"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 26.02.10 às 02:36link do post | favorito

 

Todas as afirmações em matéria de Teologia são e sempre o foram arraigadas no cérebro, e dificilmente podem ser removidas; e enquanto aí estiverem a verdade não encontrará lugar. (SWENDENBORG).
 
Introdução
Todas as práticas de terrorismo visam, invariavelmente, impor à força pensamentos, filosofias e doutrinas aos que não comungam delas. Recorre-se, algumas vezes, às armas, visando estabelecê-las por meio do medo. Exatamente por isso já, de antemão, as podemos considerar inverídicas, porquanto, a verdade sendo algo cristalino não é coisa que se impõe, todos a aceitam pacificamente.
Pelo modo de agir dos adeptos de algumas religiões tradicionais, especificamente a sua liderança, não há outra alternativa senão considerar também como prática terrorista o que vem sendo feito por eles, que implantando um verdadeiro terrorismo religioso, fazem de tudo para encabrestar seus fiéis. Embora não estejam mais recorrendo às armas com que matavam as pessoas, certamente recorrem àquelas que matam a liberdade de pensar delas, aprisionando-as aos seus pensamentos.
Granadas, rifles, fuzis, canhões e metralhadoras, são substituídos por “garras de satanás”, “fogo do inferno”, “dia do juízo”, “fim do mundo”, etc., que, conforme já dissemos, apesar de não matarem fisicamente, matam algo tão importante quanto o é a liberdade de pensar das criaturas.
Desarmando o arsenal bíblico utilizado
Não vemos em nenhuma passagem bíblica a idéia de uma catástrofe anunciadora do fim do mundo, que, como tudo na natureza à nossa volta, está passando pelo ciclo nascer-crescer-morrer, ou seja, ele vai acabar mesmo é de velho. Obviamente, se o homem não o destruir antes disso. Tudo quanto é citado sobre esse assunto é simbólico, por isso é que não se pode pegá-lo ao pé da letra, sob pena de colocar a suprema justiça a um nível muito mais baixo ainda do que a precária justiça humana.
Aos que acreditam numa só vida e conjuntamente admitem o castigo eterno, perguntamos: como poderemos viver pela eternidade pagando por um erro cometido em, no máximo, uns cem anos? Poderá o nosso destino estar selado, para todo o sempre, em virtude de tão pouco tempo? Seria algo como um pai castigar por toda a vida (e ela não é eterna) uma criança de dois anos que fez alguma peraltice, própria dessa idade. Isso é incompatível com qualquer senso lógico e de justiça. Quem aceita algo assim pensa que é justo, mas, em verdade, é uma pessoa cujo coração está tão cheio de ódio que já transborda em desejo de vingança, nada mais que isso. O amor ainda não se incorporou em seu caráter.
Ao falarmos em castigo eterno, estamos também incluindo nessa idéia seus correlatos: satanás, dia do julgamento, fim do mundo, e tudo o mais que dizem por aí.
Se para Deus mil anos é igual a um dia (2Pe 3,8), certamente que não haverá justiça se Ele nos castigar por toda eternidade por erros cometidos numa pequena fração de tempo.
1 - Fim do mundo
1.1 – No Evangelho
Mt 24,2-8: Jesus respondeu: “Vocês estão vendo tudo isso? Eu garanto a vocês: aqui não ficará pedra sobre pedra; tudo será destruído”. Jesus estava sentado no monte das Oliveiras. Seus discípulos se aproximaram dele em particular, e disseram: “Dize-nos quando vai acontecer isso, e qual será o sinal da tua vinda e do fim do mundo”. Jesus respondeu: “Cuidado, para que ninguém engane vocês. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: ”Eu sou o Messias”. E enganarão muita gente. Vocês vão ouvir falar de guerras e rumores de guerra. Prestem atenção, e não fiquem assustados, pois essas coisas devem acontecer, mas ainda não é o fim. De fato, uma nação lutará contra outra, e um reino contra outro reino. Haverá fome e terremotos em vários lugares. Mas tudo isso é o começo das dores”.
Explicação simples:
“Jesus anuncia a destruição do Templo de Jerusalém, acontecida no ano 70, e as batalhas que se verificaram entre os anos 66 a 70. O Templo era o símbolo da relação de Deus com o povo escolhido. Jesus salienta que o fim de uma instituição não significa o fim do mundo e nem o fim da relação entre Deus e os homens”. (Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, p. 1301).
Assim, o texto se refere à destruição do Templo de Jerusalém, não do fim do mundo propriamente dito. Um dado importante que poucos sabem é que “antes do ano 70 d.C., houve aventureiros que se fizeram passar pelo Messias”. (Bíblia de Jerusalém, p. 1747).
Mt 24,9-14: Nesse tempo, vos entregarão à tribulação e vos matarão, e sereis odiados de todos os povos por causa do meu nome. E então muitos sucumbirão, haverá traições e guerras intestinas. E surgirão falsos profetas em grande número e enganarão a muitos. E pelo crescimento da iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo. E este Evangelho do Reino será proclamado no mundo inteiro, como testamento para todas as nações. E então virá o fim.
Significa que:
“Os vv. 9-13 retomam os temas de 10,17-22 (que oferece um paralelo literal de Mc 13,9-13; Lv 21,12-19), mas introduzindo alguns elementos particulares que parecem fazer eco à perseguição dos cristãos em Roma sob Nero, depois do incêndio de 64 (“odiados de todos os povos por causa do meu nome”) e às traições e ódio mútuo entre as próprias vítimas (“o amor de muitos esfriará”); cf. Tácito, Ann XV 44”. (Bíblia de Jerusalém, p. 1747).
