"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 28.02.10 às 01:00link do post | favorito

 

 

I - DEUS E O INFINITO

1 - O que é Deus?

- Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

2 - O que devemos entender por infinito?

- Aquilo que não tem começo nem fim: o desconhecido; todo o desconhecido é infinito.

3 - Poderíamos dizer que Deus é o infinito?

- Definição incompleta. Pobreza de linguagem dos homens, insuficiente para definir as coisas que estão além da sua inteligência.

Deus é infinito nas suas perfeições, mas o infinito é uma abstração; dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa por ela mesma, definir uma coisa, ainda não conhecida, por outra que também não o é.

 

II - PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS

4 - Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?

- Num axioma que aplicais às vossas ciências: Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e vossa razão vos responderá.

Para crer em Deus é suficiente lançar os olhos às obras da Criação. O Universo existe; ele tem, portanto, uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e avançar que o nada pode fazer alguma coisa.

5 - Que consequência podemos tirar do sentimento intuitivo, que todos os homens trazem consigo, da existência de Deus?

- Que Deus existe; pois de onde lhes viria esse sentimento, se ele não se apoiasse em nada? É uma consequência do princípio de que não há efeito sem causa.

6 - O sentimento íntimo da existência de Deus, que trazemos conosco, não seria o efeito da educação e o produto de idéias adquiridas?

- Se assim fosse, por que os vossos selvagens também teriam esse sentimento?

Se o sentimento da existência de um ser supremo não fosse mais que o produto de um ensinamento, não seria universal nem existiria, como as noções científicas, senão entre os que tivessem podido receber esse sentimento.

7 - Poderíamos encontrar a causa primária da formação das coisas nas propriedades íntimas da matéria?

- Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É sempre necessária uma causa primária.

Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria, seria tomar o efeito pela causa, pois essas propriedades são em si mesmas um efeito, que deve ter uma causa.

8 - Que pensar da opinião que atribui a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou seja, ao acaso?

-Outro absurdo ! Que homem de bom senso pode considerar o acaso com um ser inteligente? E, além disso, o que é o acaso?

A harmonia que regula as forças do Universo revela combinações e fins determinados, e por isso mesmo um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso, seria uma falta de senso, o acaso é cego e não pode produzir efeitos inteligentes. Um acaso inteligente já não seria acaso.

9. Onde se pode ver, na causa primária, uma inteligência suprema, superior a todas as outras?

- Tendes um provérbio que diz o seguinte: Pela obra se conhece o autor. Pois bem: vede a obra e procurai o autor ! É o orgulho que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si, e é por isso que se considera um espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater !

Julga-se o poder de uma inteligência pelas suas obras. Como nenhum ser humano pode criar o que a Natureza produz, a causa primária há de estar numa inteligência superior à Humanidade.

Sejam quais forem os prodígios realizados pela inteligência humana, esta inteligência tem também uma causa primária. É a inteligência superior a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o nome pelo qual o homem a designe.

 

III - ATRIBUTOS DA DIVINDADE

10. O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?

- Não. Falta-lhe, para tanto, um sentido.

11. Será um dia permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?

- Quando o seu espírito não estiver mais obscurecido pela matéria, e pela sua perfeição tiver se aproximado dela, então a verá e compreenderá.

A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, homem o confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que o seu senso moral se desenvolve, seu pensamento penetra melhor o fundo das coisas, e ele faz então, a respeito da divindade, uma idéia mais justa e mais conforme com a boa razão, embora sempre incompleta.

12 . Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter uma idéia de algumas de suas perfeições?

- Sim, de algumas. O homem as compreende melhor à medida que se eleva sobre a matéria; ele as entrevê pelo pensamento.

13. Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos?

- Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo; mas ficai sabendo que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e para as quais a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e às vossas sensações, não dispõe de expressões. A razão vos diz que Deus deve ter essas perfeições em grau extremo, pois se tivesse uma de menos, ou que não fosse em grau infinito, não seria superior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus não deve estar sujeito a vicissitudes e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação é capaz de conceber.

DEUS É ETERNO. Se Ele tivesse tido um começo, teria saído do nada, ou, então, teria sido criado por um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao infinito e à eternidade.

DEUS É IMUTÁVEL. Se Ele estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade.

DEUS É IMATERIAL. Quer dizer, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria, pois, de outra forma, Ele não seria imutável, estando sujeito às transformaçôes da matéria.

DEUS É ÚNICO. Se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade de vistas nem de poder na organização do Universo.

DEUS É TODO-PODEROSO. Porque é único. Se não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto Ele, que assim não teria feito todas as coisas. E aquelas que Ele não tivesse feito seriam obra de um outro Deus.

DEUS É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores como nas maiores coisas, esta sabedoria não nos permite duvidar nem da justiça nem da bondade de Deus.

 

IV - PANTEÍSMO

14. Deus é um ser distinto, ou seria, segundo a opinião de alguns, o resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?

- Se assim fosse, Deus não existiria, porque seria efeito e não causa, ele não pode ser, ao mesmo tempo, uma coisa e outra.

- Deus existe, não o podeis duvidar, e isso é o essencial. Acreditai no que vos digo e não queirais ir além. Não vos percais num labirinto, de onde não poderíeis sair. Isso não vos tornaria melhores, mas talvez um pouco mais orgulhosos, porque acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, pois, de lado, todos esses sistemas; tendes de vos desembaraçar de muitas coisas que vos tocam mais diretamente. Isto vos seria mais útil do que querer penetrar o que é impenetrável.

15. Que pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, pelo seu conjunto, a própria Divindade, ou seja, que pensar da doutrina panteísta?

- Não podendo ser Deus, o homem quer pelo menos ser uma parte de Deus.

16. Os que professam esta doutrina pretendem nela encontrar a demonstração dos atributos de Deus. Sendo os mundo infinitos. Deus é, por isto mesmo, infinito; o vácuo ou o nada não existindo em parte alguma. Deus está em toda parte; Deus estando em toda parte, pois que tudo é parte integrante de Deus, dá a todos os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. O que se pode opor a este raciocínio?

- A razão. Refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo.

Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de inteligência suprema, seria um ponto grande aquilo que somos em ponto pequeno. Ora, a matéria se transformando sem cessar, Deus, nesse caso, não teria nenhuma estabilidade e estaria sujeito a todas as vicissitudes e mesmo a todas as necessidades da humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. As propriedades da matéria não podem ligar-se à idéia de Deus, sem que o rebaixemos em nosso pensamento, e todas as sutilezas do sofisma não conseguirão resolver o problema da sua natureza íntima.

Não sabemos tudo o que ele é, mas sabemos aquilo que não pode ser, e este sistema está em contradição com as suas propriedades mais essenciais, pois confunde o Criador com a criatura, precisamente como se quiséssemos que uma máquina engenhosa fosse parte integrante do mecânico que a concebeu.

A inteligência de Deus se Revela nas suas obras, como a do pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.

Allan Kardec


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 28.02.10 às 00:57link do post | favorito

 

 

1 - Deus

1. Há um Deus, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

A prova da existência de Deus temo-la neste axioma:

Não há efeito sem causa. Vemos constantemente uma imensidade de efeitos, cuja causa não está na Humanidade, pois que a Humanidade é impotente para produzi-los, ou, sequer, para os explicar. A causa está acima da Humanidade. É a essa causa que se chama Deus, Jeová, Alá, Brama, Fo-Hi, Grande Espírito, etc.

Tais efeitos absolutamente não se produzem ao acaso, fortuitamente e em desordem. Desde a organização do mais pequenino inseto e da mais insignificante semente, até a lei que rege os mundos que circulam no Espaço, tudo atesta uma idéia diretora, uma combinação, uma previdência, uma solicitude que ultrapassam todas as combinações humanas. A causa é, pois, soberanamente inteligente.

2. Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipootente, soberanamente justo e bom.

Deus é eterno. Se tivesse tido começo, alguma coisa houvera existido antes dele, ou ele teria saído do nada, ou, então, um ser anterior o teria criado. Ê assim que, degrau a degrau, remontamos ao infinito na eternidade.

É imutável. Se estivesse sujeito à mudança, nenhuma estabilidade teriam as leis que regem o Universo.

É imateria1. Sua natureza difere de tudo o a que chamamos matéria, pois, do contrário, ele estaria sujeito às flutuações e transformações da matéria e, então, já não seria imutável.

É único. Se houvesse muitos Deuses, haveria muitas vontades e, nesse caso, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.

É onipotente, porque é único. Se ele não dispusessse de poder soberano, alguma coisa ou alguém haveria mais poderoso do que ele; não teria feito todas as coisas e as que ele não houvesse feito seriam obra de outro Deus.

É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas mais mínimas coisas como nas maiores e essa sabedoria não permite se duvide nem da sua justiça, nem da sua bondade.

3. Deus é infinito em todas as suas perfeições.

Se supuséssemos imperfeito um só dos atributos de Deus, se lhe tirássemos a menor parcela de eternidade, de imutabilidade, de imaterialidade, de unidade, de oniipotência, de justiça e de bondade, poderíamos imaginar um ser que possuísse o que lhe faltasse, e esse ser, mais perfeito do que ele, é que seria Deus.

 

2· - A Alma

4. Há no homem um princípio inteligente a que se chama ALMA ou ESPIRITO, independente da matéria, e que lhe dá o senso moral e a faculdade de pensar.

Se o pensamento fosse propriedade da matéria teríamos a matéria bruta a pensar. Ora, como ninguém nunca viu a matéria inerte dotada de faculdades intelectuais; como, quando o corpo morre, não mais pensa, forçoso é se conclua que a alma independe da matéria e que os órgãos não passam de instrumentos com que o homem manifesta seu pensamento.

5. As doutrinas materialistas são incompatíveis com a moral e subversivas da ordem social.

Se, conforme pretendem os materialistas, o pensamento fosse segregado pelo cérebro, como a bílis o é pelo fígado, seguir-se-ia que, morto o corpo, a inteligênncia do homem e todas as suas qualidades morais recairiam no nada; que os nossos parentes, os amigos e todos quantos houvessem tido a nossa afeição estariam irremissivelmente perdidos; que o homem de gênio careceria de mérito, pois que somente ao acaso da sua organização seria devedor das faculdades transcendentes que revela; que entre o imbecil e o sábio apenas haveria a diferença de mais ou menos substância cerebral.

As conseqüências dessa doutrina seriam que, nada podendo esperar para depois desta vida, nenhum inteeresse teria o homem em fazer o bem; que muito natural seria procurasse ele a maior soma possível de gozos, mesmo à custa dos outros; que o sentimento mais racional seria o egoísmo; que aquele que fosse persistentemente desgraçado na Terra, nada de melhor teria a fazer, do que se matar, porquanto, destinado a mergulhar no nada, isso não lhe seria nem pior, nem melhor, ao passo que de tal forma abreviaria seus sofrimentos.

A doutrina materialista é, pois, a sanção do egoísmo, origem de todos os vícios; a negação da caridade - origem de todas as virtudes e base da ordem social - e seria ainda a justificação do suicídio.

Allan Kardec - Obras Póstumas


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 26.02.10 às 02:36link do post | favorito

 

Todas as afirmações em matéria de Teologia são e sempre o foram arraigadas no cérebro, e dificilmente podem ser removidas; e enquanto aí estiverem a verdade não encontrará lugar. (SWENDENBORG).
 
