"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 24.02.10 às 23:36link do post | favorito

 

Examinem tudo e fiquem com o que é bom. (Paulo de Tarso, 1Ts 5,21).
Em busca da solução para a dor e o sofrimento, os povos primitivos inventaram uma lenda com a qual pensavam justificá-los. Daí surgiu a lenda de Jó. Não, caro leitor, nós ainda não estamos necessitando ser dominados com uma camisa de força; mas usaremos a força dos argumentos para provar o que estamos falando com essa análise que faremos do livro de Jó.
Alguns tradutores afirmam:
“A literatura sapiencial floresceu emtodo o AntigoOriente. Ao longo de suahistória, o Egito produziu escritos de sabedoria. Na Mesopotâmia, desde a época sumérica, foram compostosprovérbios, fábulas e poemassobre o sofrimento que se assemelham ao livro de Jó”.
(...)
Não é de admirarque as primeiras obras sapienciais de Israel se pareçam muitocom a de seusvizinhos: todas elas provêm do mesmoambiente”. (Bíblia de Jerusalém, p. 797).
“... o autorusa uma antigalendasobre a retribuição (1,1-2,13; 42,7-17), omitindo o final (42,7-17) e substituindo-o por uma série de debatesque mostram o absurdo da teologiaemvoga, incapaz de atender à novasituação (3,1-42,6)”. (BíbliaSagradaEdiçãoPastoral, p. 639)
O autortomacomoponto de partida uma lendacomum na época e, comleves retoques, a relata em 1,1-2,13. O finalprimitivo dessa lenda se encontraem 42,7-17. A intenção é substituir o final da lendapelodebateque se encontraem 3,1-42,6”. (BíbliaSagradaEdiçãoPastoral, p. 640).
“Da naturezapoética do livro se segue quenão se deve insistir na veracidade histórica de cadapasso da discussão. Além disso, a própriaíndole do diálogo supõe que o autornão tenha queridoaprovar todas as idéias expressas pelosinterlocutores. A chave da composiçãoconexa está em 42,1-8: Jó, embora tendo umconceitoelevado de Deus, pecou porpresunção e violência; aos seusamigos, pelocontrário, faltou o conceito adequado de Deus e de suaProvidência”.
O prólogo e o epílogosãoficções literárias. Discute-se a historicidade da pessoa de Jó; a opiniãomaisplausível é a de quetambém seja uma personagemfictícia, pois o objetivo da obranão é contar a história de um sofredor, e sim, oferecer uma solução e umconsolo a todos os que sofrem...”. (BíbliaSagradaEdições Paulinas, p. 579).
Como se vê, desde tempos imemoriais, os “donos” das religiões sempre fizeram suas interpolações (usando até lendas, como aqui) e que, para dar força a elas, as atribuía à divindade a que eles prestavam culto.
Lembramo-nos muito bem, quando, nos primeiros contatos com as letras, nossa professora primária, para entreter a turma e desenvolver-lhes a imaginação, contava as famosas histórias infantis. Invariavelmente iniciava assim Era uma vez...” buscando atrair a atenção dos alunos e criando, desde o início, um clima de expectativa. Bom, poderá nos perguntar: mas o que tem isso a ver com o assunto que você se propõe a falar? O que estamos propondo, caro leitor, é uma relação direta entre essas histórias e a história de Jô; veja como se inicia o relato bíblico:
Era uma vezumhomem chamado Jó, que vivia no país de Hus. Eraumhomemíntegro e reto, que temia a Deus e evitava o mal. (Jó 1,1)
É estonteante a correlação entre as histórias infantis e essa que estamos citando. Aliás, sobre esse país de Hus instala-se cizânia geral sobre onde se localiza:
Ø       Hus, não identificada, masporcerto, situada ao oriente da Palestina. Há quem a coloque no Hauran, sul de Damasco (cf. Gen. 36,28; Lam 4,21),... (BíbliaSagradaEdições Paulinas, p. 580)
Ø       Emboranão saibamos comcertezaonde se encontra Hus, sabemos quenão é territórioisraelita. (Bíblia do Peregrino, p. 1062).