Portanto, ainda aqui o tempo se relaciona à época da destruição de Jerusalém, até mesmo porque essa passagem é continuação da anterior. E com relação à expressão “mundo inteiro”, explicam-nos:
“O ‘mundo habitado’ (oikoumene), isto é, o mundo greco-romano. É preciso que todos os judeus do Império tenham ouvido a Boa nova (cf. At, 18+; Rm 10,18). O Evangelho atingiu efetivamente todas as partes vitais do Império Romano desde antes da queda do Templo (cf. 1Ts 1,8; Rm 1,5.8; Cl 1,6.23)”. (Bíblia de Jerusalém, p. 1747).
Ora, essa explicação nos remete novamente à época mencionada, não tendo ela, portanto, nada a ver com um remoto tempo futuro. Alguns interpretam que o fim do mundo irá acontecer, quando, segundo esse passo, o Evangelho tiver sido pregado no mundo todo, mas, conforme a explicação transcrita, a relação a ser feita é com a destruição do Templo.
Mt 24,15-22: Quando, portanto, virdes a abominação da desolação, de que fala o  Daniel, instalada no lugar santo – que o leitor entenda! – então, os que estiverem na Judéia fujam para as montanhas, aquele que estiver no terraço, não desça para apanhar as coisas da sua casa, e aquele que estiver no campo não volte atrás para apanhar a veste! Ai daquelas que estiverem grávidas e estiverem amamentando naqueles dias! Pedi que a vossa fuga não aconteça no inverno ou num sábado. Pois naquele tempo haverá grande tribulação, tal como não houve desde o princípio do mundo até agora, nem tornará a haver jamais. E se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma vida se salvaria. Mas, por causa dos eleitos, aqueles dias serão abreviados.
Observar, caro leitor, que ainda estamos na seqüência das duas passagens anteriores. E sobre essa nos informam:
“Ao que parece, Daniel designava com essa expressão um altar pagão que Antíoco Epífanes ergueu no Templo de Jerusalém em 168 a.C. (cf. 1Mc 1,54). A aplicação evangélica realizou-se quando a Cidade santa e o seu Templo foram atacados e depois ocupados pelos exércitos gentílicos de Roma (cf. Lc 21,20)”. (Bíblia de Jerusalém, p. 1747).
Esta explicação nos mantém ainda dentro do contexto já mencionado anteriormente.
Mt 24,29-31.34: Logo após a tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem e todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e grande glória. Ele enviará os seus anjos que, ao som da grande trombeta, reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma extremidade até a outra extremidade do céu. Em verdade vos digo que esta geração não passará sem que tudo isso aconteça.
Essa seqüência não poderá ter outra interpretação senão aquela que nós estamos mostrando, desde o início do cap. 24 (Mateus). Acrescentamos a questão colocada antes a respeito dos “sinais” relacionados a trevas e escuridão, como fato também implícito à destruição de Jerusalém, simbolizada como um julgamento final. É bom observar que no versículo 34, está dito que “essa geração não passará sem que tudo isso aconteça”, ou seja, reafirmando categoricamente tratar-se mesmo de uma evidência daquela época, não para uma outra época, no futuro, relacionada ao fim dos tempos ou a juízo final.
Mt 13, 24-30.36-43: Jesus contou outra parábola à multidão: "O Reino do Céu é como um homem que semeou boa semente no seu campo. Uma noite, quando todos dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. Quando o trigo cresceu, e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. Os empregados foram procurar o dono, e lhe disseram: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?' O dono respondeu: 'Foi algum inimigo que fez isso'. Os empregados lhe perguntaram: 'Queres que arranquemos o joio?' O dono respondeu: 'Não. Pode acontecer que, arrancando o joio, vocês arranquem também o trigo. Deixem crescer um e outro até à colheita. E no tempo da colheita direi aos ceifadores: arranquem primeiro o joio, e o amarrem em feixes para ser queimado. Depois recolham o trigo no meu celeiro!' " Então Jesus deixou as multidões, e foi para casa. Os discípulos se aproximaram dele, e disseram: "Explica-nos a parábola do joio". Jesus respondeu: "Quem semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos. Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, o mesmo também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles recolherão todos os que levam os outros a pecar e os que praticam o mal, e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí eles vão chorar e ranger os dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça".
Certamente haverá separação do joio do trigo, pelo menos em dois momentos. O primeiro é quando regressarmos à pátria espiritual pelo nosso desencarne. O segundo ocorre de tempos em tempos, quando todos os espíritos que habitam um planeta são julgados para um expurgo dos maus que serão lançados em planetas inferiores, compatíveis com sua evolução espiritual. É aquilo a que se referia Jesus: “onde haverá choro e ranger de dentes”. Podemos então entender o “fim dos tempos” nessa perspectiva, sem medo de errar, já que não podemos entender isso como sendo o fim do mundo no sentido literal.
1.2 – Em Atos dos Apóstolos
At 2,14-21: Pedro, então, pondo-se de pé em companhia dos onze, com voz forte lhes disse: “Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia. Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel: Acontecerá nos últimos dias – é Deus quem fala -, derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão. Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão. Farei aparecer prodígios em cima no céu e milagres embaixo na terra; sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E então, todo o que invocar o nome do Senhor será salvo” (Joel 3,1-5).
O fenômeno do Pentecostes, que Pedro interpreta como sendo a realização da profecia de Joel, portanto, mais uma vez, a expressão “nos últimos dias” está sendo aplicada a uma outra situação que não a do fim do mundo. A situação aqui descrita está relacionada ao tempo em que viviam.
