da palavra, se entendem seres essencialmente malfazejos. Seriam, como todas as coisas, criação de Deus. Ora, Deus que é soberanamente justo e bom, não pode ter criado seres predispostos ao mal por sua natureza, e condenados por toda a eternidade. Se não são obras de Deus, seriam, pois como ele, de toda a eternidade, ou então haveria várias potências soberanas”.

“A primeira condição de toda doutrina é de ser lógica. Ora, a dos demônios, em seu sentido absoluto, peca por essa base essencial”.

“Compreende-se que na crença de povos atrasados, que não conheciam os atributos de Deus, fossem admitidas as divindades malfazejas, como também os demônios, mas, é ilógico e contraditório para aqueles que fazem da bondade de Deus um atributo por excelência, supor que ele possa ter criado seres devotados ao mal e destinados a praticá-lo perpetuamente, pois isso nega sua bondade. Os partidários da doutrina dos demônios se apoiam nas palavras do Cristo. Não seremos nós quem conteste a autoridade dos seus ensinamentos, pois os desejamos ver mais no coração que na boca dos homens. Mas estarão bem certos do sentido que ele dava à palavra demônio? Não se sabe que a forma alegórica era um dos caracteres distintivos da sua linguagem? Tudo o que o Evangelho contém deve ser tomado ao pé da letra? Não precisamos de outra prova além desta passagem: “Logo após esses dias de aflição, o Sol obscurecerá, e a Lua não derramará mais sua luz, as estrelas cairão do céu e as potências celestes serão abaladas. Digo-vos, em verdade que esta geração não passará sem que todas estas coisas se tenham cumprido” ”.

“Não temos visto a forma do texto bíblico ser contradita pela ciência no que se refere à criação e ao movimento da terra? Não pode ocorrer o mesmo com certas figuras empregadas pelo Cristo, que deveria falar de acordo com os tempos e os lugares? O Cristo não poderia dizer, conscientemente, uma coisa falsa. Assim, pois, se em suas palavras há coisas que parecem chocar a razão, é porque não as compreendemos ou as interpretamos mal”.

“Os homens fizeram com os demônios o que fizeram com os anjos; da mesma forma que acreditaram em seres perfeitos de toda a eternidade, tomaram os Espíritos inferiores por seres perpetuamente maus. Pela palavra demônio devem, pois, se entender os espíritos impuros que, freqüentemente não valem mais do que as entidades designadas por esse nome, mas, com a diferença de que este estado é transitório. São os Espíritos imperfeitos que murmuram contra as provas que devem suportar, e que, por isso, suportam-nas por mais tempo; chegarão, porém, por seu turno, a sair desse estado quando o quiserem. Poder-se-ia aceitar então a palavra demônio com esta restrição. Mas, como é entendida num sentido exclusivo, poderia induzir ao erro fazendo crer na existência de seres especiais, criados para o mal”.

“Com relação a Satanás, é evidentemente a personificação do mal sob uma forma alegórica, pois não se poderia admitir um ser mau a lutar, de potência a potência, com a Divindade e cuja única preocupação seria a de contrariar os seus desígnios. Precisando o homem de figuras e de imagens para impressionar a sua imaginação, ele pintou os seres incorpóreos sob uma forma material, com atributos lembrando as suas qualidades ou os seus defeitos. É assim que os antigos, querendo personificar o tempo, pintaram-no com a figura de um ancião portando uma foice e uma ampulheta; a figura do homem jovem seria um contra-senso”.

“A mesma coisa se verifica com as alegorias da fortuna, da verdade, etc.”.

“Modernamente, os anjos ou Espíritos puros, são representados por uma figura radiosa, com asas brancas, símbolo da pureza; Satanás com dois chifres, garras e os atributos da animalidade, emblemas das paixões inferiores. O vulgo, que toma as coisas pela letra, viu nesses emblemas um indivíduo real, como outrora vira Saturno na alegoria do Tempo”.

