"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 24.02.10 às 23:34link do post | favorito

“A cada um segundo o seu conhecimento.”

Independente do que estamos interpretando, o que vamos “ver” é tudo quanto nossa mente conseguirá assimilar, levando-se em conta os dados com os quais nosso cérebro foi alimentado, no decorrer de nossa existência como espírito imortal. Poucos conseguem se livrar disso, para enxergar um pouco “além do véu”, de forma a entender o sentido mais amplo, saindo da letra que mata, para ir ao encontro do espírito da letra.
Percebemos que a exegese aplicada aos textos bíblicos, na maioria das vezes, está condicionada a esse fator, e é por isso que há tantas interpretações para uma mesma passagem; inclusive, acontece até mesmo o caso de serem contraditórias umas com as outras. Observa-se que, para certos exegetas, a narrativa do autor bíblico pouco importa, pois o que se torna mais importante para eles é que o seu entendimento, do que está escrito, seja a verdade. Essa é a outra face dessas interpretações.
Leiamos, para exemplificar, a seguinte frase:
Mt 11,14-15: “E se vocês o quiserem aceitar, João é Elias que devia vir. Quem tem ouvidos, ouça."
A interpretação desse passo se divide em dois pensamentos extremos e completamente opostos. Para os que acreditam na reencarnação, Jesus estaria afirmando, categoricamente, que João Batista é Elias em nova vida, ou seja, “a voz que clama no deserto” é a reencarnação do profeta tesbita. Enquanto que, para os contrários, não é isso que o texto diz. Nele, ao invés de verem a reencarnação, vêem apenas que o ministério de João é semelhante ao que foi o do profeta Elias. Mas se for esse o caso, então esta fala de Jesus fica sem sentido:
Mt 17,12: “Mas eu digo a vocês: Elias já veio, e eles não o reconheceram. Fizeram com ele tudo o que quiseram".
A explicação da similaridade entre os ministérios dos dois profetas não cabe diante dessa afirmativa: “Elias já veio”, que não deixa nenhuma margem a outra interpretação, senão a de que João Batista foi Elias reencarnado, fato que, também, se explica por Jesus ter dito “eles não o reconheceram”, justamente porque agora estava num novo corpo.
A quem assistirá a razão? Aos que puderem entender que Jesus estava mesmo falando de algo ainda não aceito por todos, em virtude de, no passo anterior, ter completado: “Quem tem ouvidos, ouça”. Então, deveria ser um assunto controverso àquela época. Mas qual assunto? Sabemos que os saduceus não acreditavam na ressurreição (Mt 22,23), crença dos fariseus (At 23,8). Mas o que tem a ver ressurreição com reencarnação? Dependendo do contexto, muita coisa; aliás, são conceitos semelhantes. Como?! Expliquemos:
Lc 9,19: “Eles responderam: 'Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que tu és algum dos antigos profetas que ressuscitou'". (ver também Mt 16,14 e Mc 8,28).
Pelo que se pode entender, a palavra ressuscitar, nessa passagem, tem a nítida conotação de reencarnar. Se Jesus, segundo pensavam, poderia ser qualquer um dos antigos profetas, isso só seria possível de acontecer pela reencarnação. Por outro lado, como não combateu essa idéia de que alguém poderia vir como uma outra pessoa, o Mestre, de certa maneira, sanciona a crença na reencarnação, pois, se não fosse uma realidade ele a teria negado de forma veemente, para não deixar que as pessoas pensassem equivocadamente a respeito desse assunto.
Russell Norman Champlin, renomado exegeta protestante, analisando a passagem Mt 16,14, correlata a essa de Lucas, disse:
«Uns dizem: João Batista». Mat. 14:1 demonstra que Herodes adotou essa teoria: «Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos». Provavelmente, então, alguns dos herodianos também pensavam assim. Essa idéia circulava entre o povo. Dificilmente podemos crer que muitos pensavam que João Batista ressuscitara dos mortos, porque a maioria sabia que Jesus e João foram contemporâneos. Tal teoria, portanto, reflete a doutrina da transmigração da alma. É óbvio que essa crença exercia influência nas escolas dos fariseus, e, ainda que nunca tivesse sido totalmente aceita por todo o povo, muitos indivíduos (provavelmente a maioria) aceitavam-na como verdadeira. Conforme tais idéias se tinham desenvolvido nas escolas dos fariseus, dizia-se que ainda viviam as almas dos grandes profetas, e que em tempo oportuno, em momentos de grande necessidade, como alguma crise nacional, etc., tais almas poderiam tomar corpo novamente. No caso de João Batista, não podemos afirmar que essa crença refletisse a idéia da «reencarnação», mas deve ser interpretada como «transmigração» ou «possessão». Porém, uma vez admitida a idéia que Jesus era Elias, Jeremias, ou outro personagem do passado, então se pode afirmar que essa crença era idêntica à «reencarnação». O termo «transmigração» é usado por muitas vezes como sinônimo de «reencarnação». A identificação de Jesus com João Batista, pelo menos, poderia preservar a identificação de Jesus com a esperança messiânica, porque era crença geral, entre o povo, que João era Elias reencarnado, e Elias seria o precursor do Messias. Mas pode-se afirmar, à base dessa idéia, que tais pessoas não aceitavam que Jesus fosse o Messias.(CHAMPLIN, 2005, p. 443). (grifo nosso).