Introdução
Todas as práticas de terrorismo visam, invariavelmente, impor à força pensamentos, filosofias e doutrinas aos que não comungam delas. Recorre-se, algumas vezes, às armas, visando estabelecê-las por meio do medo. Exatamente por isso já, de antemão, as podemos considerar inverídicas, porquanto, a verdade sendo algo cristalino não é coisa que se impõe, todos a aceitam pacificamente.
Pelo modo de agir dos adeptos de algumas religiões tradicionais, especificamente a sua liderança, não há outra alternativa senão considerar também como prática terrorista o que vem sendo feito por eles, que implantando um verdadeiro terrorismo religioso, fazem de tudo para encabrestar seus fiéis. Embora não estejam mais recorrendo às armas com que matavam as pessoas, certamente recorrem àquelas que matam a liberdade de pensar delas, aprisionando-as aos seus pensamentos.
Granadas, rifles, fuzis, canhões e metralhadoras, são substituídos por “garras de satanás”, “fogo do inferno”, “dia do juízo”, “fim do mundo”, etc., que, conforme já dissemos, apesar de não matarem fisicamente, matam algo tão importante quanto o é a liberdade de pensar das criaturas.
Desarmando o arsenal bíblico utilizado
Não vemos em nenhuma passagem bíblica a idéia de uma catástrofe anunciadora do fim do mundo, que, como tudo na natureza à nossa volta, está passando pelo ciclo nascer-crescer-morrer, ou seja, ele vai acabar mesmo é de velho. Obviamente, se o homem não o destruir antes disso. Tudo quanto é citado sobre esse assunto é simbólico, por isso é que não se pode pegá-lo ao pé da letra, sob pena de colocar a suprema justiça a um nível muito mais baixo ainda do que a precária justiça humana.
Aos que acreditam numa só vida e conjuntamente admitem o castigo eterno, perguntamos: como poderemos viver pela eternidade pagando por um erro cometido em, no máximo, uns cem anos? Poderá o nosso destino estar selado, para todo o sempre, em virtude de tão pouco tempo? Seria algo como um pai castigar por toda a vida (e ela não é eterna) uma criança de dois anos que fez alguma peraltice, própria dessa idade. Isso é incompatível com qualquer senso lógico e de justiça. Quem aceita algo assim pensa que é justo, mas, em verdade, é uma pessoa cujo coração está tão cheio de ódio que já transborda em desejo de vingança, nada mais que isso. O amor ainda não se incorporou em seu caráter.
Ao falarmos em castigo eterno, estamos também incluindo nessa idéia seus correlatos: satanás, dia do julgamento, fim do mundo, e tudo o mais que dizem por aí.
Se para Deus mil anos é igual a um dia (2Pe 3,8), certamente que não haverá justiça se Ele nos castigar por toda eternidade por erros cometidos numa pequena fração de tempo.
1 - Fim do mundo
1.1 – No Evangelho
Mt 24,2-8: Jesus respondeu: “Vocês estão vendo tudo isso? Eu garanto a vocês: aqui não ficará pedra sobre pedra; tudo será destruído”. Jesus estava sentado no monte das Oliveiras. Seus discípulos se aproximaram dele em particular, e disseram: “Dize-nos quando vai acontecer isso, e qual será o sinal da tua vinda e do fim do mundo”. Jesus respondeu: “Cuidado, para que ninguém engane vocês. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: ”Eu sou o Messias”. E enganarão muita gente. Vocês vão ouvir falar de guerras e rumores de guerra. Prestem atenção, e não fiquem assustados, pois essas coisas devem acontecer, mas ainda não é o fim. De fato, uma nação lutará contra outra, e um reino contra outro reino. Haverá fome e terremotos em vários lugares. Mas tudo isso é o começo das dores”.
Explicação simples:
“Jesus anuncia a destruição do Templo de Jerusalém, acontecida no ano 70, e as batalhas que se verificaram entre os anos 66 a 70. O Templo era o símbolo da relação de Deus com o povo escolhido. Jesus salienta que o fim de uma instituição não significa o fim do mundo e nem o fim da relação entre Deus e os homens”. (Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, p. 1301).
Assim, o texto se refere à destruição do Templo de Jerusalém, não do fim do mundo propriamente dito. Um dado importante que poucos sabem é que “antes do ano 70 d.C., houve aventureiros que se fizeram passar pelo Messias”. (Bíblia de Jerusalém, p. 1747).
Mt 24,9-14: Nesse tempo, vos entregarão à tribulação e vos matarão, e sereis odiados de todos os povos por causa do meu nome. E então muitos sucumbirão, haverá traições e guerras intestinas. E surgirão falsos profetas em grande número e enganarão a muitos. E pelo crescimento da iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. E este Evangelho do Reino será proclamado no mundo inteiro, como testamento para todas as nações. E então virá o fim.
Significa que:
“Os vv. 9-13 retomam os temas de 10,17-22 (que oferece um paralelo literal de Mc 13,9-13; Lv 21,12-19), mas introduzindo alguns elementos particulares que parecem fazer eco à perseguição dos cristãos em Roma sob Nero, depois do incêndio de 64 (“odiados de todos os povos por causa do meu nome”) e às traições e ódio mútuo entre as próprias vítimas (“o amor de muitos esfriará”); cf. Tácito, Ann XV 44”. (Bíblia de Jerusalém, p. 1747).
Portanto, ainda aqui o tempo se relaciona à época da destruição de Jerusalém, até mesmo porque essa passagem é continuação da anterior. E com relação à expressão “mundo inteiro”, explicam-nos:
“O ‘mundo habitado’ (oikoumene), isto é, o mundo greco-romano. É preciso que todos os judeus do Império tenham ouvido a Boa nova (cf. At, 18+; Rm 10,18). O Evangelho atingiu efetivamente todas as partes vitais do Império Romano desde antes da queda do Templo (cf. 1Ts 1,8; Rm 1,5.8; Cl 1,6.23)”. (Bíblia de Jerusalém, p. 1747).
Ora, essa explicação nos remete novamente à época mencionada, não tendo ela, portanto, nada a ver com um remoto tempo futuro. Alguns interpretam que o fim do mundo irá acontecer, quando, segundo esse passo, o Evangelho tiver sido pregado no mundo todo, mas, conforme a explicação transcrita, a relação a ser feita é com a destruição do Templo.
Mt 24,15-22: Quando, portanto, virdes a abominação da desolação, de que fala o  Daniel, instalada no lugar santo – que o leitor entenda! – então, os que estiverem na Judéia fujam para as montanhas, aquele que estiver no terraço, não desça para apanhar as coisas da sua casa, e aquele que estiver no campo não volte atrás para apanhar a veste! Ai daquelas que estiverem grávidas e estiverem amamentando naqueles dias! Pedi que a vossa fuga não aconteça no inverno ou num sábado. Pois naquele tempo haverá grande tribulação, tal como não houve desde o princípio do mundo até agora, nem tornará a haver jamais. E se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma vida se salvaria. Mas, por causa dos eleitos, aqueles dias serão abreviados.
Observar, caro leitor, que ainda estamos na seqüência das duas passagens anteriores. E sobre essa nos informam:
“Ao que parece, Daniel designava com essa expressão um altar pagão que Antíoco Epífanes ergueu no Templo de Jerusalém em 168 a.C. (cf. 1Mc 1,54). A aplicação evangélica realizou-se quando a Cidade santa e o seu Templo foram atacados e depois ocupados pelos exércitos gentílicos de Roma (cf. Lc 21,20)”. (Bíblia de Jerusalém, p. 1747).
Esta explicação nos mantém ainda dentro do contexto já mencionado anteriormente.
Mt 24,29-31.34: Logo após a tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem e todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e grande glória. Ele enviará os seus anjos que, ao som da grande trombeta, reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma extremidade até a outra extremidade do céu. Em verdade vos digo que esta geração não passará sem que tudo isso aconteça.
Essa seqüência não poderá ter outra interpretação senão aquela que nós estamos mostrando, desde o início do cap. 24 (Mateus). Acrescentamos a questão colocada antes a respeito dos “sinais” relacionados a trevas e escuridão, como fato também implícito à destruição de Jerusalém, simbolizada como um julgamento final. É bom observar que no versículo 34, está dito que “essa geração não passará sem que tudo isso aconteça”, ou seja, reafirmando categoricamente tratar-se mesmo de uma evidência daquela época, não para uma outra época, no futuro, relacionada ao fim dos tempos ou a juízo final.
Mt 13, 24-30.36-43: Jesus contou outra parábola à multidão: "O Reino do Céu é como um homem que semeou boa semente no seu campo. Uma noite, quando todos dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. Quando o trigo cresceu, e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os empregados foram procurar o dono, e lhe disseram: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?' O dono respondeu: 'Foi algum inimigo que fez isso'. Os empregados lhe perguntaram: 'Queres que arranquemos o joio?' O dono respondeu: 'Não. Pode acontecer que, arrancando o joio, vocês arranquem também o trigo. Deixem crescer um e outro até à colheita. E no tempo da colheita direi aos ceifadores: arranquem primeiro o joio, e o amarrem em feixes para ser queimado. Depois recolham o trigo no meu celeiro!' " Então Jesus deixou as multidões, e foi para casa. Os discípulos se aproximaram dele, e disseram: "Explica-nos a parábola do joio". Jesus respondeu: "Quem semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, o mesmo também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles recolherão todos os que levam os outros a pecar e os que praticam o mal, e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça".
Certamente haverá separação do joio do trigo, pelo menos em dois momentos. O primeiro é quando regressarmos à pátria espiritual pelo nosso desencarne. O segundo ocorre de tempos em tempos, quando todos os espíritos que habitam um planeta são julgados para um expurgo dos maus que serão lançados em planetas inferiores, compatíveis com sua evolução espiritual. É aquilo a que se referia Jesus: “onde haverá choro e ranger de dentes”. Podemos então entender o “fim dos tempos” nessa perspectiva, sem medo de errar, já que não podemos entender isso como sendo o fim do mundo no sentido literal.
1.2 – Em Atos dos Apóstolos
At 2,14-21: Pedro, então, pondo-se de pé em companhia dos onze, com voz forte lhes disse: “Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia. Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel: Acontecerá nos últimos dias – é Deus quem fala -, derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão. Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão. Farei aparecer prodígios em cima no céu e milagres embaixo na terra; sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E então, todo o que invocar o nome do Senhor será salvo” (Joel 3,1-5).
O fenômeno do Pentecostes, que Pedro interpreta como sendo a realização da profecia de Joel, portanto, mais uma vez, a expressão “nos últimos dias” está sendo aplicada a uma outra situação que não a do fim do mundo. A situação aqui descrita está relacionada ao tempo em que viviam.
1.3 – Nas epístolas dos vários autores
1Cor 7,29-31: Uma coisa eu digo a vocês, irmãos: o tempo se tornou breve. De agora em diante, aqueles que têm esposa, comportem-se como se não a tivessem; aqueles que choram, como se não chorassem; aqueles que se alegram, como se não se alegrassem; aqueles que compram, como se não possuíssem; os que tiram partido deste mundo, como se não desfrutassem. Porque a aparência deste mundo é passageira.
Explicando-nos dizem:
“Para a Igreja primitiva eram iminentes o fim do mundo e a manifestação final e gloriosa de Jesus (vv. 29.31). É nessa perspectiva que podemos compreender muitos conselhos referentes ao matrimônio, ao celibato e à virgindade: se o fim está próximo, para que se casar e ter filhos? Na visão de Paulo, a virgindade é vista como dom total da própria vida ao Senhor, como maneira de empenhar-se totalmente ao testemunho do Evangelho. Jesus já destacava a grandeza do celibato na consagração radical a Deus e ao Reino, mas sem o impor (Cf. Mt 19,10-12)”. (Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, p. 1467).
Nisto temos confirmado que, para a Igreja primitiva, o fim do mundo e a manifestação final e gloriosa de Jesus eram eminentes, nada, portanto, para um futuro longínquo e incerto.
1Cor 10,9-12: Não tentemos ao Senhor, como alguns deles tentaram, e morreram vitimados pelas serpentes. Não murmurem, como alguns deles murmuraram, e pereceram em mãos do anjo exterminador. Tais coisas aconteceram a eles como exemplo, e foram escritas para nossa instrução, a nós que vivemos no fim dos tempos. Portanto, aquele que julga estar em pé, tome cuidado para não cair.
Nesta afirmativa de Paulo “a nós que vivemos no fim dos tempos” demonstramos que é evidente que pensava já estarem mesmo vivendo-o. Não podemos ainda deixar de ressaltar que essa passagem pode ser relacionada a At 2,14-21, quando da opinião de Pedro sobre o que estava acontecendo.
1Ts 3,12-13: Que o Senhor os faça crescer e aumentar no amor mútuo e para com todos, assim como é o nosso amor para com vocês, a fim de que o coração de vocês permaneça firme e irrepreensível na santidade diante de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos.
1Ts 4,15-17: Eis o que declaramos a vocês, baseando-nos na palavra do Senhor: nós, que ainda estaremos vivos por ocasião da vinda do Senhor, não teremos nenhuma vantagem sobre aqueles que já tiverem morrido. De fato, a uma ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do céu. Então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, que estivermos ainda na terra, seremos arrebatados junto com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares. E então estaremos para sempre com o Senhor.
Essas duas passagens, também, confirmam a explicação de que esperavam a vinda gloriosa de Jesus para aqueles tempos, diferente do que nos passam, quando falam de que seria para uma época futura. Com a vinda do Messias esperava-se o fim do mundo, inclusive, acreditavam estar ainda vivos quando da volta de Jesus para esse juízo final.
1Ts 5,1-3: No que diz respeito ao tempo e circunstâncias, não preciso escrever nada para vocês, irmãos. Vocês já sabem que o dia do Senhor chegará como ladrão à noite. Quando as pessoas disserem: "Estamos em paz e segurança", então de repente a ruína cairá sobre elas, como dores do parto para a mulher grávida, e não conseguirão escapar.
2Ts 2,1-12: Agora, irmãos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e ao nosso encontro com ele, pedimos a vocês o seguinte: não se deixem perturbar tão facilmente! Nem se assustem, como se o Dia do Senhor estivesse para chegar logo, mesmo que isso esteja sendo veiculado por alguma suposta inspiração, palavra, ou carta atribuída a nós. Não se deixem enganar de nenhum modo! Primeiro deverá chegar a apostasia. Depois aparecerá o homem ímpio, o filho da perdição: ele é o adversário que se opõe e se levanta contra todo ser que se chama Deus ou é adorado, chegando até mesmo a sentar-se no templo de Deus e a proclamar-se Deus. Não se lembram de que eu já dizia essas coisas quando estava com vocês? E agora vocês já sabem o que está impedindo a manifestação do adversário, que acontecerá no tempo certo. O mistério da impiedade já está agindo. Falta apenas desaparecer aquele que o segura até agora. Só então se manifestará o ímpio. O Senhor Jesus o destruirá com o sopro de sua boca e o aniquilará com o esplendor da sua vinda. A vinda do ímpio vai acontecer graças ao poder de Satanás, com todo tipo de falsos milagres, sinais e prodígios, e com toda a sedução que a injustiça exerce sobre os que se perdem, por não se terem aberto ao amor da verdade, amor que os teria salvo. Por isso Deus manda o poder da sedução agir neles, para que acreditem na mentira. Desse modo serão condenados todos os que não acreditaram na verdade, mas preferiram permanecer na injustiça.
Aqui Paulo, o apóstolo dos gentios, está agindo como aqueles que fixam o fim do mundo para um determinado dia e como não aconteceu, espertamente, mudam a data para uma outra ocasião e assim sucessivamente. Em relação às passagens anteriores ele está sendo contraditório, ou, quem sabe, não mudaram o sentido de suas palavras pela necessidade de justificarem algum dogma?
1Tm 4,1-5: O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns renegarão a fé, para dar atenção a espíritos sedutores e a doutrinas demoníacas. Serão seduzidos por homens hipócritas e mentirosos, que têm a própria consciência como que marcada a ferro quente. Eles proibirão o casamento, exigirão abstinência de certos alimentos, embora Deus tenha criado essas coisas para serem recebidas com ação de graças por aqueles que têm fé e conhecem a verdade. De fato, tudo o que Deus criou é bom, e nada é desprezível se tomado com ação de graças, porque é santificado pela palavra de Deus e pela oração.
Embora as tentativas de colocarem “os últimos tempos” para uma época futura, considerando o que vimos anteriormente, não encontramos razão para justificar tal atitude. Por isso, parece-nos que o que aqui está dito também não contraria ao que já vimos. Deparamo-nos ainda com mais essa explicação:
“Sobre este período de crise que deve marcar os últimos dias, ver ainda 2Ts 2,3-12; 2Tm 3,1; 4,1-3; 2Pd 3,3; Jd 18, cf. Mt 24,6s; At 20,29-30. – mas como a era escatológica já teve início (2,6; Mc 1,15+; Rm 3,26+), estes tempos de provação podem ser considerados como já atuais (cf. 1Cor 7,26; Ef, 5,16; 6,13; Tg 5,3; 1Jo 2,18; 4,1.3; 2Jo 7)”. (Bíblia de Jerusalém, p. 2071).
O que vem reforçar, de forma evidente, é que acreditavam já estar acontecendo o fim dos tempos. Isso era a realidade deles naquela época, por isso, não adianta querer mudar a história.
Hb 1,1-2: Nos tempos antigos, muitas vezes e de muitos modos Deus falou aos antepassados por meio dos profetas. No período final em que estamos, falou a nós por meio do Filho. Deus o constituiu herdeiro de todas as coisas e, por meio dele, também criou os mundos.
Hb 9,24-26: De fato, Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro santuário; ele entrou no próprio céu, a fim de apresentar-se agora diante de Deus em nosso favor. Ele não teve que se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que todos os anos entra no santuário com sangue que não é seu. Se assim fosse, ele deveria ter sofrido muitas vezes desde a criação do mundo. Entretanto, ele se manifestou uma vez por todas no fim dos tempos, abolindo o pecado pelo sacrifício de si mesmo.
Hb 10,22-25: Aproximemo-nos, pois, de coração sincero, cheios de fé, com o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água pura. Sem vacilar, mantenhamos a profissão da nossa esperança, pois aquele que fez a promessa é fiel. Tenhamos consideração uns com os outros, para nos estimular no amor e nas boas obras. Não deixemos de freqüentar as nossas reuniões, como alguns costumam deixar. Ao contrário, procuremos animar-nos sempre mais, principalmente agora que vocês estão vendo como se aproxima o Dia do Senhor.
O autor de Hebreus, diga-se de passagem, ninguém sabe quem foi, pensa que está se aproximando o fim dos tempos, o Dia do Senhor, não traz nada diferente do que os outros pressupunham estar acontecendo naquela época a respeito desse assunto.
Tiago 5,7-10: Irmãos, sejam pacientes até a vinda do Senhor. Olhem o agricultor: ele espera pacientemente o fruto precioso da terra, até receber a chuva do outono e da primavera. Sejam pacientes vocês também; fortaleçam os corações, pois a vinda do Senhor está próxima. Irmãos, não se queixem uns dos outros, para não serem julgados. Vejam: o juiz está às portas. Irmãos, tomem como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falam em nome do Senhor.
Tiago, também, não foge a regra do que se pensava naqueles dias a respeito desse assunto que estamos tratando, portanto, ele corrobora o que já foi dito.
1Pd 1,3-5: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo por sua grande misericórdia. Ressuscitando a Jesus Cristo dos mortos, ele nos fez renascer para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, não se mancha e não murcha. Essa herança está reservada no céu para vocês que, graças à fé, estão guardados pela força de Deus para a salvação que está prestes a revelar-se no final dos tempos.
1Pd 1,19-20: Vocês foram resgatados pelo precioso sangue de Cristo, como o de um cordeiro sem defeito e sem mancha. Ele era conhecido antes da fundação do mundo, mas foi manifestado no fim dos tempos por causa de vocês.
1Pd 4,4-7: Agora, os outros estranham que vocês não se entreguem à mesma torrente de perdição e por isso os cobrem de insultos; mas eles terão de prestar contas disso àquele que em breve há de julgar os vivos e os mortos. Por que o Evangelho foi anunciado também aos mortos? A fim de que eles vivam pelo Espírito a vida de Deus, depois de receberem, na sua carne mortal, a sentença comum a todos os homens. O fim de todas as coisas está próximo. Sejam, portanto, moderados e sóbrios, para se dedicarem à oração.
Especificamente sobre essa primeira epístola de Pedro dizem-nos:
“Em todo o capítulo 4 transparece a mentalidade apocalíptica, isto é, a convicção de que se aproxima do fim dos tempos (v.7), quando se dará a luta final entre o bem e o mal, a vitória definitiva do bem e o julgamento de Deus sobre os homens. Essa expectativa provoca a firme resistência daqueles que são perseguidos por não quererem se deixar levar pelo mal. Eles se engajam na luta pelo bem, para poderem participar da vitória final e se apresentarem como testemunhas fiéis no julgamento. Para os cristãos, essa última etapa da história se iniciou com a ressurreição de Cristo”. (Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, p. 1572).