Certa feita, numa livraria de BH, vimos em exposição o livro “Possessão Espiritual” da Dra. Edith Fiore. Como o tema desperta-nos certo interesse, compramo-lo achando se tratar de um livro publicado por alguém ligado à Doutrina Espírita. Qual não foi nossa surpresa ao constatar que a autora, psicoterapeuta, doutorada em Psicologia Clínica na Universidade de Miami, não tinha nada de espírita. Entretanto achamos oportuno incluí-lo, neste estudo, justamente por este motivo.

Aliás, é de se admirar que após identificar pacientes com possessão dando, inclusive, aos seus leitores condições de saber quando uma pessoa está possessa e como tratá-la ela ainda diz: “Depois de todos estes anos que passei trabalhando com espíritos, freqüentemente “lutando” com alguns teimosos, confusos, hostis e aterrados ainda não estou cem por cento convencida de que eles não são fantasias da imaginação”. É o grande dilema da maioria das pessoas de não quererem modificar atitudes, comportamentos ou conhecimentos adquiridos anteriormente, é o medo frente ao novo, de encarar algo que não vai de encontro ao que lhe foi ensinado, cuja dúvida consiste em: e se o novo estiver errado o que farei após abraçar essa nova idéia ou pensamento?

Mas voltemos ao livro. A Dra. Edith Fiore utilizava como técnica de terapia a hipnose, baseando-se principalmente na regressão de memória, em busca da solução dos problemas comportamentais de seus pacientes. Foi justamente esta técnica que a colocou frente a frente com o problema da possessão espiritual. Pacientes submetidos à hipnose entravam em transe profundo e “deixavam” submergir comportamentos que em nada tinham a haver com a sua maneira tradicional de agir, parecendo serem outra pessoa. Além disto outros pacientes se queixavam de ter alguém dentro deles, minava-lhes a resolução de fazer regime, de parar de fumar ou de beber, etc.. Conforme ela diz, esses pacientes falavam muito abertamente dos seus conflitos, porque presumiam estar falando de duas partes diferentes da sua personalidade que estariam em guerra dentro deles mesmo. Assim, afirma: “Comecei a ouvir, a interpretar tais observações como indícios possíveis de possessão. Desde que me dei conta desse fenômeno, descobri que pelo menos setenta por cento dos meus pacientes eram possessos e que essa situação lhes causava a moléstia". Aqui, diante deste índice – 70%, nos lembramos da resposta dos espíritos a Kardec sobre a influência dos espíritos; “A esse respeito sua influência é maior de que credes, porque, freqüentemente, são eles que vos dirigem”. Com o livro da Dra. Edith Fiore vemos estes fatos se confirmarem no dia a dia das pessoas.

No capítulo terceiro, cita observações históricas sobre a possessão espiritual, mostrando, primeiramente, passagens do Evangelho onde Jesus expulsava os espíritos (por coincidências já citadas por nós) para depois citar algumas culturas que tinham estas idéias bem definidas, como por exemplo: a China, o Japão e a Índia. Neste último país a antiga religião, cuja base era o livro sagrado Vedas, fala que desencarnados ignorantes ou maldosos saem à procura de pessoas vivas para que possam possuir. Também não deixa de nomear alguns psiquiatras que concordam com essa idéia, o exemplo de: Dr. Carl Wickland, Dr. Arthur Guindaham e Adam Crabtree.

Em seu trabalho, a Dra. Edith Fiore conseguiu identificar a extensão dos efeitos da possessão:

  1. sintomas físicos – fadiga; dores, mais freqüentemente de cabeça, incluindo a enxaquecas; síndrome pré-menstrual com edema (retenção de água); falta de energia ou exaustão; insônia; cãibras; obesidade com hipertensão resultante; asma e alergias, etc.;
  2. problemas mentais – grande quantidade de problemas mentais resulta da intervenção de espíritos;
  3. problemas emocionais – como ansiedade, temores e fobias;
  4. inclinação para as drogas e para o álcool;
  5. inclinação pelo fumo;
  6. problema de peso e obesidade;
  7. problema de relacionamento;
  8. problemas sexuais, inclusive casos de homossexualismo.