1.3 – Nas epístolas dos vários autores
1Cor 7,29-31: Uma coisa eu digo a vocês, irmãos: o tempo se tornou breve. De agora em diante, aqueles que têm esposa, comportem-se como se não a tivessem; aqueles que choram, como se não chorassem; aqueles que se alegram, como se não se alegrassem; aqueles que compram, como se não possuíssem; os que tiram partido deste mundo, como se não desfrutassem. Porque a aparência deste mundo é passageira.
Explicando-nos dizem:
“Para a Igreja primitiva eram iminentes o fim do mundo e a manifestação final e gloriosa de Jesus (vv. 29.31). É nessa perspectiva que podemos compreender muitos conselhos referentes ao matrimônio, ao celibato e à virgindade: se o fim está próximo, para que se casar e ter filhos? Na visão de Paulo, a virgindade é vista como dom total da própria vida ao Senhor, como maneira de empenhar-se totalmente ao testemunho do Evangelho. Jesus já destacava a grandeza do celibato na consagração radical a Deus e ao Reino, mas sem o impor (Cf. Mt 19,10-12)”. (Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, p. 1467).
Nisto temos confirmado que, para a Igreja primitiva, o fim do mundo e a manifestação final e gloriosa de Jesus eram eminentes, nada, portanto, para um futuro longínquo e incerto.
1Cor 10,9-12: Não tentemos ao Senhor, como alguns deles tentaram, e morreram vitimados pelas serpentes. Não murmurem, como alguns deles murmuraram, e pereceram em mãos do anjo exterminador. Tais coisas aconteceram a eles como exemplo, e foram escritas para nossa instrução, a nós que vivemos no fim dos tempos. Portanto, aquele que julga estar em pé, tome cuidado para não cair.
Nesta afirmativa de Paulo “a nós que vivemos no fim dos tempos” demonstramos que é evidente que pensava já estarem mesmo vivendo-o. Não podemos ainda deixar de ressaltar que essa passagem pode ser relacionada a At 2,14-21, quando da opinião de Pedro sobre o que estava acontecendo.
1Ts 3,12-13: Que o Senhor os faça crescer e aumentar no amor mútuo e para com todos, assim como é o nosso amor para com vocês, a fim de que o coração de vocês permaneça firme e irrepreensível na santidade diante de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos.
1Ts 4,15-17: Eis o que declaramos a vocês, baseando-nos na palavra do Senhor: nós, que ainda estaremos vivos por ocasião da vinda do Senhor, não teremos nenhuma vantagem sobre aqueles que já tiverem morrido. De fato, a uma ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do céu. Então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, que estivermos ainda na terra, seremos arrebatados junto com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares. E então estaremos para sempre com o Senhor.
Essas duas passagens, também, confirmam a explicação de que esperavam a vinda gloriosa de Jesus para aqueles tempos, diferente do que nos passam, quando falam de que seria para uma época futura. Com a vinda do Messias esperava-se o fim do mundo, inclusive, acreditavam estar ainda vivos quando da volta de Jesus para esse juízo final.
1Ts 5,1-3: No que diz respeito ao tempo e circunstâncias, não preciso escrever nada para vocês, irmãos. Vocês já sabem que o dia do Senhor chegará como ladrão à noite. Quando as pessoas disserem: "Estamos em paz e segurança", então de repente a ruína cairá sobre elas, como dores do parto para a mulher grávida, e não conseguirão escapar.
2Ts 2,1-12: Agora, irmãos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e ao nosso encontro com ele, pedimos a vocês o seguinte: não se deixem perturbar tão facilmente! Nem se assustem, como se o Dia do Senhor estivesse para chegar logo, mesmo que isso esteja sendo veiculado por alguma suposta inspiração, palavra, ou carta atribuída a nós. Não se deixem enganar de nenhum modo! Primeiro deverá chegar a apostasia. Depois aparecerá o homem ímpio, o filho da perdição: ele é o adversário que se opõe e se levanta contra todo ser que se chama Deus ou é adorado, chegando até mesmo a sentar-se no templo de Deus e a proclamar-se Deus. Não se lembram de que eu já dizia essas coisas quando estava com vocês? E agora vocês já sabem o que está impedindo a manifestação do adversário, que acontecerá no tempo certo. O mistério da impiedade já está agindo. Falta apenas desaparecer aquele que o segura até agora. Só então se manifestará o ímpio. O Senhor Jesus o destruirá com o sopro de sua boca e o aniquilará com o esplendor da sua vinda. A vinda do ímpio vai acontecer graças ao poder de Satanás, com todo tipo de falsos milagres, sinais e prodígios, e com toda a sedução que a injustiça exerce sobre os que se perdem, por não se terem aberto ao amor da verdade, amor que os teria salvo. Por isso Deus manda o poder da sedução agir neles, para que acreditem na mentira. Desse modo serão condenados todos os que não acreditaram na verdade, mas preferiram permanecer na injustiça.
Aqui Paulo, o apóstolo dos gentios, está agindo como aqueles que fixam o fim do mundo para um determinado dia e como não aconteceu, espertamente, mudam a data para uma outra ocasião e assim sucessivamente. Em relação às passagens anteriores ele está sendo contraditório, ou, quem sabe, não mudaram o sentido de suas palavras pela necessidade de justificarem algum dogma?