E para corroborar que, naquela época, os fariseus acreditam na reencarnação, vejamos o que Flávio Josefo, o historiador hebreu, disse a respeito deles, pois daí veremos como entendiam o ressuscitar. Descrevendo a maneira de ver dos fariseus, fala:
Eles julgam que as almas são imortais, que são julgadas em um outro mundo e recompensadas ou castigadas segundo foram neste, viciosas ou virtuosas; que umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida e que outras voltam a esta. (JOSEFO, 2003, p. 416). (grifo nosso).
E, num outro momento, ele, que se declarou fariseu, se dirigindo aos soldados, derrotados na guerra contra os romanos, que pensavam em suicidar-se, disse-lhes:
...suas almas voam puras para o céu, para lá viverem felizes e voltar, no correr dos séculos, animar corpos que sejam puros como elas e que ao invés, as almas dos ímpios, que por loucura criminosa dão a morte a si mesmos são precipitados nas trevas do inferno;... (JOSEFO, 2003, p. 600). (grifo nosso).
Estabelecendo-se, então, a relação entre essas informações de Josefo com as constantes do Evangelho só poderemos concluir que a ressurreição, na qual acreditavam, tinha também o sentido de voltar a um outro corpo, ou seja, de reencarnação.
É com esse “espírito da letra” que devemos analisar o diálogo de Nicodemos com Jesus, pois que era um dos da classe dos fariseus, conforme se afirma no passo bíblico. Leiamos a passagem:
Jo 3,1-8: “Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. À noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: 'Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele'. Jesus lhe respondeu: 'Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus'. Disse-lhe Nicodemos: 'Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar no seio de sua mãe e nascer?' Respondeu-lhe Jesus: 'Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer de novo. O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito”.
Aqui, o “nascer de novo” deveria ser entendido como reencarnar, que foi o que entendeu Nicodemos; daí a razão de sua pergunta a Jesus: “como pode um homem nascer, sendo já velho?”. Não temos como interpretar de outra forma; até mesmo porque, na seqüência, isso fica mais claro: “poderá entrar no seio de sua mãe e nascer?”. Portanto, ele, como fariseu, falava de reencarnar, embora tivesse dúvida de como isso ocorria.
Quando Jesus lhe responde, não diz que não era sobre isso que estava falando; antes, ao contrário, reafirma dizendo que a carne gera a carne, nosso corpo físico provém dos nossos pais, e que o Espírito gera o espírito, nosso espírito procede de Deus, estabelecendo, sem rodeios, a diferença entre essas duas cousas, as quais, por se tratarem de coisas terrenas, disse a Nicodemos que ele deveria saber.
As pesquisas levadas a efeito, por vários estudiosos, têm trazido a público evidências científicas que estão mais para sustentar a tese da reencarnação do que qualquer uma outra hipótese. A prova definitiva é, agora, apenas pura questão de tempo.
Os que não aceitam a reencarnação, geralmente acreditam na ressurreição da carne e na existência do inferno; entretanto, apesar de exigirem “provas” da reencarnação, nem mesmo uma única evidência científica têm para apoiar essas suas duas crenças, o que, dessa forma, os impede de contestar as que vêm reforçando a crença a favor da reencarnação.
Um outro argumento muito utilizado é dizer que a reencarnação não existe, porquanto, essa palavra não se encontra na Bíblia. O que, de fato, é verdadeiro, até mesmo porque essa palavra só aparece num dicionário em 1859, exatamente dois anos depois da publicação da primeira edição de O Livro dos Espíritos. O que não passa pela cabeça dos que assim alegam é que, por nossa vez, poderemos usar do mesmo tipo de argumento quanto à Trindade, na qual piamente acreditam, ou seja: a Trindade não existe porque essa palavra não consta da Bíblia.
 

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