Ø       Terra de Hus é o território de Edom, fora de Israel... (BíbliaSagradaVozes, p. 634).
Ø       ... Jó, que viveu em Hus, provavelmente a sudoeste do MarMorto,... (BíbliaSagrada - Santuário, p. 733).
Ø       Ficava a sudeste da Palestina, na Iduméia ou Edom (cf. Lm, 4,21). (Bíblia Barsa, p. 389).
Ø       Certamente ao sul de Edom (cf. Gn 36,28; Lm 4,21). (Bíblia de Jerusalém, p. 803).
No fundo, ninguém tem certeza de onde é, mas, para escapar dessa dúvida, alguns querem situá-la num lugar conhecido, esperando que os néscios acreditem neles. Consultamos vários mapas bíblicos e em nenhum deles encontramos a localização de Hus, obviamente por não saberem mesmo onde era ou, conforme acreditamos, não passa de uma ficção literária.
Mas, continuando:
Tinhasetefilhos e três filhas. Possuía tambémsetemilovelhas, trêsmilcamelos, quinhentas juntas de bois, quinhentas mulas e grandenúmero de empregados. Jó era o maisrico dos homens do Oriente. Os filhos de Jó costumavam fazerbanquetes, umdia na casa de cadaum, e convidavam as três irmãs paracomer e bebercomeles. Quando terminavam essesdias de festa, Jó os mandava chamar, para purificá-los. Ele madrugava e oferecia umholocaustoparacadaum deles, pensando: ‘Talvezmeusfilhos tenham pecado, ofendendo Deusemseucoração’. E Jó fazia assim todas as vezes” (Jó 1, 2-5).
Tal qual as estórias infantis, aqui também é realçada a riqueza de Jó e um pouco de sua vivência diária. Interessante, nesse relato, é que não são citados os nomes de seus filhos, como seria de se esperar, caso o relato fosse verdadeiro; nem mesmo o de sua mulher.
Embora não seja o que pretendemos abordar, vale uma digressão para um outro assunto, não menos curioso. É a questão de satanás, como sendo o deus do mal; leiamos:
Certodia, os anjos se apresentaram a Javé e, entreeles, foi tambémSatã. EntãoJavé perguntou a Satã: "De ondevocê vem?" Satã respondeu: "Fui dar uma voltapelaterra". Javélhe disse: "Você reparou no meuservo Jó? Na terranão existe nenhumoutrocomoele: é umhomemíntegro e reto, que teme a Deus e evita o mal". Satã respondeu a Javé: "E é a troco de nadaque Jó teme a Deus? Tumesmo puseste ummuro de proteção ao redor dele, de suacasa e de todos os seusbens. Abençoaste os trabalhos dele e seusrebanhos cobrem toda a região. Estende, porém, a mão e mexe no queele possui. Garanto queelete amaldiçoará na cara!" EntãoJavé disse a Satã: "Poisbem! Faça o quevocê quiser com o queele possui, masnão estenda a mãocontraele". E Satã saiu da presença de Javé. (Jó 1, 6-12).
A expressão satanás, conforme nos informam vários tradutores bíblicos, quer dizer “acusador”, não sendo, portanto, um ser, mas apenas uma função. Imaginemos num Tribunal de Júri, o promotor de justiça que age na linha de acusação do réu, exatamente o que, no texto, se atribui a esse anjo. Confirmamos o que dizemos pela nota a seguir, relativa a essa passagem:
“A corteceleste, que decide os rumos da história, se reúne no estilo de uma corteoriental. Satã, que significa adversário no tribunal, não é aqui a personificação do mal, e sim uma espécie de investigador...” (BíbliaSagradaEdiçãoPastoral, p. 640).