1Tm 4,1-5: O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns renegarão a fé, para dar atenção a espíritos sedutores e a doutrinas demoníacas. Serão seduzidos por homens hipócritas e mentirosos, que têm a própria consciência como que marcada a ferro quente. Eles proibirão o casamento, exigirão abstinência de certos alimentos, embora Deus tenha criado essas coisas para serem recebidas com ação de graças por aqueles que têm fé e conhecem a verdade. De fato, tudo o que Deus criou é bom, e nada é desprezível se tomado com ação de graças, porque é santificado pela palavra de Deus e pela oração.
Embora as tentativas de colocarem “os últimos tempos” para uma época futura, considerando o que vimos anteriormente, não encontramos razão para justificar tal atitude. Por isso, parece-nos que o que aqui está dito também não contraria ao que já vimos. Deparamo-nos ainda com mais essa explicação:
“Sobre este período de crise que deve marcar os últimos dias, ver ainda 2Ts 2,3-12; 2Tm 3,1; 4,1-3; 2Pd 3,3; Jd 18, cf. Mt 24,6s; At 20,29-30. – mas como a era escatológica já teve início (2,6; Mc 1,15+; Rm 3,26+), estes tempos de provação podem ser considerados como já atuais (cf. 1Cor 7,26; Ef, 5,16; 6,13; Tg 5,3; 1Jo 2,18; 4,1.3; 2Jo 7)”. (Bíblia de Jerusalém, p. 2071).
O que vem reforçar, de forma evidente, é que acreditavam já estar acontecendo o fim dos tempos. Isso era a realidade deles naquela época, por isso, não adianta querer mudar a história.
Hb 1,1-2: Nos tempos antigos, muitas vezes e de muitos modos Deus falou aos antepassados por meio dos profetas. No período final em que estamos, falou a nós por meio do Filho. Deus o constituiu herdeiro de todas as coisas e, por meio dele, também criou os mundos.
Hb 9,24-26: De fato, Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro santuário; ele entrou no próprio céu, a fim de apresentar-se agora diante de Deus em nosso favor. Ele não teve que se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que todos os anos entra no santuário com sangue que não é seu. Se assim fosse, ele deveria ter sofrido muitas vezes desde a criação do mundo. Entretanto, ele se manifestou uma vez por todas no fim dos tempos, abolindo o pecado pelo sacrifício de si mesmo.
Hb 10,22-25: Aproximemo-nos, pois, de coração sincero, cheios de fé, com o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água pura. Sem vacilar, mantenhamos a profissão da nossa esperança, pois aquele que fez a promessa é fiel. Tenhamos consideração uns com os outros, para nos estimular no amor e nas boas obras. Não deixemos de freqüentar as nossas reuniões, como alguns costumam deixar. Ao contrário, procuremos animar-nos sempre mais, principalmente agora que vocês estão vendo como se aproxima o Dia do Senhor.
O autor de Hebreus, diga-se de passagem, ninguém sabe quem foi, pensa que está se aproximando o fim dos tempos, o Dia do Senhor, não traz nada diferente do que os outros pressupunham estar acontecendo naquela época a respeito desse assunto.
Tiago 5,7-10: Irmãos, sejam pacientes até a vinda do Senhor. Olhem o agricultor: ele espera pacientemente o fruto precioso da terra, até receber a chuva do outono e da primavera. Sejam pacientes vocês também; fortaleçam os corações, pois a vinda do Senhor está próxima. Irmãos, não se queixem uns dos outros, para não serem julgados. Vejam: o juiz está às portas. Irmãos, tomem como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falam em nome do Senhor.
Tiago, também, não foge a regra do que se pensava naqueles dias a respeito desse assunto que estamos tratando, portanto, ele corrobora o que já foi dito.
1Pd 1,3-5: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo por sua grande misericórdia. Ressuscitando a Jesus Cristo dos mortos, ele nos fez renascer para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, não se mancha e não murcha. Essa herança está reservada no céu para vocês que, graças à fé, estão guardados pela força de Deus para a salvação que está prestes a revelar-se no final dos tempos.
1Pd 1,19-20: Vocês foram resgatados pelo precioso sangue de Cristo, como o de um cordeiro sem defeito e sem mancha. Ele era conhecido antes da fundação do mundo, mas foi manifestado no fim dos tempos por causa de vocês.
1Pd 4,4-7: Agora, os outros estranham que vocês não se entreguem à mesma torrente de perdição e por isso os cobrem de insultos; mas eles terão de prestar contas disso àquele que em breve há de julgar os vivos e os mortos. Por que o Evangelho foi anunciado também aos mortos? A fim de que eles vivam pelo Espírito a vida de Deus, depois de receberem, na sua carne mortal, a sentença comum a todos os homens. O fim de todas as coisas está próximo. Sejam, portanto, moderados e sóbrios, para se dedicarem à oração.
Especificamente sobre essa primeira epístola de Pedro dizem-nos:
“Em todo o capítulo 4 transparece a mentalidade apocalíptica, isto é, a convicção de que se aproxima do fim dos tempos (v.7), quando se dará a luta final entre o bem e o mal, a vitória definitiva do bem e o julgamento de Deus sobre os homens. Essa expectativa provoca a firme resistência daqueles que são perseguidos por não quererem se deixar levar pelo mal. Eles se engajam na luta pelo bem, para poderem participar da vitória final e se apresentarem como testemunhas fiéis no julgamento. Para os cristãos, essa última etapa da história se iniciou com a ressurreição de Cristo”. (Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, p. 1572).
As idéias do autor de que “está prestes a revelar-se no final dos tempos” e de “que em breve há de julgar os vivos e os mortos”, vem justamente confirmar a opinião vigente de que as coisas estavam para acontecer ou já acontecendo.