As idéias do autor de que “está prestes a revelar-se no final dos tempos” e de “que em breve há de julgar os vivos e os mortos”, vem justamente confirmar a opinião vigente de que as coisas estavam para acontecer ou já acontecendo.
2Pd 3,9-13: O Senhor não demora para cumprir o que prometeu, como alguns pensam, achando que há demora; é que Deus tem paciência com vocês, porque não quer que ninguém se perca, mas que todos cheguem a se converter. O Dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus se dissolverão com estrondo, os elementos se derreterão, devorados pelas chamas, e a terra desaparecerá com tudo o que nela se faz.  Em vista dessa desintegração universal, qual não deve ser a santidade de vida e piedade de vocês,  enquanto esperam e apressam a vinda do Dia de Deus? Nesse dia, ardendo em chamas, os céus se dissolverão, e os elementos se fundirão consumidos pelo fogo. O que nós esperamos, conforme a promessa dele, são novos céus e nova terra, onde habitará a justiça.
Pedro continua com seu ponto de vista anterior, portanto, agindo com coerência, de que tudo está para acontecer brevemente.
1.4 – No Apocalipse
Faremos em destaque os comentários sobre o livro do Apocalipse, pois as passagens desse livro são as que mais usam para dizer sobre o fim do mundo.
Vejamos o que nos trazem na introdução desse livro:
“O Apocalipse é de compreensão difícil, porque o autor faz largo uso de imagens, símbolos, figuras e números misteriosos. Isso pode ser facilmente entendido, quando vemos que o livro nasce dentro de uma situação difícil: o povo de Deus está sendo oprimido, perseguido e vigiado pelas estruturas de poder. Em tais circunstâncias não se pode falar claro principalmente porque o autor pretende mostrar a situação real e traçar uma estratégia de resistência e ação. As comunidades a que ele se dirige entendem essa linguagem, pois estão familiarizadas com o Antigo Testamento, onde o autor vai buscar os símbolos”. (Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, p. 1589).
Para não deixar nenhuma margem a dúvidas, colocaremos mais uma explicação:
“... é indispensável, para bem compreender o Apocalipse, reinserí-lo no ambiente histórico que lhe deu origem: um período de perturbações e de violentas perseguições contra a Igreja nascente. Pois, do mesmo modo que os apocalipses que o procederam (especialmente o de Daniel) e nos quais manifestamente se inspira, é escrito de circunstância, destinado a reerguer e a robustecer o ânimo dos cristãos, escandalizados, sem dúvida, pelo fato de que perseguição tão violenta se tenha desencadeado contra a Igreja daquele que afirmara: ‘Não temais, eu venci o mundo’ (Jo 16,33). Para levar a efeito seu plano, João retoma os grandes temas proféticos tradicionais, especialmente o do ‘Grande Dia” de Iahweh (cf. Am 5,18+): ao povo santo, escravizado sob o jugo dos assírios, dos caldeus e dos gregos, dispersado e quase destruído pela perseguição, os profetas anunciavam o dia da salvação, que estava próximo e no qual Deus viria libertar o seu povo das mãos dos opressores, devolvendo-lhes não apenas a liberdade, mas também poderio e domínio sobre seus inimigos, que seriam por sua vez castigados e quase destruídos. No momento em que João escreve, a Igreja, o novo povo eleito, acaba de ser dizimada por sangrenta perseguição (13; 6,10-11; 16,6; 17,6), desencadeada por Roma e pelo império romano (a Besta), mas por instigação de Satanás (12; 13,2-4), o Adversário por excelência de Cristo e de seu povo. A visão inaugural descreve a majestade de Deus que reina no céu, senhor absoluto dos destinos humanos (4) e que entrega ao Cordeiro o livro que contém o decreto de extermínio dos perseguidores (5); a visão prossegue com o anúncio da invasão de povos bárbaros (os partos), com seu tradicional cortejo de males: guerra, fome e peste (6). Os fiéis de Deus, porém, serão preservados (7,1-8; cf. 14,1-5), à espera de gozarem no céu, de seu triunfo (7,9-17; cf. 15,1-5). Entretanto, Deus, que quer a salvação dos pecadores, não os destruirá imediatamente, mas lhes enviará uma série de pragas para adverti-los, como fizera contra o faraó e os egípcios (8-9); cf. 16). Esforço inútil: por causa de seu endurecimento, Deus destruirá os ímpios perseguidores (17), que procuravam corromper a terra, induzindo-a a adorar Satanás (alusão ao culto dos imperadores da Roma gentílica); seguem-se uma lamentação sobre Babilônia (Roma) destruída (18) e cantos de triunfo no céu (19,1-10). Nova visão retoma o tema da destruição da Besta (Roma perseguidora), realizada desta vez por Cristo glorioso (19,11-21). Então inicia-se um período de prosperidade para a Igreja (20,1-6), que terminará com novo assalto de Satanás contra ela (20,7s), o aniquilamento do Inimigo, a ressurreição dos mortos e o seu julgamento (20,11-15) e finalmente o estabelecimento definitivo do Reino celeste, na alegria perfeita, depois de aniquilar a morte (21,1-8). A visão retrospectiva descreve o estado de perfeição da nova Jerusalém durante o seu reinado sobre a terra (21,9s)”.
“Esta é a interpretação histórica do Apocalipse, seu sentido primeiro e fundamental...” (Bíblia de Jerusalém, pp. 2139-2140).
Vejamos, então, as passagens desse livro que tratam do assunto que estamos estudando.
Ap 1,1-11: Esta é a revelação de Jesus Cristo: Deus a concedeu a Jesus, para ele mostrar aos seus servos as coisas que devem acontecer muito em breve. Deus enviou ao seu servo João o Anjo, que lhe mostrou estas coisas através de sinais. João testemunha que tudo quanto viu é Palavra de Deus e Testemunho de Jesus Cristo. Feliz aquele que lê e aqueles que escutam as palavras desta profecia, se praticarem o que nela está escrito. Pois o tempo está próximo. João às sete igrejas que estão na região da Ásia. Desejo a vocês a graça e a paz da parte daquele-que-é, que-era e que-vem; da parte dos sete Espíritos que estão diante do trono de Deus; e da parte de Jesus Cristo, a Testemunha fiel, o Primeiro a ressuscitar dos mortos, o Chefe dos reis da terra. A Jesus, que nos ama e nos libertou de nossos pecados por meio do seu sangue, e que fez de nós um reino, sacerdotes para Deus, seu Pai - a Jesus, a glória e o poder para sempre. Amém. Ele vem com as nuvens; e o mundo todo o verá, até mesmo aqueles que o transpassaram. E todos os povos do mundo baterão no peito por causa dele. É isso mesmo! Assim seja! Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, Aquele-que-é, que-era e que-vem, o Deus Todo-poderoso. Eu, João, irmão e companheiro de vocês neste tempo de tribulação, na realeza e na perseverança em Jesus, eu estava exilado na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus. No dia do Senhor, o Espírito tomou conta de mim. E atrás de mim ouvi uma voz forte como trombeta, que dizia: “Escreva num livro tudo o que você está vendo. Depois mande para as sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.
Ap 22,6-10: Disse-me então: “Estas palavras são fiéis e verdadeiras, pois o Senhor Deus, que inspira os profetas, enviou o seu Anjo para mostrar aos seus servos o que deve acontecer muito em breve. Eis que eu venho em breve! Feliz aquele que observa as palavras da profecia deste livro”. Eu, João, fui o ouvinte e testemunha ocular destas coisas. Tendo-as ouvido e visto, prostrei-me para adorar o Anjo que me havia mostrado tais coisas. Ele, porém, me impediu: “Não! Não o faças! Sou servo como tu e como teus irmãos, os profetas, e como aqueles que observam as palavras deste livro. É a Deus que dever adorar!” E acrescentou: “Não retenhas em segredo as palavras da profecia deste livro, pois o Tempo está próximo”.
As expressões “o tempo está próximo”, “no dia do Senhor” e “o que deve acontecer muito em breve” não permitem outra interpretação senão aquela que nós estamos levando a efeito, no desenrolar desse estudo, ou seja, que tudo isso é para aquele momento histórico, nada para um futuro no escoar do tempo. Fato que ainda podemos confirmar com a explicação que nos colocam sobre essa passagem:
“O Apocalipse é um livro lido e explicado nas reuniões das comunidades cristãs. Seu conteúdo é urgente, porque com a morte e ressurreição de Jesus a história está chegando ao fim e Deus vai julgar e implantar o seu Reino. A missão de João é a de todos os cristãos: profetizar, anunciando a Palavra de Deus e continuando o testemunho de Jesus Cristo”. (Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, p. 1590).
Reafirmando o que nos colocaram no contexto geral.
Ap 19,11-21: Vi então o céu aberto: eis que apareceu um cavalo branco, cujo montador se chama “Fiel” e “Verdadeiro”; ele julga e combate com justiça. Seus olhos são chama de fogo; sobre sua cabeça há muitos diademas, e traz escrito um nome que ninguém conhece, exceto ele; veste um manto embebido de sangue, e o nome com que é chamado é Verbo de Deus. Os exércitos do céu acompanham-no em cavalos brancos, vestidos com linho de brancura resplandecente. Da sua boca sai uma espada afiada para com ela ferir as nações. Ele é quem as apascentará com um cetro de ferro. Ele é quem pisa o lagar do vinho do furor da ira de Deus, o Todo-poderoso. Um nome está escrito sobre seu manto e sobre sua coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores. Vi depois um Anjo que, de pé no sol, gritou em alta voz a todas as aves que voavam no meio do céu: “Vinde, reuni-vos para o grande banquete de Deus, para comer carnes de reis, carnes de capitães, carnes de poderosos, carnes de cavalos e cavaleiros, carnes de todos os homens, livres e escravos, pequenos e grandes”. Vi então a Besta reunida com os reis da terra e seus exércitos para guerrear contra o Cavaleiro e seu exército. A Besta, porém, foi capturada juntamente com o falso profeta, o qual, em presença da Besta, tinha realizado sinais com que seduzira os que haviam recebido a marca da Besta e adorado a sua imagem: ambos foram lançados vivos no lago de fogo, que arde com enxofre. Os outros foram mortos pela espada que saía da boca do Cavaleiro. E as aves todas se fartaram com suas carnes.
Já sabemos que alguém poderá dizer que aqui, nesta passagem, não se fala nada em “fim do mundo”. Sim! É correto. Entretanto, resolvemos colocá-la por dois motivos. Primeiro, para que você confirme que a linguagem desse livro é difícil, totalmente simbólica e figurada. Segundo, pela explicação que os tradutores da Bíblia de Jerusalém dão a essa passagem já que ela tem a ver com o que estamos falando. A intitulam de “O primeiro combate escatológico”, para a qual nos apresentam o seguinte esclarecimento:
Eis-nos no fim dos tempos. Depois da queda de Babilônia, profetizada (14,8.14-15) e realizada (16,19-20; 17,12-14), Cristo fiel (3,14+) cumpre o Dia de Iahweh (Am 5,18+), exterminando os inimigos da Igreja. Sua figura (vv. 11-16) inspira-se com as descrições precedentes (12, 5; 14,6-20; 17,14), em diversas profecias. (Bíblia de Jerusalém, p. 2163).
Ou seja, nos informam que estão no fim dos tempos, colocando-o, portanto, naquela época.
2 – Apagando o fogo do inferno
Aqui literalmente podemos jogar água, que nem precisa ser benta, na fogueira, pois esse tão propalado inferno só existe na mente de pessoas retrógradas, que não possuem o mínimo senso crítico, para ver quão absurdo é tal lugar. Por perderem o bonde da história não se dão conta que a crença no inferno, como é visto atualmente, é cópia, e barata por sinal, do que existia no paganismo.
Vamos provar que isso é mera fantasia alimentada pelos líderes religiosos, já que ele, o inferno, é uma eficiente arma para fazer com que os “pobres cordeirinhos” tremam de medo.
Obviamente que para existir o inferno Deus há que tê-lo criado, não é mesmo? Ninguém, até hoje, conseguiu nos provar que Ele tenha feito isso. Nós, ao contrário, é que provamos que o Pai Supremo não o estabeleceu, para desespero dessa liderança, da qual estamos falando.
A essência das leis divinas contidas no Antigo Testamento está listada nos Dez Mandamentos, que, certamente, é aquilo que devemos rigorosamente cumprir. O questionamento é bem simples: se tais mandamentos representam as máximas divinas, por que a pena para quem não os cumpre não é ir para o inferno? Pois ao instituí-los, Deus deveria, por questão de justiça - coisa que é impossível d’Ele agir em contrário -, ter estabelecido como pena aos infratores o inferno. Aliás, os mais atentos verão que nem mesmo pena para uma vida após a morte existe. Tudo quanto é dito está relacionado com situações terrenas. Fato que poderá facilmente ser comprovado por você, caro leitor, se quiser certificar o que estamos dizendo.
Assim, provamos que o inferno não foi criado neste momento. Sabemos, os que estudam, que é produto da cultura persa absorvida pelos judeus. Pelos judeus? Não!, pois foram os cristãos quem o fizeram, o que torna o fato mais estranho, pois quem tinha tudo para assimilar isso dos persas, eram os primeiros, não estes últimos.
Se Deus não criou o inferno nessa época, em outra também não o poderia ter criado, já que se o fizesse não estaria agindo com eqüidade, que é um princípio baluarte da justiça, uma vez que quem viveu entre a instituição dos Dez Mandamentos e a provável criação do inferno não poderia ir para lá. Pois ninguém pode ser condenado por uma pena não prevista em lei, estabelece a frágil justiça humana, que dirá a divina? E nós agora não podemos ser condenados ao inferno, porquanto, outras pessoas não o foram. Como Deus “não faz acepção de pessoas” (At 10,34; Rm 2,11; Ef 6,9) e se suas leis são imutáveis, porquanto se as mudassem não as teria criado perfeitas. Conclui-se que Ele não criou o inferno, pois se o criasse, não o mudaria, já que seria perfeito. E disso nós concluímos, então, que o inferno não é criação divina e sim dos homens. Entretanto, quem o criou? Temos a resposta na ponta da língua: a liderança religiosa, como forma de amedrontar seus fiéis. Não há uma outra alternativa senão essa.
3 – A mentira sobre o pai da mentira – Lúcifer
Deus, O SUPREMO BEM, não poderia ter criado o mal. Sendo assim, indagamos novamente: como se explica a existência de Lúcifer e cia? Respondem-nos os crentes, pensando acertar o alvo: é um anjo que decaiu. Em razão dessa resposta, voltamos a questionar: o que é um anjo? Esclarecem-nos que um anjo é um ser perfeito criado por Deus. Ótimo! Então nos explique como um ser perfeito pode decair? Esta pergunta é fatal e os deixa estonteados à procura de uma resposta que não têm. Mas alguns, não querendo dar o braço a torcer, arriscam justificar essa do anjo decaído citando, sorriso nos lábios, o profeta Isaías (Is 14,12), confiantes em que “a palavra de Deus” vai lhes dar guarida. Como se diz: “ô coitado”! Nem mesmo eles têm capacidade de analisar uma passagem bíblica.
Quem quiser poderá ver que o contexto de Is 14,12 fica evidenciado nos versículos 3 e 4 onde, segundo a narrativa, Deus pede ao profeta Isaías para proferir um motejo (sátira) contra o rei da Babilônia, que à época subjugava o povo hebreu, quando fosse liberá-lo desse rei, que queria dominar o mundo. Portanto, nada de Lúcifer, como entendem os apressados.
Tendo em vista que provamos acima que o inferno não existe, e sendo ele um lugar, segundo afirmam, onde Lúcifer vive, então, a conseqüência lógica disso é que esse ser também não existe.
Aqui, do mesmo modo, por questões da influência dos persas que tinham o deus do mal – Ariman -, que rivalizava com o deus do Bem – Ormuzd -, essa entidade do mal foi incorporada à cultura dos que, tradicionalmente, têm a Bíblia como fonte de suas práticas religiosas.
4 – Há eleitos de Deus?
Biblicamente falando, quem poderia se arrogar em afirmar ser eleito de Deus seriam os judeus, não os cristãos, já que é assim que “a palavra de Deus” diz.
Quem prega a exclusividade da salvação por pertencer a determinado segmento religioso não entendeu patavinas da parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37), onde aquele que era considerado ateu é o exemplo de quem Jesus nos recomenda seguir. Na passagem da separação dos bodes e das ovelhas (Mt 25,31-46) o critério para ser escolhido para ir para a direita não foi o de pertencer a alguma igreja. Por outro lado, se Deus “faz chover sobre os bons e maus” (Mt 5,45) é sinal que trata todos do mesmo modo, e como Jesus disse “... o Pai que está no céu não quer que nenhum desses pequeninos se perca” (Mt 18,14) então todos nós seremos salvos, entretanto, o tempo para que isso aconteça não é o mesmo para todos, pois aí vale o “,,, a cada um segundo suas obras” (Mt 16,27).
Há uma passagem muito singular sobre a qual quase ninguém fala dela, mas é fatal contra essa idéia sectária de salvação. Jesus, em advertência aos chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo, disse: "Pois eu garanto a vocês: os cobradores de impostos e as prostitutas vão entrar antes de vocês no Reino do Céu” (Mt 21,31), o que significa que, apesar de tudo, os sacerdotes e os anciãos chegariam no reino dos céus, só que os “pecadores” citados chegariam primeiro. Demonstração clara que a salvação é para todos.
E não adianta bater nessa surrada tecla, a da salvação por seguir certa igreja, pois “a palavra de Deus” diz que: “o Evangelho é que é a salvação” (Rm 1,16, 1Cor 15,1-2; Ef 1,13; 2Ts 1,7-8), ou seja, a prática do amor ao próximo.
Quem fosse para o inferno, obviamente estaria afastado do “amor de Deus”, mas e aí como fica?: “Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 8,38-39).
Ainda propomos, para arrematar, essas duas passagens:
“Ora, quanto mais vale um homem do que uma ovelha!” (Mt 12,12);
O que vocês acham? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, será que ele não vai deixar as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? (Mt 18,12).
5 – Quem não pagar dízimo vai pro inferno?
Esta é a mais deslavada mentira que pregam aos seus fiéis. Porquanto, em canto algum da Bíblia se encontra tamanho absurdo. O item anterior serve para demonstrar por qual meio haverá separação dos bons e dos maus, entretanto, ninguém vai para uma condenação eterna, porquanto, só é justa a pena cujo período esteja limitado ao montante da dívida, ou seja, exatamente conforme nos asseverou Jesus “até que se pague o último centavo” (Mt 5,26).
A passagem bíblica que instituiu este tributo foi Lv 27,30.32, na qual lemos: Todos os dízimos do campo, seja produto da terra, seja fruto das árvores, pertencem a Javé: é coisa consagrada a Javé. Os dízimos de animais, boi ou ovelha, isto é, a décima parte de tudo o que passa sob o cajado do pastor, é coisa consagrada a Javé. Ou seja, o dízimo aqui instituído é relacionado aos produtos da terra, não a dinheiro. Entretanto, mais tarde foi desvirtuado para recebimento monetário, mas aqui funcionava como um imposto, já que a liderança religiosa é quem detinha também o poder político. Se o Estado foi desmembrado da religião e nós continuamos a pagar imposto ao Estado, então o dízimo é sem sentido. Pois, da forma que o cobram, ele é em verdade um imposto religioso, cuja exigência cabe aos líderes religiosos, que, sem nenhum rubor na cara, o atribuem a Deus como se fosse o dízimo uma ordem divina.
6 – É proibido de ler obras literárias que não as de sua igreja?
Se for verdade que “onde se acha o Espírito do Senhor aí existe liberdade” (2Cor 3,16), consequentemente, o contrário também é verdadeiro, ou seja, onde não existe liberdade o Espírito do Senhor não está. Quem proíbe alguém de fazer alguma coisa está impedindo-a de agir livremente, ou seja, a pessoa não tem mais liberdade. Mas é certo que somente se proíbe por medo. Medo? Sim, medo de que descubram que a verdade está noutro lugar que não naquele que freqüentam, pois quem tem convicção de estar com a verdade não restringe ninguém a nada.
Jesus ao afirmar “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32) estava justamente incentivando as pessoas a procurem a verdade, mas essa só pode ser encontrada quando se tem independência para pesquisar e se ler qualquer conhecimento registrado pelo homem, pouco importa qual seja a sua origem, sem nenhuma restrição religiosa.
Conclusão
De tudo o que até aqui mostramos, podemos concluir que o “fim dos tempos” já passou, pois, pelas narrativas bíblicas chega-se, facilmente, à conclusão de que esse tempo, na verdade, sempre foi algo próximo à realidade que os personagens bíblicos viviam naquele momento. Reafirmamos, que não existe nenhuma passagem da qual possamos dizer que tal evento seja para um futuro longínquo.
Entretanto, parece-nos que ninguém se preocupa com isso e os fiéis amedrontados apenas seguem o que lhes passaram como “verdade”. Enquanto a liderança religiosa, que usa de interpretações à sua conveniência, os mantém encabrestados à sua maneira de pensar, tendo como base, conforme já o dissemos, o medo. Certamente, muitos deles, se tiverem oportunidade de lerem esse nosso texto, irão nos mandar para os quintos dos infernos e a seus fiéis dirão que nós estamos possuídos pelo “demo”. Entretanto, esse mesmo juízo divino que dizem ser terrível será usado para julgá-los, já que a justiça de Deus é feita com equanimidade. Esses pobres coitados amanhã estarão queimando no fogo do inferno consciencial por terem utilizado, a proveito próprio, as revelações divinas.
Aqui vale relembrar a passagem bíblica, há pouco citada, que diz “onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2Cor 3,17), do que se pode perfeitamente concluir que onde não existe liberdade aí não está o Espírito do Senhor.
 

