"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 03.06.10 às 05:45link do post | favorito

 

Existe no mundo atual uma forte linha divisória, traçada pelos homens, que separa as diferentes correntes de ideias como sendo parte ou de religião, ou de ciência, ou de filosofia. O homem moderno, apesar de mais desenvolvido intelectualmente, ainda traz traços claros de outros tempos quando, o que não podia ser explicado à luz da ciência era categorizado por nós como sobrenatural ou herético. Hoje ainda, assuntos que são considerados científicos, são compartimentalizados, como se nada tivesse de relação com assuntos de ordem Divina, e a filosofia é considerada como nada mais que um simples conjunto de ideias teóricas sem nenhuma aplicação prática.

Essa separação força uma postura dogmática para que aceitemos e abracemos a verdade absoluta de que Deus é nosso Pai e Criador de todas as coisas, e assim somos forçados a aceitar, sem questionamento, que tudo o que existe e ocorre se dá por vontade Dele. Realmente, é fato que tudo o que existe e ocorre se dá por vontade do Altíssimo, mas, uma vez que se pudesse comprovar esse fato através de observações e estudos, ao invés da simples aceitação de dogmas religiosos a nós impostos, poder-se-ía chegar a uma situação de consenso com relação à existência de Deus; então, a argumentação racional derrubaria a descrença dos que nunca encontraram explicação plausível para a lei Universal, e que precisam de algo mais que a fé cega para aceitação do que lhes é imposto.

Tomemos então como parâmetro inicial para discussão o aspecto científico aceito nos dias atuais que explica a teoria evolucionária da Terra. O postulado aceito hoje como padrão para a origem dos organismos vivos terrestres nos diz que toda a vida no planeta começou através de micro-organismos unicelulares, que em tempo, evoluíram a organismos multicelulares, a plantas e animais simples, finalmente culminando no organismo mais complexo de todos que é o homem e seu mecanismo de inteligência em constante evolução.

Existem dois caminhos que se pode seguir para estabelecimento de uma conexão entre a teoria evolucionária da vida na Terra e a existência de inteligência suprema, arquiteta de todo esse processo. A primeira direção é a que caminha no tempo, em sentido contrário à linha evolucionária, e que investiga a origem dos micro-organismos elementares. A corrente teórica mais aceita na atualidade é a que atribui a criação desses seres elementares à combinação de redes inorgânicas de carbono existentes na superfície do globo, que através de reações químicas se transformaram nos micro-organismos elementares em questão. Essa teoria é a mais aceita, uma vez que está provado cientificamente que a partícula mais elementar do corpo humano é também formada por redes de carbono inorgânico. Assumindo que esta seja realmente a origem de tudo, como se explica o fato do homem nunca ter conseguido criar vida a partir de redes de carbono inorgânico? Os avanços mais recentes no campo da genética possibilitaram ao homem apenas a clonagem de seres vivos, utilizando-se para isso o DNA do animal a ser copiado; portanto, isso nada mais é que a cópia de algo existente, não podendo ser caracterizado ou qualificado como criação de vida. Essa simples pergunta gera uma série de considerações, tais como:

(1) Talvez o homem nunca tenha conseguido criar vida a partir de composições inorgânicas pelo fato de que exista outro ou vários outros componentes que devam ser adicionados a redes de carbono para a criação dos seres orgânicos.

(2) Se existem realmente componentes extras que devam ser adicionados, esses componentes ainda não foram descobertos pela nossa ciência, o que sugere que existem componentes ainda mais elementares que o mais elementar que já foi descoberto até hoje.

(3) Se a vida orgânica necessita de um ou vários componentes para sua criação, adicionados às redes de carbono, é realmente razoável se atribuir a puro acaso a combinação de todos esses elementos, nas suas quantidades exatamente precisas, dentro de condições ambientais exatamente perfeitas de modo que se combinem a ponto de criarem vida orgânica? Probabilisticamente falando, isso seria impossível sem a intervenção de uma inteligência exterior ao fenômeno, que alinhe as condições, quantidades e elementos de forma que o resultado final seja o esperado.

 

Ora, se chegamos à conclusão racional de que a criação da vida só pôde ser executada através da intervenção de algum tipo de inteligência, e que estamos nos referindo aos seres vivos originários de toda a vida na Terra, chegamos a um paradoxo: Precisamos de vida inteligente para criação de vida inteligente.

Nesse ponto, mesmo que se atribua essa inteligência externa a criaturas de outros mundos que não as da Terra, como existe hoje corrente simpática a essa teoria, pode-se aplicar a mesma sequência de raciocínio para chegarmos à origem da criação desse ser inteligente em seu próprio mundo, e o criador deste, e o criador deste ainda, até que cheguemos ao criador original, Deus.

O segundo caminho que precisamos seguir para estabelecimento de conexão entre a Inteligência Original e Suprema e a teoria evolucionária se dá na direção temporal oposta à anterior, ou seja, na direção da evolução dos organismos vivos culminando na criação do homem em toda sua complexidade. Apelando mais uma vez à matemática da probabilidade, seria razoável aceitar que essa evolução seguiu um processo aleatório, mantendo em perspectiva que, um simples elemento vivo unicelular possa ter se transformado em um organismo tão complexo quanto o homem?