2Pd 3,9-13: O Senhor não demora para cumprir o que prometeu, como alguns pensam, achando que há demora; é que Deus tem paciência com vocês, porque não quer que ninguém se perca, mas que todos cheguem a se converter. O Dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus se dissolverão com estrondo, os elementos se derreterão, devorados pelas chamas, e a terra desaparecerá com tudo o que nela se faz.  Em vista dessa desintegração universal, qual não deve ser a santidade de vida e piedade de vocês,  enquanto esperam e apressam a vinda do Dia de Deus? Nesse dia, ardendo em chamas, os céus se dissolverão, e os elementos se fundirão consumidos pelo fogo. O que nós esperamos, conforme a promessa dele, são novos céus e nova terra, onde habitará a justiça.
Pedro continua com seu ponto de vista anterior, portanto, agindo com coerência, de que tudo está para acontecer brevemente.
1.4 – No Apocalipse
Faremos em destaque os comentários sobre o livro do Apocalipse, pois as passagens desse livro são as que mais usam para dizer sobre o fim do mundo.
Vejamos o que nos trazem na introdução desse livro:
“O Apocalipse é de compreensão difícil, porque o autor faz largo uso de imagens, símbolos, figuras e números misteriosos. Isso pode ser facilmente entendido, quando vemos que o livro nasce dentro de uma situação difícil: o povo de Deus está sendo oprimido, perseguido e vigiado pelas estruturas de poder. Em tais circunstâncias não se pode falar claro principalmente porque o autor pretende mostrar a situação real e traçar uma estratégia de resistência e ação. As comunidades a que ele se dirige entendem essa linguagem, pois estão familiarizadas com o Antigo Testamento, onde o autor vai buscar os símbolos”. (Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, p. 1589).
Para não deixar nenhuma margem a dúvidas, colocaremos mais uma explicação:
“... é indispensável, para bem compreender o Apocalipse, reinserí-lo no ambiente histórico que lhe deu origem: um período de perturbações e de violentas perseguições contra a Igreja nascente. Pois, do mesmo modo que os apocalipses que o procederam (especialmente o de Daniel) e nos quais manifestamente se inspira, é escrito de circunstância, destinado a reerguer e a robustecer o ânimo dos cristãos, escandalizados, sem dúvida, pelo fato de que perseguição tão violenta se tenha desencadeado contra a Igreja daquele que afirmara: ‘Não temais, eu venci o mundo’ (Jo 16,33). Para levar a efeito seu plano, João retoma os grandes temas proféticos tradicionais, especialmente o do ‘Grande Dia” de Iahweh (cf. Am 5,18+): ao povo santo, escravizado sob o jugo dos assírios, dos caldeus e dos gregos, dispersado e quase destruído pela perseguição, os profetas anunciavam o dia da salvação, que estava próximo e no qual Deus viria libertar o seu povo das mãos dos opressores, devolvendo-lhes não apenas a liberdade, mas também poderio e domínio sobre seus inimigos, que seriam por sua vez castigados e quase destruídos. No momento em que João escreve, a Igreja, o novo povo eleito, acaba de ser dizimada por sangrenta perseguição (13; 6,10-11; 16,6; 17,6), desencadeada por Roma e pelo império romano (a Besta), mas por instigação de Satanás (12; 13,2-4), o Adversário por excelência de Cristo e de seu povo. A visão inaugural descreve a majestade de Deus que reina no céu, senhor absoluto dos destinos humanos (4) e que entrega ao Cordeiro o livro que contém o decreto de extermínio dos perseguidores (5); a visão prossegue com o anúncio da invasão de povos bárbaros (os partos), com seu tradicional cortejo de males: guerra, fome e peste (6). Os fiéis de Deus, porém, serão preservados (7,1-8; cf. 14,1-5), à espera de gozarem no céu, de seu triunfo (7,9-17; cf. 15,1-5). Entretanto, Deus, que quer a salvação dos pecadores, não os destruirá imediatamente, mas lhes enviará uma série de pragas para adverti-los, como fizera contra o faraó e os egípcios (8-9); cf. 16). Esforço inútil: por causa de seu endurecimento, Deus destruirá os ímpios perseguidores (17), que procuravam corromper a terra, induzindo-a a adorar Satanás (alusão ao culto dos imperadores da Roma gentílica); seguem-se uma lamentação sobre Babilônia (Roma) destruída (18) e cantos de triunfo no céu (19,1-10). Nova visão retoma o tema da destruição da Besta (Roma perseguidora), realizada desta vez por Cristo glorioso (19,11-21). Então inicia-se um período de prosperidade para a Igreja (20,1-6), que terminará com novo assalto de Satanás contra ela (20,7s), o aniquilamento do Inimigo, a ressurreição dos mortos e o seu julgamento (20,11-15) e finalmente o estabelecimento definitivo do Reino celeste, na alegria perfeita, depois de aniquilar a morte (21,1-8). A visão retrospectiva descreve o estado de perfeição da nova Jerusalém durante o seu reinado sobre a terra (21,9s)”.
“Esta é a interpretação histórica do Apocalipse, seu sentido primeiro e fundamental...” (Bíblia de Jerusalém, pp. 2139-2140).
Vejamos, então, as passagens desse livro que tratam do assunto que estamos estudando.