A conclusão que a Dra. Edith chegou da influência espiritual é alarmante. A influência dos espíritos atingindo uma pessoa provoca como conseqüência problemas de várias ordens que serão solucionados à medida que se fizer o que ela chamou de “despossessão”, ou seja, fazer com que o espírito deixe de praticar a possessão sobre sua vítima. Ficamos, então, de acordo com a Dra. Edith Fiore quando cita as conseqüências da influência espiritual.

Falaremos um pouco mais dos problemas mentais como conseqüências da influência espiritual.

A ciência oficial tinha que a loucura era proveniente de deficiência orgânica, ou seja, a pessoa louca tinha um problema físico qualquer que era a causa de seu estado mental.

A psiquiatria, ramo da ciência, que se ocupa de estudar, diagnosticar e tratar dos problemas mentais, em sua evolução passou a constatar “loucos” sem qualquer problema orgânico, o que ficava claro que a causa deveria ser de outra natureza.

É aqui que entra o trabalho de alguns médicos, que acima de tudo, tem como preocupação básica a cura de seus pacientes, pouco se importando em gastar o tempo com pesquisas, leitura de livros, etc..

Assim é que iremos citar o Dr. Inácio Ferreira, formado em medicina no Rio de Janeiro, cujo trabalho foi dirigir um sana-tório em Uberaba lá pelo ano de 1.910. O grande desafio a vencer era que o sanatório foi fundado e tinha a orientação de Espíritas, e àquela época a perseguição ao Espiritismo era tremenda.

Apesar de não ser espírita, quando assumiu a direção, foi atento observador do trabalho desenvolvido pelos Espíritas no tratamento de alguns casos de loucura e, diga-se de passagem, os que não tinham como origem problemas físicos. Preocupado em divulgar tudo o que aprendeu neste período lançou o livro “Novos Rumos à Medicina”, volumes I e II, onde aborda claramente a loucura originada por influência espiritual.

Com o passar dos anos, assumiu a postura de ser Espírita, abraçando as técnicas que a Doutrina Espírita se utiliza para tratar destes casos.

No seu livro encontramos um interessante dado estatístico do movimento do Sanatório no período de 1.934 a 1.945, conforme quadro a seguir:

Pacientes Quantidade Percentual
Curados 554 41%
Melhorados 210 16%
Transferidos 163 12%
Falecidos 341 25%
Retirados 33 2%
Tratamento 21 4%

Neste período foram curados de influência espiritual 426 indivíduos. Este número é suficiente para comprovar que real-mente a influência espiritual, em alguns casos, pode levar uma pessoa a ter um comportamento de louco.

Aqui ficamos a pensar quantas pessoas não foram levadas ao tratamento por eletrochoques e a ingerir psicotrópicos sem serem realmente loucos, e quantos ainda irão sofrer da mesma maneira. Mas, infelizmente é o preço que a humanidade paga por não aceitar em definitivo que a influência espiritual é uma realidade.

 


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 23.02.10 às 03:00link do post | favorito

 

Quando se diz que Elias foi arrebatado o que querem dizer? Baseado numa passagem bíblica, que veremos mais à frente, dizem que Elias foi levado por Deus ao Céu de corpo e alma, ou seja, pensam que na verdade Elias não morreu (???).

Se Elias não morreu, ficamos em dúvida por querer saber o porquê desse privilégio, pois se até mesmo Jesus, o Cristo, que era muito superior a Elias, morreu pregado numa cruz.