Observar que, se na narrativa está se afirmando que entre os anjos que se apresentaram a Javé estava também satanás, é porque ele, evidentemente, era um deles. E se estava junto com os outros não era anjo mau coisíssima nenhuma. Seria a mesma coisa que se dizer que o Promotor de Justiça, que é o outro pólo de que necessita a sociedade para o equilíbrio da Justiça, é um advogado mau, pelo simples fato de exercer a função de acusador.
Entretanto, não sabemos de onde a teologia retira que ele, satanás, é um anjo mau. Só por pura extrapolação, pois, pelo que se vê do relato bíblico, a única coisa que fez foi ferir um pouco o orgulho de Javé. Isso porque, quando Javé disse que Jó era um homem íntegro, o anjo respondeu que ele era assim só porque “os braços” de Javé se estendiam sobre ele, protegendo-o e proporcionando-lhe as regalias terrenas, mas que, se não tivesse isso, talvez Jó não se comportasse daquele modo. Aí Javé deixa que o anjo retire de Jó tudo quanto tinha para ver se assim ele ainda se manteria firme na sua integralidade, como se em algum momento Deus pudesse ter dúvida sobre qualquer coisa ou sentisse a necessidade de alguém lhe provar algo que pensava ser verdadeiro.
Muitos têm a Jó como o “paciente sofredor”; mas será mesmo? Veja:
Então Jó abriu a boca e amaldiçoou o dia do seu nascimento, dizendo: ‘Morra o diaemque nasci e a noiteemque se disse: 'Ummenino foi concebido'. Queessedia se transforme emtrevas; queDeus, do alto, não cuide dele e sobreelenão brilhe a luz. (Jó 3,1-4).
         A pergunta é: uma pessoa paciente amaldiçoa o dia em que nasceu ou isso é tipo dos impacientes? Como se diz; perguntar não ofende.
         Mas, não bastasse isso, continua o impaciente e já revoltado Jó:
Porquenão morri ao sair do ventre de minhamãe, ounão pereci ao sair de suasentranhas? Porquedoisjoelhosme receberam, e doispeitosme amamentaram? Agoraeu repousaria tranqüilo e dormiria empaz, juntocom os reis e governantes da terra, que construíram túmulossuntuososparasi, oucom os nobresque possuíram ouro e encheram de prataseusmausoléus. Agoraeu seria umaborto enterrado, uma criaturaquenão chegou a ver a luz”. (Jó 3,11-16).
O nosso amigo apelou feio, pois disse ter sido preferível que tivesse sido abortado. Atitude compreensível para os que, advogando a vida única, não encontra explicação para a dor e o sofrimento, cujo entendimento só poderá ser justificado se aceitarmos a reencarnação, única situação em que a justiça de Deus se manifesta em plenitude. Mas, apesar disso tudo, encontramos em Jó verdades que bem se aplicam aos que acreditam na reencarnação:
Peloqueeu sei, os que cultivam injustiça e semeiam miséria, sãoessesque as colhem” (Jó 4,8).
E o homem gera seupróprio sofrimento, como as faíscas voam paracima (Jó 5,7).
         Dessa fala de Jó retiramos a Lei de Causa e Efeito, comumente denominada de carma, cuja relação com a reencarnação é direta; quem acredita em uma delas acredita também na outra.
Há em Jó uma afirmação que os teólogos fazem de tudo para mudar-lhe o sentido. Leiamo-la:
Entãoumespírito passou pordiante de mim; fez-me arrepiar os cabelos do meucorpo; parou ele, masnãolhe discerni a aparência; umvulto estava diante de meusolhos; houve silêncio, e ouvi uma voz:...” (Jó 4,15-16).
Aqui fica evidente, por demais, o fato de Jó ter percebido um espírito; entretanto, os não comprometidos com a verdade, mas com seus próprios dogmas, mudam a palavra “um espírito” por umsopro (Bíblias: Vozes, Ave Maria, Paulus) ou por umvento (Bíblia Pastoral). Lamentável!