Ap 1,1-11: Esta é a revelação de Jesus Cristo: Deus a concedeu a Jesus, para ele mostrar aos seus servos as coisas que devem acontecer muito em breve. Deus enviou ao seu servo João o Anjo, que lhe mostrou estas coisas através de sinais. João testemunha que tudo quanto viu é Palavra de Deus e Testemunho de Jesus Cristo. Feliz aquele que lê e aqueles que escutam as palavras desta profecia, se praticarem o que nela está escrito. Pois o tempo está próximo. João às sete igrejas que estão na região da Ásia. Desejo a vocês a graça e a paz da parte daquele-que-é, que-era e que-vem; da parte dos sete Espíritos que estão diante do trono de Deus; e da parte de Jesus Cristo, a Testemunha fiel, o Primeiro a ressuscitar dos mortos, o Chefe dos reis da terra. A Jesus, que nos ama e nos libertou de nossos pecados por meio do seu sangue, e que fez de nós um reino, sacerdotes para Deus, seu Pai - a Jesus, a glória e o poder para sempre. Amém. Ele vem com as nuvens; e o mundo todo o verá, até mesmo aqueles que o transpassaram. E todos os povos do mundo baterão no peito por causa dele. É isso mesmo! Assim seja! Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, Aquele-que-é, que-era e que-vem, o Deus Todo-poderoso. Eu, João, irmão e companheiro de vocês neste tempo de tribulação, na realeza e na perseverança em Jesus, eu estava exilado na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus. No dia do Senhor, o Espírito tomou conta de mim. E atrás de mim ouvi uma voz forte como trombeta, que dizia: “Escreva num livro tudo o que você está vendo. Depois mande para as sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.
Ap 22,6-10: Disse-me então: “Estas palavras são fiéis e verdadeiras, pois o Senhor Deus, que inspira os profetas, enviou o seu Anjo para mostrar aos seus servos o que deve acontecer muito em breve. Eis que eu venho em breve! Feliz aquele que observa as palavras da profecia deste livro”. Eu, João, fui o ouvinte e testemunha ocular destas coisas. Tendo-as ouvido e visto, prostrei-me para adorar o Anjo que me havia mostrado tais coisas. Ele, porém, me impediu: “Não! Não o faças! Sou servo como tu e como teus irmãos, os profetas, e como aqueles que observam as palavras deste livro. É a Deus que dever adorar!” E acrescentou: “Não retenhas em segredo as palavras da profecia deste livro, pois o Tempo está próximo”.
As expressões “o tempo está próximo”, “no dia do Senhor” e “o que deve acontecer muito em breve” não permitem outra interpretação senão aquela que nós estamos levando a efeito, no desenrolar desse estudo, ou seja, que tudo isso é para aquele momento histórico, nada para um futuro no escoar do tempo. Fato que ainda podemos confirmar com a explicação que nos colocam sobre essa passagem:
“O Apocalipse é um livro lido e explicado nas reuniões das comunidades cristãs. Seu conteúdo é urgente, porque com a morte e ressurreição de Jesus a história está chegando ao fim e Deus vai julgar e implantar o seu Reino. A missão de João é a de todos os cristãos: profetizar, anunciando a Palavra de Deus e continuando o testemunho de Jesus Cristo”. (Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, p. 1590).
Reafirmando o que nos colocaram no contexto geral.
Ap 19,11-21: Vi então o céu aberto: eis que apareceu um cavalo branco, cujo montador se chama “Fiel” e “Verdadeiro”; ele julga e combate com justiça. Seus olhos são chama de fogo; sobre sua cabeça há muitos diademas, e traz escrito um nome que ninguém conhece, exceto ele; veste um manto embebido de sangue, e o nome com que é chamado é Verbo de Deus. Os exércitos do céu acompanham-no em cavalos brancos, vestidos com linho de brancura resplandecente. Da sua boca sai uma espada afiada para com ela ferir as nações. Ele é quem as apascentará com um cetro de ferro. Ele é quem pisa o lagar do vinho do furor da ira de Deus, o Todo-poderoso. Um nome está escrito sobre seu manto e sobre sua coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores. Vi depois um Anjo que, de pé no sol, gritou em alta voz a todas as aves que voavam no meio do céu: “Vinde, reuni-vos para o grande banquete de Deus, para comer carnes de reis, carnes de capitães, carnes de poderosos, carnes de cavalos e cavaleiros, carnes de todos os homens, livres e escravos, pequenos e grandes”. Vi então a Besta reunida com os reis da terra e seus exércitos para guerrear contra o Cavaleiro e seu exército. A Besta, porém, foi capturada juntamente com o falso profeta, o qual, em presença da Besta, tinha realizado sinais com que seduzira os que haviam recebido a marca da Besta e adorado a sua imagem: ambos foram lançados vivos no lago de fogo, que arde com enxofre. Os outros foram mortos pela espada que saía da boca do Cavaleiro. E as aves todas se fartaram com suas carnes.
Já sabemos que alguém poderá dizer que aqui, nesta passagem, não se fala nada em “fim do mundo”. Sim! É correto. Entretanto, resolvemos colocá-la por dois motivos. Primeiro, para que você confirme que a linguagem desse livro é difícil, totalmente simbólica e figurada. Segundo, pela explicação que os tradutores da Bíblia de Jerusalém dão a essa passagem já que ela tem a ver com o que estamos falando. A intitulam de “O primeiro combate escatológico”, para a qual nos apresentam o seguinte esclarecimento:
Eis-nos no fim dos tempos. Depois da queda de Babilônia, profetizada (14,8.14-15) e realizada (16,19-20; 17,12-14), Cristo fiel (3,14+) cumpre o Dia de Iahweh (Am 5,18+), exterminando os inimigos da Igreja. Sua figura (vv. 11-16) inspira-se com as descrições precedentes (12, 5; 14,6-20; 17,14), em diversas profecias. (Bíblia de Jerusalém, p. 2163).