Por outro lado, ficamos, também, sem entender o que Elias faria com o corpo físico no mundo espiritual. Seria o mesmo que mandarmos alguém viver debaixo d’água do jeito que ele vive aqui na superfície, sem lhe dar nenhum equipamento apropriado àquele lugar. A coisa não lhe parece absurda? Entretanto é o que esperam em relação a Elias, ou seja, que ele vá viver numa outra dimensão, totalmente diferente daquela que é adequada somente à matéria, como se nessa dimensão fosse necessário o corpo físico para se viver a vida do espírito.

Também não encontramos nenhum respaldo para esse absurdo no que Jesus deixou como legado à humanidade através das narrativas dos evangelistas. Muito ao contrário, entendemos que afirma justamente o oposto. Vejamos, no entender de Jesus, o que consta no evangelho segundo João: “O espírito é o que dá a vida. A carne não serve para nada”. (6, 63). Perguntamos: se a carne não serve para nada, para que ela serviria depois da morte? Se, pelas palavras de Jesus, “Deus é Espírito” (Jo 4, 24) ficaremos novamente com um outro absurdo, qual seja: na dimensão espiritual nós seremos ainda matéria enquanto que o próprio Criador é um ser espiritual. Acrescentamos mais ainda; Jesus, pouco antes de expirar, disse: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23, 46). Por que ele não entregou o corpo? É por pura coerência, já que antes havia dito que a carne de nada serve, não é mesmo?

Não se pode alegar ignorância dessa realidade, pois até mesmo no Antigo Testamento encontramos a indiscutível separação entre o corpo e espírito, vejamos: “O pó volte à terra, onde estava, e o espírito volte para Deus, seu autor” (Ecl 12, 7).

E, Paulo de Tarso, se dirigindo aos coríntios, arremata categórico: “Mas isto vos digo, irmãos: a carne e o sangue não podem possuir o Reino de Deus, nem a corrupção herdará a incorrupção” (1 Cor 15, 50). Não está afirmando, com outras palavras, que é o espírito que vai herdar o reino de Deus? Afirmou um pouco antes: “Pois, se há um corpo animal, há também um corpo espiritual” (v. 44), quando explicava aos coríntios qual era o corpo da ressurreição.

Vamos, agora, ver a passagem em que é citado arrebatamento de Elias, que está narrado em 2 Reis 2, 11: “Ora, enquanto seguiam pela estrada conversando, de repente apareceu um carro de fogo com cavalos também de fogo, separando-os um do outro, e Elias subiu para o céu no turbilhão”. Depois disso procuraram Elias por todos os lugares e não o encontraram. Interessante colocarmos as explicações dos tradutores da Bíblia de Jerusalém a cerca disto: “A busca infrutífera certifica apenas que Elias não é mais deste mundo; seu destino é mistério que Eliseu não quer desvendar. O texto não diz que Elias não morreu, mas facilmente se pôde chegar a essa conclusão”. Só que esse facilmente parece não ser tão fácil assim, pois ainda existem muitas pessoas que acreditam que Elias não morreu, foi de corpo e alma para o céu. Verdade que esses fanáticos religiosos aceitam com base numa fé cega, apesar de absurda.

Pelos acontecimentos anteriores a esse arrebatamento, lemos que Eliseu, discípulo de Elias, pressentindo o final do seu mestre, lhe faz um pedido: “Eu gostaria de receber uma porção dupla de teu espírito” (v. 9). Ao que lhe respondeu Elias: “Fizeste um pedido difícil. Mas se me vires ao ser arrebatado do teu lado, terás o que pediste; se não me vire, não o terás” (v 10). O que será que aconteceu? Não deixaremos para o próximo capítulo, caro leitor, pois não o queremos ver “morrendo” de curiosidade. Bom, a única coisa que sobrou de Elias, após o tal arrebatamento, foi o seu manto. Eliseu pega esse manto e bate com ele na água do rio Jordão. Isso fez com que a água se dividisse em duas partes, fato que os outros profetas da comunidade viram. Diante desse extraordinário fenômeno, e como Elias já tinha também feito isso, disseram: “O espírito de Elias repousou sobre Eliseu” (v.15). O que numa linguagem popular ficaria assim: “O espírito de Elias baixou em Eliseu”. Nós diremos que de fato Elias morreu, pois fica comprovado que do plano espiritual influência Eliseu.