         Um conselho de Jó:
“Consulte as geraçõespassadas e observe a experiência de nossosantepassados. Nós nascemos ontem e não sabemos nada. Nossosdiassãocomosombra no chão. Os nossosantepassados, no entanto, vão instruí-lo e falar a vocêcompalavrastiradas da experiência deles”. (Jó 8,8-10).
Mesmo não sendo o sentido que iremos dar, é, por sinal, um sábio conselho, pois os nossos antepassados podem nos orientar com suas experiências pessoais, de modo que não venhamos a errar em coisas que poderemos ter conhecimento para fazer da forma certa. Considerando que àquela época havia muito pouca coisa escrita, como consultar as gerações passadas se seus componentes já morreram e levaram para o sepulcro seus conhecimentos? Simples: Evocando-os para lhes consultar o espírito, e, evidentemente, estamos falando aos que acreditam na possibilidade da comunicação com os mortos. Aos que não acreditam, perguntaremos: Teria algum sentido Moisés proibir de se comunicar com os mortos se isso não existisse ou não fosse possível?
Muitos acreditam que o homem ainda vem pagando pelo pecado de Adão e Eva; aliás, isso parece muito com a dívida externa brasileira, que governo nenhum consegue pagar; e disso tiram que os filhos pagam pelos erros dos pais; mas Jó parece não concordar com isso:
“Dizem queDeuscastiga os filhos do injusto! Ora, faça que o injustomesmo pague e aprenda: que veja comseusprópriosolhos a desgraça, e beba a ira do Todo-poderoso. Pois, o quelhe importa a suafamíliadepois de morto, quando o tempo de suavida tiver chegado ao fim?” (Jó 21,19-21).
Pena que, em sua justificativa, Jó demonstra não acreditar na vida após a morte, evidenciando uma posição incontestavelmente materialista: morreu acabou.
Um ponto fundamental levantado por Jó, mas, infelizmente, ainda não assimilado pela grande maioria das pessoas:
Deuspaga ao homemconforme as suasobras e retribui a cadaumconforme a suaconduta. Deus, na verdade, não age de modoinjusto. O Todo-poderosonuncaviola o direito”. (Jó 34, 11-12)
E mesmo assim, alguns ainda acham que, por pertencerem à determinada corrente religiosa ou por aceitarem Jesus como seu Senhor e salvador já estejam salvos. Doce ilusão! A justiça é clara: a cada um segundo suas obras.
Diante da afirmação acima de que Deus “retribui a cadaumconformesua conduta”, como explicar que alguém tenha nascido aleijado se Deus corrige o homemtambémcom o sofrimento na cama”? (Jó 33,19). Explicação lógica somente se acreditarmos na pré-existência do espírito e na reencarnação; aliás, para nós, é o grande problema insolúvel de Jó: mesmo justo ainda sofre. Como não podiam atribuir esse sofrimento a Deus, por ser injusto, inventaram esse teste da “paciência”.
A falta de conhecimento das leis da natureza fazia com que o povo hebreu atribuísse a uma atitude de Deus determinados fenômenos naturais como, por exemplo:
“Enche as mãoscomraios e atira-os no alvocerto. O trovão anuncia a chegada dele, e a suaira se acende com a injustiça”. (Jó 36,32-33).