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 24.02.10 às 23:36link do post | favorito

 

Examinem tudo e fiquem com o que é bom. (Paulo de Tarso, 1Ts 5,21).
Em busca da solução para a dor e o sofrimento, os povos primitivos inventaram uma lenda com a qual pensavam justificá-los. Daí surgiu a lenda de Jó. Não, caro leitor, nós ainda não estamos necessitando ser dominados com uma camisa de força; mas usaremos a força dos argumentos para provar o que estamos falando com essa análise que faremos do livro de Jó.
Alguns tradutores afirmam:
“A literatura sapiencial floresceu emtodo o AntigoOriente. Ao longo de suahistória, o Egito produziu escritos de sabedoria. Na Mesopotâmia, desde a época sumérica, foram compostosprovérbios, fábulas e poemassobre o sofrimento que se assemelham ao livro de Jó”.
(...)
Não é de admirarque as primeiras obras sapienciais de Israel se pareçam muitocom a de seusvizinhos: todas elas provêm do mesmoambiente”. (Bíblia de Jerusalém, p. 797).
“... o autorusa uma antigalendasobre a retribuição (1,1-2,13; 42,7-17), omitindo o final (42,7-17) e substituindo-o por uma série de debatesque mostram o absurdo da teologiaemvoga, incapaz de atender à novasituação (3,1-42,6)”. (BíbliaSagradaEdiçãoPastoral, p. 639)
O autortomacomoponto de partida uma lendacomum na época e, comleves retoques, a relata em 1,1-2,13. O finalprimitivo dessa lenda se encontraem 42,7-17. A intenção é substituir o final da lendapelodebateque se encontraem 3,1-42,6”. (BíbliaSagradaEdiçãoPastoral, p. 640).
“Da naturezapoética do livro se segue quenão se deve insistir na veracidade histórica de cadapasso da discussão. Além disso, a própriaíndole do diálogo supõe que o autornão tenha queridoaprovar todas as idéias expressas pelosinterlocutores. A chave da composiçãoconexa está em 42,1-8: Jó, embora tendo umconceitoelevado de Deus, pecou porpresunção e violência; aos seusamigos, pelocontrário, faltou o conceito adequado de Deus e de suaProvidência”.
O prólogo e o epílogosãoficções literárias. Discute-se a historicidade da pessoa de Jó; a opiniãomaisplausível é a de quetambém seja uma personagemfictícia, pois o objetivo da obranão é contar a história de um sofredor, e sim, oferecer uma solução e umconsolo a todos os que sofrem...”. (BíbliaSagradaEdições Paulinas, p. 579).
Como se vê, desde tempos imemoriais, os “donos” das religiões sempre fizeram suas interpolações (usando até lendas, como aqui) e que, para dar força a elas, as atribuía à divindade a que eles prestavam culto.
Lembramo-nos muito bem, quando, nos primeiros contatos com as letras, nossa professora primária, para entreter a turma e desenvolver-lhes a imaginação, contava as famosas histórias infantis. Invariavelmente iniciava assim Era uma vez...” buscando atrair a atenção dos alunos e criando, desde o início, um clima de expectativa. Bom, poderá nos perguntar: mas o que tem isso a ver com o assunto que você se propõe a falar? O que estamos propondo, caro leitor, é uma relação direta entre essas histórias e a história de Jô; veja como se inicia o relato bíblico:
Era uma vezumhomem chamado Jó, que vivia no país de Hus. Eraumhomemíntegro e reto, que temia a Deus e evitava o mal. (Jó 1,1)
É estonteante a correlação entre as histórias infantis e essa que estamos citando. Aliás, sobre esse país de Hus instala-se cizânia geral sobre onde se localiza:
Ø       Hus, não identificada, masporcerto, situada ao oriente da Palestina. Há quem a coloque no Hauran, sul de Damasco (cf. Gen. 36,28; Lam 4,21),... (BíbliaSagradaEdições Paulinas, p. 580)
Ø       Emboranão saibamos comcertezaonde se encontra Hus, sabemos quenão é territórioisraelita. (Bíblia do Peregrino, p. 1062).
Ø       Terra de Hus é o território de Edom, fora de Israel... (BíbliaSagradaVozes, p. 634).
Ø       ... Jó, que viveu em Hus, provavelmente a sudoeste do MarMorto,... (BíbliaSagrada - Santuário, p. 733).
Ø       Ficava a sudeste da Palestina, na Iduméia ou Edom (cf. Lm, 4,21). (Bíblia Barsa, p. 389).
Ø       Certamente ao sul de Edom (cf. Gn 36,28; Lm 4,21). (Bíblia de Jerusalém, p. 803).
No fundo, ninguém tem certeza de onde é, mas, para escapar dessa dúvida, alguns querem situá-la num lugar conhecido, esperando que os néscios acreditem neles. Consultamos vários mapas bíblicos e em nenhum deles encontramos a localização de Hus, obviamente por não saberem mesmo onde era ou, conforme acreditamos, não passa de uma ficção literária.
Mas, continuando:
Tinhasetefilhos e três filhas. Possuía tambémsetemilovelhas, trêsmilcamelos, quinhentas juntas de bois, quinhentas mulas e grandenúmero de empregados. Jó era o maisrico dos homens do Oriente. Os filhos de Jó costumavam fazerbanquetes, umdia na casa de cadaum, e convidavam as três irmãs paracomer e bebercomeles. Quando terminavam essesdias de festa, Jó os mandava chamar, para purificá-los. Ele madrugava e oferecia umholocaustoparacadaum deles, pensando: ‘Talvezmeusfilhos tenham pecado, ofendendo Deusemseucoração’. E Jó fazia assim todas as vezes” (Jó 1, 2-5).
Tal qual as estórias infantis, aqui também é realçada a riqueza de Jó e um pouco de sua vivência diária. Interessante, nesse relato, é que não são citados os nomes de seus filhos, como seria de se esperar, caso o relato fosse verdadeiro; nem mesmo o de sua mulher.
Embora não seja o que pretendemos abordar, vale uma digressão para um outro assunto, não menos curioso. É a questão de satanás, como sendo o deus do mal; leiamos:
Certodia, os anjos se apresentaram a Javé e, entreeles, foi tambémSatã. EntãoJavé perguntou a Satã: "De ondevocê vem?" Satã respondeu: "Fui dar uma voltapelaterra". Javélhe disse: "Você reparou no meuservo Jó? Na terranão existe nenhumoutrocomoele: é umhomemíntegro e reto, que teme a Deus e evita o mal". Satã respondeu a Javé: "E é a troco de nadaque Jó teme a Deus? Tumesmo puseste ummuro de proteção ao redor dele, de suacasa e de todos os seusbens. Abençoaste os trabalhos dele e seusrebanhos cobrem toda a região. Estende, porém, a mão e mexe no queele possui. Garanto queelete amaldiçoará na cara!" EntãoJavé disse a Satã: "Poisbem! Faça o quevocê quiser com o queele possui, masnão estenda a mãocontraele". E Satã saiu da presença de Javé. (Jó 1, 6-12).
A expressão satanás, conforme nos informam vários tradutores bíblicos, quer dizer “acusador”, não sendo, portanto, um ser, mas apenas uma função. Imaginemos num Tribunal de Júri, o promotor de justiça que age na linha de acusação do réu, exatamente o que, no texto, se atribui a esse anjo. Confirmamos o que dizemos pela nota a seguir, relativa a essa passagem:
“A corteceleste, que decide os rumos da história, se reúne no estilo de uma corteoriental. Satã, que significa adversário no tribunal, não é aqui a personificação do mal, e sim uma espécie de investigador...” (BíbliaSagradaEdiçãoPastoral, p. 640).
Observar que, se na narrativa está se afirmando que entre os anjos que se apresentaram a Javé estava também satanás, é porque ele, evidentemente, era um deles. E se estava junto com os outros não era anjo mau coisíssima nenhuma. Seria a mesma coisa que se dizer que o Promotor de Justiça, que é o outro pólo de que necessita a sociedade para o equilíbrio da Justiça, é um advogado mau, pelo simples fato de exercer a função de acusador.
Entretanto, não sabemos de onde a teologia retira que ele, satanás, é um anjo mau. Só por pura extrapolação, pois, pelo que se vê do relato bíblico, a única coisa que fez foi ferir um pouco o orgulho de Javé. Isso porque, quando Javé disse que Jó era um homem íntegro, o anjo respondeu que ele era assim só porque “os braços” de Javé se estendiam sobre ele, protegendo-o e proporcionando-lhe as regalias terrenas, mas que, se não tivesse isso, talvez Jó não se comportasse daquele modo. Aí Javé deixa que o anjo retire de Jó tudo quanto tinha para ver se assim ele ainda se manteria firme na sua integralidade, como se em algum momento Deus pudesse ter dúvida sobre qualquer coisa ou sentisse a necessidade de alguém lhe provar algo que pensava ser verdadeiro.
Muitos têm a Jó como o “paciente sofredor”; mas será mesmo? Veja:
Então Jó abriu a boca e amaldiçoou o dia do seu nascimento, dizendo: ‘Morra o diaemque nasci e a noiteemque se disse: 'Ummenino foi concebido'. Queessedia se transforme emtrevas; queDeus, do alto, não cuide dele e sobreelenão brilhe a luz. (Jó 3,1-4).
         A pergunta é: uma pessoa paciente amaldiçoa o dia em que nasceu ou isso é tipo dos impacientes? Como se diz; perguntar não ofende.
         Mas, não bastasse isso, continua o impaciente e já revoltado Jó:
Porquenão morri ao sair do ventre de minhamãe, ounão pereci ao sair de suasentranhas? Porquedoisjoelhosme receberam, e doispeitosme amamentaram? Agoraeu repousaria tranqüilo e dormiria empaz, juntocom os reis e governantes da terra, que construíram túmulossuntuososparasi, oucom os nobresque possuíram ouro e encheram de prataseusmausoléus. Agoraeu seria umaborto enterrado, uma criaturaquenão chegou a ver a luz”. (Jó 3,11-16).
O nosso amigo apelou feio, pois disse ter sido preferível que tivesse sido abortado. Atitude compreensível para os que, advogando a vida única, não encontra explicação para a dor e o sofrimento, cujo entendimento só poderá ser justificado se aceitarmos a reencarnação, única situação em que a justiça de Deus se manifesta em plenitude. Mas, apesar disso tudo, encontramos em Jó verdades que bem se aplicam aos que acreditam na reencarnação:
Peloqueeu sei, os que cultivam injustiça e semeiam miséria, sãoessesque as colhem” (Jó 4,8).
E o homem gera seupróprio sofrimento, como as faíscas voam paracima (Jó 5,7).
         Dessa fala de Jó retiramos a Lei de Causa e Efeito, comumente denominada de carma, cuja relação com a reencarnação é direta; quem acredita em uma delas acredita também na outra.
Há em Jó uma afirmação que os teólogos fazem de tudo para mudar-lhe o sentido. Leiamo-la:
Entãoumespírito passou pordiante de mim; fez-me arrepiar os cabelos do meucorpo; parou ele, masnãolhe discerni a aparência; umvulto estava diante de meusolhos; houve silêncio, e ouvi uma voz:...” (Jó 4,15-16).
Aqui fica evidente, por demais, o fato de Jó ter percebido um espírito; entretanto, os não comprometidos com a verdade, mas com seus próprios dogmas, mudam a palavra “um espírito” por umsopro (Bíblias: Vozes, Ave Maria, Paulus) ou por umvento (Bíblia Pastoral). Lamentável!
         Um conselho de Jó:
“Consulte as geraçõespassadas e observe a experiência de nossosantepassados. Nós nascemos ontem e não sabemos nada. Nossosdiassãocomosombra no chão. Os nossosantepassados, no entanto, vão instruí-lo e falar a vocêcompalavrastiradas da experiência deles”. (Jó 8,8-10).
Mesmo não sendo o sentido que iremos dar, é, por sinal, um sábio conselho, pois os nossos antepassados podem nos orientar com suas experiências pessoais, de modo que não venhamos a errar em coisas que poderemos ter conhecimento para fazer da forma certa. Considerando que àquela época havia muito pouca coisa escrita, como consultar as gerações passadas se seus componentes já morreram e levaram para o sepulcro seus conhecimentos? Simples: Evocando-os para lhes consultar o espírito, e, evidentemente, estamos falando aos que acreditam na possibilidade da comunicação com os mortos. Aos que não acreditam, perguntaremos: Teria algum sentido Moisés proibir de se comunicar com os mortos se isso não existisse ou não fosse possível?
Muitos acreditam que o homem ainda vem pagando pelo pecado de Adão e Eva; aliás, isso parece muito com a dívida externa brasileira, que governo nenhum consegue pagar; e disso tiram que os filhos pagam pelos erros dos pais; mas Jó parece não concordar com isso:
“Dizem queDeuscastiga os filhos do injusto! Ora, faça que o injustomesmo pague e aprenda: que veja comseusprópriosolhos a desgraça, e beba a ira do Todo-poderoso. Pois, o quelhe importa a suafamíliadepois de morto, quando o tempo de suavida tiver chegado ao fim?” (Jó 21,19-21).
Pena que, em sua justificativa, Jó demonstra não acreditar na vida após a morte, evidenciando uma posição incontestavelmente materialista: morreu acabou.
Um ponto fundamental levantado por Jó, mas, infelizmente, ainda não assimilado pela grande maioria das pessoas:
Deuspaga ao homemconforme as suasobras e retribui a cadaumconforme a suaconduta. Deus, na verdade, não age de modoinjusto. O Todo-poderosonuncaviola o direito”. (Jó 34, 11-12)
E mesmo assim, alguns ainda acham que, por pertencerem à determinada corrente religiosa ou por aceitarem Jesus como seu Senhor e salvador já estejam salvos. Doce ilusão! A justiça é clara: a cada um segundo suas obras.
Diante da afirmação acima de que Deus “retribui a cadaumconformesua conduta”, como explicar que alguém tenha nascido aleijado se Deus corrige o homemtambémcom o sofrimento na cama”? (Jó 33,19). Explicação lógica somente se acreditarmos na pré-existência do espírito e na reencarnação; aliás, para nós, é o grande problema insolúvel de Jó: mesmo justo ainda sofre. Como não podiam atribuir esse sofrimento a Deus, por ser injusto, inventaram esse teste da “paciência”.
A falta de conhecimento das leis da natureza fazia com que o povo hebreu atribuísse a uma atitude de Deus determinados fenômenos naturais como, por exemplo:
“Enche as mãoscomraios e atira-os no alvocerto. O trovão anuncia a chegada dele, e a suaira se acende com a injustiça”. (Jó 36,32-33).
         E ainda há quem diga que a Bíblia é totalmente de inspiração divina. Ô, coitado! Mas a coisa fica bem pior, quando atribuem solidez ao céu (firmamento):
Poracasovocê estendeu comele o firmamento, sólidocomoespelho de metal fundido?” (Jó 37,18)
A palavra firmamento vem de firme, já que acreditavam que o céu, esse azul que vemos acima de nossas cabeças, era totalmente sólido. Para o povo hebreu havia de ser assim, pois era a única maneira de explicar a existência das águas que caíam por ocasião das chuvas, já que não conheciam o fenômeno da evaporação da água. Observar que em Gêneses já encontramos essa idéia:
Deus disse: ‘Que exista umfirmamento no meio das águasparasepararáguas de águas!’ Deus fez o firmamentoparaseparar as águasque estão acima do firmamento das águasque estão abaixo do firmamento. E assim se fez. E Deus chamou ao firmamentocéu’". (Gn 1, 6-8).
         Essa é também mais uma das inúmeras passagens que não podemos atribuir como sendo de inspiração divina, já que são evidentemente frutos da cultura daquela época.
Muito curioso é que algumas passagens sugerem a idéia da pré-existência da alma, bem como, a reencarnação, como essa, por exemplo:
Certamentevocê sabe disso tudo, poisentão havia nascido e viveu muitíssimos anos. (Jó 38,21).
         Se alguém nos descrevesse um animal dessa forma:
Suas costas são fileiras de escudos, ligados com lacre de pedra; são tão unidos uns com os outros, que nem ar passa entre eles; cada um é tão ligado com o outro, que ficam travados e não se podem separar. Seus espirros lançam faíscas, e seus olhos são como a cor rosa da aurora. De sua boca irrompem tochas acesas e saltam centelhas de fogo. De suas narinas jorra fumaça, como de caldeira acesa e fervente. Seu bafo queima como brasa, e sua boca lança chamas. Em seu pescoço reside a força, e diante dele dança o terror.
Que idéia nós iríamos ter desse animal? Exato: um dragão! Pois é, caro leitor, na Bíblia há a descrição de um animal assim... Veja:
Poracasovocê é capaz de pescar o Leviatãcomanzol e amarrar-lhe a línguacom uma corda? Você é capaz de furar as narinas dele comjunco e perfurarsuamandíbulacomgancho? Será queele viria atévocêcom muitas súplicasoulhe falaria comternura? Será que faria uma aliançacomvocê, paravocêfazer dele o seucriadoperpétuo? Você brincará comelecomo se fosse umpássaro, ouvocê o amarrará parasuas filhas? Será que os pescadores o negociarão, ou os negociantes o dividirão entresi? Poderá vocêcrivar a pele dele comdardosou a cabeçacomarpão de pesca? Experimente colocar a mãoemcima dele: você se lembrará da luta, e nuncamais repetirá isso! Veja! Diante dele, todasegurança é apenasilusão, poisbastaalguém vê-lo paraficarcommedo. Ninguém é tãocorajosopara provocá-lo. Quempoderia enfrentá-lo cara a cara? Quemjamais se atreveu a desafiá-lo, e saiu ileso? Ninguémdebaixo de todo o céu. Não deixarei de descrever os membros dele, nemsuaforçaincomparável. Quem abriu suacouraça e penetrou porsuaduplaarmadura? Quem abriu as duas portas de suaboca, rodeadas de dentesterríveis? Suascostassão fileiras de escudos, ligados comlacre de pedra; sãotão unidos uns com os outros, quenemarpassaentreeles; cadaum é tão ligado com o outro, que ficam travados e não se podem separar. Seusespirros lançam faíscas, e seusolhossãocomo a corrosa da aurora. De suaboca irrompemtochas acesas e saltam centelhas de fogo. De suasnarinasjorrafumaça, como de caldeiraacesa e fervente. Seubafoqueimacomobrasa, e suabocalançachamas. Emseupescoço reside a força, e diante dele dança o terror. Os músculos do seucorposãocompactos, sãosólidos e imóveis. Seucoração é durocomorocha e sólidocomopedra de moinho. Quandoele se ergue, os heróis tremem e fogem apavorados. A espadaque o atinge nãopenetra, nem a lança, nem o dardo, nem o arpão. Paraele o ferro é comopalha, e o bronzecomomadeirapodre. A flechanão o afugenta, e as pedras da funda se transformam empalhaparaele. A maça é paraelecomoestopa, e ele zomba dos dardosque assobiam. Seuventre, coberto de escamas pontudas, é uma grade de ferroque se arrasta sobre o lodo. Ele faz ferver o fundo do marcomocaldeira, e a águafumegarcomovasilhaquentecheia de ungüentos. Atrás de sideixa uma esteirabrilhante, e a água parece cabeleirabranca. Na terraninguém se iguala a ele, pois foi criadoparanãotermedo. Ele se confrontacom os seresmaisaltivos, e é o rei das ferassoberbas". (Jó 40,25-41,26).
         Vejamos como nos explicam a palavra Leviatã:
Leviatã (ou também o Dragão, a Serpente Fugitiva – cf. 26,13; 40,25+; Is 27,1; 51,9; Am 9,3; Sl 74,14; 104,26) era, na mitologia fenícia, monstro do caos primitivo (cf. 7,12+); a imaginação popular podia sempre recear que despertasse, atraído por uma eficaz maldição contra a ordem existente... (Bíblia de Jerusalém, p. 805).
         Assim, vemos aqui que a cultura de outros povos está influenciando um autor bíblico. Daí concluirmos que realmente não dá para aceitar que a inspiração divina seja responsável por isso.
         Vamos agora analisar a última passagem do livro de Jó:
“E Javé abençoou a Jó, maisainda do queantes. Ele possuía agoracatorzemilovelhas, seismilcamelos, miljuntas de bois e mil jumentas. Teve setefilhos e três filhas: a primeira chamava-se Rola, a segunda Cássia e a terceiraAzeviche. Emtoda a terranão havia mulheresmais belas do que as filhas de Jó. E o seupai repartiu a herançaentreelas e os irmãos delas”. (Jó 42,12-15).
Esse final glorioso de Jó é deveras muito intrigante, pois, enquanto os seus filhos continuaram na mesma quantidade (Jó 1,2), os seus bens duplicaram em relação à sua posse anterior (Jó 1,3). Será que os bens terrenos terão mais valor que os nossos filhos? Outra coisa: para o povo judeu a mulher não tinha nenhum valor; por isso é estanho a citação dos nomes das filhas de Jó, quando o esperado, se fosse para citar algum nome, seriam os dos seus filhos. Por outro lado, as filhas só receberiam herança se não houvesse filhos para recebê-la: Depois diga aos filhos de Israel: 'Se umhomemmorrersemdeixarfilhos, passem a herançapara a filha dele”. (Nm 27,8).
Por essa passagem fica confirmado que a idéia de uma vida após a morte ainda não era pensamento comum; daí suporem que as bênçãos de Deus deveriam ser dadas em bens terrenos e não em bens espirituais, ou seja, para uma vida no plano espiritual.
Conclusão
         De certa forma a nossa opinião já foi dada no desenrolar deste estudo; por isso, vamos, por termos achado fantástica, transcrever a opinião de Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin, tradutores da Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, publicação da Paulus:
“... percebemos que o livro de Jó é uma crítica de toda teologia que se pretenda definitiva e universal. Essa teologia pode se tornar um verdadeiro obstáculo para a própria experiência de Deus. E aqui o autor dá o seu recado: É preciso pensar a religião a partir da experiência de Deus e não de uma teoria a respeito dele”.
(...)
“O livro é um convite para nos libertar da prisão das idéias feitas e continuadamente repetidas, a fim de entrar na trama da vida e da história, onde Deus se manifesta ao pobre e se dispõe a caminhar com ele para construir um mundo novo. Tal solidariedade de Deus se transforma em desafio: Estamos dispostos a abandonar nossas tradições teológicas para nos solidarizar com o pobre e fazer com ele a experiência de Deus?” (p. 639).
Como se diz popularmente: falou pouco e disse tudo.