Na narrativa bíblica sobre o arrebatamento se afirma que Elias foi levado num turbilhão (ou redemoinho, segundo algumas traduções). Será que o acontecido não teria sido um fenômeno de ordem natural produzido pela natureza como um tufão, um ciclone ou um tornado? Não sabemos que nesses fenômenos são tragados objetos de peso considerável? Seria este o caso de Elias? Sinceramente, ficamos inclinados a aceitar essa hipótese, pois se não foi assim, teremos que aceitar que Elias foi levado pelo demônio! Como? Veja a narrativa não diz que apareceu um carro de fogo com cavalos de fogo? Ora, não se afirma que todas as coisas do demônio são de fogo? Assim, podemos pressupor que ele, em pessoa, veio, em seu exuberante veículo de transporte, buscar Elias, deu uma voltinha com ele no céu (o azul) e o levou diretamente para a fornalha ardente do inferno. (Cruz!!!).

Será que alguém conseguirá provar o contrário? Provar não, mas acreditar numa outra hipótese sim. Os aficionados em disco voador, por exemplo, poderão dizer que Elias foi abduzido por um OVNI, também aqui ninguém poderá provar o contrário.

Fica aí para sua reflexão, caro leitor, o episódio do arrebatamento de Elias que sempre é utilizado para negar que João Batista seja Elias reencarnado. Negam o que Jesus disse: “E se quiserdes aceitá-lo, ele (João Batista) é o Elias, que há de vir”. Como sabia que a incredulidade vigoraria, completa: “Quem tem ouvidos ouça”. (Mt 11, 14-15). Parafraseando Jesus, diremos: Quem tem capacidade de entender, entenda. Mas, se isso ainda for difícil a você, podemos acrescentar algo, que lhe ajudará a dissipar de uma vez por todas a sua dúvida, e aqui estamos falando somente para os não fanatizados, o que Jesus disse: “Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu: o Filho do homem”. (João 3, 13).


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 23.02.10 às 02:52link do post | favorito

 

E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,...” (Hb. 9,27)
 
 
         Passam-se os tempos, e invariavelmente, sempre que num debate o tema é reencarnação na Bíblia, cedo ou tarde surge o famoso texto dessa questionável epístola, escrita aos hebreus. Sacam dela como um hábil jogador que retira seu curinga escondido, e para escaparem de qualquer outro questionamento, usam-na como a fortaleza inexpugnável, o tiro de misericórdia contra a reencarnação, e dentre católicos e protestantes, há os que fazem isso com a emoção de  quem pensa estar redescobrindo a América. Alguns neófitos, mais empolgados e até mesmo inexperientes, chegam mesmo a sentenciar que essa passagem seria um problema para os espíritas. E seria mesmo um grande problema, se o espírita julgasse a Bíblia infalível e inerrante de capa-a-capa, e não usasse a regra do “Examinai tudo. Retende o bem” (I Ts.5,21).
 
Ante tanto barulho, seria injusto não emprestarmos um pouco de nossa atenção e reflexão a essa passagem. Iremos, portanto, analisá-la  e submetê-la a todas as implicações, a fim de deduzirmos as conseqüências e ver se ela é, realmente, tão preocupante quanto se esforça por propagar a preocupada propaganda anti-espírita.
 