Ou seja, nos informam que estão no fim dos tempos, colocando-o, portanto, naquela época.
2 – Apagando o fogo do inferno
Aqui literalmente podemos jogar água, que nem precisa ser benta, na fogueira, pois esse tão propalado inferno só existe na mente de pessoas retrógradas, que não possuem o mínimo senso crítico, para ver quão absurdo é tal lugar. Por perderem o bonde da história não se dão conta que a crença no inferno, como é visto atualmente, é cópia, e barata por sinal, do que existia no paganismo.
Vamos provar que isso é mera fantasia alimentada pelos líderes religiosos, já que ele, o inferno, é uma eficiente arma para fazer com que os “pobres cordeirinhos” tremam de medo.
Obviamente que para existir o inferno Deus há que tê-lo criado, não é mesmo? Ninguém, até hoje, conseguiu nos provar que Ele tenha feito isso. Nós, ao contrário, é que provamos que o Pai Supremo não o estabeleceu, para desespero dessa liderança, da qual estamos falando.
A essência das leis divinas contidas no Antigo Testamento está listada nos Dez Mandamentos, que, certamente, é aquilo que devemos rigorosamente cumprir. O questionamento é bem simples: se tais mandamentos representam as máximas divinas, por que a pena para quem não os cumpre não é ir para o inferno? Pois ao instituí-los, Deus deveria, por questão de justiça - coisa que é impossível d’Ele agir em contrário -, ter estabelecido como pena aos infratores o inferno. Aliás, os mais atentos verão que nem mesmo pena para uma vida após a morte existe. Tudo quanto é dito está relacionado com situações terrenas. Fato que poderá facilmente ser comprovado por você, caro leitor, se quiser certificar o que estamos dizendo.
Assim, provamos que o inferno não foi criado neste momento. Sabemos, os que estudam, que é produto da cultura persa absorvida pelos judeus. Pelos judeus? Não!, pois foram os cristãos quem o fizeram, o que torna o fato mais estranho, pois quem tinha tudo para assimilar isso dos persas, eram os primeiros, não estes últimos.
Se Deus não criou o inferno nessa época, em outra também não o poderia ter criado, já que se o fizesse não estaria agindo com eqüidade, que é um princípio baluarte da justiça, uma vez que quem viveu entre a instituição dos Dez Mandamentos e a provável criação do inferno não poderia ir para lá. Pois ninguém pode ser condenado por uma pena não prevista em lei, estabelece a frágil justiça humana, que dirá a divina? E nós agora não podemos ser condenados ao inferno, porquanto, outras pessoas não o foram. Como Deus “não faz acepção de pessoas” (At 10,34; Rm 2,11; Ef 6,9) e se suas leis são imutáveis, porquanto se as mudassem não as teria criado perfeitas. Conclui-se que Ele não criou o inferno, pois se o criasse, não o mudaria, já que seria perfeito. E disso nós concluímos, então, que o inferno não é criação divina e sim dos homens. Entretanto, quem o criou? Temos a resposta na ponta da língua: a liderança religiosa, como forma de amedrontar seus fiéis. Não há uma outra alternativa senão essa.
3 – A mentira sobre o pai da mentira – Lúcifer
Deus, O SUPREMO BEM, não poderia ter criado o mal. Sendo assim, indagamos novamente: como se explica a existência de Lúcifer e cia? Respondem-nos os crentes, pensando acertar o alvo: é um anjo que decaiu. Em razão dessa resposta, voltamos a questionar: o que é um anjo? Esclarecem-nos que um anjo é um ser perfeito criado por Deus. Ótimo! Então nos explique como um ser perfeito pode decair? Esta pergunta é fatal e os deixa estonteados à procura de uma resposta que não têm. Mas alguns, não querendo dar o braço a torcer, arriscam justificar essa do anjo decaído citando, sorriso nos lábios, o profeta Isaías (Is 14,12), confiantes em que “a palavra de Deus” vai lhes dar guarida. Como se diz: “ô coitado”! Nem mesmo eles têm capacidade de analisar uma passagem bíblica.
Quem quiser poderá ver que o contexto de Is 14,12 fica evidenciado nos versículos 3 e 4 onde, segundo a narrativa, Deus pede ao profeta Isaías para proferir um motejo (sátira) contra o rei da Babilônia, que à época subjugava o povo hebreu, quando fosse liberá-lo desse rei, que queria dominar o mundo. Portanto, nada de Lúcifer, como entendem os apressados.
Tendo em vista que provamos acima que o inferno não existe, e sendo ele um lugar, segundo afirmam, onde Lúcifer vive, então, a conseqüência lógica disso é que esse ser também não existe.
Aqui, do mesmo modo, por questões da influência dos persas que tinham o deus do mal – Ariman -, que rivalizava com o deus do Bem – Ormuzd -, essa entidade do mal foi incorporada à cultura dos que, tradicionalmente, têm a Bíblia como fonte de suas práticas religiosas.
4 – Há eleitos de Deus?
Biblicamente falando, quem poderia se arrogar em afirmar ser eleito de Deus seriam os judeus, não os cristãos, já que é assim que “a palavra de Deus” diz.