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 24.02.10 às 23:34link do post | favorito

“A cada um segundo o seu conhecimento.”

Independente do que estamos interpretando, o que vamos “ver” é tudo quanto nossa mente conseguirá assimilar, levando-se em conta os dados com os quais nosso cérebro foi alimentado, no decorrer de nossa existência como espírito imortal. Poucos conseguem se livrar disso, para enxergar um pouco “além do véu”, de forma a entender o sentido mais amplo, saindo da letra que mata, para ir ao encontro do espírito da letra.
Percebemos que a exegese aplicada aos textos bíblicos, na maioria das vezes, está condicionada a esse fator, e é por isso que há tantas interpretações para uma mesma passagem; inclusive, acontece até mesmo o caso de serem contraditórias umas com as outras. Observa-se que, para certos exegetas, a narrativa do autor bíblico pouco importa, pois o que se torna mais importante para eles é que o seu entendimento, do que está escrito, seja a verdade. Essa é a outra face dessas interpretações.
Leiamos, para exemplificar, a seguinte frase:
Mt 11,14-15: “E se vocês o quiserem aceitar, João é Elias que devia vir. Quem tem ouvidos, ouça."
A interpretação desse passo se divide em dois pensamentos extremos e completamente opostos. Para os que acreditam na reencarnação, Jesus estaria afirmando, categoricamente, que João Batista é Elias em nova vida, ou seja, “a voz que clama no deserto” é a reencarnação do profeta tesbita. Enquanto que, para os contrários, não é isso que o texto diz. Nele, ao invés de verem a reencarnação, vêem apenas que o ministério de João é semelhante ao que foi o do profeta Elias. Mas se for esse o caso, então esta fala de Jesus fica sem sentido:
Mt 17,12: “Mas eu digo a vocês: Elias já veio, e eles não o reconheceram. Fizeram com ele tudo o que quiseram".
A explicação da similaridade entre os ministérios dos dois profetas não cabe diante dessa afirmativa: “Elias já veio”, que não deixa nenhuma margem a outra interpretação, senão a de que João Batista foi Elias reencarnado, fato que, também, se explica por Jesus ter dito “eles não o reconheceram”, justamente porque agora estava num novo corpo.
A quem assistirá a razão? Aos que puderem entender que Jesus estava mesmo falando de algo ainda não aceito por todos, em virtude de, no passo anterior, ter completado: “Quem tem ouvidos, ouça”. Então, deveria ser um assunto controverso àquela época. Mas qual assunto? Sabemos que os saduceus não acreditavam na ressurreição (Mt 22,23), crença dos fariseus (At 23,8). Mas o que tem a ver ressurreição com reencarnação? Dependendo do contexto, muita coisa; aliás, são conceitos semelhantes. Como?! Expliquemos:
Lc 9,19: “Eles responderam: 'Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que tu és algum dos antigos profetas que ressuscitou'". (ver também Mt 16,14 e Mc 8,28).
Pelo que se pode entender, a palavra ressuscitar, nessa passagem, tem a nítida conotação de reencarnar. Se Jesus, segundo pensavam, poderia ser qualquer um dos antigos profetas, isso só seria possível de acontecer pela reencarnação. Por outro lado, como não combateu essa idéia de que alguém poderia vir como uma outra pessoa, o Mestre, de certa maneira, sanciona a crença na reencarnação, pois, se não fosse uma realidade ele a teria negado de forma veemente, para não deixar que as pessoas pensassem equivocadamente a respeito desse assunto.
Russell Norman Champlin, renomado exegeta protestante, analisando a passagem Mt 16,14, correlata a essa de Lucas, disse:
«Uns dizem: João Batista». Mat. 14:1 demonstra que Herodes adotou essa teoria: «Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos». Provavelmente, então, alguns dos herodianos também pensavam assim. Essa idéia circulava entre o povo. Dificilmente podemos crer que muitos pensavam que João Batista ressuscitara dos mortos, porque a maioria sabia que Jesus e João foram contemporâneos. Tal teoria, portanto, reflete a doutrina da transmigração da alma. É óbvio que essa crença exercia influência nas escolas dos fariseus, e, ainda que nunca tivesse sido totalmente aceita por todo o povo, muitos indivíduos (provavelmente a maioria) aceitavam-na como verdadeira. Conforme tais idéias se tinham desenvolvido nas escolas dos fariseus, dizia-se que ainda viviam as almas dos grandes profetas, e que em tempo oportuno, em momentos de grande necessidade, como alguma crise nacional, etc., tais almas poderiam tomar corpo novamente. No caso de João Batista, não podemos afirmar que essa crença refletisse a idéia da «reencarnação», mas deve ser interpretada como «transmigração» ou «possessão». Porém, uma vez admitida a idéia que Jesus era Elias, Jeremias, ou outro personagem do passado, então se pode afirmar que essa crença era idêntica à «reencarnação». O termo «transmigração» é usado por muitas vezes como sinônimo de «reencarnação». A identificação de Jesus com João Batista, pelo menos, poderia preservar a identificação de Jesus com a esperança messiânica, porque era crença geral, entre o povo, que João era Elias reencarnado, e Elias seria o precursor do Messias. Mas pode-se afirmar, à base dessa idéia, que tais pessoas não aceitavam que Jesus fosse o Messias.(CHAMPLIN, 2005, p. 443). (grifo nosso).
E para corroborar que, naquela época, os fariseus acreditam na reencarnação, vejamos o que Flávio Josefo, o historiador hebreu, disse a respeito deles, pois daí veremos como entendiam o ressuscitar. Descrevendo a maneira de ver dos fariseus, fala:
Eles julgam que as almas são imortais, que são julgadas em um outro mundo e recompensadas ou castigadas segundo foram neste, viciosas ou virtuosas; que umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida e que outras voltam a esta. (JOSEFO, 2003, p. 416). (grifo nosso).
E, num outro momento, ele, que se declarou fariseu, se dirigindo aos soldados, derrotados na guerra contra os romanos, que pensavam em suicidar-se, disse-lhes:
...suas almas voam puras para o céu, para lá viverem felizes e voltar, no correr dos séculos, animar corpos que sejam puros como elas e que ao invés, as almas dos ímpios, que por loucura criminosa dão a morte a si mesmos são precipitados nas trevas do inferno;... (JOSEFO, 2003, p. 600). (grifo nosso).
Estabelecendo-se, então, a relação entre essas informações de Josefo com as constantes do Evangelho só poderemos concluir que a ressurreição, na qual acreditavam, tinha também o sentido de voltar a um outro corpo, ou seja, de reencarnação.
É com esse “espírito da letra” que devemos analisar o diálogo de Nicodemos com Jesus, pois que era um dos da classe dos fariseus, conforme se afirma no passo bíblico. Leiamos a passagem:
Jo 3,1-8: “Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. À noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: 'Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele'. Jesus lhe respondeu: 'Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus'. Disse-lhe Nicodemos: 'Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar no seio de sua mãe e nascer?' Respondeu-lhe Jesus: 'Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer de novo. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito”.
Aqui, o “nascer de novo” deveria ser entendido como reencarnar, que foi o que entendeu Nicodemos; daí a razão de sua pergunta a Jesus: “como pode um homem nascer, sendo já velho?”. Não temos como interpretar de outra forma; até mesmo porque, na seqüência, isso fica mais claro: “poderá entrar no seio de sua mãe e nascer?”. Portanto, ele, como fariseu, falava de reencarnar, embora tivesse dúvida de como isso ocorria.
Quando Jesus lhe responde, não diz que não era sobre isso que estava falando; antes, ao contrário, reafirma dizendo que a carne gera a carne, nosso corpo físico provém dos nossos pais, e que o Espírito gera o espírito, nosso espírito procede de Deus, estabelecendo, sem rodeios, a diferença entre essas duas cousas, as quais, por se tratarem de coisas terrenas, disse a Nicodemos que ele deveria saber.
As pesquisas levadas a efeito, por vários estudiosos, têm trazido a público evidências científicas que estão mais para sustentar a tese da reencarnação do que qualquer uma outra hipótese. A prova definitiva é, agora, apenas pura questão de tempo.
Os que não aceitam a reencarnação, geralmente acreditam na ressurreição da carne e na existência do inferno; entretanto, apesar de exigirem “provas” da reencarnação, nem mesmo uma única evidência científica têm para apoiar essas suas duas crenças, o que, dessa forma, os impede de contestar as que vêm reforçando a crença a favor da reencarnação.
Um outro argumento muito utilizado é dizer que a reencarnação não existe, porquanto, essa palavra não se encontra na Bíblia. O que, de fato, é verdadeiro, até mesmo porque essa palavra só aparece num dicionário em 1859, exatamente dois anos depois da publicação da primeira edição de O Livro dos Espíritos. O que não passa pela cabeça dos que assim alegam é que, por nossa vez, poderemos usar do mesmo tipo de argumento quanto à Trindade, na qual piamente acreditam, ou seja: a Trindade não existe porque essa palavra não consta da Bíblia.
 

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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 24.02.10 às 23:33link do post | favorito

 

 

 

Os dogmas da divindade de Jesus e da Santíssima Trindade nunca foram definitivamente resolvidos. Eles surgiram nos concílios de Nicéia (325), Constantinopla (381), Éfeso (431) e Calcedônia (451). Jesus não é um Deus absoluto, mas relativo como nós (Salmo 82,6 e João 10,34). Ele ensinou que nós deveríamos amar uns aos outros como Ele nos amou. Ora, se Ele fosse Deus mesmo, amar-nos-ia com um amor infinito, e nós, então, jamais poderíamos amar-nos uns aos outros como Ele nos amou! E, se podemos fazer tudo que Ele fez e até mais, ainda, é também porque Ele não é Deus mesmo! Jesus é apenas o "Logos", o Demiurgo de Platão e de João Evangelista, ou seja, o Mediador entre Deus e os homens de São Paulo: "Há um só Deus (Theos") e um só Mediador ("Logos") entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem"(1 Timóteo 2,5). Jesus era Deus ("Logos") e estava com Deus ("Theos"), mas não era Javé (João 1,1).

O Concílio de Lyon (1274) instituiu o dogma do "Filioque", agravando mais, ainda, as divergências sobre esses assuntos e outros entre a Igreja Romana e a Ortodoxa Oriental. No tocante ao Espírito Santo, só podemos adiantar, com base na Bíblia, que Ele existe, mas, igualmente, Ele não é outro Deus, mas a comunhão dos espíritos humanos criados, que somos todos nós, inclusive Jesus. É o que lemos em 1 Coríntios 6,19: "Nosso corpo é santuário dum Espírito Santo" (nosso livro "A Face Oculta das Religiões", pág. 117 a 134). Os teólogos imaginaram que em Deus há três Pessoas Divinas. Mas Deus não é uma pessoa, quanto mais três! Deus é infinito. Se fosse pessoa, Ele seria finito! Ele é o Pai de todos nós, inclusive de Jesus. É o Único, isto é, o Javé, o Criador, o incriado e o ingerado.

Os teólogos são os responsáveis pela frieza dos cristãos e pelo ateísmo, pois, em pleno Terceiro Milênio, continuam ensinando teologias conflitantes, que os teólogos do passado criaram, mas que eles mesmos não entendiam e muito menos as entendem os de hoje!

 

 

 


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 24.02.10 às 15:32link do post | favorito

Orígenes de Alexandria

Carlos Antonio Fragoso Guimarães
 
 
Um pai da Igreja que acreditava na Reencarnação


Um dos maiores lumiares do início do cristianismo, "O maior erudito da Igreja antiga", segundo J. Quasten - pertencente à Igreja Grega e do Oriente, dica-se de passagem, enquanto a de Roma ainda não tinha a supremacia que viria a ter em virtude de manipulações políticas - Orígenes nos encanta por sua apurada visão espiritual e sua maneira especialmente lúcida de abordar a mensagem do Cristo. Nascido por volta de 185 de nossa era, em Alexandria - onde ficava a famosa biblioteca, marco único na história intelectual humana, e que foi destruída pela ignorância e sede de poder dos romanos e, depois, por pseudo-cristã os ensandecidos e fanáticos -, desde cedo teve contato com a doutrina de Cristo, especialmente com seu pai, Leonídio, que foi martirizado em testemunho de sua fé. Com isso, a família de Orígines passou a ser estigmatizada, tendo sido seqüestrado todo o patrimômio que lhe pertencia. Para sobreviver, o jovem e brilhante Orígines passou a lecionar para ganhar seu sustento. Mente curiosa e aberta, Orígines dedicava-se ao estudo e a discussão da filosofia, notadamente Platão e os estóicos. Orígenes bebeu da mesma formação intelectual que viria a ter Plotino, na escola de Amônio Sacas e, com certeza, as doutrinas ditas orientais não lhe eram estranhas, e muito menos a ênfase num conhecimento pisíquico direto com o transcendente que era típica da escola de Amônio, fundador do neoplatonismo e, também, um simpatizante (pelo menos em parte) do cristianismo. Por isso, com absoluta certeza, o conhecimento na doutrina Paligenética (da Reencarnação), tão cara a Platão e a Sócrates, lhe era muito familiar em sua fase de formação, e posteriormente ele viria a divulgá-la abertamente - este foi um dos motivos pelos quais foi perseguido pela vertente católico romana, e por isso, temos hoje poucos de seus escritos, mesmo assim, devidamente "maquilados" (c.f. Reale & Antiseri, 1990, volume I, página 413; e Fadiman & Frager em Teorias da Personalidade, 1986, ed. Harbra, páginas 175-176).