         E ainda há quem diga que a Bíblia é totalmente de inspiração divina. Ô, coitado! Mas a coisa fica bem pior, quando atribuem solidez ao céu (firmamento):
Poracasovocê estendeu comele o firmamento, sólidocomoespelho de metal fundido?” (Jó 37,18)
A palavra firmamento vem de firme, já que acreditavam que o céu, esse azul que vemos acima de nossas cabeças, era totalmente sólido. Para o povo hebreu havia de ser assim, pois era a única maneira de explicar a existência das águas que caíam por ocasião das chuvas, já que não conheciam o fenômeno da evaporação da água. Observar que em Gêneses já encontramos essa idéia:
Deus disse: ‘Que exista umfirmamento no meio das águasparasepararáguas de águas!’ Deus fez o firmamentoparaseparar as águasque estão acima do firmamento das águasque estão abaixo do firmamento. E assim se fez. E Deus chamou ao firmamentocéu’". (Gn 1, 6-8).
         Essa é também mais uma das inúmeras passagens que não podemos atribuir como sendo de inspiração divina, já que são evidentemente frutos da cultura daquela época.
Muito curioso é que algumas passagens sugerem a idéia da pré-existência da alma, bem como, a reencarnação, como essa, por exemplo:
Certamentevocê sabe disso tudo, poisentão havia nascido e viveu muitíssimos anos. (Jó 38,21).
         Se alguém nos descrevesse um animal dessa forma:
Suas costas são fileiras de escudos, ligados com lacre de pedra; são tão unidos uns com os outros, que nem ar passa entre eles; cada um é tão ligado com o outro, que ficam travados e não se podem separar. Seus espirros lançam faíscas, e seus olhos são como a cor rosa da aurora. De sua boca irrompem tochas acesas e saltam centelhas de fogo. De suas narinas jorra fumaça, como de caldeira acesa e fervente. Seu bafo queima como brasa, e sua boca lança chamas. Em seu pescoço reside a força, e diante dele dança o terror.
Que idéia nós iríamos ter desse animal? Exato: um dragão! Pois é, caro leitor, na Bíblia há a descrição de um animal assim... Veja:
Poracasovocê é capaz de pescar o Leviatãcomanzol e amarrar-lhe a línguacom uma corda? Você é capaz de furar as narinas dele comjunco e perfurarsuamandíbulacomgancho? Será queele viria atévocêcom muitas súplicasoulhe falaria comternura? Será que faria uma aliançacomvocê, paravocêfazer dele o seucriadoperpétuo? Você brincará comelecomo se fosse umpássaro, ouvocê o amarrará parasuas filhas? Será que os pescadores o negociarão, ou os negociantes o dividirão entresi? Poderá vocêcrivar a pele dele comdardosou a cabeçacomarpão de pesca? Experimente colocar a mãoemcima dele: você se lembrará da luta, e nuncamais repetirá isso! Veja! Diante dele, todasegurança é apenasilusão, poisbastaalguém vê-lo paraficarcommedo. Ninguém é tãocorajosopara provocá-lo. Quempoderia enfrentá-lo cara a cara? Quemjamais se atreveu a desafiá-lo, e saiu ileso? Ninguémdebaixo de todo o céu. Não deixarei de descrever os membros dele, nemsuaforçaincomparável. Quem abriu suacouraça e penetrou porsuaduplaarmadura? Quem abriu as duas portas de suaboca, rodeadas de dentesterríveis? Suascostassão fileiras de escudos, ligados comlacre de pedra; sãotão unidos uns com os outros, quenemarpassaentreeles; cadaum é tão ligado com o outro, que ficam travados e não se podem separar. Seusespirros lançam faíscas, e seusolhossãocomo a corrosa da aurora. De suaboca irrompemtochas acesas e saltam centelhas de fogo. De suasnarinasjorrafumaça, como de caldeiraacesa e fervente. Seubafoqueimacomobrasa, e suabocalançachamas. Emseupescoço reside a força, e diante dele dança o terror. Os músculos do seucorposãocompactos, sãosólidos e imóveis. Seucoração é durocomorocha e sólidocomopedra de moinho. Quandoele se ergue, os heróis tremem e fogem apavorados. A espadaque o atinge nãopenetra, nem a lança, nem o dardo, nem o arpão. Paraele o ferro é comopalha, e o bronzecomomadeirapodre. A flechanão o afugenta, e as pedras da funda se transformam empalhaparaele. A maça é paraelecomoestopa, e ele zomba dos dardosque assobiam. Seuventre, coberto de escamas pontudas, é uma grade de ferroque se arrasta sobre o lodo. Ele faz ferver o fundo do marcomocaldeira, e a águafumegarcomovasilhaquentecheia de ungüentos. Atrás de sideixa uma esteirabrilhante, e a água parece cabeleirabranca. Na terraninguém se iguala a ele, pois foi criadoparanãotermedo. Ele se confrontacom os seresmaisaltivos, e é o rei das ferassoberbas". (Jó 40,25-41,26).