         Em primeiro lugar, e antes de qualquer outra coisa, precisamos saber quem é o seu autor. Se pesquisarmos sobre a autoria, o máximo que saberemos é que até hoje os estudiosos alinharam vários candidatos, mas ainda não chegaram a um acordo. Podemos comprovar isso de modo muito simples, e sem precisar ir a uma Biblioteca Pública ou Centro Cultural ou Faculdade de Teologia (embora eu também recomende esses meios), basta entrar em qualquer mecanismo de busca da Internet e digitar as palavras “autoria de Hebreus”. No caso do Google (http://www.google.com.br/), por exemplo, se assim fizermos podemos encontrar aproximadamente 116 mil referências de sites, muitos contendo estudos e monografias diversas, todas elas admitindo a inescapável falta de unanimidade entre os estudiosos, sobre a autoria de Hebreus. Essa dúvida permeia mesmo entre os que defendem Paulo, ou Apolo, ou Lucas, ou Barnabé ou algum outro candidato específico, como o mais provável autor inspirado da epístola. Podemos encontrar trechos do tipo:
Hebreus não designa seu autor, e não existe unanimidade de tradição em relação à sua identidade. Alguns sábios destacam algumas evidências que podem indicar uma autoria paulina, enquanto outros sugerem que um dos colaboradores de Paulo, como Barnabé ou Apolo, podem ter escrito o livro. A especulação provou-se infrutífera, e a melhor conclusão pode ser a de Orígenes, no séc. III, que declarava que só Deus sabe ao certo quem o escreveu.
 
Possibilidades na Autoria de Hebreus

O autor de Hebreus não se identificou pelo nome, no livro...

De fato, a autoria de Hebreus é, até hoje, assunto de discussão entre os peritos. Nunca se provou ter sido escrita por Paulo e nem tem o estilo dele. ...

        Neste site católico, por exemplo:
AUTOR, LOCAL E DATA São igualmente imprecisos o autor, o local e a data da sua composição. As Igrejas do Oriente consideraram-na sempre como uma Carta paulina, apesar de muitos reconhecerem as suas diferenças em relação às outras Cartas de Paulo, sobretudo no que se refere à forma literária, à linguagem e estilo, à maneira de citar o AT e mesmo quanto à doutrina. A Igreja do Ocidente negou-lhe a autoria paulina até ao séc. IV e pôs, por vezes, em questão a sua condição de escrito inspirado e canônico.
 
A questão continuou controversa ao longo da história da exegese católica e protestante, mas actualmente é quase unânime a negação da autenticidade paulina.

         A importância de sabermos o autor está diretamente ligada ao que ele diz e às suas implicações. Vejamos o que ele diz:
 
1. aos homens está ordenado morrerem uma vez
2. “,vindo depois disso o juízo,...
 
         Independente do que se diga antes ou depois, o fato é que o trecho faz afirmações muito claras, suficientes para já chegarmos a algumas conclusões. Pra começar, o texto diz “ordenado”, e quem ordenou? Seja quem for, essa ordem diz que o homem só morre uma vez, sendo assim, ela nega que o homem possa morrer várias vezes e,  conseqüentemente, nascer várias vezes, ou seja, ela realmente nega a reencarnação. Por outro lado, que um homem ressuscite e volte a morrer, ela também o está negando categoricamente. Então, se alguém quiser aceitar a “ordem” para negar a reencarnação, também terá que aceitá-la para negar as ressurreições, as quais, segundo autores bíblicos, teriam sido operadas por Jesus. Se a ignorarmos sob um dos aspectos, perdemos a força moral para tentar reforçar o outro, a título de “trampolim de acusação”, e isso abre precedentes para seguramente a ignorarmos também sob o outro aspecto. Se os que objetam contra a reencarnação, ignoram solenemente essa passagem, sempre que sua ênfase atinge outros textos que tratam de ressurreições, operadas por Jesus, por que não temos nós o mesmo direito de julgá-la, compará-la e, eventualmente, também ignorá-la? Se a encaramos com suspeita é porque, biblicamente, Jesus demonstrou ignorar por completo a existência dessa “ordem”, seja ao ressuscitar pessoas, seja ao ensinar a reencarnação. A crença de Jesus na reencarnação, segundo a mesma Bíblia, é algo que se fez revelado a poucos, tornando-se mais clara nessas passagens:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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