Isso se quisermos nos manter apenas no campo físico do corpo humano. O que falar do campo mental do homem e toda sua complexidade? Não me refiro ao cérebro propriamente dito apenas, mas ao domínio de suas ideias que determinam a individualidade de cada um de nós. Seria realmente obra do puro acaso a evolução dos seres vivos até esse nível de complexidade?

E com relação à Natureza? Como explicar o seu número virtualmente infinito de elementos e seres variados e como todos se encadeiam e colaboram de forma perfeita para a manutenção do equilíbrio de vários ecossistemas? Cadeias alimentares que garantem a sobrevivência e utilidade de todas as múltiplas espécies de seres vivos, cadeias essas que se alteradas resultam em consequências catastróficas para a região afetada, mas que parecem ter um mecanismo de controle natural, que acaba se reequilibrando sem a necessidade de influência humana, tão logo a força disturbante a essa cadeia se interrompa. Pode-se atribuir toda essa perfeição, de novo, à obra do acaso?

Isso tudo sem mencionar os elementos inorgânicos, que possibilitam infinitas combinações para formação de outros mais complexos, e outros ainda mais. E o que falar dos fenômenos da eletricidade e magnetismo, que através do estudo de seus respectivos campos possibilitou à ciência a descoberta de verdadeiros mundos de possibilidades? A eletricidade e magnetismo não foram criados pela ciência, apenas descobertos. Isso tudo também é acaso?

E os sentimentos humanos, que a ciência até hoje não conseguiu decifrar? Cada relacionamento entre duas pessoas produz número infinito de nuances emotivas, tanto na qualidade e característica de emoções, quanto em suas intensidades. Pelas leis matemáticas, o adicionamento de uma terceira pessoa a essa rede inicial de duas pessoas, aumentaria o número de combinações exponencialmente. Considere agora que existem hoje no globo terrestre mais de cinco bilhões de pessoas, e que todas elas se relacionam indiretamente. As ações de um único indivíduo acabam afetando todos os habitantes do globo, através de suas associações indiretas, como um dominó que cai em uma fileira de cinco bilhões de dominós. É mais do que razoável a aceitação de que exista uma série de leis pelas quais o Universo seja regido, caso contrário, não seria muito difícil imaginar um completo caos culminando com a sua total destruição. Deixamos aqui a pergunta: achamos nós realmente, que as leis da física conhecidas pela ciência de hoje, seriam suficientes para reger um super-organismo tão complexo e inter-relacionado como o Universo infinito?

Negar a linha de raciocínio acima seria negar o axioma básico de todas as ciências; o de que não existe efeito sem causa. Para se crer em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe que nesse caso seria o efeito, logo uma causa para esse efeito deve existir. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde realizar alguma coisa. A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso seria insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso.

Entende-se que para alguns homens seja difícil a aceitação pura e simples de dogmas impostos pelas diversas religiões, especialmente quando essas próprias religiões, que por terem sido criadas por homens, são também falíveis como seus criadores. Temos provas diárias que nos fazem contestar as religiões terrestres, como por exemplo, os movimentos das cruzadas nas épocas medievais que mataram milhares de inocentes em nome de Deus; nada mais era que um movimento político à procura de poder; o roubo da inocência de crianças por membros de altos escalões religiosos, para saciamento de seus sentimentos carnais animalescos; o assassinato de milhares de pessoas em nome de uma chamada guerra santa, motivada por interesses econômicos mundanos; a ostentação gratuita de templos religiosos, adorando a Jesus, que foi o mais humilde de todos os homens, quando ao mesmo tempo, a humanidade nunca sofreu tanto com a pobreza e as desigualdades sociais; o pedido de dízimo e contribuição material fixa e mensal dos fiéis, com o argumento de estes estarem comprando sua vaga junto aos escolhidos na seara de nosso Pai; e outros tantos exemplos que, por si só, apresentariam material suficiente para um livro separado.

Para estes homens contestadores, diríamos: volte-se para a ciência e o raciocínio lógico; para o encontro com o Criador de todas as coisas. Não se deixem hipnotizar pela fraqueza e poder de sugestão dos chamados homens de bem, criadores das religiões Terrenas. Busquem o Pai criador através da análise crítica do mundo que os cerca e usem a ciência, que explica parcialmente a origem das coisas, mas que não encontra respostas para as perguntas fundamentais que serviriam como preenchimento das lacunas mais importantes, como estímulo à sua pesquisa pessoal. Não bloqueiem seu raciocínio para as perguntas de hoje sem respostas, e procure por nosso Pai dentro de seu templo individual, seu coração, que lhes dá a intuição de que somos criações e filhos de um Ser de inteligência infinita, e sua mente, que procura incessantemente pelo sentido da vida.

 

Espíritos: Camile Flammarion e José de Anchieta

Livro: Espiritismo: Filosofia, Ciência e Religião

 


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