 

Pouco antes do nascimento de Orígenes, um estóico chamado Panteno havia se convertido à mensagem do Cristo, e fundara uma escola catequética em Alexandria. Em 203 o jovem Orígines assumiu a direção desta escola, atraindo muitos jovens estudantes pelo seu carisma, conhecimento e virtudes pessoais. Em 231, Orígines foi forçado a abandonar Alenxandria devido à animosidade que o bispo Demétrio (na verdade, um invejoso) lhe devotava. Orígines, então, passou a morar num lugar onde Jesus havia, muitas vezes, estado: Cesaréia, na Palestina, onde prosseguiu suas atividades com grande sucesso. Mas nem mesmo lá ele encontraria a paz, pois logo veio a onda de perseguição aos cristãos ordenada por Décio. Lá, Orígines foi preso e torturado barbaramente, o que lhe causou a morte, em 253 .

 

O pensamento de Orígenes e sua forma de interpretar o evangelho foi durante muito tempo causa de acesa polêmica entre os sofistas da igreja de Roma, ao ponto de algumas teses de seu pensamento serem oficialmente condenadas pelo imperador Justiniano que via nelas uma ameaça aos resquícios do pensamento antigo que considerava o imperador romano quase uma divindade e, posteriormente, que teve sua ratificação religiosa feita por um concílio católico-romano, em 553. Orígines também sofreu o triste e típico caso dos seguidores de um líder que pervetem a mensagem original.... Muito do que escreveu e disse Orígines foi reinterpretado e corrompido pelos origenistas, o que causou, junto com as condenações de Roma, uma perda em grande parte da sua enorme produção literária. Resta-nos dela Os Princípios, Contra Celso e Comentário a João.


O centro do pensamento de Orígines é Deus: "Deus não pode ser entendido como corpo, mas como uma realidade transcendente apenas passível de ser palidamente entendida como realidade intelectual e espiritual", diz ele. Deus não pode ser conhecido em sua natureza, por meio das limitações dos seres relativos que somos, pelo simples fato de que nossa percepções e concepções sobre tudo está sempre em transformação, quer em maturação, quer em uma espécie de regressão (basta ver o mundo a nossa volta para nos certificarmos disso). Qualquer idéia que possamos fazer de Deus é apenas uma projeção antropomórifca de uma dada época e que apenas toca de leve uma idéia ainda maior: "Deus, em sua realidade, é incompreensível e inescrutável. Com efeito, podemos pensar e compreender humanamente qualquer coisa sbre Deus, mas devemos também saber que Ele é amplamente superior a tudo àquilo que Dele pensamos (...)". Ou seja, temos uma intuição de Deus, não uma compreensão racional definitiva Dele. Aqui ouve-se claramente ecos do pensamento neoplatônico de Amônio Sacas, e Orígines até mesmo usou a expressão "acima da inteligência e do ser", muito famosa por ter sido utilizada por Plotino.

 

A compreensão da criação do universo por Deus, de Orígenes, nos lembra e muito a das tradições orientais, notadamente as da Índia e a dos mistérios gregos, e, principalmente, Platão e Plotino. Primeiro, Deus teria criado seres racionais e livres, todos simples e iguais entre si - e os criou à própria imagem, por serem seres dotados da capacidade de de desenvolver a razão. Mas a própria simplicidade original (a ignorância) os levaram, por meio da liberdade a que tinham direito, a divergirem no seu comportamento e, em sua busca por instrução, a se diferenciarem entre si (podemos encontrar um retorno a esta idéia no moderno espiritismo kardecista que diz que "todos os espíritos foram criados simples e ignorantes", sendo as diferenças entre eles fruto dos percalços e escolhas no caminho evolutivo individual de cada um). O mundo material e o corpo são conseqüências direta disto, pois tornaram-se necessários a fim de corrigir os erros dos espíritos que se afastaram demasiado de Deus. Mas o corpo não é, em absoluto, algo negativo, como diriam os platônicos e os gnósticos. É, isso sim, o instrumento e o meio mais eficaz para o aprendizado ou para a expiação de erros cometidos anteriormente. A alma, ou espírito, pois, preexistia ao corpo (Reale & Antiseri, História da Filosofia, vol. I, 1990), e a diversidade dos homens e de suas condições remonta à diversidade de comportamento na vida anterior.

 

A doutrina da reencarnação é uma constante em Orígines, como o fora anteriormente para Pitágoras, Sócrates, Platão, e toda a tradição órifca grega até Plotino. Orígnes tinha consciência de indícios desta doutrina no próprio evangelho, como em Lucas 1:13-17; Mateus 17:9-13 e em João, 3:1-15. Igualmente, com os mistérios gregos, admitia que nosso universo é constituido por uma série de "mundos" habitados, onde a alma se aperfeiçoa (isto séculos antes de Giordano Bruno e de Kardec). Diz-nos Orígines: "Deus não começou a agir pela primeira vez quando criou este nosso mundo visível. Acreditamos que (...) antes deste houve muitos outros". Tal concepção nos lembra, e muito, a concepção de Pierre Teilhard Chardin. Orígines, como Chardin, acredita que tudo no universo tende a voltar a Deus, o ponto ômega. Todos os espíritos se purificarão em sua marcha progressiva pela eternidade em direção a Deus, uma marcha longa e gradual, de correção e expiação, passando, portanto, por inúmeras reencarnações neste e em outros mundos! (Reale & Antiseri, 1990). Diz Orígines: "Devemos crer que (...) todas as coisas serão reintegradas em Deus (...). Isso, porém, não acontecerá num momento, mas lenta e gradualmente, através de infinitos séculos, já que a correção e a purificação advirão pouco a pouco e singularmente: enquanto alguns com ritmo mais veloz se apressarão como primeiros na meta, outros os seguirão de perto e outros ainda ficarão muito para trás. E assim, através de inumeráveis ordens (...)"

 

Orígines exaltou ao máximo a liberdade e o livre arbítrio de todas as criaturas do mundo, em todos os níveis de sua existência. Em certo sentido, Orígines tinha uma percepção Holística do mundo. No próprio estágio final ( o estágio próximo ao ponto ômega, como diria Teilhard Chardin ), será o livre arbítrio juntamente com uma compreensão esclarecida do sentido do universo que o espírito irá aderir ao amor de Deus, sábio e senhor de milhares de anos de experiência. Assim, terá cumprido o círculo, partindo do ponto de ignorância absoluta ao de sabedoria absoluta, sempre de e em direção a Deus.

 

Orígines também teve a suficiente visão e sabedoria para distinguir três níveis de leitura das escrituras:

1) o literal (muito usado ainda hoje pela maioria das igrejas evangélicas no Brasil),

2) o Moral e

3) e Espíritual, que é o mais importante e também o mais difícil. Cada um destes níveis indica um estado de consciência e amadureciamento espiritual e psicológico.

Como nos fala Reale & Antiseri, a importância de Orígines é notável em todos os campos. Ele quis ser, antes de tudo, um cristão, e o foi até as últimas conseqüências, suportantdo com heroísmo as torturas que o matariam, para permanecer fiel a Cristo.

 


Bibliografia Sugerida:
Giovanni Reale & Dario Antiseri: História da Filosofia, Editora Paulus, São Paulo,1990.
James Fadiman e Robert Frager: Teorias da Personalidade, Editora Harbra, São Paulo, 1986.

 


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 23.02.10 às 23:32link do post | favorito

ESTE PESSOAL DESTE BLOG ACIMA, SÃO PESSOAS ARROGANTES, SEM CARATER.

 

 

"Os verdadeiros caráteres da ignorância são a vaidade, o orgulho e a arrogância."
"O caráter de um homem é formado pelas pessoas que escolheu para conviver."

 


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 23.02.10 às 03:50link do post | favorito

Página principal » Artigos » Paulo da Silva Neto Sobrinho

O que efetivamente nos salva?

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Apreensivo, chega o fervoroso crente, junto ao seu líder religioso, e pergunta: Pastor, o que acontecerá agora com meu pai, que acaba de morrer: ele irá para o céu ou para o inferno? Você sabe, era um criminoso de mão cheia, tendo, em sua vida, cometido vários crimes. Gostaria de saber qual é o destino dele, pois, apesar de tudo o que fez, acreditava em Jesus, tinha uma fé inabalável e nem mesmo o dízimo se omitiu de pagar.

O Pastor pensou um pouco, procurando encontrar, em seus conhecimentos bíblicos, uma explicação plausível. Passados alguns minutos, respondeu: Meu caríssimo irmão, na Bíblia existe uma passagem que diz: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras para que ninguém se glorie. (Ef 2, 8-9), portanto, pela palavra de Deus, ele irá para o céu, pois tinha fé e a fé é o que nos basta para salvar-nos.

Amém Pastor! Respondeu o consulente mais tranqüilo e certo que seu pai estaria no céu.

Lembramo-nos, imediatamente, do que disse o profeta Isaías: Quando vossos juízos se exercem sobre a terra, os habitantes do mundo aprendem a justiça. Porém, se se perdoar o ímpio, ele não aprenderá a justiça, na terra da retidão ele se entregará ao mal e não verá a majestade do Senhor. (Is 26, 9-10 – Bíblia Sagrada Ed. Ave Maria). O pensamento de que se deve repreender um criminoso, é tão claro que ficamos querendo saber porquê algumas pessoas não o entendem.

Procuramos esta passagem em outra Bíblia, foi por aí que começamos a entender, o porquê das divergentes interpretações. Vejamo-la na versão da SBTB, cuja tradução é a normalmente adotada pelas correntes protestantes: “Porque, havendo os teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça. Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniqüidade, e não atenta para a majestade do SENHOR”. Aqui ter o entendimento igual ao que encontramos na anterior é realmente mais difícil, pois o pensamento está subentendido. Mas, embora varie na forma, o pensamento no fundo é o mesmo.

Se Deus deixasse de “castigar” um criminoso estaria pervertendo o juízo, isso não poderá acontecer: Porque, segundo a obra do homem, ele lhe paga; e faz a cada um segundo o seu caminho. Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo. (Jó 34, 11-12).

Ainda não conseguimos entender porque as pessoas divergem tanto em relação à nossa salvação. Para uns basta ter fé, para outros é necessário praticar as boas obras, o que deixa muitas pessoas em dúvida, sem saber qual é mesmo a base da nossa salvação.

Um dos autores bíblicos mais utilizado para sustentar a questão da fé, como maneira de se salvar, é Paulo. Sabemos que este apóstolo não foi discípulo de Jesus, inclusive, no início do cristianismo, perseguia os cristãos, até que um dia teve um encontro com o espírito de Jesus na estrada de Damasco. A partir deste episódio, passa a se dedicar de corpo e alma à doutrina daquele que o questionara: Saulo, Saulo porque me persegues? (Atos 9, 4).

Assume a missão de divulgar o Evangelho entre os pagãos, daí o chamarem de Apóstolo dos gentios. Faz diversas viagens para divulgar a Boa Nova. São dele as principais cartas contidas no Novo Testamento, nas quais iremos buscar o seu pensamento a respeito desse assunto.

Depois iremos ver o que outras pessoas pensavam, principalmente Tiago, Pedro, João e, decisivamente, aquele a quem nenhum ensino poderá contradizer: JESUS.

Pensamento de Paulo

Devemos confessar que não é nada fácil entender Paulo, pois às vezes parece contraditório, já que em algumas oportunidades leva-nos a crer que a fé é que salva, ao passo que em outras dá-nos a idéia que são as obras, enfim, as coisas ficam realmente muito confusas. Até Pedro reclamava isso de Paulo, veja: É o que, aliás, ele ensina em todas as suas cartas. Nelas existem passagens de difícil compreensão; e existem pessoas ignorantes e inconstantes que lhes deformam o sentido, como aliás o fazem com outras partes das Escrituras, para a sua própria ruína”. Pedro está absolutamente correto em seu pensamento, inclusive, o poderemos aplicar tranqüilamente aos dias de hoje, já que vemos pessoas “deformando o sentido das Escrituras. (2 Pedro 3, 26).

De início é bom colocarmos, a seguinte explicação:

O próprio Paulo não conheceu pessoalmente Jesus. O que ele fez foi a experiência do Cristo ressuscitado. Portanto, ao anunciar o Evangelho aos pagãos, foi preciso adaptá-lo à mentalidade dos ouvintes, respondendo às preocupações que eles tinham, conservado o que era essencial e deixando de lado o que não era importante”.[1] Isso é importante ter em mente, já que o apóstolo dos gentios usava linguagem adequada aos ouvintes, o que, em algumas situações, leva à aparente contradição no que fala.

Vejamos alguns trechos de Paulo, que colocaremos na ordem cronológica aceita pelos exegetas:

1 Tessalonicenses 1, 2-3: Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações, lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai,

Nesta primeira passagem que analisamos, observamos Paulo dar graças a Deus porque todos praticavam “obra da fé”, “trabalho do amor”, já deixando-nos mais seguros quanto ao seu pensamento a respeito do que irá nos salvar.

1 Coríntios 13, 1-13: Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

Fica claro que Paulo prega o amor acima de tudo. Explicam: À diferença do amor passional e egoísta, a caridade (agape) é um amor de dileção, que quer o bem do próximo (Bíblia de Jerusalém). Ainda encontramos: Amor. A palavra grega é agape. Agape é mais que afeição mútua; expressa a valorização altruísta no objeto amado (Bíblia Anotada).

Nessa passagem está óbvio que o amor (caridade) é maior que a fé, embora não quer dizer que não necessitamos da fé, pelo contrário é por termos fé que praticamos a caridade.

2 Coríntios 5, 10: Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.

O Apóstolo Paulo volta a falar novamente sobre o “a cada um segundo suas obras”, reafirmando o seu pensamento.

Gálatas 2, 16: Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.

Vejamos o que Paulo diz a respeito de não ser justificado pelas obras. Afinal, de que obras ele fala? Trata-se das obras da Lei, ou seja, Lei de Moisés. Ela, depois do advento de Jesus, não poderá servir como base de salvação para os que se dizem cristãos. Devemos, pelos nossos atos, ser justificados, ou seja, tornaremos justos, pela fé em Cristo. Mas voltamos a dizer, não fé estática, só pela fé operante. Também João percebeu isso: Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. (João 1, 17).

Esta passagem merece ser completada pelo estudo que L. Palhano Jr faz em seu livro “Aos Gálatas – A Carta da Redenção”. Diz Palhano:

Para compreendermos melhor o texto acima, é preciso meditar e entrar no verdadeiro significado das expressões: ‘justificado’, ‘obras da lei’, ‘fé’ e ‘carne’. É o que pretendemos fazer a seguir. O verbo empregado na epístola para justificado é dikaicó, característico de Paulo e tão empregado por ele, que é preciso entendê-lo de modo correto. Na margem da Revised Standard Version of Bible, o termo é traduzido como “tido por justo”, isto é, considerado justo ou aprovado aos olhos de Deus; e o ponto a ser decidido era a maneira pela qual o indivíduo alcançaria uma posição aceitável diante de Deus (Guthrie, D. Gálatas, introdução e comentários, São Paulo, Vida Nova, 1984, p. 107)”.

“Vamos agora à expressão ‘obras da lei’. Talvez devêssemos fazer aqui um parêntese para um estudo pormenorizado sobre essa expressão, mas não o faremos; acrescentá-lo-emos mais tarde ou em um apêndice. Por ora, vamos apenas destacar, sem mais delongas, o seu significado correto. A expressão grega ex ergon nomou tem sido traduzida para o português como “pelas obras da lei”, contudo pela proposta de Tenney (Tenney, M. C. Galatian: the charter of christiam liberty. Michigan, Eerdmans Publishing, 1950, p. 194), uma tradução mais exata seria “por obra legais”, isso porque a palavra ‘lei’ foi usada sem o artigo definido, principalmente em certas frases escolhidas que transmitem significações especializadas. A ausência do artigo usualmente significa que a qualidade do conceito escolhido é salientado, em lugar da sua identidade, embora em Gálatas e em outras epístolas, Paulo se refira à “lei mosaica” como a principal concretização do conceito. Em Roberton (Robertons, A. T. A grammar of the greek new Testament in the light of historical research, 3ª edição. New York, George H. Doran Co. 1919, p. 796) podemos ler claramente que, “em geral, quando nomos é indefinido em Paulo, refere-se à lei mosaica”, por conseqüente, ‘lei’, nessas instâncias, é um termo que se refere ao sistema de pensamento ou ao código de ação envolvido, em lugar de qualquer documento particular. É evidente então que Paulo estava se referindo não a que o indivíduo ‘não seria justificado por suas obras, mas sim, não seria justificado pelas obras da legalidade religiosa’, isto é, pelo cumprimento das formalidades preconizadas por códigos religiosos como ‘rituais’, ‘festas’, ‘cerimoniais’, ‘dogmas’, ou quaisquer exigências tais como ‘dízimos’, guardar os ‘sábados’, coisas deste tipo, mais que seria justificado ‘pela em Jesus Cristo’”.

“Para um conceito mais científico de fé, podemos dizer que ela é a capacidade de sintonizar-se com Deus (Jesus Cristo, no caso, o representa) e, para isso, é preciso reconhecer a sua paternidade divina, amando-o sobre todas as coisas (Mt 22, 37) e realizar a sua vontade, amando o próximo como a si mesmo (Mt 22, 39). Como ensinou Jesus, aí estão toda a lei e os profetas. É óbvio que essa fé tem que vir acompanhada de obras que a testifiquem; ter por ter de nada adianta. Dizer que crê em Cristo não salva ninguém, mesmo batendo no peito, porquanto”:

... a quem pensar que a fé por si só é suficiente, sou levado a dizer: Acreditais na existência de Deus? No inferno, os demônios também acreditam e, no entanto, estremecem. Porventura ainda não vê, ó homem sem percepção, que a fé sem obras é inútil e morta? (Tg 2, 19 e 20)”.

(...).