Quem prega a exclusividade da salvação por pertencer a determinado segmento religioso não entendeu patavinas da parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37), onde aquele que era considerado ateu é o exemplo de quem Jesus nos recomenda seguir. Na passagem da separação dos bodes e das ovelhas (Mt 25,31-46) o critério para ser escolhido para ir para a direita não foi o de pertencer a alguma igreja. Por outro lado, se Deus “faz chover sobre os bons e maus” (Mt 5,45) é sinal que trata todos do mesmo modo, e como Jesus disse “... o Pai que está no céu não quer que nenhum desses pequeninos se perca” (Mt 18,14) então todos nós seremos salvos, entretanto, o tempo para que isso aconteça não é o mesmo para todos, pois aí vale o “,,, a cada um segundo suas obras” (Mt 16,27).
Há uma passagem muito singular sobre a qual quase ninguém fala dela, mas é fatal contra essa idéia sectária de salvação. Jesus, em advertência aos chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo, disse: "Pois eu garanto a vocês: os cobradores de impostos e as prostitutas vão entrar antes de vocês no Reino do Céu” (Mt 21,31), o que significa que, apesar de tudo, os sacerdotes e os anciãos chegariam no reino dos céus, só que os “pecadores” citados chegariam primeiro. Demonstração clara que a salvação é para todos.
E não adianta bater nessa surrada tecla, a da salvação por seguir certa igreja, pois “a palavra de Deus” diz que: “o Evangelho é que é a salvação” (Rm 1,16, 1Cor 15,1-2; Ef 1,13; 2Ts 1,7-8), ou seja, a prática do amor ao próximo.
Quem fosse para o inferno, obviamente estaria afastado do “amor de Deus”, mas e aí como fica?: “Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 8,38-39).
Ainda propomos, para arrematar, essas duas passagens:
“Ora, quanto mais vale um homem do que uma ovelha!” (Mt 12,12);
O que vocês acham? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, será que ele não vai deixar as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? (Mt 18,12).
5 – Quem não pagar dízimo vai pro inferno?
Esta é a mais deslavada mentira que pregam aos seus fiéis. Porquanto, em canto algum da Bíblia se encontra tamanho absurdo. O item anterior serve para demonstrar por qual meio haverá separação dos bons e dos maus, entretanto, ninguém vai para uma condenação eterna, porquanto, só é justa a pena cujo período esteja limitado ao montante da dívida, ou seja, exatamente conforme nos asseverou Jesus “até que se pague o último centavo” (Mt 5,26).
A passagem bíblica que instituiu este tributo foi Lv 27,30.32, na qual lemos: Todos os dízimos do campo, seja produto da terra, seja fruto das árvores, pertencem a Javé: é coisa consagrada a Javé. Os dízimos de animais, boi ou ovelha, isto é, a décima parte de tudo o que passa sob o cajado do pastor, é coisa consagrada a Javé. Ou seja, o dízimo aqui instituído é relacionado aos produtos da terra, não a dinheiro. Entretanto, mais tarde foi desvirtuado para recebimento monetário, mas aqui funcionava como um imposto, já que a liderança religiosa é quem detinha também o poder político. Se o Estado foi desmembrado da religião e nós continuamos a pagar imposto ao Estado, então o dízimo é sem sentido. Pois, da forma que o cobram, ele é em verdade um imposto religioso, cuja exigência cabe aos líderes religiosos, que, sem nenhum rubor na cara, o atribuem a Deus como se fosse o dízimo uma ordem divina.
6 – É proibido de ler obras literárias que não as de sua igreja?
Se for verdade que “onde se acha o Espírito do Senhor aí existe liberdade” (2Cor 3,16), consequentemente, o contrário também é verdadeiro, ou seja, onde não existe liberdade o Espírito do Senhor não está. Quem proíbe alguém de fazer alguma coisa está impedindo-a de agir livremente, ou seja, a pessoa não tem mais liberdade. Mas é certo que somente se proíbe por medo. Medo? Sim, medo de que descubram que a verdade está noutro lugar que não naquele que freqüentam, pois quem tem convicção de estar com a verdade não restringe ninguém a nada.
Jesus ao afirmar “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32) estava justamente incentivando as pessoas a procurem a verdade, mas essa só pode ser encontrada quando se tem independência para pesquisar e se ler qualquer conhecimento registrado pelo homem, pouco importa qual seja a sua origem, sem nenhuma restrição religiosa.
Conclusão
De tudo o que até aqui mostramos, podemos concluir que o “fim dos tempos” já passou, pois, pelas narrativas bíblicas chega-se, facilmente, à conclusão de que esse tempo, na verdade, sempre foi algo próximo à realidade que os personagens bíblicos viviam naquele momento. Reafirmamos, que não existe nenhuma passagem da qual possamos dizer que tal evento seja para um futuro longínquo.
Entretanto, parece-nos que ninguém se preocupa com isso e os fiéis amedrontados apenas seguem o que lhes passaram como “verdade”. Enquanto a liderança religiosa, que usa de interpretações à sua conveniência, os mantém encabrestados à sua maneira de pensar, tendo como base, conforme já o dissemos, o medo. Certamente, muitos deles, se tiverem oportunidade de lerem esse nosso texto, irão nos mandar para os quintos dos infernos e a seus fiéis dirão que nós estamos possuídos pelo “demo”. Entretanto, esse mesmo juízo divino que dizem ser terrível será usado para julgá-los, já que a justiça de Deus é feita com equanimidade. Esses pobres coitados amanhã estarão queimando no fogo do inferno consciencial por terem utilizado, a proveito próprio, as revelações divinas.
Aqui vale relembrar a passagem bíblica, há pouco citada, que diz “onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2Cor 3,17), do que se pode perfeitamente concluir que onde não existe liberdade aí não está o Espírito do Senhor.
 

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