         Vejamos como nos explicam a palavra Leviatã:
Leviatã (ou também o Dragão, a Serpente Fugitiva – cf. 26,13; 40,25+; Is 27,1; 51,9; Am 9,3; Sl 74,14; 104,26) era, na mitologia fenícia, monstro do caos primitivo (cf. 7,12+); a imaginação popular podia sempre recear que despertasse, atraído por uma eficaz maldição contra a ordem existente... (Bíblia de Jerusalém, p. 805).
         Assim, vemos aqui que a cultura de outros povos está influenciando um autor bíblico. Daí concluirmos que realmente não dá para aceitar que a inspiração divina seja responsável por isso.
         Vamos agora analisar a última passagem do livro de Jó:
“E Javé abençoou a Jó, maisainda do queantes. Ele possuía agoracatorzemilovelhas, seismilcamelos, miljuntas de bois e mil jumentas. Teve setefilhos e três filhas: a primeira chamava-se Rola, a segunda Cássia e a terceiraAzeviche. Emtoda a terranão havia mulheresmais belas do que as filhas de Jó. E o seupai repartiu a herançaentreelas e os irmãos delas”. (Jó 42,12-15).
Esse final glorioso de Jó é deveras muito intrigante, pois, enquanto os seus filhos continuaram na mesma quantidade (Jó 1,2), os seus bens duplicaram em relação à sua posse anterior (Jó 1,3). Será que os bens terrenos terão mais valor que os nossos filhos? Outra coisa: para o povo judeu a mulher não tinha nenhum valor; por isso é estanho a citação dos nomes das filhas de Jó, quando o esperado, se fosse para citar algum nome, seriam os dos seus filhos. Por outro lado, as filhas só receberiam herança se não houvesse filhos para recebê-la: Depois diga aos filhos de Israel: 'Se umhomemmorrersemdeixarfilhos, passem a herançapara a filha dele”. (Nm 27,8).
Por essa passagem fica confirmado que a idéia de uma vida após a morte ainda não era pensamento comum; daí suporem que as bênçãos de Deus deveriam ser dadas em bens terrenos e não em bens espirituais, ou seja, para uma vida no plano espiritual.
Conclusão
         De certa forma a nossa opinião já foi dada no desenrolar deste estudo; por isso, vamos, por termos achado fantástica, transcrever a opinião de Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin, tradutores da Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, publicação da Paulus:
“... percebemos que o livro de Jó é uma crítica de toda teologia que se pretenda definitiva e universal. Essa teologia pode se tornar um verdadeiro obstáculo para a própria experiência de Deus. E aqui o autor dá o seu recado: É preciso pensar a religião a partir da experiência de Deus e não de uma teoria a respeito dele”.
(...)
“O livro é um convite para nos libertar da prisão das idéias feitas e continuadamente repetidas, a fim de entrar na trama da vida e da história, onde Deus se manifesta ao pobre e se dispõe a caminhar com ele para construir um mundo novo. Tal solidariedade de Deus se transforma em desafio: Estamos dispostos a abandonar nossas tradições teológicas para nos solidarizar com o pobre e fazer com ele a experiência de Deus?” (p. 639).
Como se diz popularmente: falou pouco e disse tudo.

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