“Quanto à expressão ‘carne’ (grego sarx), ela quer dizer “ninguém, nenhuma pessoa viva”, será justificado “pelas obras da lei”. Trata-se de uma sinédoque, uma figura de linguagem comum da vida diária, como ‘cérebros’ em lugar de eruditos, ‘cabeças’ em lugar de gado e ‘vapor’ em lugar de navio. Temos assim as chaves da interpretação do versículo 2, 16. Ele é muito importante para o entendimento da proposta de Paulo, não entendida ou distorcida pelos ditos ‘doutos das igrejas’. Vamos concluir o estudo desse versículo, traduzindo-o para uma linguagem mais atual, que nos mostra como ele deve ser entendido”:

“Sabemos que o homem não é considerado justo nem aprovado por Deus pelo seu desempenho nas formalidades prescritas na lei, mas pela operante em Jesus Cristo. Nós próprios somos reconhecidos justos pela nossa fé e não pela obediência ao estipulado como lei, por reconhecermos que ninguém pode salvar-se apenas por praticar liturgias (obras da lei)”. (grifos do original).

Gálatas 5, 4-6: Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído, Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça. Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor.

A expressão “a fé que opera pelo amor”, dá-nos a verdadeira idéia de Paulo a respeito do amor. Conforme dissemos anteriormente, é o amor que faz a fé ser operante, não é, portanto, uma fé no sentido de somente se crer.

Gálatas 5, 14: Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

Não foi isso exatamente que Jesus disse, acrescentado que toda a Lei e os profetas se achavam contidos nesse mandamento.

Gálatas 6, 2: Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.

Levar a carga uns dos outros não é a ação na caridade por amor ao próximo? Não é assim, que conforme Paulo, estaremos cumprindo a lei do Cristo? Não são, portanto, das obras que fala? Com isso, fica difícil querer argumentar que é a fé que salva, não é mesmo?

Gálatas 6, 7-9: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.

É o que chamamos de Lei de Ação e Reação, vulgarmente denominada Carma. Não há como se iludir, tudo o que fizermos voltará contra nós ou a nosso favor. Se semearmos ódio, colheremos exatamente o ódio, se ao contrário, plantarmos amor; ceifaremos amor. Por isso, Paulo adverte para não nos cansarmos de fazer o bem, pois na colheita é isso que iremos colher.

Romanos 2, 5-8: Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; o qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade;

Nessa passagem não existe dúvida alguma no que diz Paulo sobre o juízo de Deus, que: “recompensará cada um segundo as suas obras”. Aqui não contradiz o que Jesus colocou, conforme iremos verificar posteriormente.

Romanos 2, 9-11: Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego; glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego; porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.

A recompensa é tribulação e angústia para quem faz o mal; glória, honra e paz para quem pratica o bem. Ora, isso só pode ocorrer pela ação do homem, ou seja, por suas próprias obras, o que podemos confirmar pela passagem imediatamente anterior. E para os que dizem serem os únicos salvos, ou os que se julgam a “religião eleita”, podemos acrescentar: “Deus não faz acepção de pessoas”. Assim, perguntamos de onde tiraram essa idéia absurda de que Deus estabelece qualquer tipo de privilégio?

Romanos 2, 13: Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.

Novamente estamos diante de um pensamento que não deixa margem a qualquer tipo de dúvida. Os que praticam a lei é que hão de ser justificados, não os que somente a ouvem. A prática é mais importante que a fé. Como se pratica a lei? Fazendo o bem ao próximo.

Romanos 3, 21-28: Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; isto é, a justiça de Deus pela em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela sem as obras da lei.

Paulo combatia veementemente os judeus judaizantes, que queriam de qualquer forma fazer com que os novos convertidos ao Evangelho, que ele chama de fé em Jesus Cristo, praticassem as exigências da Lei, ou seja, obras da Lei. A circuncisão, por exemplo, foi motivo de grandes controvérsias no cristianismo primitivo. Alguns queriam que os neófitos fossem circuncidados, conforme determina a Lei de Moisés, entretanto, outros como Paulo, achavam que não havia a mínima necessidade, já que a “graça” de Deus por meio de Jesus era superior às leis mosaicas. Assim, ao dizer que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei, está querendo dizer que o homem se torna justo ao aderir ao Evangelho de Jesus, não sendo mais necessário cumprir as “obras da Lei”, ou seja, a legislação mosaica. Deixando bem claro, que não está pregando a fé inoperante como supõem alguns, mas a fé demonstrada pelas ações a favor do próximo. Visto dessa forma não contraria nada do que disse e que já analisamos em itens anteriores.

Romanos 8, 28-30: E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.

Encontramos a seguinte explicação: “O projeto eterno de Deus é predestinar, chamar, tornar justo e glorificar a cada um e a todos os homens, fazendo com que todos se tornem imagem do seu Filho e reúnam como a grande família de Deus. O projeto não exclui ninguém. Mas o homem é livre: pode aceitar ou recusar tal projeto, pode escolher a vida ou a morte, salvar-se ou condenar-se” (Bíblia Sagrada, Ed. Pastoral, em nota de rodapé).

Veja bem, a questão da predestinação para sermos à imagem de Jesus. O que poderíamos dizer em outras palavras: Pela vontade de Deus todos nós estaremos um dia na mesma evolução que Jesus. Seremos justificados em Jesus, quando aplicarmos, no dia-a-dia, os seus ensinamentos sintetizados no amor incondicional.

Romanos 10, 4- Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê. Ora Moisés descreve a justiça que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas. Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo.) ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo.) Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo.

Se perdermos de vista o que Paulo disse anteriormente, poderemos concluir que agora ele prega a fé. Mas, ainda aqui, ele trata da questão de Deus não fazer acepção das pessoas, que todo aquele que invocar o nome de Jesus será salvo. Quem crê realmente em Jesus deve praticar o que ele ensinou, caso contrário a crença é completamente inútil. Talvez pelo público alvo, Paulo não quis dizer mais a fim de completar o que realmente pensa. Para eles o fato extraordinário de Jesus ter ressuscitado dos mortos, era mais uma certeza que Deus não estava abandonando o seu povo. Jesus iria continuar orientando, como ainda faz, a todas as criaturas para que, na prática do Evangelho, todos possam se salvar. Iremos ver posteriormente a salvação segundo Jesus, para não termos mais dúvidas sobre o que nos salva.

Romanos 13, 8-11: A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé.

Veja que agora Paulo está completamente de acordo com os ensinamentos de Jesus. E observe a afirmativa de que o cumprimento da lei é o amor. Amor a todos e de tal forma que não conseguiremos ficar inertes ao vermos um irmão necessitado, imediatamente entraremos em ação e o ajudaremos naquilo que precisa. E se Paulo pregasse que somente a fé é que salva, não teria dito: a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. Aceitar a fé é pouco, necessário praticar, pois só assim demonstraremos que amamos o próximo como a nós mesmos.

Efésios 1, 3-4: Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.

Tornar santo e irrepreensível diante de Cristo em amor é, segundo a máxima que nos deixou, que devemos “amar ao próximo como a nós mesmos”. Ora, quem ama ao próximo lhe presta auxílio todas as vezes que for necessário. Esse ato de caridade é realizado porque se tem muito amor.

Efésios 2, 8-9: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

Chegamos na passagem citada no início, colocada em nossa história. É comum vermos essa citação somente até o versículo nove, sem que coloquem o complemento (v. 10) que é importante para o entendimento da passagem: Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé”, ou seja, o amor de Deus faz com que sejamos salvos. Na visão Espírita isso é mais claro, pois o amor de Deus nos arrasta a Ele, vamos assim dizer, de tal sorte que a nossa única escolha é se iremos devagar ou se iremos depressa. “Salvos por meio da fé”, é fazermos o que determina Jesus em seu Evangelho de Jesus, principalmente o “amar ao próximo como a nós mesmos”. Isso é um dom de Deus, porque por sua exclusiva vontade Ele quer que sigamos os exemplos de Jesus, que nos enviou para servir de modelo e guia.

Se somos criados em Jesus Cristo é porque é o desejo de Deus que andemos nas boas obras, já que nos predestinou exatamente para isso. Não foram as boas obras que praticou o tempo todo que esteve aqui na Terra encarnado?

Colossenses 3, 12-14: Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.

Paulo entendeu muito bem, o ensinamento de Jesus, deixando-o mais claro ainda, aquele em que diz: “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”. (Mateus 5, 48). Amor operante. Nada de só crer e achar que com isso está tudo bem.

Colossenses 3, 15-17: E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração. E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

Colocamos essa passagem para completar o pensamento de Paulo na anterior.

A expressão “para a qual também fostes chamados em um corpo”, estaria implícita a preexistência do espírito? Particularmente pensamos que sim, pois se fomos chamados em um corpo é porque vivemos sem ele. Seria o mesmo que dizer que fomos chamados a viver num corpo.

Deseja Paulo que a palavra de Cristo habite em nós abundantemente, em toda a sabedoria, ou seja, que possamos entender tudo o que ele nos ensinou mostrando isso na prática do dia-a-dia. A plenitude do amor em nós seria a completa aplicação dos ensinamentos de Jesus, seria então o “vínculo da perfeição”.

1 Timóteo 2, 1-4: Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.

Paulo exorta a Timóteo a praticar boas obras a favor de todos: amor altruísta! Perguntamos: Se Deus quer que todos os homens se salvem, quem poderá ser contra a vontade de Deus?

Pensamento de Tiago (irmão do Senhor)

Foi Tiago que dirigiu a Igreja de Jerusalém. Sua decisão prevaleceu na primeira divergência entre os cristãos, no chamado Concílio de Jerusalém, ano 49 d.C, sobre a questão da circuncisão. Exercia uma forte liderança, muito maior que a de Pedro tido como o primeiro Papa. As correntes religiosas se divergem quanto ao grau de parentesco de Tiago com Jesus. Os católicos colocam-no como primo, já que o termo irmão, segundo eles, servia para designar também primo. Os protestantes já o têm como meio irmão de Jesus. Entretanto ao usarem desse mesmo termo para designar alguns dos discípulos que eram irmãos, não dizem que eram primos.

Mateus (13, 44-56), narra: Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? Não temos dúvida que eram mesmo irmãos de Jesus, até mesmo porque a cultura da época exigia da mulher muitos filhos, caso contrário não era uma boa esposa. Se isso estiver correto, é mais uma forte razão, para vermos que o pensamento de Tiago condiz com o de Jesus.

Tiago 1, 22-27: E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era. Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.

Prática das obras ou fé? Não deixa margem para alguma dúvida: “cumpridores da palavra”. Essa colocação de Tiago é muito interessante: “A religião pura e imaculada para com Deus é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”, ou seja, prática do amor ao próximo pela realização dos atos de caridade.

Tiago 2, 8: Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.

Este pensamento é igual ao de Paulo, e corresponde ao que Jesus ensinou. Onde está dito alguma coisa sobre fé?

Tiago 2, 14-17: Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.

Ao terminar dizendo que mostrarei a minha fé pelas minhas obras, Tiago traz o conceito que falamos anteriormente, quando falávamos do pensamento de Paulo de ser uma fé operante. Quem tem fé deve mostrá-la com as obras que realiza. Que adianta ter fé se o irmão ao seu lado passa fome? É o questionamento incontestável de Tiago para os que dizem que apenas a fé é que salva.

Tiago 2, 21-23: Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.

Para provar que são as obras é a base para a justificação, Tiago nos dá o exemplo de Abraão. Mostra que a fé é aperfeiçoada pelas obras.

Tiago 2, 26: Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.

Não há o que contestar a clareza desse pensamento. É tão claro e objetivo, que não entendemos porque as pessoas ainda têm a coragem de dizer que é a fé que salva.

Pensamento de Pedro

Como discípulo de Jesus, inclusive, aceito por alguns como sendo o primeiro Papa, devia conhecer mais profundamente os ensinamentos do Mestre.

1 Pedro 1, 17: E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação.

Encontramos novamente a expressão que o julgamento será “segundo a obra de cada um”, reafirmando o pensamento de todos no cristianismo primitivo. Os homens, infelizmente, deturparam os ensinamentos de Jesus, para sua própria perdição. Também confirma que Deus não faz acepção de pessoas, ou seja, não há privilégios junto a justiça divina.

1 Pedro 3, 8-12: E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis. Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção. Porque Quem quer amar a vida, E ver os dias bons, Refreie a sua língua do mal, E os seus lábios não falem engano. Aparte-se do mal, e faça o bem; Busque a paz, e siga-a. Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, E os seus ouvidos atentos às suas orações; Mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal.

Recomendações que já ouvimos, só que com outras palavras, de Paulo e Tiago. Tudo isso também condiz com os ensinamentos de Jesus.

1 Pedro 4, 7-11: Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobrirá a multidão de pecados. Sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurações, cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém.

Agora fica mais clara a questão do amor corresponder ao sentimento de caridade para com o próximo. Fechando: “A caridade cobre uma multidão de pecados”, é por isso que o lema do Espiritismo é: “Fora da caridade não há salvação”.

2 Pedro 1, 2-10: Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor; visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.

Acompanhando o raciocínio de Pedro veremos que ele coloca a caridade entre as coisas importantes que devemos acrescentar à nossa fé. Dizendo, ao final, que quem não possui essas coisas é cego, ou seja, não entendeu nada do ensinamento de Cristo, são, portanto: “ociosos e estéreis no conhecimento de Cristo”. Fechando magistralmente seu pensamento.

Pensamento de João

João o discípulo que Jesus mais amava, conhecia, portanto seus ensinamentos.

1 João 3, 17-18: Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.

Nem precisamos dizer mais nada, tão óbvio que fica a questão do amor expresso em obras.

Pensamento de Jesus

Devemos ter sempre em mente que o discípulo não pode ser superior ao mestre, conforme nos alerta Jesus: Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. (João 13, 16).

Mateus 7, 21-29: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina; porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.

Muitos religiosos ainda dizem que as pessoas estão salvas por pertencerem a determinada Igreja ou por ter fé, ou por crer em Jesus como salvador, etc., entretanto, parecem que fazem vistas grossas à essa passagem da Bíblia. Quem não praticar os ensinos de Jesus, não receberá recompensa alguma.

Mateus 16, 27: Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.

Como já prevíamos anteriormente a salvação para Jesus está nas obras, já que cada um será julgado pelas suas obras. E ainda existem pessoas querendo contradizer Jesus, dizendo que é a fé que salva, embora muitos deles, na prática diária, fazem do dízimo o instrumento da salvação.

Mateus 19, 16-23: E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda? Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me. E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades. Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus.

Nessa passagem fica nítida a questão da prática da caridade. O jovem rico tinha fé e cumpria todas as outras determinações religiosas, entretanto não se preocupava com os necessitados. Daí Jesus recomendar-lhe vender tudo e doar aos pobres para ter um tesouro no céu. Apegado demais aos bens terrenos o jovem foi-se embora triste.

Mateus 25, 31-46: E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes. Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.

Essa passagem que simboliza o dia do juízo, dia que devemos prestar contas a Deus de tudo o que fizemos. Quem foi para a direita de Deus (bom lugar) foram os de fé ou os que fizeram obras? As obras exemplificadas são: dar de comer aos famintos, vestir os nus, dar água a quem tem sede, hospedar os viajantes, visitar os doentes e os prisioneiros, tudo isso são atos de amor ao próximo.

No simbolismo, a separação dos bons dos maus é pela fé de cada um? Pela religião? Ou pelas obras praticadas a favor do próximo? Repetimos: “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”.

Lucas 10, 25-37: E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; e, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; e, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

Essa parábola do Bom Samaritano é por demais conhecida de todos. Somente por ela já poderíamos saber o que nos salva. O sacerdote representa todos os líderes religiosos preocupados consigo mesmo sem nenhum sentimento de amor ao próximo. No levita poderemos identificar todas as pessoas ligadas a uma determinada religião, que apesar de possuírem alguém que os ensine o que fazer, não fazem absolutamente nada a favor do próximo. São ambos, sacerdote e levita, egoístas como muitos crentes nos dias de hoje.

O samaritano era considerado herege, pelos religiosos que passaram a passos largos diante do homem caído à beira da estrada, entretanto é o exemplo dele que Jesus recomenda seguir. Foi justamente este bondoso samaritano que, com obras, provou que tinha mais fé que os outros dois. Ele deveria ser um ponto de referência para determinadas pessoas que vivem a criticar a crença dos outros. Fiquem certos, de uma vez por todas, que para Deus somente será justificado quem praticar a lei de amor, lembre-se “A Deus ninguém engana”.

Conclusão

Muitas pessoas insistem em pegar frases soltas da Bíblia para tentarem justificar seus pensamentos. Ora, não há como afastar a frase do seu contexto imediato, e de todo o conjunto da Bíblia.

Aos que querem isolar passagens, em Deuteronômio 28, 30, temos uma para exemplo:

Desposar-te-ás com uma mulher, porém outro homem dormirá com ela; edificarás uma casa, porém não morarás nela; plantarás uma vinha, porém não aproveitarás o seu fruto.

Veja que ela fora do contexto é uma coisa absurda que Deus se propõe a fazer. Entretanto, dentro do contexto é apenas uma ameaça que Deus está fazendo, vejamos no versículo 15 o início da narrativa:

Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão:

O que vemos então? É pura e simplesmente “Deus” dizendo ao povo hebreu que se não guardasse os seus mandamentos Ele iria aplicar várias maldições, entre elas a do versículo 30 que escolhemos para exemplo.

Essa narrativa, diga-se de passagem, está confirmando que não existe inferno, pois se ele fosse real como querem alguns, “Deus” teria dito: “se não cumprirem meus mandamentos irão para o fogo do inferno”. Até mesmo porque: Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca. (Mateus 18, 14). Se é vontade de Deus que ninguém se perca, ninguém se perderá e pronto.

E, finalizando, colocaremos essa frase de Jesus: Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. (João 14, 10-12).

Veja bem, as obras que Jesus faz não vem dele, mas do Pai, e ele afirma que podemos fazer essas mesmas obras e até maiores, nos dá a certeza que as obras que fazemos serão para cumprir a vontade de Deus. Mas quais são as obras de Jesus? No tempo que passou junto de nós, curou enfermos, deu vista a cegos, curou paralíticos, libertou pessoas de espíritos maus, enfim somente obras de amor, o amor operante de que já falamos por várias vezes.


