"CONTESTAR AS OPINIÕES ERRÔNEAS QUE CONTRA NÓS ESPÍRITAS SÃO APRESENTADAS; REBATER AS CALÚNIAS; APONTAR AS MENTIRAS; DESMASCARAR A HIPOCRISIA; TAL DEVE SER O AFÃ DE TODO ESPÍRITA SINCERO, CÔNSCIO DOS DEVERES QUE LHES SÃO CONFIADOS”.
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publicado por evangelicosfalsosprofetas, em 16.03.10 às 07:51link do post | favorito



Estou cansado!
Ricardo Gondim

Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que um pastor confesse o seu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.

Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.

Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não agüento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa. Cansei com os programas de rádio em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.

Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.

Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.

Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas “caiam sob o poder de Deus” para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.

Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.

Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.

Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza.

Canso de explicar que quase todos os pastores são gananciosos e que as igrejas  existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.

Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.

Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.

Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.

Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.

Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.

Soli Deo Gloria.

 


francisco a 14 de Junho de 2014 às 11:26
Gostei muito por que pessoas verdadeira sao dificeis

rita tomaz a 29 de Novembro de 2015 às 10:02
Sabias palavras , que Deus abençoe.

RAFAEL MARCOS GARCIA a 7 de Julho de 2016 às 18:58
Tenho visto muitos barracos no meio evangélico,a visão que tenho é que a igreja não é mais a mesma,os irmãos não são mais os mesmos.Antigamente casos como esses eram levados para o púlpito,hoje em dia o púlpito,os pastores foram trocados pela mídia,pelas redes-sociais,os fãs e seguidores ficam divididos (não sabendo quem defender) opinam muitas vezes de uma forma acusadora esquecendo que são cristãos .A pessoa parece que esquece que o único beneficiador de todo esse barraco é o diabo .Que o nome de Deus vem sendo escandalizado e que muitas pessoas estão compartilhando ,curtindo esses "tristemunhos"provocando esfriamento espiritual e até mesmo desesperança no meio daqueles que estão fracos na fé e até mesmo naqueles que ainda não conhecem a palavra de salvação.

Adrielly a 5 de Setembro de 2016 às 02:21
É o que sinto nesse momento. Cansada de ver o evangelho ser vendido por falsos profetas, de ver movimentos " estranhos" dentro da Igreja, cansei. Cansei.

ULISSES PEREIRA a 3 de Fevereiro de 2017 às 22:41

Tb cansei e fico magoado qdo a pessoa se diz ser evangélica,mas no fundo tira o tapete das pessoas.
2016 foi horrível e fiquei de cara com uma pessoa e ex colega de cursinho que simplesmente foi ríspida na web e me excluiu como se fosse bandido ...imaginem só se não fosse evangélica.
E o que se espera de trogloditas e nem sabe o que é educação virtual,mas não fecham a porta na sua cara . EM outros países isto é visto com uma cuspida na cara . Por isso fico com um pé atrás qdo a pessoa tem voz mansa ou bate no peito que é evangélico...para mim é uma questão de atitude e fazer valer a palavra. Sem mais....

Anónimo a 13 de Fevereiro de 2017 às 08:44
Sou católica não praticante. Eu acredito que Deus é amor, bondade, humildade...Fui casada com um evangélico , que no início não era praticante. Sua mãe porém, só andava com a Bíblia e falava do evangelho mas os seus atos eram mesquinhos e egoísta s. Aquilo me assustou de tal forma que nunca quis nenhuma aproximação. Minha mãe apesar de ser catoluca não aprovava a pistura de alguns padre. Ela orava para Deus duas vezes ao dia e ninguém podia entrar. no quarto para interromper. Totalmente desapegafa a bens materiais. Ela gostava de ajudar o priximo. Fui criada desta forma. Meu marido começou a frequentar a igreja petencostal, e axreditava que o pastor expulsava demônios. Quando comecava a falar que tal pastor tinha o poder da revelação me deixava louca. Explicava para ele qie não precisamos de intermediários para falar com Deus. O que precisamos é de fé, amor ao proximo, fazer o bem se querer nada em troca, não julgar as pessoas, não ter inveja dos outros, procurar ser uma boa pessoa. Terminei o casamento e hoje ele está mais fanatico. Com os discurso pronto sobre Deus. A pessoa tem que sentir Deus e não repetir texto da biblia. Queria ter conhecimento e estudar o levam as pessoas a este fanatismos de certas igrejas envangelicas. O que eu tenho visto me deixa escandalizadas com a postura de pastores, alguns padres e sem comentários daqueles que participam de certos cultos e igrejas.

Mario André da silva a 1 de Março de 2017 às 14:02
O problema é que o povo é ensinado errado por falsos pastores e acabam indo pelo caminho da perdição e a palavra mesma ensina que chegaria um tempo em que o amor se esfriar ia entre as pessoas

rafael marcos garcia a 4 de Abril de 2017 às 15:02
Sabias palavras , que Deus abençoe
Sabias palavras , que Deus abençoe
Sabias palavras , que Deus abençoe
Sabias palavras , que Deus abençoe
Sabias palavras , que Deus abençoe
Sabias palavras , que Deus abençoe

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