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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 23.02.10 às 03:04link do post | favorito

 

Allan Kardec coloca na pergunta 459 do Livro dos Espíritos um questionamento sobre esse assunto nos seguintes termos: “Os espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?” Cuja reposta foi: “A esse respeito sua influência é maior do que credes, porque, freqüentemente, são eles que vos dirigem".

Com base nesta resposta poderíamos encontrar no Evangelho alguma passagem que possa demonstrar-nos essa influência dos espíritos em nossas vidas? É claro que sim, pelo menos para aqueles que têm “olhos de ver”.

Vamos, então, ao Evangelho para que possamos confirmar. Em Mateus 8, 16-18, encontramos: “Entardecia, quando lhe trouxeram possessos. Diante disso, ele expulsou os espíritos apenas com uma palavra e curou todos os que estavam passando mal.”

Ora, se Jesus expulsou os espíritos é porque eles de alguma forma estavam a influenciar estas pessoas possessas. Aliás, este termo já em si mesmo sugere que a pessoa estava sob o domínio de um espírito.

Mas sigamos em frente e iremos observar a que ponto poderá chegar esta influência. Busquemos em Marcos 5, 1-20, o seguinte: “Chegaram a outra margem do mar, na região dos gerasenos. Quando desembarcou um homem possesso de um espírito impuro, saindo dos sepulcros, logo foi ao seu encontro. Ele morava nos sepulcros e ninguém conseguia mantê-lo preso, nem mesmo com correntes, pois muitas vezes lhe haviam algemado os pés e as mãos e ele, arrebentava as correntes, quebrando as algemas, e ninguém o dominava. Passava o tempo inteiro nos sepulcros e sobre os montes, gritando e ferindo-se com pedras. Quando viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, e gritou com voz forte: "Que é que tens tu comigo Jesus, Filho de Deus Altíssimo? Em nome de Deus não me atormentes!" É que Jesus lhe tinha dito: "Espírito impuro, sai deste homem!" Depois, ele lhe perguntou: “Qual é o teu nome?” Respondeu-lhe: “Meu nome é legião, porque somos muitos”. Suplicava-lhe então, com insistência, que não o expulsas-se daquela região".

Chamamos a sua atenção, caro leitor, para essa importante passagem, pois mostra-nos, claramente, a que ponto poderá chegar a influência dos espíritos. Um homem comum, sob a in-fluência dos espíritos, passava a ter uma força descomunal a ponto de conseguir arrebentar correntes e quebrar algemas. Além disto, fazia com que esta pobre criatura ferisse a si mesma, bem como o forçava a gritar pelos montes como um louco desvairado. E no diálogo com Jesus, era tanta a influência que passou a respondê-lo, não o possesso, mas sim o espírito que o influenciava. Espírito? Que espírito, se na verdade eram muitos, razão pela qual diz ser seu nome legião.

Perguntou Allan Kardec aos espíritos superiores: Se eles podem influenciar em nossas vidas, por que meios se pode neutralizar a influência dos maus espíritos? A resposta foi: “Fazendo o bem e colocando toda a vossa confiança em Deus, repelis a influência dos espíritos inferiores, e destruís o império que eles querem tomar sobre vós. Evitai escutar as sugestões dos espíritos que suscitam em vós os maus pensamentos sopram a discórdia entre vós e vos excitam todas as más paixões. Desconfiai, sobretudo, daqueles que exaltam vosso orgulho porque vos tomam por vossa fraqueza. Eis por que Jesus nos faz dizer na oração dominical:" Senhor! Não nos deixeis sucumbir à tentação, mas livrai-nos do mal. "

Agindo desta forma estaremos livres de sua má influência.

Retornemo-nos, ao Evangelho na narrativa de Mateus (9, 32-34): “Quando saíam, apresentaram a Jesus um possesso mudo. Logo que o demônio foi expulso o mudo começou a falar. Espantado, o povo dizia: " Nunca se viu coisa igual em Israel".

Neste caso, a influência espiritual causava a mudez àquela pessoa. Espera aí, dirão vocês, nesta passagem não se fala em espírito e sim de demônio. Não há o que contestar, entretanto o que realmente é o demônio? Seria um ser criado para o mal? Com certeza que não. Nunca poderemos aceitar que Deus, o eterno bem, tenha criado um ser dotado para sempre ao mal. Seria porventura, um anjo decaído? Também não, pois o ser espiritual ao qual denominamos de anjo não poderia possuir senão bondade, assim como teria que ser totalmente desprovido de vaidade, que seriam coisas de nós os humanos, não dos anjos. Afinal, o que cearia os demônios? Voltaremos, novamente, ao Evangelho, para elucidar esta importante questão.

Em Mateus, 10, 1, 5-8, encontramos: “Jesus convocou os seus doze discípulos e lhes deu o poder de expulsar os espíritos impuros e de curarem toda espécie de doenças e enfermidades. Jesus enviou esses doze em missão, tendo-lhes dado as seguintes instruções: Não tomeis o caminho que conduz aos pagãos e não entreis em nenhuma cidade dos samaritanos. Ide, de preferência, às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pregai, pelo caminho: "O reino dos céus está perto!" Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Acabai de receber de graça, dai de graça".

Observemos bem, o mesmo texto fala em espíritos impuros e demônios, daí concluímos que um era sinônimo do outro. O conceito, à época, era que demônio significava gênio ou espírito, de uma maneira indefinida. Para confirmar isto vejamos o quadro a seguir:

Passagem Evangelista Termo utilizado

Muitos

Possessos

Mateus 8, 16

Marcos 1, 32-34.

Lucas 4, 40-41

Espíritos

Demônios

Demônios

O possesso

de

Gerasa

Mateus 8, 28-34.

Marcos 5, 1-20.

Lucas 8, 26-39.

Demônio

Espírito impuro

Espírito impuro e demônio

O possesso de

Cafarnaum

Marcos 1, 21-28.

Lucas 4, 31-37.

Espírito impuro

Espírito de demônio impuro

A filha da mulher

Cananéia

Mateus 15, 21-28.

Marcos 7. 24-30.

Demônio

Espírito impuro e demônio

O menino

Mudo e

Epiléptico

Mateus 17, 14-21.

Marcos 9, 14-29.

Lucas 9, 37-43.

Demônio

Espírito

Espírito, demônio e espírito impuro.

Para o mesmo relato, os evangelistas ora usam espírito impuro, ora demônio, quando não usam os dois termos juntos, ficando, agora, bem claro que o significado deles era o mesmo.

Vejamos o que responderam os espíritos superiores a Kardec, quando lhes dirige a seguinte pergunta: “Há demônios, no sentido que se dá a esta palavra? Resposta: Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus, e Deus seria justo e bom se houvesse criado seres devotados eternamente ao mal e infelizes? Se há demônios, eles habitam em teu mundo inferior e em outros semelhantes. São esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo, um Deus mau e vingativo e crêem lhe serem agradáveis pelas abominações que cometem em seu nome”.

Kardec faz as seguintes considerações:

“A palavra demônio não implica na idéia de espírito mau senão na sua significação moderna, porque a palavra grega daimôn, da qual se origina, significa gênio, inteligência, e se emprega para designar os seres incorpóreos, bons ou maus, sem distinção”.

“Por demônios, segundo a significação vulgar da palavra, se entendem seres essencialmente malfazejos. Seriam, como todas as coisas, criação de Deus. Ora, Deus que é soberanamente justo e bom, não pode ter criado seres predispostos ao mal por sua natureza, e condenados por toda a eternidade. Se não são obras de Deus, seriam, pois como ele, de toda a eternidade, ou então haveria várias potências soberanas”.

“A primeira condição de toda doutrina é de ser lógica. Ora, a dos demônios, em seu sentido absoluto, peca por essa base essencial”.

“Compreende-se que na crença de povos atrasados, que não conheciam os atributos de Deus, fossem admitidas as divindades malfazejas, como também os demônios, mas, é ilógico e contraditório para aqueles que fazem da bondade de Deus um atributo por excelência, supor que ele possa ter criado seres devotados ao mal e destinados a praticá-lo perpetuamente, pois isso nega sua bondade. Os partidários da doutrina dos demônios se apoiam nas palavras do Cristo. Não seremos nós quem conteste a autoridade dos seus ensinamentos, pois os desejamos ver mais no coração que na boca dos homens. Mas estarão bem certos do sentido que ele dava à palavra demônio? Não se sabe que a forma alegórica era um dos caracteres distintivos da sua linguagem? Tudo o que o Evangelho contém deve ser tomado ao pé da letra? Não precisamos de outra prova além desta passagem: “Logo após esses dias de aflição, o Sol obscurecerá, e a Lua não derramará mais sua luz, as estrelas cairão do céu e as potências celestes serão abaladas. Digo-vos, em verdade que esta geração não passará sem que todas estas coisas se tenham cumprido” ”.

“Não temos visto a forma do texto bíblico ser contradita pela ciência no que se refere à criação e ao movimento da terra? Não pode ocorrer o mesmo com certas figuras empregadas pelo Cristo, que deveria falar de acordo com os tempos e os lugares? O Cristo não poderia dizer, conscientemente, uma coisa falsa. Assim, pois, se em suas palavras há coisas que parecem chocar a razão, é porque não as compreendemos ou as interpretamos mal”.

“Os homens fizeram com os demônios o que fizeram com os anjos; da mesma forma que acreditaram em seres perfeitos de toda a eternidade, tomaram os Espíritos inferiores por seres perpetuamente maus. Pela palavra demônio devem, pois, se entender os espíritos impuros que, freqüentemente não valem mais do que as entidades designadas por esse nome, mas, com a diferença de que este estado é transitório. São os Espíritos imperfeitos que murmuram contra as provas que devem suportar, e que, por isso, suportam-nas por mais tempo; chegarão, porém, por seu turno, a sair desse estado quando o quiserem. Poder-se-ia aceitar então a palavra demônio com esta restrição. Mas, como é entendida num sentido exclusivo, poderia induzir ao erro fazendo crer na existência de seres especiais, criados para o mal”.

“Com relação a Satanás, é evidentemente a personificação do mal sob uma forma alegórica, pois não se poderia admitir um ser mau a lutar, de potência a potência, com a Divindade e cuja única preocupação seria a de contrariar os seus desígnios. Precisando o homem de figuras e de imagens para impressionar a sua imaginação, ele pintou os seres incorpóreos sob uma forma material, com atributos lembrando as suas qualidades ou os seus defeitos. É assim que os antigos, querendo personificar o tempo, pintaram-no com a figura de um ancião portando uma foice e uma ampulheta; a figura do homem jovem seria um contra-senso”.

“A mesma coisa se verifica com as alegorias da fortuna, da verdade, etc.”.

“Modernamente, os anjos ou Espíritos puros, são representados por uma figura radiosa, com asas brancas, símbolo da pureza; Satanás com dois chifres, garras e os atributos da animalidade, emblemas das paixões inferiores. O vulgo, que toma as coisas pela letra, viu nesses emblemas um indivíduo real, como outrora vira Saturno na alegoria do Tempo”.

Certa feita, numa livraria de BH, vimos em exposição o livro “Possessão Espiritual” da Dra. Edith Fiore. Como o tema desperta-nos certo interesse, compramo-lo achando se tratar de um livro publicado por alguém ligado à Doutrina Espírita. Qual não foi nossa surpresa ao constatar que a autora, psicoterapeuta, doutorada em Psicologia Clínica na Universidade de Miami, não tinha nada de espírita. Entretanto achamos oportuno incluí-lo, neste estudo, justamente por este motivo.

Aliás, é de se admirar que após identificar pacientes com possessão dando, inclusive, aos seus leitores condições de saber quando uma pessoa está possessa e como tratá-la ela ainda diz: “Depois de todos estes anos que passei trabalhando com espíritos, freqüentemente “lutando” com alguns teimosos, confusos, hostis e aterrados ainda não estou cem por cento convencida de que eles não são fantasias da imaginação”. É o grande dilema da maioria das pessoas de não quererem modificar atitudes, comportamentos ou conhecimentos adquiridos anteriormente, é o medo frente ao novo, de encarar algo que não vai de encontro ao que lhe foi ensinado, cuja dúvida consiste em: e se o novo estiver errado o que farei após abraçar essa nova idéia ou pensamento?

Mas voltemos ao livro. A Dra. Edith Fiore utilizava como técnica de terapia a hipnose, baseando-se principalmente na regressão de memória, em busca da solução dos problemas comportamentais de seus pacientes. Foi justamente esta técnica que a colocou frente a frente com o problema da possessão espiritual. Pacientes submetidos à hipnose entravam em transe profundo e “deixavam” submergir comportamentos que em nada tinham a haver com a sua maneira tradicional de agir, parecendo serem outra pessoa. Além disto outros pacientes se queixavam de ter alguém dentro deles, minava-lhes a resolução de fazer regime, de parar de fumar ou de beber, etc.. Conforme ela diz, esses pacientes falavam muito abertamente dos seus conflitos, porque presumiam estar falando de duas partes diferentes da sua personalidade que estariam em guerra dentro deles mesmo. Assim, afirma: “Comecei a ouvir, a interpretar tais observações como indícios possíveis de possessão. Desde que me dei conta desse fenômeno, descobri que pelo menos setenta por cento dos meus pacientes eram possessos e que essa situação lhes causava a moléstia". Aqui, diante deste índice – 70%, nos lembramos da resposta dos espíritos a Kardec sobre a influência dos espíritos; “A esse respeito sua influência é maior de que credes, porque, freqüentemente, são eles que vos dirigem”. Com o livro da Dra. Edith Fiore vemos estes fatos se confirmarem no dia a dia das pessoas.

No capítulo terceiro, cita observações históricas sobre a possessão espiritual, mostrando, primeiramente, passagens do Evangelho onde Jesus expulsava os espíritos (por coincidências já citadas por nós) para depois citar algumas culturas que tinham estas idéias bem definidas, como por exemplo: a China, o Japão e a Índia. Neste último país a antiga religião, cuja base era o livro sagrado Vedas, fala que desencarnados ignorantes ou maldosos saem à procura de pessoas vivas para que possam possuir. Também não deixa de nomear alguns psiquiatras que concordam com essa idéia, o exemplo de: Dr. Carl Wickland, Dr. Arthur Guindaham e Adam Crabtree.

Em seu trabalho, a Dra. Edith Fiore conseguiu identificar a extensão dos efeitos da possessão:

  1. sintomas físicos – fadiga; dores, mais freqüentemente de cabeça, incluindo a enxaquecas; síndrome pré-menstrual com edema (retenção de água); falta de energia ou exaustão; insônia; cãibras; obesidade com hipertensão resultante; asma e alergias, etc.;
  2. problemas mentais – grande quantidade de problemas mentais resulta da intervenção de espíritos;
  3. problemas emocionais – como ansiedade, temores e fobias;
  4. inclinação para as drogas e para o álcool;
  5. inclinação pelo fumo;
  6. problema de peso e obesidade;
  7. problema de relacionamento;
  8. problemas sexuais, inclusive casos de homossexualismo.

A conclusão que a Dra. Edith chegou da influência espiritual é alarmante. A influência dos espíritos atingindo uma pessoa provoca como conseqüência problemas de várias ordens que serão solucionados à medida que se fizer o que ela chamou de “despossessão”, ou seja, fazer com que o espírito deixe de praticar a possessão sobre sua vítima. Ficamos, então, de acordo com a Dra. Edith Fiore quando cita as conseqüências da influência espiritual.

Falaremos um pouco mais dos problemas mentais como conseqüências da influência espiritual.

A ciência oficial tinha que a loucura era proveniente de deficiência orgânica, ou seja, a pessoa louca tinha um problema físico qualquer que era a causa de seu estado mental.

A psiquiatria, ramo da ciência, que se ocupa de estudar, diagnosticar e tratar dos problemas mentais, em sua evolução passou a constatar “loucos” sem qualquer problema orgânico, o que ficava claro que a causa deveria ser de outra natureza.

É aqui que entra o trabalho de alguns médicos, que acima de tudo, tem como preocupação básica a cura de seus pacientes, pouco se importando em gastar o tempo com pesquisas, leitura de livros, etc..

Assim é que iremos citar o Dr. Inácio Ferreira, formado em medicina no Rio de Janeiro, cujo trabalho foi dirigir um sana-tório em Uberaba lá pelo ano de 1.910. O grande desafio a vencer era que o sanatório foi fundado e tinha a orientação de Espíritas, e àquela época a perseguição ao Espiritismo era tremenda.

Apesar de não ser espírita, quando assumiu a direção, foi atento observador do trabalho desenvolvido pelos Espíritas no tratamento de alguns casos de loucura e, diga-se de passagem, os que não tinham como origem problemas físicos. Preocupado em divulgar tudo o que aprendeu neste período lançou o livro “Novos Rumos à Medicina”, volumes I e II, onde aborda claramente a loucura originada por influência espiritual.

Com o passar dos anos, assumiu a postura de ser Espírita, abraçando as técnicas que a Doutrina Espírita se utiliza para tratar destes casos.

No seu livro encontramos um interessante dado estatístico do movimento do Sanatório no período de 1.934 a 1.945, conforme quadro a seguir:

Pacientes Quantidade Percentual
Curados 554 41%
Melhorados 210 16%
Transferidos 163 12%
Falecidos 341 25%
Retirados 33 2%
Tratamento 21 4%

Neste período foram curados de influência espiritual 426 indivíduos. Este número é suficiente para comprovar que real-mente a influência espiritual, em alguns casos, pode levar uma pessoa a ter um comportamento de louco.

Aqui ficamos a pensar quantas pessoas não foram levadas ao tratamento por eletrochoques e a ingerir psicotrópicos sem serem realmente loucos, e quantos ainda irão sofrer da mesma maneira. Mas, infelizmente é o preço que a humanidade paga por não aceitar em definitivo que a influência espiritual é uma realidade.

 


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